quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A Triunidade Cósmica e sua relação com Orixalá - Oduduwá - Exu


A Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino é um templo que defende e sustém a Escola de Síntese, a qual ocupa no movimento umbandista uma posição de vanguarda, pois apresenta um enfoque que abrange todas as Escolas de Umbanda ou Religiões Afro-Brasileiras.

Não discrimina nenhum setor filosófico, artístico, científico ou religioso; é não excludente, grassando de forma explícita que todas as Escolas têm o seu valor, sendo todas igualmente respeitadas. Alguns afirmam que nós não somos pela diversidade das Escolas, que nós só afirmamos, mas fazemos o contrário, pois criticamos determinado setor.

Tolerar as diferenças não é tolerar o erro ou o crime, pois tolerar é desvio de caráter, como há anos vimos afirmando.

Criticamos aqueles que desejam homogeneizar a Umbanda, isto é, querem codificá-la. Isso criticamos e continuaremos, pois tomamos para nós a tarefa de enfrentar os óbices que impedem a evolução de nossa comunidade, esses e outros desacertos ou desalinhos, continuaremos discutir algo que fazemos com responsabilidade, ou seja respondemos, como sempre fizemos, pelos nossos atos sem darmos a eles falsas justificativas. Para nós isso também é liberdade. E fazemos isto com tranqüilidade e serenidade, pois mantemos sempre o mesmo tom, de diálogo como terapia.

Pensando na “terapia do diálogo” entremos no tema, que de forma sumarizada iremos discorrer. À Doutrina do Tríplice Caminho daremos um enfoque apropriado e diferente, embora resumido, dos até então discutidos.

A Doutrina do Tríplice Caminho baseia-se em analogias com os eventos cosmogenéticos, quando se consolidam, como vimos em outras publicações, os três fenômenos da criação: Luz, Som e Movimento.

À Luz associamos à Sabedoria Cósmica; ao Som ao Verbo Divino; ao movimento o Poder Operante Cósmico. São os Três Caminhos que convergem à Triunidade Cósmica ou Verdade Absoluta – Realidade Suprema.

Esses conceitos também se associam a princípios da tradição ketu (sincretismo jeje-nagô): IWÁ – Existência; AXÉ- Realização e ABÁ – Orientação / Sentido. Igualmente estão associados aos três axés –“Sangue Branco”, “Sangue” Vermelho e “Sangue” Preto.

Lembremos que Oduduwá cria a Terra – Aiyê - (continente-matéria) e Oxalá cria todas as criaturas do Orun, cujos duplos serão manifestados na Terra (Orun – planos sobrenaturais e Aiyê – planos naturais).

Reiteraramos que ambos Oxalá - Oduduwá são os genitores espirituais do Universo e da Criação, concessão dada a Eles por Olodumare, representando respectivamente o Poder Masculino (Oxalá) e o Poder feminino (Oduduwá).

Por esse Itanifá (versos Sagrados dos Odu-Ifá – de conhecimento exclusivo do Babalawô), Oxalá está associado com o ar e a água (é transformação de grande “massa de ar” – Olorun).

As águas e o ar movendo-se, uma parte deles transformam-se em lama, que Olorun insuflou no montículo de lama (rochedo vermelho – laterita) seu hálito, dando-lhe a vida (a existência individualizada – Exu) .

Oxalá como vimos está associado ao ar e às águas; Oduduwá associada também à lama. Nesse contexto temos os “sangues” ou princípios: do branco (funfun), do vermelho (pupó) e do preto (dudu). Portanto temos os três “sangues” fundamentais do Axé – branco – vermelho e preto.

Surgiram nessa ordem: branco (ar e água). vermelho e preto (lama). São representados por uma cabaça. O IGBA IWÁ ou IGBADU ou IGBA AXÉ.

A metade superior da cabaça corresponde ao Orun, ao Sr. do Branco – Orixalá (masculino); a metade inferior corresponde ao Aiyê, a Sra. da lama (vermelho e preto) - Oduduwá (feminino).

A correspondência já pode ser feita com o Tríplice Caminho, guardando-se óbvio, todos os fundamentos para no devido momento ser transmitido (na palavra, no rito, enfim no AXÉ) na Iniciação feita no terreiro, não em curso, apostila ou livro e muito menos num texto.

Mas qual a relação?

O fenômenos cosmogenéticos Luz, Som e Movimento podem estar sendo representados pela cabaça (IGBÁ) – Ovo Cosmogônico que se apresenta, manifesta em Luz (Oxalá – Principio do Branco), Som (Oduduwá – Princípio Vermelho/Preto), Movimento (EXU – Princípio do Preto – Elemento procriado).

Os Orixás da Criação e da Sabedoria, o par Orixalá – Oduá ou Oduduwá, representam a Existência genérica – o Princípio indutor da Criação. Exu por sua vez, o terceiro elemento – a terceira cabaça – IGBA KETÁ é o elemento procriado, a existência diferenciada, individualizada.

No futuro, em outros momentos, desdobraremos os sentidos metafísicos, ontológicos de Iwá – Existência, Axé – realização e Abá – sentido, direção, enfim a mesma Triunidade Cósmica – o Tríplice Caminho – patrimônio de todas as tradições, que traduzimos, “decodificamos” para as Tradições das Religiões Afro-brasileiras. Axé – Oguian T’ori Bo Wá

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 108

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