segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A Paz Mundial – Contribuição das Religiões Afro-brasileiras


Paz não significa apenas a ausência de guerras, de disputas políticas, sociais ou econômicas; mais do que isso, paz é um estado de tranquilidade e progresso social, caracterizado pelo relacionamento saudável e cordial entre indivíduos ou povos. O estado de Paz ou Guerra observado em uma sociedade é, na verdade, o reflexo coletivo do grau de Paz interior de cada indivíduo.

Em sentido mais amplo, podemos dizer que "paz" é o ambiente gerado no contato de indivíduos em estado de pleno equilíbrio mental, emocional e físico. A Fundação Arhapiagha para a Paz Mundial investe no Indivíduo como unidade fundamental da sociedade e propõe formas de se alcançar a Paz interior para dar paz ao mundo.

Para haver Paz externa é preciso haver Paz interna. Nossas energias maiores devem ser empregadas no intuito de resolvermos nossos conflitos interiores e deixar que nosso exemplo contagie os demais. E muito pouco produtivo despendermos esforços para transformar o mundo externo de maneira impositiva.

É claro que estando o indivíduo em Paz consigo mesmo, naturalmente estará em paz em seu lar, com sua família, no trabalho, etc; não mais agredirá a seus semelhantes, à natureza e, principalmente, a si mesmo.

Como ponto primordial para a conquista da Paz Interna e Externa, devemos ter sempre em mente a questão da interdependência. O que quer que aconteça com um indivíduo ou o meio ambiente afeta, em maior ou menor proporção, a todos os habitantes do mundo. Como consequência disso, não podemos esperar ter paz ou sermos felizes se todos não experimentarem igualmente esta condição.

Assim, a “Fundação Arhapiagha para a Paz Mundial” propõe que, para alcançar esses objetivos, o homem deve alcançar a harmonia com quatro fatores básicos e interligados: com o próprio Indivíduo, com a Comunidade, com a Natureza e com o Sagrado. As ações desenvolvidas por esta fundação visam, portanto, criar condições para que estes quatro objetivos sejam atingidos de maneira mais rápida e suave possível.

O HOMEM

Cada indivíduo é um universo em si mesmo, a vastidão interior é comparável à vastidão do cosmos. Raros são os que buscam conhecer a vastidão interior, a maioria prefere poupar-se o trabalho, mantendo-se na ignorância. O resultado é a criação de um hiato, um abismo entre o interior e o exterior, gerando a dualidade e o conflito, o sujeito e o objeto. A dor e o sofrimento são conseqüências dessa fragmentação que se espalha por tudo que o homem toca.

A personalidade humana expressa-se através de pensamentos, sentimentos e ações; deveria haver um perfeito entrelaçamento dessas três instâncias. Para termos Paz devemos direcionar nossos Pensamentos no sentido da Sabedoria; nossos sentimentos no sentido do Amor; nossas ações no sentido da Evolução.

Três são os venenos causadores das distorções da personalidade: egoísmo, vaidade e orgulho.

Se um indivíduo quer ter Paz interior, deve procurar eliminar estes venenos, cultivar a humildade, a simplicidade e a pureza de intenções. Deve ter paciência e perseverança. Saber que o caminho é longo e demorado, que a conquista maior (de si mesmo) é feita no silêncio. Compreender que o crescimento leva o homem a servir, não a ser servido; que os maiores tesouros são imateriais e eternos. Queremos propagar essas realidades e acreditamos que com esforço poderemos criar uma nova sociedade, um novo homem, livre desses venenos, e seremos todos mais felizes.

A HUMANIDADE

A busca da paz e da felicidade é inerente a qualquer indivíduo, não há quem busque, deliberadamente, o sofrimento e a dor. Ainda assim, mesmo com todos os indivíduos do planeta buscando a alegria e a felicidade, o que encontramos é uma humanidade triste, doente, desconsolada e sofrendo dores atrozes, morais e físicas. Por que será que o resultado é exatamente o oposto do esperado? Será que o sofrimento é uma contingência inevitável da vida e estejamos todos destinados a padecer desde o nascimento até a morte? Acreditamos que não, e que é possível alcançarmos a felicidade de todos.

O problema maior não é o desejo de ser feliz e de ter progresso, mas sim o que consideramos felicidade e progresso e a maneira que buscamos atingi-los. Enquanto acreditarmos que para ter sucesso precisamos ser melhores que os outros, ter poder sobre nossos semelhantes ou acumular bens materiais, continuaremos vítimas do sofrimento e da insatisfação. O sucesso não é determinado pela comparação entre indivíduos, mas sim pelo quanto alguém progride em relação a si mesmo e ao seu próprio potencial.

Por outro lado, a felicidade não pode ser encarada como um objeto absoluto, uma meta pré-determinada. A felicidade maior está justamente em poder contemplar a eterna mutação da vida e acompanhá-la de forma suave e natural, se modificando e se aperfeiçoando a cada dia.

Por fim, o maior obstáculo para sermos felizes é o fato de que buscamos a felicidade do eu, a realização pessoal. Funcionamos em sociedade como um "cabo de guerra" com inúmeras cordas dispostas de maneira radial, como uma estrela, em que cada um puxa para seu lado e ninguém sai do lugar.

Em síntese, se você quer ser feliz, faça seu próximo feliz.

A NATUREZA

A harmonia com a Natureza é um dos fatores primordiais para termos Paz interna e externa. Nossa vida origina-se e é mantida pela Natureza e seus reinos mineral, vegetal e animal. Entretanto, o homem trata o meio ambiente com descaso, destruindo-o e espoliando os recursos naturais. A postura da humanidade em relação ao planeta e à natureza se dá nos moldes do parasitismo inconsequente, no qual o parasita explora o hospedeiro até a morte, ocasionando a morte também para si próprio.

O homem não está para ser parasita da Terra, sua relação deve ser de simbiose com o planeta, dando oportunidade para o progresso mútuo. A insistência em destruir a natureza traz conseqüências desastrosas para a própria humanidade, já que a interferência negativa sobre o equilíbrio natural dos ecossistemas provoca efeitos invariavelmente nocivos ao homem. Como exemplos citamos: a destruição da camada de ozônio, o efeito estufa, os cataclismos, as doenças contagiosas; todos, em última instância, produtos da insensatez humana.

Devemos evitar destruir e, na medida do possível, reconstruir o que danificamos no meio ambiente. Precisamos reciclar materiais; produzir menos lixo; encontrar alternativas alimentares sustentáveis; evitar a exploração e esgotamento das riquezas minerais (elas são responsáveis pelo equilíbrio eletromagnético planetário).

Além desses aspectos, acreditamos que a Natureza seja fonte de remédio e tratamento para nossas desarmonias. Se o desenvolvimento do ser humano (ontogênese) repete o desenvolvimento da vida no planeta (filogênese), temos representações dos reinos naturais em nosso organismo. Enquanto a Natureza ainda preserva uma certa harmonia, o ser humano perdeu a sua própria. O convívio harmônico com a Natureza pode restaurar o equilíbrio do indivíduo, não apenas pelos alimentos físicos, mas principalmente mentais e afetivos que absorvemos de maneira mais ou menos inconsciente.

Pretendemos demonstrar que a forma que o Homem trata a Natureza é a exteriorização do tratamento que o homem dá a si mesmo, ou seja, de uma maneira imediatista, gananciosa, ignorante e egoística. Queremos ajudar ao homem aprender a tratar de si mesmo ensinando-o a observar a Natureza.

O SAGRADO

Todos os povos do planeta têm suas formas peculiares de se relacionar com o Sagrado, com as realidades divinas. Todas as religiões ou manifestações místicas devem ser igualmente respeitadas, tendo a garantia de liberdade de expressão.

O grande paradoxo é que, embora as religiões devam ser motivo de concórdia e união entre os povos, o que se observa na prática é que têm servido para separar indivíduos e nações.

A “Fundação Arhapiagha para a Paz Mundial” acredita que é possível criar uma integração e harmonia entre todas as religiões, basta ressaltarmos os pontos que todas as doutrinas têm em comum para promover a união, e não nos basearmos nas diferenças para fazer separações. Sabemos que todas as religiões pregam a Fraternidade, a Caridade, o Amor, a Sabedoria, a Humildade, entre outros elevados propósitos; precisamos apenas vivê-los e compartilhá-los.

Acreditamos que todo indivíduo necessita pensar sobre o Sagrado, sobre as realidades intangíveis, sobre o Eterno, que não teve início e não terá fim. Não podemos ter medo ou vergonha de buscar colocar nossa forma de ver essas questões em nosso cotidiano. A sociedade atual quer passar uma idéia falsa de que a realidade, o progresso e a ciência sejam, necessariamente, ateístas e desvinculados do espírito e que toda religião seja tolice ou fantasia gerada pela ignorância dos fenômenos naturais.

O conceito da Divindade, com pequenas variações de visão, é inato a todo ser humano; este fator deve ser considerado por todo aquele que deseja alcançar a Paz. Mais que isso, deve o homem procurar, segundo suas tendências e afinidades, o sistema que melhor lhe proporcione este relacionamento saudável com o sagrado, com o abstrato e procurar tornar cada instante da sua vida igualmente sagrado e devotado aos princípios que acredita.

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 117

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