quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Religiões Afro-brasileiras: avanços e retrocessos, divergências e convergência

Resumo

Temos, segundo nossas possibilidades, defendido a unidade e a universalidade de todas as coisas. Promovemos, em vários níveis, o respeito com as diferenças, com a alteridade, por intermédio de vários diálogos, sempre mais amplos.

Como observador buscamos ver com a clareza precisa a humanidade como uma família una, que transcende os limites geopolíticos do nacionalismo exclusivista.

Estamos lutando, assim como outros interessados pela humanidade, para derrubarmos as barreiras nascidas da ignorância e da abominável intransigência que separam homens, raças, nações, continentes, filosofias, ciências, artes e religião.

Também já declaramos o Sagrado, a espiritualidade universal, inerente a todo ser humano independente de seu credo. Como seres humanos todos temos a Espiritualidade, sendo necessário acessá-la, independe de ser ou não adepto da religião.

Palavras-chave: Equilíbrio sócio-espiritual, Faculdade de Teologia Umbandista, Convergência, Religiões Afro-brasileiras, Tradição de Síntese

Abstract
We have been, in our possibilities, defending the unity and universality of all things. We promoted at various levels, respect to the differences, with otherness, through various dialogues, more and more extensive.

As an observer, we seek to see with clarity humanity as one family that transcends the geopolitical boundaries of the exclusionary nationalism.
We are fighting, as well as others interested in humanity, to break down barriers born of ignorance and abominable intransigence that separate men, races, nations, continents, philosophies, sciences, arts and religion.

Also we have declared the holy, tje universal spirituality inherent in every human being regardless of their creed. As human beings we all have a spirituality, being necessary to access it, independent of whether or not adherent of the religion.

Keywords: Socio-spiritual equilibrium, Umbanda Theology University, Convergence, Afro-Brazilian Religions, Synthesis Tradition

Temos, segundo nossas possibilidades, defendido a unidade e a universalidade de todas as coisas. Promovemos, em vários níveis, o respeito com as diferenças, com a alteridade, por intermédio de vários diálogos, sempre mais amplos.

Como observador buscamos ver com a clareza precisa a humanidade como uma família una, que transcende os limites geopolíticos do nacionalismo exclusivista.

Estamos lutando, assim como outros interessados pela humanidade, para derrubarmos as barreiras nascidas da ignorância e da abominável intransigência que separam homens, raças, nações, continentes, filosofias, ciências, artes e religião.

Também já declaramos o Sagrado, a espiritualidade universal, inerente a todo ser humano independente de seu credo. Como seres humanos todos temos a Espiritualidade, sendo necessário acessá-la, independe de ser ou não adepto da religião.

Igualmente, procuramos desenvolver a Convergência ou Tradição de Síntese que conceituamos como: “Convergência não é uma simples combinação de idéias ou valores conflitantes, mas sim uma combinação de idéias e valores aparentemente diferentes que desaparecem como forma, persistindo em essência, para dar lugar a uma nova realidade superior” (Rivas Neto).

Assim, acreditamos que promover a Convergência pressupõe buscar uma visão direta e imediata do Sagrado, a Realidade Una, respeitando todas as religiões, filosofias, ciências e artes, entendendo-as como meios utilizados para o reencontro com o Sagrado.

Como sacerdote, escritor e médico temos propagado a síntese promovida pela Umbanda como forma de respeito a tudo e a todos. Apontamos o caminho para a Unidade que há de prevalecer no mundo a partir do terceiro milênio com seus cidadãos planetários.

Atualmente, em função da visão fragmentada que temos da realidade, necessitamos de métodos como os da filosofia, da ciência, da arte e da religião, como meios de avançar dialeticamente no sentido da apreensão de verdades cada vez mais abrangentes.

Almejamos uma sociedade onde todos tenham e exerçam, igual e efetivamente, seus direitos à saúde, educação, trabalho, lazer e a realização social, concretizando-as na neutralização dos preconceitos, causa primeira de toda desigualdade.

Precisamos, urgentemente, de mudanças paradigmáticas em nossa sociedade contemporânea, todavia, devemos ressaltar que as mudanças deverão ter início no indivíduo. A paz interna (indivíduo renovado) proporcionaria a paz de todos, a paz mundial.

No momento atual, o “destino” nos colocou, felizmente, na militância ativa, das religiões afro-brasileiras, sendo que nelas encontramos o instrumental vivo para exercer o que expusemos em outras linhas, ou seja, por intermédio de sua diversidade que neutraliza todas as cizânias e desigualdades várias, responsáveis pela miséria em todos os níveis.

Antes de prosseguirmos e demonstrarmos como, no final da 1ª década e prólogo da 2ª década do século XXI, tentamos manter as liberdades adquiridas nas religiões afro-brasileiras, por intermédio de sua característica fundamental – a diversidade – que neutralizam as forças naturais e sobrenaturais (negativas) que querem homogeneizar, codificar as Tradições afro-brasileiras. As mesmas estão calcadas no respeito às diferenças. A Tradição magna da diversidade propugna de forma ampla e irrestrita a necessidade de liberdade dialógica como forma de resistência e sobrevivência social, cultural, política, econômica e a Síntese Espiritual.

Com o mote de suster e defender o equilíbrio sócio-espiritual tão desestabilizado e assimétrico foi que tomamos para nós a empreitada de fundarmos a primeira instituição Umbandista de ensino superior, autorizada e credenciada pelo MEC – a FTU – Faculdade de Teologia Umbandista.

Muitos podem estar perplexos pela afirmação que fizemos com respeito ao mote principal da FTU. Antes de respondermos, vejamos quais os óbices fundamentais que enfrentamos.

Sucintamente, queremos citar os principais óbices para as mudanças sociais, que todos sabem serem lentas, pois somos conservadores por ideologia a nós imposta, sendo este o fator limitante, que impede mudanças paradigmáticas e outras que veremos.

Na alusão que faremos aos abalos no conservadorismo sócio-político-religioso, melhor perceberemos o labirinto que nossa civilização penetrou.

O primeiro abalo foi a revolução Copernicana, pois Copérnico provou que o planeta Terra não era o centro do Universo, e que os homens não eram também especiais, e muito menos o centro do universo.

O segundo veio por intermédio de Charles Darwin, o célebre autor da Teoria das Espécies ou Teoria da Evolução, que também afirmou que nós não éramos seres especiais criados por Deus para dominar a natureza.

O último golpe foi intenso, e por isso, até hoje continua mal assimilado. Nos referimos aos pressupostos freudianos, a Psicanálise de Sigmund Freud que “demonstrou” que a consciência é a menor parte e a mais frágil de nossa mente ou vida psíquica.

Os abalos citados nos parecem não foi o suficiente, pois ainda há no planeta homens sedentos pelo poder, que não vacilam por nada para mantê-lo, mesmo que isso seja prejudicial para a maioria, sendo o que ocorre. Poucos, uma minoria oligárquica, submete à sua vontade, uma maioria de indivíduos que se encontram na periferia da decisão, literalmente estão na periferia de todas as decisões, e o pior mesmo é a manutenção de tal estado de desigualdade, de iniqüidades em vários âmbitos, que tantos óbices, desde o Brasil colônia, têm trazido à sociedade brasileira.

Depois de nosso discurso muitos sentenciarão que somos comunistas, e queremos tirar o dinheiro dos ricos para dar ou dividir com os pobres. Ao contrário, não desejamos uma sociedade de pobres, mas sim, onde todos sejam ricos, eis o nosso desafio, e tudo sendo feito na paz, no bom senso e consenso.

Tudo bem, mas como fazê-lo?

Responderemos pela parte que estamos inseridos, ou seja, por dentro das religiões afro-brasileiras, que desde o século XVI, mas principalmente nos séculos XVII até os dias de hoje tem tido papel importante no equilíbrio da sociedade brasileira, mas que sempre foi vilipendiada, desprezada, preconceituada, principalmente pelas elites ou aristocracia (oligarquias) que alternavam o comando do país, o poder e o destino de nosso povo.

A vilipendiada “macumba” foi o marco importante do chamamento e também de reconhecimento de várias classes sociais discriminadas tais como negros, índios, mestiços, mas principalmente de pobres. A seguir outras classes sociais, as mais elevadas foram atraídas pelo chamamento, e lá permaneceram e muitos ainda permanecem. Na verdade todos foram chamados, não houve nenhuma exclusão. É, sim, a religião da inclusão total, da interdependência entre todos.

Aqueles que são abastados e estão nos terreiros sentiram-se felizes como nunca foram. Que ótimo! Chegou o momento da militância pela paz do mundo, promovendo meios para a paz e felicidade de todos, pela melhor distribuição de riqueza.

Os guias espirituais e os pais ou mães de santo do grupo-terreiro devem ter demonstrado como funciona harmoniosamente o terreiro, essencialmente justo e inclusivo. E então? Os mais abastados tem de observar a paz e felicidade que sentem no terreiro e tem de levar para a rua, assim como todos os demais. É isto que esperam os Bacuros, Encantados, Caboclos, Preto-Velhos, Exus e outros. Sim, levem o modelo para suas vidas, no trabalho, no lazer, no relacionamento com funcionários, enfim no relacionamento com o mundo. Que tal, vamos fazê-lo?

É por isso que somos favoráveis aos terreiros, principalmente os que têm essa militância (não precisa ser político), isto é, perceberam a real função das religiões afro-brasileiras, qual seja a de neutralizar a tremenda desigualdade que há entre os homens, desde o Brasil colônia, com suas divergências, desacertos como a ignominiosa escravatura do negro, o massacre do indígena brasileiro e o vilipêndio total ao pobre, ao deserdado pelo descaso ao social, de ontem e de hoje.

Continuemos, dando a palavra ao senso crítico, as ciências e vejamos se conseguimos detectar e se possível conseguir os meios para a resolução dos problemas citados.

Antes de penetrarmos nos conceitos do senso crítico, ouçamos algumas considerações do senso comum. O senso comum é um conjunto de concepções geralmente aceitas, como verdadeiras em determinado meio social. Porém, citamos de acordo com o filósofo belga Chaim Perelman (1912-1984), que afirmou: “o senso comum consiste em uma série de crenças admitidas por um determinado grupo social, cujos membros acreditam ser compartilhados por todos os homens” (Perelman, Apud – Cotrim).

O senso comum pode também estar contaminado por determinada ideologia, isto é um conjunto de ideias, que dissimulam a realidade que afirmam, porque mostram as coisas de forma apenas parcial ou distorcida ao que realmente são. O que se buscaria ocultar ou dissimular na realidade seria, por exemplo, nas religiões afro-brasileiras, o domínio de um grupo sobre os demais (a velha oligarquia de sempre) – daqueles que desejam homogeneizar a Umbanda para que ela tenha uma só forma de pensar, em único e totalitário rito. Mas qual seria o ritual? Claro que o do codificador. Deseja dominar, pois não se incomoda com a construção e vontade coletiva, quer sim impor suas idéias, enfim submeter a todos.

A alusão feita aos pretensos codificadores, faz com que a nossa mente nos remeta ao pensador do século XVII – Thomas Hobbes. Entreguemos a palavra a ele, e entenderemos as reais intenções dos codificadores. Para Hobbes, o homem embora vivendo em sociedade, não possui o instinto natural de sociabilidade. Cada homem sempre encara seu semelhante como um concorrente (muitos me encaram como concorrente) que precisa ser dominado.

Onde não houve um domínio de um homem sobre outro existirá sempre essa competição intensa até que esse domínio seja alcançado.

É lamentável que por dentro das religiões afro-brasileiras tenhamos essa visão distorcida da realidade, do Sagrado, da Espiritualidade. No caso das religiões afro-brasileiras há um processo que se antagoniza a essa violência que é a diversidade ritualística, característica indiscutível da Umbanda e demais Tradições afro-brasileiras.

Continuando o discurso de Hobbes, a conseqüência obvia dessa disputa infindável dos homens entre si teria gerado um permanente estado de guerra e de morticínio nas comunidades primitivas. Nas palavras de Hobbes: “o homem é o lobo do homem” ((homo homini lupus) – Hobbes Apud, Cotrin.

Hobbes baseou-se na concepção de uma natureza humana competitiva e destrutiva (concepção materialista-mecanicista) para a qual somente um poder forte do Estado teria condições de fazer frente.

Observem que é a mesma concepção seguida pelos pretensos codificadores de Umbanda. Querem codificá-la embora, ideologicamente, digam que não. A quem pensam estar enganando? Sim, são seguidores, mesmo que digam que não, de Hobbes, um autor do século XVII, que propugnava e legitimava, na época, em sua obra – Leviatã, o poder político absoluto.

Imaginem a distorção promovida pelos codificadores e outros mais, pois querem legitimar a violência, em pleno século XXI. Seus livros, ideias e ações imitam o Leviatã, querem de todas as maneiras codificar a Umbanda.

Eles afirmam que a Umbanda surgiu no século XX (com mito fundante e tudo mais), tal quais fizeram com a formação do Estado. Querem legitimar e “codificar seus interesses”, que todos sabem quais são.

O Estado que Hobbes se referiu, transposto para as religiões afro-brasileiras, é o mesmo do mito fundante e dos codificadores que desejam apenas uma só forma de pensar e fazer Umbanda, querendo “purificá-la”, tal qual os processos eugênicos que tantos malefícios e preconceitos trouxeram a humanidade. Dá agora para entender a nossa preocupação?

Depois destas considerações que iniciamos pelo senso comum, e a seguir comentamos o conservador e absolutista Hobbes, que é anti-libertacionista, recorramos a outro cientista (senso crítico), socialista histórico – Karl Marx (1818 – 1883) o qual afirmava ser o Estado produto e instrumento de controle da classe dominante.

Para o pensamento Marxista, o Estado não é simples mediador das lutas de classes. É uma instituição que interfere nessa luta de forma parcial, quase sempre tomando partido das classes sociais dominantes (pela violência). Assim a função do Estado é garantir o domínio de classe. Isso ocorre por sua origem. Nascido dos conflitos de classe, o Estado tornou-se a instituição controlada pela classe mais poderosa, a classe dominante. Qualquer semelhança com o que ocorre na Umbanda é simples coincidência...

Entreguemos novamente a pena, agora para outro corifeu do pensamento, o filósofo Engels, que afirmou: “Na maior parte dos Estados Históricos, os direitos concedidos aos cidadãos são regulados de acordo com as posses dos referidos cidadãos, pelo que se evidencia ser o Estado um organismo para a proteção dos que possuem contra os que não possuem”.

Nossa opinião corrobora com os “pensadores” do senso comum e do senso crítico (Hobbes, Marx e Engels). Esse é o mote pernicioso dos que desejam codificar a Umbanda e outras coisas mais. Sim, querem codificar, para mais fácil dominar, para submeter a todos os demais (seus concorrentes) contrários aos seus famélicos desejos.

Também acreditamos que todos esses que de alguma forma quiseram dominar, codificar são os maiores responsáveis pelo desaceleramento do crescimento da Umbanda e das demais religiões afro-brasileiras. Fizeram tantas atrocidades que o grande contingente de Umbandistas migrou para outros setores filosófico-religiosos.

Felizmente, parece que a migração cedeu, temos recebido mais prosélitos, o que demonstra maior credibilidade. Invariavelmente temos os terreiros cheios, como eram até o final da década de 70 e início da década de 80 do século passado.

Talvez a reversão do êxodo deveu-se a afirmação quase que diária, de que somos pela diversidade e convergência das Tradições afro-brasileiras, pois enquanto queremos aproximar, outros querem afastar, pelos motivos que todos sabem...

Depois de citarmos, segundo nossa ótica, avanços e retrocessos, mais uma vez chegamos a conclusão que necessitamos de convergência nas religiões afro-brasileiras.

Com esse intuito fundamos em 2003 (1ª turma iniciou em 2004) a Faculdade de Teologia umbandista – FTU, pois acreditamos na educação, e principalmente na Teologia com ênfase em Umbanda, como uma ação efetiva de promover mudanças paradigmáticas na sociedade.

Pela primeira vez os “marginalizados” e preconceituados adeptos das religiões afro-brasileiras, denominados equivocadamente de macumbeiros, tem a chance de freqüentar, orgulhosamente, de forma isonômica, uma faculdade autorizada pelo MEC, chancelada pelos órgãos do Governo Federal Brasileiro.

É um curso de Teologia (Bacharelado) de quatro anos em que o futuro teólogo tem o mesmo status de qualquer aluno de curso universitário, podendo, pois fazer pós-graduação (lato senso, stricto senso) como qualquer outro graduado.

Escolhemos a educação, pois queremos contribuir para banir definitivamente a ignorância, que infelizmente, muitos querem manter. Sim, desejam manter, pois haverá sempre aqueles que terceirizarão aos mantenedores do status quo a resolução de seus problemas, das coisas que não sabem resolver (má formação sacerdotal não será resolvida em cursos).

A Faculdade de Teologia Umbandista é favorável a todas as religiões, filosofias, ciências e artes, promovendo um ensino de excelência, pesquisa de ponta, e conexão direta: conhecimento acadêmico na rua, conhecimento acadêmico dialogando com o conhecimento popular tradicional, passando pelo saber teológico.

A Faculdade foi fundada por nós, pelos motivos que expusemos no texto, mas ela pertence na essência e na forma a todos os brasileiros, a todos os adeptos das religiões afro-brasileiras. É nossa forma de contribuir para enaltecer as religiões afro-brasileiras, mas principalmente, elevar o grau educacional (aumentar a visão de mundo) da tão vilipendiada e preconceituada comunidade das religiões afro-brasileiras, que creditamos representam o ethos do povo brasileiro. Boa leitura. Axé!

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 104



Referências Bibliográficas:


COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia: história e grandes temas. São Paulo: Saraiva, 2000.

HOBBES, Thomas. Leviatã ou matéria, Forma e poder de um Estado eclesiástico e civil. São Paulo: Editora Abril Cultural. Coleção Os Pensadores, 1984.

MARX, Karl & ENGELS, Friedrich. Manifesto Comunista. Rio de Janeiro: Garamond, 1998.

RIVAS NETO, F. Umbanda – A Proto-Síntese Cósmica, São Paulo: Ed. Pensamento-Cultrix, 2008.

RIVAS NETO, F. Sacerdote, Mago e MédicoCura e Auto-cura Umbandista. São Paulo: Ícone, 2003.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Ética no relacionamento Discípulo e Mestre

O vídeo disponibilizado na presente publicação explicita o diálogo que tivemos com alguns filhos de santo na última semana. Vídeo: “Ética no relacionamento Discípulo e Mestre” Até a próxima publicação. Axé!

Ps: O vídeo relata o meu relacionamento com meu Mestre, Pai Matta

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 103

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Na Umbanda a reflexão é primordial...


A maioria dos textos que postamos no blog remete a uma reflexão, e muito mais, a um questionamento.

A estratégia é deixar o tema sempre aberto ao diálogo. Como sempre afirmamos: “não temos a última resposta, pois não temos a última pergunta”; que bom, mais diálogo à vista!

Este é o mote do blog Espiritualidade e Ciência, com ênfase em saúde e sustentabilidade, preconizadas pelas religiões afro-brasileiras.

Foi com o intuito de promover uma discussão dialógica que no último texto postado questionamos: “A macumba foi a primeira manifestação de Umbanda”?

Sabendo-se que a macumba surgiu do caldeamento de crenças ameríndias, africanas e européias (catolicismo), principalmente no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul é bom que se saliente que esse “caldeamento assimétrico” vem acontecendo desde a 2ª metade de século XVI.

Quando citamos crenças queremos ressalvar que as indígenas e africanas não eram homogêneas, ao contrário, eram heterogêneas, devido ao fato das nações indígenas e africanas não serem iguais. Os vários povos indígenas tinham culturas e crenças diferentes entre si, o mesmo acontecendo com os povos africanos.

Infelizmente, ontem e hoje estereotipamos os grupos indígenas (como se usassem arco e flecha e a pena na cabeça); o mesmo acontece com os africanos (negros dançando e/ou próximos a animais exóticos), fato este preconceituoso que tantos óbices, infelizmente têm trazido às comunidades afro-brasileiras.

Aproveitando o ensejo da publicação 101, postamos vídeo: “Umbanda, promovendo a diversidade”, na expectativa de que o leitor penetre nas várias nuanças discutidas em textos anteriores, agora discutidos em vídeo. Esperamos que o leitor tenha uma boa leitura e assista um vídeo que corrobora e amplia o texto . Axé!





P.S. O natal é nascimento para quem crê ou é adepto do cristianismo.

Para nós que somos adeptos de religiões de tradição oral, respeitamos o natal cristão, pois achamos uma celebração justa para seus adeptos, da mesma forma que desejamos sejam respeitadas nossas convicções, que eram tachadas de pagãs, pois não eram e não são cristãs.

Mas de qualquer forma aos cristãos ou não cristãos, um feliz natal, de renascimentos e reflexões que conduzam a paz e a luz perenes na mente e no coração. Axé!


Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 102

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

A macumba foi a primeira manifestação da Umbanda?

RESUMO

A História, mais especificamente a historiografia das religiões Afro-brasileiras, afirma que as mesmas surgiram da maior ou menor influência que tiveram do encontro ou interação de três matrizes: o catolicismo europeu (com um sistema de culto popular e com rico imaginário de seus fiéis); as religiões de povos indígenas brasileiros (sincretismo endógeno) e, finalmente, das religiões de povos africanos, também sincretizados, ainda em África.

O que seria esta interação assimétrica? É assimétrica pois o catolicismo, na época, prevaleceu sobre as concepções religiosas dos indígenas brasileiros e africanos. Concluímos que as religiões afro-brasileiras têm maior adesão a matriz ameríndia e a matriz africana. As religiões afro-brasileiras respeitam e conciliam os fundamentos cristãos (Kardecismo e Catolicismo) e os não cristãos (cultos africanos e indígenas).

As partes (matrizes) não representam o todo (as religiões afro-brasileiras), pois as mesmas não mantém sua identidade quando estão separadas de sua função e lugar no todo. As religiões afro-brasileiras estando em contínua mudança transitaram da primeira interação assimétrica, em pleno século XVI, até o fenômeno da convergência (no século XX).

Palavras-chave: Assimetria do Sagrado, História, Macumba, Religiões Afro-brasileiras, Sincretismo.

Abstract

History, more specifically the history of Afro-Brazilian religions, claims that arose fromthe same more or less influence they have had the encounter or interaction of threesources: the European Catholicism (with a system of worship and popular with richimagery of his faithful ), the religions of Brazil's indigenous peoples (indigenoussyncretism), and finally, religions of African peoples also syncretized, still in Africa.

What would this asymmetric interaction? It is asymmetric because Catholicism at the time, prevailed over the religious views of the Brazilian Indians and Africans. we conclude that the african-Brazilian religions have greater adherence to matrixAmerindian and African origin. African-Brazilian religions in regards reconciling the Christian foundations (Kardecism and Catholicism) and non-Christians (religion of African and indigenous).

The parties (parent) do not represent the whole (the african-Brazilian religions) becausethey do not maintain their identity when they are separated from their function and placein the whole. The african-Brazilian religions and is continuously changing over from the first asymmetric interaction, in the sixteenth century, to the phenomenon of convergence(in the twentieth century).

Keywords: Asymmetry of the Sacred, History, Macumba, Afro-Brazilian Religions,Syncretism.


A MACUMBA FOI A PRIMEIRA MANIFESTAÇÃO DA UMBANDA?

A História, mais especificamente a historiografia das religiões Afro-brasileiras, afirma que as mesmas surgiram da maior ou menor influência que tiveram do encontro ou interação de três matrizes: o catolicismo europeu (no Brasil com um sistema de culto popular e com rico imaginário de seus fiéis); as religiões de povos indígenas brasileiros (sincretismo endógeno) e, finalmente, das religiões de povos africanos, também sincretizados, ainda em África.

O sumário de alguns fatores da interação dessas matrizes será citado, na expectativa que se obtenha substrato para se afirmar que o culto miscigenado denominado macumba, em verdade, era a Umbanda.

1. Pelos motivos aludidos em textos anteriores (as matrizes não interagiram em condições de igualdade) pode-se dizer que a interação foi assimétrica).

2. No passado o culto ou cultos oriundos da interação das três matrizes sofreram perseguições, principalmente pelo Santo Ofício da Inquisição, acusados de “bruxaria”.

3. Nos séculos mais próximos dos dias de hoje houve preconceitos e violências várias cometidas contra as religiões Afro-brasileiras, como invasão de terreiros e a prisão de seus membros acusados de praticar curandeirismo, charlatanismo, entre outros.

Atualmente há também a intolerância das religiões neopentecostais (declarada) e de outras religiões (tácitas), que invadem e depredam terreiros.

4. Ao contrário das religiões do livro (possuem livros sagrados) – Bíblia, Torá e Corão, as religiões Afro-brasileiras tem seu conhecimento calcado na tradição oral, sendo também preconceituadas por este motivo.

5. As religiões Afro-brasileiras se baseiam na tradição oral, no transe mediúnico ou de possessão, culto aos Orixás (Voduns, Inkices); culto aos Ancestrais Ilustres (espíritos desencarnados - denominados de eguns no Candomblé e espíritos protetores em outros cultos), o canto sacro, a música sacra, a dança sacra, podendo alguns cultos ter sacrifício animal e o uso de bebidas que propiciam “estado superior de consciência”.

6. Pela riqueza de detalhes doutrinários e ritualísticos somados com a imensa diversidade, os cultos nem sempre foram bem compreendidos pelos forâneos, que estão eivados de preconceitos firmados em seus pontos de vistas, sem nenhuma isenção.

7. As religiões afro-brasileiras por suas características, se distanciam do modelo monoteísta vigente, fator este primordial para muitos sentenciarem que seus cultos são de magia negra. Mas como, se não são maniqueístas? A ética das religiões afro-brasileiras e seus valores são diferentes das religiões ocidentais, fato este não considerado, tanto é que afirmam que as religiões Afro-brasileiras são de “pessoas inferiores”, ignorantes, negros ou mestiços, e, principalmente de pobres.

8. Felizmente, a sociologia e a antropologia de hoje afirmam que não há religiões superiores ou inferiores, certas ou erradas, de deus ou do demônio, pois quem assim julga, o faz de forma preconceituosa, principalmente por ser adepto de outras religiões, que não as Afro-brasileiras.

9. Na colonização do Brasil tivemos muitas atrocidades, mormente a escravidão do africano e do indígena brasileiro e porque não dizer do pobre que alcançou os dias de hoje. Tudo por manutenção da desigualdade social, cultural, política e econômica, que desejam seja também no âmbito do Sagrado.

10. Antes de continuarmos o sumário lembremos que em 1891 (século XIX) por intermédio da Constituição Republicana houve a separação entre Estado (laico) e catolicismo (até então religião oficial) promovendo a liberdade de culto.

Retomando o texto em seu foco principal, o que seria a interação assimétrica? É assimétrica pois o catolicismo, na época, prevaleceu sobre as concepções religiosas dos indígenas brasileiros e africanos, isto é, tentou submetê-los à catequização portanto uma violência às liberdades de expressão e de cultura.

Vejamos no diagrama como aconteceu e se manifestou essa interação assimétrica. Iniciemos, por hipótese, que a interação fosse simétrica, isto é, influências em condições de igualdade e sem hierarquização ou imposição, o diagrama seria:



O ponto O, no centro do triângulo é eqüidistante de A, B e C, portanto demonstrando que as influências foram balanceadas, equilibradas e recíprocas, mas não foi o que aconteceu.

Na condição assimétrica (assimetria do Sagrado nas religiões Afro-brasileiras) teremos o seguinte diagrama:



O ponto O é excêntrico, fora do centro, demonstrando que a interação não ocorreu em condições de igualdade.

Após esta demonstração, que de maneira alguma se posiciona contrária as várias teorias consagradas, respeitando-as, quer contribuir dando mais uma versão que pode ser aceita ou refutada.

Sabendo-se que a interação foi assimétrica temos como teoria que a primeira forma dessa interação evoluiu para as várias religiões afro-brasileiras que surgiram e ainda se amoldam nos dias atuais.

Mais uma vez utilizaremos o diagrama geométrico, que esperamos facilite a demonstração, para a posteriori, aprofundar o conceito e alicerçá-lo em comunhão com outras teorias convergentes.

Antes da visualização do diagrama, é necessário reiterar que consideramos o primeiro modelo de interação assimétrica como sendo o da denominada macumba, que insistimos ser a primeira manifestação de Umbanda. Com isso, não estamos negando as outras maneiras de perceber, estudar, pesquisar e entender o fenômeno. Segundo nossa ótica, o fenômeno foi se desdobrando, se desenvolvendo no tempo (do século XVI até hoje) e em distintas regiões geográficas do Brasil e outras regiões da América, principalmente a América do Sul.

Visualizemos o diagrama:



Fundamentalmente o diagrama tenta reproduzir o que afirmamos anteriormente, senão vejamos:

Balizamos nossa “reta”, com o Kardecismo e o Candomblé em extremidades opostas.

Balizamos com os extremos (Kardecismo e Candomblé), pois ambos os sistemas citados tem como fundamento basilar o transe mediúnico (Kardecismo) e transe de possessão (Candomblé). Pode-se questionar porque não citamos o catolicismo e a matriz indígena. A resposta é simples, estão implícitas no primeiro modelo de interação assimétrica, sendo que a matriz indígena também propugna o transe, e o catolicismo tem visão contrária, portanto preferimos as maiores influências, quais sejam a tradição oral e o transe, fatores comuns às matrizes ameríndia e africana.

Aprofundemos o digrama e vejamos o trânsito do modelo da interação assimétrica por nós proposto.

Afirmamos que a macumba era a Umbanda, ou sua primeira manifestação. Com isso estamos dizendo que ela deu formação as várias religiões afro-brasileiras ou também as várias Escolas, não como algo instituído, mas sua manifestação.

A Umbanda localizada no centro ao transitar para o 1d, isto é para o Candomblé, estaria formando uma escola mais próxima da matriz africana. O mesmo deveria acontecer para a esquerda, indo ao encontro do Kardecismo, a Umbanda Cristã ou Umbanda Branca.

Isto estaria resolvido se o processo fosse simétrico, ou seja, ele se direcionaria, ao mesmo tempo, para pontos eqüidistantes do centro, formando Escolas mais próximas do Kardecismo ou do Candomblé. Isto não aconteceu e não acontece pois o modelo de interação, na realidade, é assimétrico.

Podemos concluir que a maioria das religiões afro-brasileiras ou Umbanda deve sua formação a maior proximidade com as religiões indígenas em conjunção com alguns grupos africanos (Angola, Congo, Cabinda). Entre esses cultos citamos a Pajelança, o Catimbó, a Umbanda Traçada, o Candomblé de Caboclo (Angola), entre muitos outros.

Outros cultos como o Tambor de Mina, o Xangô Pernambucano, o Batuque Gaucho e outros, receberam fortes influências de grupos Jejes e Nagôs.

O riquíssimo panteão das religiões afro-brasileiras com seus Pais Divinos (Orixás) e Pais Ancestrais (entidades espirituais) e toda gama de entidades que pululam no imaginário, no simbolismo de seus prosélitos tem como concretizador aquele que é patrono do movimento, dos limites, dos caminhos, das trocas simbólicas – Exu, Sr. do Mercado das Tradições afro—brasileiras, entidade presente em todas as religiões afro-brasileiras.

Encerrando este breve texto intróito, queremos estender a todos, adeptos ou não dos vários sistemas filosófico-religiosos, nossas vibrações de luz na mente e paz no coração. Boa leitura! Axé!

Adendo

1. Pelo texto concluímos que as religiões afro-brasileiras têm maior adesão a matriz ameríndia e a matriz africana. As religiões afro-brasileiras respeitam e conciliam os fundamentos cristãos (Kardecismo e Catolicismo) e os não cristãos (cultos africanos e indígenas), talvez por não serem maniqueístas.

2. O motivo das partes (matrizes) não representar o todo (as religiões afro-brasileiras)deve-se as mesmas não manterem sua identidade quando estão separadas de sua função e lugar no todo.

3. As religiões afro-brasileiras estão em contínua mudança, transitando da primeira interação (assimétrica), no século XVI ao fenômeno da convergência (iniciado no final do século XX, sem data para o término).

4. A convergência não é uma simples combinação ou interações de valores das matrizes européia, indígena e africana, diferentes, que desapareceram como forma nas religiões afro-brasileiras, persistindo em essência no bojo delas.

5. O exemplo clássico é o da analogia com a água (H20). Por analogia associamos a água às religiões afro-brasileiras. A água é formada por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio que tem propriedades diferentes da água. Ao hidrogênio e oxigênio associamos as matrizes formadoras das religiões afro-brasileiras.

O princípio afirma que a análise das partes nunca pode proporcionar uma compreensão do todo, uma vez que o todo é definido pelas interações e interdependência das partes. As partes não mantém sua identidade quando separadas de sua função e lugar no todo.

Depois destas inserções esperamos ter proporcionado luz ao tema, que discutiremos e aprofundaremos em textos futuros.

6. O modelo demonstrado é pela Convergência, mas principalmente coloca as Religiões afro-brasileiras como conciliadoras. O sagrado é conciliador, propugna a paz em todos os níveis. Portanto, as religiões afro-brasileiras são pela inclusão total.


Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 101

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

...Mais do que Teólogos, agentes paradigmáticos de mudanças...


Todos desejamos a Paz no mundo, a resolução dos conflitos que nos causam tensões, sejam elas as guerras entre os povos ou a batalha cotidiana que cada um de nós enfrenta para conquistar, em primeiro plano, a sobrevivência e, quando muito afortunados, uma boa qualidade de vida.

Apesar da vontade global de conquista de uma estrutura social diferente, a impressão que temos é a de que tendemos à manutenção das desigualdades ou até ao agravamento das mesmas.

Duas causas podem ser apontadas para a persistência da fome, da doença, da guerra e da morte devastando nossa família planetária.

A primeira é a insistência em manter uma sociedade baseada na desigualdade dos valores político-econômicos que sobrepujam os valores humanos (individuais ou sociais). Assim, as soluções de progresso e globalização são sempre reféns da necessidade do lucro e, invariavelmente, ineficazes para a maioria. Temos, por conseguinte, uma sociedade estática, com uma pequena elite no centro, e a grande maioria da população na periferia, à margem dos processos de decisão e cultura.

A segunda causa é que os setores empenhados na busca da Paz, sejam ligados à Filosofia, à Ciência, à Religião ou à Arte pensam e atuam de maneira isolada, tomando caminhos divergentes, aumentando as tensões sociais.


Neste contexto fundou-se a FTU - Faculdade de Teologia Umbandista - como alternativa para a mudança do estado atual. Esta iniciativa pretende representar uma mudança de paradigmas provocando um abalo positivo e pacífico nesta estrutura estática com uma transformação qualitativa dos valores contemporâneos.

Elucidaremos agora como a FTU se credencia para colaborar com a realização de uma sociedade mais justa.

As religiões Afro-brasileiras ou Umbanda é habitualmente tida como uma cultura de periferia, até mesmo marginalizada e estigmatizada como idolatria pagã. Na verdade, as religiões Afro-brasileiras ou Umbanda oscilam entre a periferia e o centro, tendendo progressivamente a este último com o intuito de arrastar a periferia para o centro, equiparando valores e pessoas pelas igualdades que tem entre si.

A Umbanda procede desta forma porque entende que não há, em essência, qualquer diferença entre os que se encontram na base da pirâmide social e os que se posicionam, por força político-econômica, no topo. Além disso, a Umbanda prima pela universalidade de seus princípios e fundamentos filosóficos e doutrinários, podendo, de maneira singular, relacionar-se com todos os irmãos planetários, independente dos setores filosófico-religiosos ou estratos sócio-econômicos, culturais ou étnicos a que pertençam.

A fundação da Faculdade de Teologia Umbandista representa um avanço para as religiões Afro-brasileiras porque, no momento em que se dirige da periferia para o centro, traz consigo tudo o que existe na periferia, não apenas os umbandistas, mas a sociedade como um todo.

Outra questão fundamental é que a Faculdade de Teologia Umbandista preconiza a unidade e a universalidade entre todas as coisas, promovendo a convergência que se consubstancia na Paz Mundial. Na prática, significa respeitar a todos os setores filosófico-religiosos como corretos em seus pontos de vista, gerando uma convivência pacífica entre todas as religiões. A seguir, propõe a convergência, mostrando que o Sagrado está além dos pontos de vista e que podemos todos, gradualmente, transitar das formas particulares de entendimento para habitar na essência de todas as religiões que é o Sagrado.

Com este mote a FTU formou seus primeiros vinte e um teólogos, com os quais nos congratulamos na certeza de que serão promotores de saberes e fazeres elevando as religiões Afro-brasileiras à senioridade, em patamar de igualdade com as demais. Mais do que simples formados, serão cidadãos agentes em propugnar o movimento da periferia para o centro contribuindo para a extinção das desigualdades em todos os níveis.

Acompanha esta publicação a digitalização de um dos diplomas dos mais novos teólogos das Religiões Afro-Brasileiras ou Umbanda. Axé!


Diploma - Frente

Diploma - Verso





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Publicação 100