quinta-feira, 26 de maio de 2011

Candomblé de Caboclo aproximando as Religiões Afro-brasileiras


DIALOGANDO COM O ORIXÁ


Depois de postado texto e vídeo sobre o fundamento dos “Encantados” em suas várias manifestações, faz-se necessário algumas considerações.

As religiões afro-brasileiras se manifestam de formas diferentes nas diversas regiões brasileiras; todas com fator comum, Tradição oral.

A Tradição Oral nas religiões afro-brasileiras, não é falta de tecnologia, habilidade ou competência, mas o método escolhido.

Não se pode estigmatizar determinada religião por ela ser de Tradição Oral, ao contrário, favorecê-la, pois está sempre se ressignificando, propiciando novas leituras que impedem o inconcebível fundamentalismo e a codificação ou engessamento doutrinário-ritualístico.

Por estas simples considerações, não se deve, não é de bom tom espiritual criticar essa ou aquela religião, principalmente nas religiões afro-brasileiras a manifestação dos Encantados que se apresentam no Culto a Jurema, Terecô, Tambor de Mina, Xambá, Umbanda Traçada, entre outros.

Infelizmente, ainda há muita crítica descabida, preconceito ou desconhecimento. Aos que assim se posicionam devem ser remetidos ao aforismo grego que afirmava: “Narciso acha feio tudo que não é espelho”.

Aproveitando o ensejo para disseminar a idéia de religião afro-brasileira, isto é, onde pontificam Orixá, Vodum, Inkice, Caboclo, “Gentis” (nobres europeus “aclimatados” no solo e astral brasileiros e tantas outras divindades sobrenaturais.

Aproximação, respeito à alteridade e diálogo é necessário nas religiões afro-brasileiras, mas só pode fazê-lo aquele que viveu, vive, e é iniciado nos fundamentos das religiões afro-brasileiras, e isso é conseguido no processo iniciático somente nos templos, no relacionamento pai de santo – filho de santo.

Algumas religiões afro-brasileiras têm como mote principal, mesmo que de forma subliminar, aproximar o fundamento do Orixá com o do Ancestral Ilustre, tal como acontece na Umbanda com influências afro-amerindias e com o Candomblé de Caboclo onde se cultua o Orixá e Ancestrais Ilustres representados pelo Caboclo ou Encantados vários.

Esse último culto citado – o “Candomblé de Caboclo” é uma forma inteligente e criativa das religiões afro-brasileiras em aproximar dialogicamente, sem traumas, o Culto ao Orixá com o Culto do Ancestral Ilustre (Caboclo – Orixá do Brasil).

O culto ao Orixá por intermédio do “temperamento” do “deus” busca uma explicação ritual e fortalece a identidade do indivíduo, propiciando uma personalidade ajustada ao social, natural e sobrenatural.

Muitos questionam o arquétipo dos Orixás, pois os mesmos são antropomorfos. Sim, os Orixás se fizeram homens e tornaram-se próximos de seus “filhos de santo”, para que esses últimos gradativamente, segundo seus graus de iniciação, vão melhor entendendo o fundamento do Orixá, sua valência de ancestralidade e, principalmente, quem são os Orixás na essência do processo, seja no axé ou no aspecto do transe de possessão, fenômeno terapêutico, remédio que permite amplificar a consciência, por intermédio do transe e o decorrente trânsito de material ou conteúdo do inconsciente coletivo para o inconsciente do “cavalo de santo”, e deste para seu consciente, aumentando seu grau de percepção do mundo visível (ambiente natural e social) e do mundo invisível (ambiente sobrenatural: espiritual – mental – imaginário).

No término deste texto será postado mini álbum de fotos em que se observa o autor, “virado no Orixá” (OgIyan), na “camarinha ou roncó”, local sagrado onde está sendo retirado o axó, no caso, somente, os ojás (cruzados) e o atacã próprios do Orixá que havia retornado do peji (ojubó) onde havia distribuído axé e bênçãos a todos os presentes por intermédio de seu ilá, danças, cânticos e gestos sagrados.

Este texto encerra o ciclo de apresentações de alguns rituais das várias religiões afro-brasileiras praticadas pelo autor que foi iniciado em várias delas. A todo povo do santo, de todas as tradições axé!

P.S. O mini álbum disponibilizado demonstra algumas imagens do autor “virado no OgIyan” (saindo do transe). Ainda na camarinha, nas duas ultimas fotos observamos o autor em estado de erê. Estas fotos fizeram parte de um toque de Orixá - roda de Oxalá.

Pai Rivas virado no Ogiyan


Tata Macaia, filho de Pai Rivas dançando no Ogiyan

Ogiyan dançando com o oninodo (mão de pilão)

Tata Macaia, filho de Pai Rivas, auxiliando Ogiyan

No término do transe Ogyian entregando o oninodo

Os passos finais da dança de Ogiyan


Ato devocional de Tata Macaia a Ogiyan

Pai Rivas saindo do transe

Pai Rivas em estado de erê assistido por seu filho de santo, Tata Macaia

Pai Rivas em estado de erê assistido por seu filho de santo, Tata Macaia
Estado de alegria (Ayó) manifesto na fisionomia de Tata Macaia conversando com Pai Rivas em estado de erê (transe atenuado)

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 149

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