quinta-feira, 14 de abril de 2011

Religiões Afro-Brasileiras resgatando o Sagrado


Neste texto, com a aquiescência do Astral Superior vamos abordar alguns conceitos pertinentes ao processo evolutivo, educacional e cultural que norteará o terceiro milênio, e dentro dele, a Augusta Tradição de Síntese.

Há muito escrevemos que os “clarins de Ogum” estão soando anunciando uma nova era, descortinando um auspicioso momento planetário onde prevalecerá acima das diferenças e desigualdades mantenedoras dos conflitos internos e externos, as semelhanças indutoras e mantenedoras de Paz, Luz e Entendimento.

Os tempos são chegados! O futuro está presente, conclamando-nos a vivenciarmos um novo tempo, que fará do planeta Terra um lócus cósmico de paz e felicidades.

Para tal evento acontecer haveremos de banir para sempre a vaidade, o orgulho e o egoísmo geradores de três terríveis flagelos destruidores de todas as aspirações de igualdade e fraternidade entre os homens, que são: a ignorância (enganos), o ódio (aversão) e os apegos (avareza) vários (poder, tirania, inércia espiritual etc.).

É por isto que a pedido do “astral competente”, das Augustas e Excelsas Hostes do Bem e da Luz nos propusemos a empunhar nossa pena. Sim, dizem os Mestres Astralizados – Senhores da Sabedoria, que os maiores entraves ao progresso da Humanidade encontra-se na visão distorcida das Religiões responsável por tantas dissensões, com graves repercussões na sociedade planetária, cada vez mais fragmentada, separada, aumentando a miséria em todos os âmbitos.

Certo está que precisamos de re(união) com o Sagrado, sendo beneméritas todas as formas de Religião, mas às mesmas cabem a tarefa de unir os Homens, auxiliando-os na neutralização da miséria, das desigualdades sociais, étnicas, culturais, políticas e econômicas e jamais incentivar as iniquidades citadas.

Talvez alguns Irmãos Planetários digam não ser esta a função da Religião, pois ela deveria se interessar pela fé, esperança e consolação de seus prosélitos.

Às Religiões não competem somente os patrimônios da fé, esperança e consolação, mas principalmente de remir e re(unir) o Homem consigo mesmo e com o Sagrado, e Esse está em toda as coisas, inclusive, nas várias formas doutrinárias, em todas as Religiões. Portanto, não podemos dizer ser esta ou aquela Religião melhor que outra; quem tem uma, em geral, nega as demais; quando se é praticante de uma Religião, mesmo que de forma velada, discrimina-se as outras... O que há é Religião, (re)união com o Sagrado, e não Religiões. As Augustas Hierarquias Constituídas, os Espíritos Planetários – Os Orixás Ancestrais e todos seus enviados, (ancestrais ilustres) quando têm oportunidade, afirmam que a Umbanda tem necessidade de se expressar como Religião -uma visão direta e imediata do Sagrado. A Umbanda afirma que as Religiões, embora louváveis em seus princípios, são visões particularizadas do Sagrado, ressaltando e realçando as diferenças entre as Coisas Divinas, algo que deveriam refutar, pois como admitir serem as religiões promotoras de desavenças, cizânias que podem culminar em lutas fratricidas, na abominável e inconcebível guerra?[1]

Sim, este texto, respeitosamente, vem demonstrar a necessidade de vivenciar o Sagrado, que está acima de todas as Religiões, pois além de ser o ponto de convergência entre as mesmas, é a origem de todas elas que foi esquecida e adulterada.

Carecemos retornar ao Sagrado (Religião Primeva), que não desrespeita e muito menos nega os níveis de percepção da realidade, ao contrário, valoriza-os, adaptando-lhes vários cultos, que mais lhes falem à alma, porém subtraindo-lhes, de forma atraumática, a fé cega, a ortodoxia, o sectarismo e o misoneísmo mantenedores das dissociações entre os pilares da gnose humana, quais sejam: a Ciência, a Filosofia, a Arte e a Religião (Reunião com o Divino - onde todos os homens são iguais, pois são divinos).

Enquanto não tivermos a restauração do Sagrado, o pólo unificador, convergente e monista dos quatro pilares, (é supra-disciplinar, estando acima das mesmas, pois é a origem que foi cindida), teremos desigualdades, não teremos paz interna (no indivíduo) e nem paz externa (no mundo).

Caro Irmão Planetário, não queremos cansá-lo com nossa base discursiva, pois concordamos quando se afirma que o bom escritor é o que escreve pouco e diz muito ao leitor, sendo esta nossa humilde pretensão.

Antes de encerrarmos o texto, não podemos deixar de reiterar nosso respeito à cultura, à educação, à evolução e é óbvio que nisto incluímos e ressaltamos as Ciências Acadêmicas. Não podemos ferir seus cânones, pois nenhum espiritualista sério e comprometido com a Verdade escarnece ou desdenha de seus inquestionáveis benefícios prestados à Humanidade, mesmo sabendo-se que não basta instrução acadêmica para arvorar-se sábio. Todavia não negamos nela encontrarmos valiosa ferramenta para construir-se o Saber, tal qual fizeram os Mestre da Sabedoria de todos os tempos, que, como dissemos, prestaram inúmeros serviços em prol do progresso da Sociedade Planetária. A todos os cientistas e espiritualistas universalistas de antanho, de hoje e do futuro nosso fraternal e sincero agradecimento pelas luzes que nos enviaram, enviam e enviarão.

Encerrando e concluindo, queremos colocar que a Umbanda, muitas vezes tida como ortodoxa e sectária, como cultura de periferia (não considerado como cultura de centro), é o cadinho onde se forjam as almas a caminho da redenção[2]. Embora tão desassociada na aparência, será o pólo norteador para uma nova Sociedade que está florescendo, onde prevalecerá o Culto ao Sagrado, a Espiritualidade Cósmica, pois mesmo sendo os homens “diferentes” entre si, todos são transitórios, mortais. Em espírito todos são iguais, sendo imortais e eternos.

A Umbanda é um processo dinâmico, dialético, de mudanças constantes, de releituras não desdenhando do amadurecimento espiritual que a todos aguarda. Sua função é resgatar o Sagrado - Visão Direta e Imediata do Divino.

A Umbanda pretende trabalhar ativamente no resgate da cidadania espiritual do Homem, fazendo-o cônscio de que é Espírito, sendo iluminado e eterno, pois sua Essência é Divina.

Não obstante a Umbanda ser um adaptador consciencial importantíssimo e necessário, neste terceiro milênio, por intermédio dos Orixás – Os Supremos Luminares e Curadores do Mundo, restaurará a Teologia da Convergência, a qual reunirá o Saber Religioso com a Filosofia, Ciência e a Arte e com as crenças e rituais reunirá todas as Religiões – Sagrado. Desta proposição subentende-se que a Umbanda fará a reunião de todos os Homens, havendo apenas felicidade e igualdade sustentadas pelo Culto ao Sagrado - a visão direta e imediata do Divino. Axé!


Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 137


[1] Todos ainda tem vivo na memória o ocorrido nos E.U.A. o insólito e inconcebível ato terrorista, vergonhosa herança de tempos da barbárie que pensávamos tivessem se extinguido. Infelizmente este abominável ato pode trazer a funesta e inaceitável guerra fratricida. Aproveitamos o ensejo para reiterar que o fanatismo, a ortodoxia e o famigerado fundamentalismo tem levado a fragmentação das Religiões. Trouxeram uma onda crescente de descrença nos setores filosófico-religiosos, que ao invés de buscarem uma convivência pacífica, infelizmente, fomentam, por puro proselitismo étnico-político, a guerra.

Isto levou o escritor José Saramago, simpatizante da “religião marxista” e ateu declarado, a escrever o artigo, cujo título – “O Fator Deus”, datado do dia 19.09.2001 (Folha de São Paulo), que reproduzimos, nas linhas que se seguem.

... “E, contudo, Deus está inocente. Inocente como algo que não existe, que não existiu nem existirá nunca, inocente de haver criado um universo inteiro para colocar nele seres capazes de cometer os maiores crimes para logo virem justificar-se dizendo que são celebrações do seu poder e da sua glória, enquanto os mortos se vão acumulando, estes das torres gêmeas de Nova York, e todos os outros que, em nome de um Deus tornado assassino pela vontade e pela ação dos homens, cobriram e teimam em cobrir de terror e sangue as páginas da história. Os deuses, acho eu, só existem no cérebro humano, prosperam ou definham dentro do mesmo universo que os inventou, mas o “fator Deus”, esse, está presente na vida como se efetivamente fosse o dono e o senhor dela. Não é um deus, mas o “fator Deus” o que se exibe nas notas de dólar e se mostra nos cartazes que pedem para a América (a dos Estados Unidos, não a outra...) a bênção divina. E foi o “fator Deus” em que o deus islâmico se transformou, que atirou contra as torres do World Trade Center os aviões da revolta contra os desprezos e da vingança contra as humilhações. Dir-se-á que um deus andou a semear ventos e que outro deus responde agora com tempestades”...

Após a transcrição, reiteramos que as Religiões carecem de Convivência Pacífica, de Convergência que as remetam a doutrinarem a Paz Mundial. É o que temos preconizado. Precisamos definitivamente buscarmos alternativas na convivência pacífica para sanarmos as ignomínias políticas e econômicas que infelizmente refletem-se no indivíduo e na Sociedade Planetária. Todavia não desconhecemos que as reformas sociais e nas instituições, haverão de iniciar-se no íntimo das criaturas e não o contrário (Espiritualidade Universal).

[2] A Escola de Síntese, defendida pela Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino, preconiza a universalidade manifesta na diversidade de todas as coisas que remetem a Paz Mundial e Convergência. Convergência entre todos os Setores Filosófico-religiosos, científicos e artísticos. Porém, necessitamos de convivência pacífica, onde todos se respeitem verdadeiramente, e não apenas se tolerem (por convenção), como infelizmente vimos observando nestes últimos tempos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário