segunda-feira, 14 de março de 2011

Na Umbanda "opinião" é preciso, erro científico não!


Há muito temos defendido e sustentado que a Umbanda é uma “idéia” (unidade) que se manifesta em várias linguagens (Escolas). Todas legítimas segundo seus ângulos de interpretação, justo pois, serem denominadas Umbandistas.

Pelo aludido, sem esforço, chega-se à conclusão que cada Escola possui opiniões ou juízos de valor próprios. Isto se justifica, pois na dependência da Escola ou segmento tem-se uma visão de Umbanda que permite várias formas de interpretação de sua doutrina.

Não há nexo, pois, uma Escola criticar outra, e pior, levar uma co-irmã as raias do tribunal. Como todos são sabedores, pelos “motivos” aludidos, fomos interpelados judicialmente por defendermos nossa doutrina; será mesmo?

Peço aos leitores a gentileza de lerem com a atenção devida, a conclusão do Meritíssimo Juiz de Direito sobre a ação jurídica citada.

Ao grupo querelante, pedimos que leia, mais uma vez, a “sentença”, o “veredicto”. Citaremos somente as duas proposições principais e decisivas:

Primeira: ...“Exercer seu direito de manifestação do pensamento sobre um assunto religioso; e, em tal matéria não existe uma verdade absoluta, que torne seus aspectos inquestionáveis e sem possibilidade de discussão nem debate doutrinário”.

Segunda: ...”Realmente aspectos de uma religião não são verdades absolutas à semelhança do que ocorre com enunciados científicos. Um teorema matemático ou uma lei da física podem ser demonstrados e ser caracterizados como verdades absolutas”.

Após estas duas proposições que achamos fundamentais, vejamos a conclusão:

... “Isso é suficiente para se concluir pela rejeição de todos os pedidos descritos na inicial. Por tais razões, suficiente, o pedido deve ser rejeitado. Julgo IMPROCEDENTE a ação.”

Todos devem perceber o porquê do referido grupo querer rivalizar com nossas obras, dizendo que tem “erro de opinião”. Ora, a opinião está a mim assegurada, como a qualquer outro cidadão (vide o veredicto).

Não podemos dizer o mesmo de erros científicos (vide veredicto) o que todos sabem de sobejo não existir em nossas obras. Entenderam? É isso mesmo!

Com a finalidade de esclarecermos ainda mais, disponibilizamos o vídeo que se segue. Grato pela tolerância. Axé!

Ps: Na religião não há verdades absolutas, ao contrário, há diversas interpretações. Com posicionamentos distintos; as Humanidades não são Ciências Exatas. E todos eles devem ser respeitados. O posicionamento individual de cada um a esse respeito deve ser preservado.




Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 128


2 comentários:

  1. Mestre Arhapiagha quero em nome de todos crentes umbandistas agradecer seu enorme empenho, pois sem sua luta nós não teriamos avançado como avançamos, o Senhor é sem dúvida nenhuma o verdadeiro suscessor de Pai Matta, que tanto lutou para elevar o movimento umbandista, e hoje com a criação da FTU, inicia-se uma nova era para todos, que de alguma forma são simpatizantes das Religiões Afro.
    É maravilhoso como o Conceito de Escola mostra-nos que realmente somos iguais em essencia, não importando a forma como vemos as coisas da religão.
    importantíssimas suas palavras sobre os fatos ocorrido, muito esclarecedor.
    Muito obrigado por tudo, pela sua luta e bravura,porque sem sua luta, o movimento estaria estaginado.

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  2. nobre Mestre Arapiaga, Saravá!

    Fico satisfeito ao ler essa conclusão judicial, que pela exposição de motivos do honorável magistrado manteve intactas duas liberdades fundamentais ao nosso Estado de Direito: a opinião e o culto. Oxalá queira que esse posicionamento do Judiciário coiba futuras algazarras ideológicas e iniciativas belicosas, como sempre perpretadas por irmãos de fé menos felizes, ou pior, pouco preocupados com a imagem de nossa religião perante a massa leiga.

    João de Freitas vaticinava com uma maestria ímpar, quando defendia que "se a Umbanda tem problemas de entendimento doutrinário, estes devem ser resolvidos DENTRO de nossas comunidades." Ou, na melhor expressão popular: roupa suja se lava em casa (não no tribunal)!

    São coisas que a gente não entende, caro Pai Rivas: pelo que me consta, as obras que o Sr. publicou até hoje jamais sofreram qualquer moção de repúdio por parte de físicos, químicos e estudiosos ilibados, não é mesmo? Tampouco tiveram que ser retiradas do mercado, por estarem eivadas de erros científicos. Quem o acusou pode se vangloriar disso?

    Fraternal amplexo!

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