quinta-feira, 7 de abril de 2011

O Médium Magista nas Religiões Afro-brasileiras


Na doutrina esposada pela Escola de Síntese temos que médium-magista ou mago é aquele que venceu o processo da Iniciação Superior, hermética de Umbanda, tendo recebido a outorga para movimentar, legitimamente, as forças magísticas.

A Iniciação deve ser ministrada por um Mestre de Iniciação ou Pai de Santo que seja um Iniciado de 7º grau, no 3º ciclo.

Assim, não basta ter sido um iniciado no 7º grau, é necessário ter o selo da Augusta Confraria dos Magos Brancos do Astral Superior.

O Mestre de Iniciação de 7º grau, no 3º ciclo saberá quem elevará a médium magista ou mago após completar sua Iniciação Templária (no terreiro), após sete anos de práticas e teoria vivenciada. Portanto, todo médium-magista é um iniciado de 7º grau, todavia, nem todo iniciado de 7º grau é médium-magista.

O médium magista ou mago recebe do astral competente, do astral superior, as Ordens e Direitos, firmados, recebidos e confirmados em vários rituais de fundamento levados a cabo durante a formação iniciática, e, somente no terreiro por intermédio de um Pai de Santo legítimo e consumado nas lides iniciáticas, magísticas, psicúrgicas e teúrgicas.

As minudências e fundamentos dos rituais de Iniciação dos Mestres de Iniciação que são médiuns-magistas, são reservadas para o interior do Templo, distanciados dos olhares profanos.

Só podemos afirmar que os mesmos são realizados pelo Mestre de Iniciação ou por uma Entidade Espiritual mediunizada nele, e somente no Templo. Na oportunidade faz a transmissão do selo magístico da Augusta Confraria citada, por meio de um ritual simples, mas rico em beleza e luzes.

Em nossa Escola o mago tem de ser, em primeiro lugar, médium umbandista ou das Religiões Afro-Brasileiras. Terá de ser médium coroado (Iniciado) e que tenha sólidos conhecimentos da Escrita Sagrada (Lei de Pemba) e dos vários métodos oraculares consagrados nas Religiões Afro-Brasileiras.

Como afirmamos, a mediunidade haverá de ser apurada, sendo o médium, uma pessoa equilibrada nos pensamentos, sentimentos e atitudes. A mediunidade apurada vem pela clarividência ou dimensão mediunidade. Em geral, é um estudioso, e, por que não dizer, conhecedor dos quatro pilares do conhecimento humano, e da dimensão do sobrenatural.

Depois destas explicações necessárias esperamos que tenha ficado claro que a Iniciação não se faz, pelo menos em nossa Escola, lendo este ou aquele livro, apostilas, seminários, cursos, vivências entre tantos outros.

A vivência-experiência não se adquire e, livros que podem sim, ser, auxiliares valiosos, desde que o leitor tenha o devido discernimento, pois caso contrário, poderá ser induzido ao erro, disseminando assim ensinamentos distorcidos, confusos e sofísticos.

Entendamos melhor o que explicamos: caso o médium não tenha o discernimento devido, não saberá concluir ou mesmo comparar, não tendo, pois senso crítico para avaliar.

Necessitamos de visão clara que nos deslinde do fanatismo, que invariavelmente é o indutor do dogmatismo estéril que nega as mudanças, distorcendo a realidade, promovendo ainda mais a difusão da miséria e ignorância em vários níveis, inclusive o que é alarmante no espiritual.

Temos muito a refletir. Todos nós precisamos de bom-senso, lógica e auto-critica. Devemos questionar o quanto estamos auxiliando ou não a apagar a enorme fogueira da vaidade, manifestação primeira da ignorância humana.

Urgentemente, carecemos de mudar pensamentos e atitudes. Não podemos sustentar discursos sofísticos, erísticos ou algo que os valha. Temos que repensar idéias, pensamentos e atitudes de forma urgente-urgentíssima.

Com certeza muitos sentenciarão que queremos ser melhor que os outros, mal humorado e o intelectual. Em verdade nenhuma coisa, nem outra, mas sim apenas senso crítico, que esperamos seja apurado. Para corroborar com nossas assertivas, aditamos um breve texto da renomada filósofa e intelectual brasileira Marilena Chaui, a qual reverenciamos por sua clareza, cultura e inteligência. Axé!

P.S. Em textos anteriores dissemos que a Teologia defendida na FTU tem duas vertentes. Uma vertente é a do Saber Religioso que faz a interface com o Saber Científico. A outra é a das crenças e rituais que interfaceia com a Religião. A FTU procura desenvolver a síntese das duas vertentes. Recentemente a TV Futura fez uma reportagem na FTU que ilustra o que dissemos. Confira visitando o site da FTU ou no link http://www.youtube.com/watch?v=u1kooUPurYw.

“A primeira característica da atitude filosófica é negativa, isto é, um dizer não aos “pré-conceitos”, aos “pré-juizos”, aos fatos e às idéias da experiência cotidiana, ao que “todo mundo diz e pensa”, ao estabelecido. Numa palavra, é colocar entre parênteses nossas crenças para poder interrogar quais são suas causas e qual é seu sentido.

A segunda característica da atitude filosófica é positiva, isto é, uma interrogação sobre o que são as coisas, as ideias, os fatos, as situações, os comportamentos, os valores, nós mesmos. É também uma interrogação sobre o porquê e o como disso tudo e de nós próprios. “O que é?”, “Por quê é”? “Como é?”. Essas são as indagações fundamentais da atitude filosófica.

A face negativa e a face positiva da atitude filosófica constituem o que chamamos de atitude crítica. Por que “crítica”?

Em geral, julgamos que a palavra “critica” significa ser do contra, dizer que tudo vai mal, que tudo esta errado, que tudo é feio ou desagradável. Crítica é mau humor, coisa de gente chata ou pretensiosa que acha que sabe mais que os outros. Mas não é isso que essa palavra quer dizer.

A palavra “crítica” vem do grego e possui três sentidos principais: 1)capacidade para julgar, discernir e decidir corretamente; 2) exame racional de todas as coisas sem pré-conceito e sem pré-julgamento; 3) atividade de examinar e avaliar detalhadamente uma idéia, um valor, um costume, um comportamento, uma obra artística ou científica. A atitude filosófica é uma atitude crítica porque preenche esses três significados da noção de crítica, a qual, como se observa, é inseparável da noção de racional, que vimos anteriormente.

A filosofia começa dizendo não às crenças e aos preconceitos do dia-a-dia para que possam ser avaliados racional e criticamente, admitindo que não sabemos o que imaginávamos saber. Ou, como dizia Sócrates, começamos a buscar o conhecimento quando somos capazes de dizer: “Só sei que nada sei”...

CHAUI, M. Convite à Filosofia. São Paulo, Ed. Ática. 2003

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 135

Um comentário:

  1. PARABÉNS POR MAIS ESSA INICIATIVA VITORIOSA EM BENEFÍCIO DA NOSSA AMADA UMBANDA.

    ORION DE XANGÔ

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