terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Manifesto I - Sobre Teologia com ênfase nas Religiões Afro-brasileiras

Aos irmãos planetários,

À Sociedade Civil como um todo,

Aos irmãos das Religiões Afro-brasileiras,

Por meio deste manifesto, nos propomos a dialogar sobre a teologia com ênfase nas religiões afro-brasileiras e sua função estruturante para promover a inclusão total pela educação. A teologia ora apresentada utiliza lógica e razão para compreender criticamente a religião. Em síntese, aplica o senso crítico à religião visando construir pontes que permitem aproximar os saberes e fazeres.

Neste sentido fundamos a FTU (Faculdade de Teologia Umbandista) que é autorizada e credenciada pelo MEC (Ministério da Educação) – portaria 3864 de 18 de dezembro de 2003 – para ministrar um curso acadêmico de nível bacharelado que forma teólogos. Ressaltamos que além da fundação desta instituição, outro evento inédito ocorreu em 2010 quando diplomamos os primeiros vinte e um teólogos com ênfase nas religiões afro-brasileiras do mundo, diploma este emitido pela FTU e chancelado pela USP.

A teologia cristã, seja católica, protestante ou outra importante confissão, possui um início histórico com as suas faculdades de teologia na Europa. A teologia com ênfase nas religiões afro-brasileiras encontra na FTU seu marco histórico, estruturante e estruturador do pensamento teológico. Indelevelmente estamos em condições isonômicas com as demais confissões religiosas no Brasil e no mundo.

O ganho das religiões afro-brasileiras com a fundação da FTU é incontestável. Ir contra ou negá-la é olvidar este processo de inclusão à educação, à cultura, ao social, ao político e ao econômico.

Não podemos ficar reféns de grupos que por desfaçatez ou outros motivos menos nobres insistem em propostas de cursos que de teologia só possui o nome. Ratificamos que teologia não é religião, afinal não são sinônimos. A teologia pensa a religião utilizando ferramentas próprias para compreendê-la. Como transmitir de forma séria esta formação de nível universitário distante dos parâmetros educacionais estipulados pelo MEC? Cursos que não atendem estas especificações criam barreiras intransponíveis entre o cidadão religioso afro-brasileiro e a educação.

Por estes justos motivos, estabelecemos este diálogo com a sociedade das religiões afro-brasileiras para se atentarem a tais fatos. Somos a favor de todas as Escolas das Religiões Afro-brasileiras e seus respectivos templos. Não somos nós que queremos formar sacerdotes em cursos e, pior, algumas modalidades de “sacerdócio” que dispensam a mediunidade, dispensam o transe – elemento fundamental à nossa tradição.

Lembramos que, pelas prerrogativas do MEC, a FTU poderia formar além de teólogos, sacerdotes. Porém respeitando a ética das religiões Afro-brasileiras e as linhas de transmissão da Raiz que cada genuína Escola possui, optamos desde o primeiro momento formar apenas teólogos.

O momento é de reflexão e diálogo. Precisamos pensar bem e saber o que na realidade queremos para a nossa comunidade. No instante que fundamos a faculdade, formamos os seus primeiros teólogos e outras iniciativas importantes, optamos pela convivência pacífica, pelo respeito incondicional às diferenças, sem confundir o mesmo com erro ou desvio de caráter.

Algumas pessoas interessadas em confundir os ideais da FTU, afirmaram que a faculdade queria tomar para si o que os templos fazem. Isto levou muitas pessoas a crerem que a faculdade era contra os templos. Pelo contrário, defendemos que os templos ligados às suas respectivas Escolas são os locais ideais para a formação de sacerdotes. Tanto é verdade que somos sacerdote há mais de quarenta anos formado no templo. Além disto, a FTU foi e é frequentemente local de congregação de várias Escolas na realização de ritos pela paz e união umbandista, tendo no último rito de Exu (2010) a presença de templos da maioria dos estados brasileiros e do Uruguai. A FTU não é templo religioso, é instituição de ensino superior que sustenta a importância fundamental dos templos e religiosos afro-brasileiros.

F. Rivas Neto – Pai Rivas (Arhapiagha)

Diretor Geral da FTU


Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 112

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