quinta-feira, 28 de abril de 2011

Religiões Afro-Brasileiras: O Sacerdote, Mago e Médico – Parte II

O Espírito, como é imaterial, não tem limites, não esta atrelado ao tempo e ao espaço. Isso significa que não há, nos termos do universo que conhecemos, separação entre os espíritos. O que existe é, na Eternidade Relativa que chamamos de Reino Virginal, uma distinção virtual dos espíritos como pares vibratórios em Consciência-Una. Na Eternidade Absoluta o que existe é a Unidade de Consciência, não há qualquer forma de dualidade. Já no Universo Astral ao qual estamos afeitos, existe a aparência de pluralidade como função do ângulo de interpretação da realidade dos espíritos. Um exemplo poderá esclarecer essas afirmações: nós todos apreendemos o mundo em função das experiências que obtemos com nossos cinco sentidos; se imaginarmos, porém, um ser capaz de enxergar não cores e formas, mas partículas atômicas, seu universo será muito mais uniforme, como uma malha tridimensional com diferentes pontos de concentrações de partículas, tudo em movimento. Esse ser perceberá sem dificuldades a identidade que existe entre os seres e entre as coisas.

Voltando ao ser espiritual expresso no corpo físico por meio de três organismos progressivamente mais densos – mental, astral e etéreo-físico -, compreenderemos que quanto mais próximo da Essência (direção do organismo mental, do mundo espiritual) maior a sensação de unidade entre todas as coisas; de outra forma, quanto mais próximo da Substância (direção do organismo físico, do mundo material) maior a existência de pluralidades, de diversidades e mesmo de contradições e conflitos. Basta lembrarmos da célula-ovo ou zigoto formada a partir da união com o espermatozóide e do óvulo que, partindo de uma situação completamente indiferenciada mas totipotente, dividi-se e diferencia-se em tecidos, órgãos e sistemas que formam um organismo desenvolvido.

É preciso dizer que cada um de nós é um espírito cuja Essência é a Unidade-Universalidade. Contudo, podemos escolher o “mundo” em que queremos viver, bastando posicionar nossa consciência em qualquer ponto do caminho entre espírito e matéria. Para sermos sincero, devemos admitir que a maior parte da humanidade volta-se hoje mais para o lado material da existência, ficando assim presa às coisas densas e efêmeras, transitórias. São jogadas assim da alegria para a tristeza, da satisfação para a ansiedade ou depressão, da mesma forma que o vento sacode as folhas de um lugar a outro. A maior parte de nós gravita na periferia da Roda dos Elementos, do ciclo da vida, sem vistas para nossa verdadeira Essência, sem esperanças de melhora.

Dialeticamente, somos forçados a nos perguntar: se o Espírito (Essência) é que gerou a Matéria (Substância) e se manifestou na Matéria dando Existência a todas as coisas, por que perdemos a noção de quem nós realmente somos, da unidade-universalidade entre todas as coisas, e o espírito e pior, escolhemos ficar na periferia do sistema, sofrendo com a transitoriedade?

Para produzir em palavras algo que é espiritual, utilizaremos a Ciência do Concreto, o Mito. Lembremos a estória de Narciso: ele era tão belo que certa vez, ao olhar o reflexo de seu rosto na água encantou-se consigo mesmo e tentando unir-se ao seu reflexo acabou morrendo afogado. Da mesma forma, o espírito se refletiu na matéria; se encantando foi identificar-se com sua imagem e acreditar que a imagem era ele mesmo. Desde então, vive na ilusão, acreditando ser o que seus sentidos demonstram.

Nas linhas acima já se encontram informações suficientes para a compreensão de boa parte do processo que, segundo a Escola de Síntese, envolve o exercício do Sacerdócio, da Magia e da Medicina. A chave completa se revela durante a Iniciação que, mais uma vez afirmamos, requer o esforço e a dedicação durante várias existências no corpo físico e fora dele, e o imprescindível relacionamento Mestre-Discípulo. A transmissão iniciática nestas bases é reconhecida por todos os Iniciados desde o inicio dos tempos, tendo sido seguida por Moisés (iniciado por Jetro), por Pitágoras (pelos sábios egípcios, caldeus e babilônios) e mesmo pelo augusto Ishvara, o Cristo Jesus que se fez iniciar por João Batista. Não podemos, portanto, reconhecer a iniciação sem o preenchimento desses requisitos.

Posto isto, perscrutemos o ofício de cada uma das três atribuições dos sábios do passado, de antemão já afastando a premissa de que tais práticas sejam próprias de culturas primitivas. Ao contrário, acreditamos que sejam herança de culturas primevas, do povo da Raça de Cristal, muito mais evoluídos que nós, aqui submissos aos impulsos e aos desejos que eclipsaram nossas mentes, algo jamais acontecido entre as culturas Primevas. Continua na próxima publicação a última parte do texto.

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 141

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