segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Umbanda - Uma Religião com Mito fundante?

RESUMO

A tradução oral baliza e é o elo comum entre todas as Religiões Afro-brasileiras, presentes nas várias regiões do Brasil com diferentes manifestações.

A interação das três matrizes formadoras explica as distintas manifestações, pois em cada região houve predominância de uma ou duas matrizes, tendo como produto uma Religião Afro-brasileira específica, mas que tem como mote central: o transe, a música, o canto, a dança, o culto aos espíritos divinizados (Orisha, Vodun, Inquice) e nos espíritos dos antepassados (Caboclos, Marinheiros, Boiadeiros, etc.) e, principalmente, a tradição oral.

Há alguns, não acadêmicos, mas merecedores de consideração e respeito, que afirmam que a característica principal das Religiões Afro-brasileiras ou Umbanda é a manifestação do Caboclo (matriz indígena), Preto-Velho (matriz africana), os fundamentos católicos e kardecistas (matriz indo-européia). Respeitosamente, discordamos da assertiva e apresentaremos os motivos de tal posicionamento.

Palavras-chave: Inclusão, Mito Fundante, Religiões Afro-brasileiras, Tradição Oral, Umbanda.

ABSTRACT

The oral translation is the common link between all the Afro-Brazilian Religions, present in several regions of Brazil with different manifestations.

The interaction of the three arrays that form them explains the different manifestations, as in each region had a prevalence of one or two matrices, having as an Afro-Brazilian religion specifically, but that has as its central theme: trance, music, singing, dance, the cult of deified spirits (Orisha, Vodou, inquices) and the spirits of ancestors (Caboclos, Sailors, Boadeiros, etc.). and especially the oral tradition.

There are some, not academics, but worthy of consideration and respect, who say that the main characteristic of the Afro-Brazilian Religions or Umbanda is the manifestation of Caboclo (indigenous matrix), Preto Velho (African origin), the Catholics and Kardecists foundations ( Indo-European matrix). Respectfully, we disagree with the statement and present the reasons for such placement.

Keywords: Inclusion, Founding Myth, Afro-Brazilian Religions, Oral Tradition, Umbanda.

UMBANDA – UMA RELIGIÃO COM MITO FUNDANTE?

A tradução oral baliza e é o elo comum entre todas as Religiões Afro-brasileiras, presentes nas várias regiões do Brasil com diferentes manifestações.

A interação das três matrizes formadoras explica as distintas manifestações, pois em cada região houve predominância de uma ou duas matrizes, tendo como produto uma Religião Afro-brasileira específica, mas que tem como mote central: o transe, a música, o canto, a dança, o culto aos espíritos divinizados (Orisha, Vodun, Inquice) e nos espíritos dos antepassados (Caboclos, Marinheiros, Boiadeiros, etc.) e, principalmente, a tradição oral.

Há alguns, não acadêmicos, mas merecedores de consideração e respeito, que afirmam que a característica principal das Religiões Afro-brasileiras ou Umbanda é a manifestação do Caboclo (matriz indígena), Preto-Velho (matriz africana), os fundamentos católicos e kardecistas (matriz indo-européia). Respeitosamente, discordamos da assertiva e nos apressamos em dizer o porquê.

A discordância maior prende-se ao aspecto do fator homogeneizante, e isto é muitíssimo grave nos fatores culturais e acadêmicos, entre outros.

Temos ciência que os africanos aportados para o Brasil, mesmo que oriundos de um mesmo local geográfico eram muitos diferentes entre si. É ideológico querer homogeneizar as culturas para melhor dominá-las. Querem demonstrá-las como se fossem “única”, para a seguir contragolpeá-la com um único argumento e várias falácias e discursos erísticos. Pronto, mais um artifício das oligarquias culturais, para açambarcar a possível heterogeneidade africana que ameaçaria a hegemonia da cultura européia ou ocidental.

O mesmo aconteceu em relação às nações indígenas; todos têm um estereótipo do indígena brasileiro, devidamente construído na esteira da homogeneidade, o que é absurdo, criminoso no ponto de vista ético-humano.

Aqueles que tentaram homogeneizar (querem que tudo seja igual, pois é bom para seus famélicos desejos) as culturas indígena e africana, quiseram exterminá-las, principalmente quando sentenciaram que as doutrinas dominantes dessas religiões, aqui em terras brasileiras, tinham como regra mater ou fundamental o catolicismo (sincretismo provocado pela resistência e forma de diálogo com o opressor) e principalmente a doutrina esposada na segunda metade do século XIX, vinda de França, o Kardecismo (espiritismo) fundado por Allan Kardec.

Aqueles que estão na religião e propagam tal falácia, pois além de terem homogeneizado a cultura africana e indígena brasileira, desejam também fazer o mesmo com as Religiões Afro-brasileiras ou Umbanda, o que convenhamos, é uma forma grosseira de ideologia sofística com o único fim de querer codificar, engessar e dominar estas religiões. São os mesmos que de forma antiética afirmam quase “sussurrando” que são pela diversidade dessas religiões (ora, ora...). Mas como podem ser pela diversidade se afirmam que a Umbanda foi fundada, portanto teve um fundador, num dia, local e horário? Isto é mais uma falácia homogeneizante dos grupos, não somente culturais mas também religiosos, políticos e econômicos.

As Religiões Afro-brasileiras ou Umbanda nasceram no seio do povo, na massa empurrada para a periferia geográfica e porque não dizer cultural. Como de repente, alguém funda a religião de Umbanda, esquecendo sua origem, sua diversidade. Como? Como esquecer a liberdade negada e os direitos subvertidos de índios, negros, mestiços e pobres? Como?

Claro que não estamos fazendo apologia somente aos excluídos, a periferia cultural que é a maioria do contingente humano da sociedade brasileira, mas como esquecê-los? Queremos incluir a todos. Cremos que as Religiões Afro-brasileiras ou Umbanda tem como mote principal a inclusão total, manifestada nas suas várias formas de interpretar o Sagrado, algo democrático e ético, que os “codificadores” ou os que preconizam um fundador de Umbanda querem negar, afirmando que a Umbanda surgiu no final da metade do século XX.

Alguns “expoentes” dessa “agremiação” codificadora, grassam aos seus confrades que procuraram escrever sobre a “história umbandista” que, digno de citação no livro, seriam somente os que concordam e apóiam que a Umbanda foi fundada ou revelada a uma única pessoa. Só por esta atitude autoritária e arbitrária pode-se perceber os desejos de tais grupos, que felizmente estão sendo colocados no seu devido lugar pela própria coletividade umbandista que, apesar de simples, humilde, pacífica e ordeira, não é desprovida de lógica e bom senso.

Para encerrar não podemos deixar de registrar alguns aspectos acadêmicos expressos nos recortes históricos (historiográficos) e de etnografia.

É lastimável que uns e outros, na expectativa de fazer um estudo de caso generalizem, induzem, quando sabemos a gravidade do método indutivo nas ciências humanas...

Seria de bom tom acadêmico, claro que segundo nossa ótica, que se estudassem as várias Escolas (segmentos), para depois, de forma isenta, se fazer a leitura, aquilatando e explicando que o estudo de caso foi feito no aspecto singular, isto é, de apenas uma Escola. A visão de uma Escola não pode representar o Todo (Unidade), o pensamento das demais Escolas.

A assertiva é pré-clara, pois se a Umbanda é uma Unidade Aberta em construção ou uma idéia manifesta em várias linguagens, as mesmas são, quanto muito, ângulos de interpretação da Umbanda (Unidade) e sozinhas não podem representá-La.

As Escolas das Religiões Afro-brasileiras ou Umbanda estão contidas nesta Unidade, quando e somente quando estão em interação uma com as outras e em função com o Todo. Se não forem obedecidos estes critérios a “Escola” deixa de pertencer à Unidade (Gestalt), portanto não pode mais ser denominada de Escola das Religiões Afro-brasileiras ou Umbanda.

Deixemos para breve a incursão mais aprofundada na essência e na forma da Unidade e diversidade das Religiões Afro-brasileiras ou Umbanda, que esperamos ter introduzido no texto quando afirmamos que a parte (diversidade) não pode ser o Todo (Unidade). Deixemos ao arguto estudioso leitor concluir se há gravidade e violência cometidas contra as Religiões Afro-brasileiras quando queremos que a parte seja maior que o Todo, ou seja, quando se quer codificá-la. Axé!


Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 95

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Faculdades de Teologia - Promovendo saberes acadêmicos e espirituais


No contexto acadêmico, a FTU tem se posicionado de forma favorável de que o eixo central das Faculdades de Teologia seja genérico. Que os cursos de Teologia sejam realmente investidos de caráter universitário, com senso crítico e autocrítica apurados.

Para possuir este requinte de excelência acadêmica é preciso alguns requisitos básicos. O mais importante é possuir uma iniciação científica e, a partir dela por intermédio de várias linhas de pesquisas, produzir saberes e, porque não,fazeres.

No viés específico da FTU faz-se necessário promover o diálogo endógeno (intra-religioso – com as várias Escolas) e o exógeno (de importância capital) com outras Teologias confessionais e não confessionais. Promove o diálogo como modelo de inclusão e interação, facilitando e promovendo maior porosidades e porias várias entre as “Teologias”.

Para a realização dessa missão precisa pensar não só na Teologia ou Filosofia, mas principalmente em aspectos epistemológicos e éticos, promotores do eixo fundamental de diálogo entre a Teologia nas suas várias vertentes e com outros pilares do conhecimento (Filosofia, Arte, Ciência e Religião).

Os conteúdos curriculares da FTU contemplam o diálogo interdisciplinar, o qual amplia a visão do futuro teólogo, que necessita possuir amplo conhecimento das ciências sociais (sociologia geral e sociologia da religião), econômicas e políticas e suas interações no mundo na pós-modernidade.

A seguir resumidamente citamos algumas disciplinas complementares ou optativas (além das do núcleo interdisciplinar) como forma de interface com a Teologia, Biologia, Psicologia, Antropologia e Direito entre outras.

É importante a necessidade do eixo lingüístico, pois religiões afro-brasileiras (40 a 50% do curso) têm como língua fundamental o português, pois nasceu em terras brasileiras. Contempla-se o inglês principalmente o instrumental para melhor posicionamento e atuação na produção de conhecimentos científicos. Neste eixo haveremos de evocar os aspectos hermenêuticos (hermenêutica) tão necessários para compreender-se o colorido mosaico das religiões afro-brasileiras.

Esperamos com esta sinopse das atividades curriculares mínimas da FTU que o leitor aquilate que privilegiamos as disciplinas que possuem interface com a Teologia , e permitem entender como se processa o desenvolvimento das religiões afro-brasileiras e as demais Teologias, todas elas merecedoras de amplo e irrestrito respeito.

Isto é o que temos desenvolvido. É o início do processo (sete anos de atividades) em que buscamos aperfeiçoar o currículo, ensino e pesquisa, mas também desejamos a união sincera e fraterna entre todas as Teologias. Devemos possuir um núcleo comum de ensino, universal, ensinado em todas as faculdades credenciadas pelo MEC.

No término, não podemos olvidar a necessidade do diálogo constante, sem afobações, sem paixões, mas onde prevaleça o bom senso, a auto crítica e o respeito ao outro como a nós mesmos. Assim, estaremos construindo uma Teologia mais consciente e com atividade isonômica no âmbito da Educação brasileira, a qual necessita ser aperfeiçoada, modificada, sem traumas, mas com determinação, e união de esforços de todos.

Nas despedidas, queremos dispensar bênçãos de paz e luz a todos os confrades das diversas Teologias; a todas as filosofias; a todas as artes e a todas as ciências, a todos os credos, aos agnósticos, a todos os irmãos planetários. Axé!

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 94

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

III Congresso Brasileiro de Umbanda do Século XXI

CONTRIBUIÇÃO DA FTU À LEGITIMAÇÃO ACADÊMICA

DAS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS OU UMBANDA


RESUMO

Nos dias 13 e 14 de novembro a FTU – Faculdade de Teologia Umbandista realizou o III Congresso Brasileiro de Umbanda. Um conceito novo de resgate e de retratar as religiões afro-brasileiras ou Umbanda. Evento realizado num ambiente de paz e interesse demonstrado pelos 250 congressistas presentes, vindos de várias regiões do país, demonstrando que as religiões afro-brasileiras ou Umbanda tem público para um acontecimento deste jaez.

A FTU, por intermédio de sua direção, corpo docente e discente tem procurado elevar de maneira ímpar, as religiões afro-brasileiras ou Umbanda ao patamar de excelência, por dentro do meio acadêmico, permitindo ao corpo discente dispor de conhecimento e pesquisas de ponta.

O próprio congresso é utilizado como uma incursão à iniciação científica, promovendo o interesse do futuro teólogo na pesquisa e na educação continuada, induzindo-o a cursos de pós-graduação – lato senso ou strictu senso, nos níveis de especialização, mestrado e doutorado, respectivamente.

Palavras-chave: Academia, Congresso, Inclusão, FTU, Religiões Afro-brasileiras

ABSTRACT

On November 13 and 14, FTU - Faculdade de Teologia Umbandista (Umbanda Theology College) held the III Brazilian Congress of Umbanda. A new concept of redemption and portray african-brazilian religions or Umbanda. Event held in an atmosphere of peace and interest shown by the 250 people present, from various regions of the country, showing that the african-brazilian religions or umbanda has enough public an event of this size.

FTU, through its management, teachers and student body has sought to raise in a unique way the african-brazilian religions or Umbanda to the level of excellence within the academic environment, allowing the student body to have knowledge and advanced research.

The Congress itself is used as an incursion into basic scientific research, promoting the interest of the future theologian in research and continuing education, inducing him to postgraduate courses - broad sense or strict sense, specializations, masters and doctoral respectively.

Keywords: Academy, Congress, Inclusion, FTU, Afro-Brazilian Religions

III CONGRESSO BRASILEIRO DE UMBANDA DO SÉCULO XXI

CONTRIBUIÇÃO DA FTU À LEGITIMAÇÃO ACADÊMICA DAS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS OU UMBANDA

Nos dias 13 e 14 de novembro a FTU – Faculdade de Teologia Umbandista realizou o III Congresso Brasileiro de Umbanda. Um conceito novo de resgate e de retratar as religiões afro-brasileiras ou Umbanda.

No púlpito vários oradores, muitos deles professores consagrados em suas disciplinas, deram o tônus e realce ao evento.

Evento realizado num ambiente de paz e interesse demonstrado pelos 250 congressistas presentes, vindos de várias regiões do país, demonstrando que as religiões afro-brasileiras ou Umbanda tem público para um acontecimento deste jaez.

A FTU, por intermédio de sua direção, corpo docente e discente tem procurado elevar de maneira ímpar, as religiões afro-brasileiras ou Umbanda ao patamar de excelência, por dentro do meio acadêmico, permitindo ao corpo discente dispor de conhecimento e pesquisas de ponta.

O próprio congresso é utilizado como uma incursão à iniciação científica, promovendo o interesse do futuro teólogo na pesquisa e na educação continuada, induzindo-o a cursos de pós-graduação – lato senso ou strictu senso, nos níveis de especialização, mestrado e doutorado, respectivamente.

Para tanto a FTU no seu curso de graduação em Teologia – bacharelado tem um corpo docente experiente e titulado que levam o aluno ao interesse pelo estudo e pesquisa, fatores necessários para a Teologia, que necessita de senso crítico apurado e espírito investigativo, embora respeite as virtudes teologais, considera imprescindível o conhecimento das religiões afro-brasileiras ou Umbanda, mormente em seus aspectos dialógicos endógenos (diálogo intra-religioso) e exógenos (diálogo inter-religioso) e com outros setores do conhecimento (diálogo interdisciplinar).

Depois destas incursões na missão acadêmica da FTU, que sumarizamos, não podemos olvidar o papel agregante e de disseminação da necessidade da educação na vida das pessoas.

Desde sua implantação em 2004 (autorizada pelo MEC no final de 2003) observamos que muitos adeptos das religiões afro-brasileiras ou Umbanda foram se habilitar (completar o curso médio) e após serem aprovados no vestibular, cursar a FTU. O mesmo acontecendo com simpatizantes da Teologia, mas que não são adeptos das religiões afro-brasileiras ou Umbanda. Sem a menor dúvida a FTU tem sido uma indutora de mudanças no espírito dos adeptos e não adeptos das religiões afro-brasileiras, pois promove uma maior habilitação de seus alunos, aumentando seus anseios de ascensão sócio-cultural, proporcionando um maior senso crítico que se manifesta na melhoria das condições de vida, decorrência direta de estudos e pesquisas realizadas e por uma visão mais ampliada das necessidades sociais, culturais e econômicas, tendo, pois, maior critério da escolha ideológica, política, manifestada no sufrágio consciente.

Após sumário necessário e que introduz a sinopse do Congresso, constante no vídeo que disponibilizamos, reiteramos a necessidade dos adeptos das religiões afro-brasileiras se habilitarem a cursar uma faculdade de Teologia, como também os que possuem curso superior se titularem nos graus de especialista ou mestres e doutores. Assim fazendo estarão propugnando a todos que as religiões afro-brasileiras não são indenes aos problemas sociais, culturais, políticos e econômicos, ao contrário querem contribuir não só nos aspectos religiosos, mas também nas mudanças paradigmáticas na sociedade brasileira. Axé!





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Publicação 93

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Diálogo Intrarreligioso é Histórico...


As religiões afro-brasileiras vêm grassando o respeito com a diferença, com a alteridade como forma de propiciar paz e união entre todos. A obviedade nos aponta para nossos pares, mas também para outras religiões, ou mesmo outros setores do conhecimento humano.

Não há sentido as dissensões por dentro de uma mesma religião ou grupos afins. O mesmo se dá em relação a outras religiões. O que as religiões afro-brasileiras, por intermédio da FTU e seus parceiros, vem protagonizando é o diálogo como forma de reconhecimento das diferenças apoiando-se no eixo das semelhanças. Somos mais semelhantes que diferentes, e melhor, somos iguais, isto é, não há hierarquização, nenhuma religião ou grupo é melhor que o outro.

Vivenciando o diálogo que promove a paz estivemos em visita a dois templos das religiões afro-brasileiras, sendo o Ilê Axé de Oxossi e Yansã dirigido por Baba Odesilê (Pai Carlinhos), em Campinas – SP e o Templo de Umbanda Anjos da Caridade, dirigido por Pai Tadeu (Ytabayara) – Americana – SP.

Fomos acompanhados de vários filhos espirituais que se confraternizaram com outros “Irmãos de Santo” dos templos citados.

Aproveito o ensejo para agradecer aos irmãos citados pelo trabalho, respeito e competência na realização de seus eventos sócio-espirituais. Aos dois Pais de Santo – Odesilê e Tadeu – nossas sinceras congratulações e muito grato pela recepção e hospitalidade.

Estas e outras iniciativas que propiciam a união das religiões afro-brasileiras devem continuar. São fatores importantes na incrementação da união e da real fraternidade as quais devem reger a consciência e o sentimento de todos os adeptos das religiões afro-brasileiras. Queremos agradecer a permissão para postarmos no blog alguns registros em fotos que foram feitos nos dois templos citados. Axé!

Ps: Clique na foto para ampliá-la!


















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Publicação 92

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O Sagrado - A Transreligião

RESUMO

As religiões Afro-brasileiras são o local de caldeamento de várias culturas, etnias e crenças sincretizadas no primeiro momento e sintetizadas na atualidade. A fundação da FTU – Faculdade de Teologia Umbandista consolida o princípio democrático de isonomia ao receber o reconhecimento acadêmico; assim são ressarcidos discrepantes enganos, e recoloca grande contingente da população brasileira em conexão com os direitos de cidadania, o que deveria ser dado a todos os cidadãos brasileiros.

Espero ter podido contribuir no vislumbre da conexão recíproca entre Teologia e Ciência, e que isto possa sensibilizar os responsáveis pela educação de nosso país, nos vários níveis, da necessidade de valorizar-se os cursos de Teologia das Religiões Afro-brasileiras e das demais Teologias, permitindo a eles construir suas grades curriculares, com autonomia, favorecendo aos que se interessarem pelo estudo e na pesquisa da Transrligião como forma legítima de inclusão e convivência pacífica que remete ao Sagrado.

Palavras-chave: Ciência, Religiões Afro-brasileiras, Sagrado, Teologia, Transreligião.

ABSTRACT

Afro-Brazilian religions are the mixing place of various cultures, ethnicities and beliefs first syncretized and currently synthesized. The foundation of the FTU – Faculdade de Teologia Umbandista consolidates the democratic principle of equality while receiving academic recognition; so disagreeing mistakes are compensated,
replacing a large contingent of the population in connection with the rights of citizenship, which should be given to all brazilian citizens.

I hope I have been able to contribute to the glimpse of the reciprocal connection between Theology and Science, and this may sensitize those responsible for education in our country, in its various levels, the need to enhance the courses of Afro-Brazilian Religions Theology and other Theologies , allowing them to build their curriculum grids, with autonomy, favoring those interested in studying and researching Transreligion as a legitimate way of inclusion and peaceful coexistence, which refers to the Sacred.

Keywords: Science, Afro-Brazilian Religions, Sacred, Theology, Transreligion


O SAGRADO - A TRANSRELIGIÃO

As religiões Afro-brasileiras são o local de caldeamento de várias culturas, etnias e crenças sincretizadas no primeiro momento e sintetizadas na atualidade.

A fundação da FTU – Faculdade de Teologia Umbandista consolida o princípio democrático de isonomia ao receber o reconhecimento acadêmico; assim são ressarcidos discrepantes enganos, e recoloca grande contingente da população brasileira em conexão com os direitos de cidadania, o que deveria ser dado a todos os cidadãos brasileiros.

No momento em que se formalizou o saber religioso, o ingresso ao meio acadêmico poderia promover um empirismo ou pragmatismo que desdenhasse do método científico, depreciando o conhecimento superior como um todo. Opostamente a esta ideia, cremos que trazer o saber religioso para o nível acadêmico foi uma oportunidade de renovar este saber, pondo-o à prova sua essência no debate e intercâmbio com outros ramos do conhecimento, como o científico, o filosófico e o artístico.

A Faculdade de Teologia Umbandista – FTU tem procurado, e nem sempre isto é bem compreendido, identificar pontos de conciliação entre a ciência e a religião, neutralizando os vários conflitos entre o saber acadêmico e o saber religioso e, mais, procurando construir pontes, algo muito salutar para ambos.

Não se pode admitir que a Teologia como saber não tenha autonomia para ser uma unidade aberta em construção ou reelaboração. É inadmissível exigir o Sagrado segregado da Ciência, da Filosofia, da Arte enfim, dos saberes.

Veta-se na grade curricular a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade, somente por ela levar transreligiosidade, uma forma de convivência pacífica entre todas as religiões e saberes vários. Por isso tenho defendido o diálogo como terapia social, cultural, política e econômica, pois nela encontro pontes que unem definitivamente os vários saberes.

Discutimos à exaustão na Escola de Síntese, que o Sagrado, a Espiritualidade é inerente a todo ser humano, vivente em seu interior, portanto, comum a todos, sejam ou não religiosos.

A assertiva da Escola de Síntese explicita que o Sagrado pode estar ou não na religião, mas que a religião é uma vertente importante do Sagrado, mas não a única.

Não descartando a religião, o Sagrado, remete-a a revisão crítica de aspectos epistemológicos, éticos e metodológicos, e mesmo de valores, como também de atuação e participação efetiva com os outros pilares do conhecimento.

Expliquemos de forma prática os pressupostos, deslocando a atuação para as religiões Afro-brasileiras e sua aderência à transreligiosidade, sendo esta sua Convergência Universal.

Há vários mitos cosmogenéticos ou da criação nas religiões afro-brasileiras, e em todos vamos encontrar a água como símbolo máximo da vida, o mesmo acontecendo com o elemento ar, ambos não isolados, mas em convergência.

Há também o mito de que os Orixás por intermédio de seu poder volitivo aplicado a uma “massa escura” deflagrou o surgimento do cosmo tendo como manifestações três fenômenos: luz, som e movimento.

Interessante que algumas teorias cosmológicas defendidas pela astrofísica admitem o big bang, tal como defendido pelos mitos das religiões afro-brasileiras, não de hoje, mas há milhares de anos. Não podemos deixar de citar estes fatos, pois os mesmos demonstram o quanto as religiões afro-brasileiras estão em sintonia com a ciência.

Após esta introdução, relembremos que fizemos no texto anterior uma ilação afirmando que a transrreligiosidade era a convergência de universalismo, e não um sincretismo, e demonstraremos da seguinte maneira.

Tomemos os dois elementos químicos formadores da molécula da água que, além de ser a base fundamental da vida planetária, é responsável pelas ¾ partes do planeta.

Como é sabido, o hidrogênio (H) e o Oxigênio (O) são os átomos responsáveis pela formação da água. Pedimos atenção especial à demonstração que farei, pois apesar de simples explica o propugnado.

Iniciemos pelo elemento químico Hidrogênio (H). É um gás incolor, inodoro e não venenoso e altamente inflamável (dizem que será o combustível do futuro). Está disperso na natureza na porcentagem de volume de 0,01 % na porcentagem de massa de 0, 006%.

Continuamos demonstrando desta vez algumas propriedades do Oxigênio (O). É um gás incolor, inodoro, não inflamável, mas comburente, alimenta as combustões (queimas), é indispensável à vida (a maioria dos seres vivos respiram e não dispensam o Oxigênio). Está disperso na natureza na porcentagem de volume de 21%) e na porcentagem de massa de 23%.

Para nossos objetivos as informações fornecidas são suficientes para a demonstração. Acabamos de saber que nas condições normais na natureza, em especial na atmosfera, ambos os elementos são gasosos. O Hidrogênio é inflamável e o Oxigênio comburente.

Mas por que estamos citando suas propriedades físico-químicas? Pois eles são os elementos que dão formação a água (H2O). Sim, todos sabem disso, mas o importante é a constatação que embora dêem formação à água, a mesma tem propriedades diametralmente opostas, tanto do Hidrogênio como do Oxigênio.

A água na natureza (na maioria das vezes) é liquida os seus componentes são gasosos. A água pode apagar o fogo, ou seja, não é combustível (H2) e nem comburente (O2). Muitas seriam as diferenças, mas o que queremos ressaltar é que apesar da água ser formada de Oxigênio e Hidrogênio, é uma outra realidade – a este realidade é o que denominamos síntese. Portanto, na “síntese os elementos constitutivos desaparecem na aparência, mas persistem na essência para dar lugar a uma realidade superior”. É o que também acontece com o Sagrado, com a transdisciplinaridade e com a transreligiosidade que definimos como “Convergência de Universalismo”, ou Síntese. O mesmo se dá com a Escola de Síntese.

Mas continuando, e isto é muito interessante, penetremos em outras “curiosidades” dos elementos químicos citados: Hidrogênio e Oxigênio. O Hidrogênio tem seu peso atômico como sendo 1. O Oxigênio, por sua vez, tem o peso atômico 16. O número 1 relacionado à unidade, a existência individualizada, a continuidade, portanto, dentro das Tradições Afro-brasileiras associado a Exu – símbolo por excelência da existência individualizada segundo reza mito dos odu ifa.

O número 16 esta relacionado aos 16 “Orixás”, aos 16 Oju odus (Babaodu – odu duplos – meji) com que se escreveu o destino do Cosmo e do indivíduo.

Se somarmos os dois pesos atômicos teremos 16 + 1=17. Sim, o 17 é o Odu Oxétuá formado pelo 15º Odu (Oxé) e o 13º Odu (Otura ou Otuwá). Portanto Oxetuá, com toda sua valência de ser aquele que foi gerado pelo “Poder mágico” o Akinosho, ao qual rendemos homenagem, pela sua tarefa de ir à frente, facear com Oludumare, e trazer paz, vida e prosperidade ao mundo, e tantos outros bons augúrios aos destinos coletivos e individuais.

Espero ter podido contribuir no vislumbre da conexão recíproca entre Teologia e Ciência, e que isto possa sensibilizar os responsáveis pela educação de nosso país, nos vários níveis, da necessidade de valorizar-se os cursos de Teologia das Religiões Afro-brasileiras e das demais Teologias, permitindo a eles construir suas grades curriculares, com autonomia, favorecendo aos que se interessarem pelo estudo e na pesquisa da Transreligião como forma legítima de inclusão e convivência pacífica que remete ao Sagrado. Axé!


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Publicação 91

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Revendo a História


O rito dramatiza o mito, ou seja, as religiões possuem métodos (ritos) que manifestam a essência da doutrina.

A doutrina, por analogia, é associada ao círculo (unidade), que contém várias formas de entendê-la e praticá-la (diversidade).

A esta gestalt, uma organização específica de partes que constitui um todo particular, denominamos de religiões Afro-brasileiras ou Umbanda. Esta gestalt é, pois, uma unidade que se manifesta na diversidade. É a Umbanda (unidade) expressa na diversidade (as várias escolas), portanto é justíssimo dizer que as várias escolas de Umbanda são manifestações legítimas de Umbanda, salvaguardando um senão: às partes em separado nunca podem proporcionar uma compreensão do todo, uma vez que o todo é definido pelas interações e interdependências das partes. As partes não mantém sua identidade quando estão separadas de sua função e lugar no todo.

Pelo exposto fica preclaro que a identidade (unidade) se manifesta na diversidade, mas esta tem de manter a conexão entre todas as partes.

Depois destes conceitos que reiterei, portanto, meus pressupostos, que não desdenham de outros, queria contar a historieta do “encantado” João Canoeiro contada por ele mesmo, todavia estamos nas vésperas do III Congresso brasileiro de Umbanda do século XXI, adiarei meu intento para futura publicação, onde com mais tempo disponível tornarei pública sua História que, tenho certeza, contribuirá para a História das religiões Afro-brasileiras.

Ao citar as religiões Afro-brasileiras e seus “presumíveis” “cem anos”, quero introduzir, resumir 55 anos de minha experiência na vivência teórico-prática das religiões Afro-brasileiras.

Praticamente estou com tudo inventariado e para breve disponibilizarei todo o acervo de 55 anos, constando de textos, documentos, fotos, vídeos, artigos de jornais e revistas desde 1955 até os dias atuais. Aos leitores e amigos peço a gentileza de aguardarem, pois em breve estarão à disposição.

SINOPSE HISTÓRICA

Período de 1955 a 1961

- Início do meu envolvimento com as religiões Afro-brasileiras.

- Vivência teórico-prática (mais prática) dentro de minhas limitações, por dentro do culto de nação (Ketu), dirigido por Pai Ernesto de Xangô Airá (O Babá).

- Iniciado por Ele no Santo – Olori (Oxaguian); Juntó (Ogun Já e Ossaim)

- Contato direto com a Encantaria e Candomblé de Caboclo, com o próprio Pai Ernesto, em outro local, a parte do Ilê Axé.

- Aprendizado dos rudimentos do Opele Ifá e Odus, pois ele fora inicado pelo Babalawô Martiniano do Bonfim.


Período de 1962 a 1968

- Pimeiro contato com a Umbanda – na Tenda de Umbanda Xangô Caô – dirigido por Dr. Carlos e sua esposa Sra. Helena.

- Nesse local tive a 1ª manifestação mediúnica (maio de 1962) por intermédio de Doum (criança) e Caboclo Angarê de Ogum – que afirmaram virem para me preparar para o Caboclo Urubatão da Guia, o que realmente aconteceu.

- Ainda em 1962 conheci o médium Antonio Romero – médium do Caboclo Pedra Branca, e o médium Roberto Getúlio de Barros, médium do Caboclo Guarantan. Com eles me iniciei na Umbanda, após 7 anos (68), quando fui “coroado”, sendo considerado um médium pronto para “abrir casa” (abrir, dirigir meu próprio terreiro).


Período do final de 1968 a 1970

- Em 1968, abri terreiro nos fundos da residência de meus pais, lá permanecendo até junho de 1970. No ano de 1970, em julho, mudamos o terreiro para a Via Anchieta, 308.


Período de 1971 a 1988

- Em 1971 “reencontrei” (tive a felicidade rara) o Mestre Yapacany (W.W. da Matta e Silva) tendo desde o início uma profunda e verdadeira identificação.

- Em 1973, saí da Via Anchieta, 308 onde ritualizava uma Umbanda Traçada. Em tempo algum Pai Matta interferiu, ao contrário disse-me estar seguindo o acordado com o “Astral”, com a Espiritualidade.

- desde 1971 iniciei minha ida quinzenal a Itacurussá, na Tenda Umbandista Oriental, e lá iniciei e “terminei” a Iniciação Sacerdotal – Consagração Iniciática, como Mestre de Iniciação de 7º Grau de 1º Ciclo, após 7 anos (1978).

- Em 1980 já havia mudado o templo para a Travessa Magalhães, atualmente, Rua chebl Massud, local onde Pai Matta esteve inúmeras vezes, em inesquecíveis momentos gravados em meu âmago espiritual.

- Nos idos de 1983, na data de meu aniversário, veio a São Paulo (surpresa) e presenteou-me com os sinais que o Pai Guiné lhe dera em 1946. No decorrer da história que contarei, todos entenderão o porquê de sua atitude.

- Em 1985, escrevi em vários jornais de São Paulo e dei uma entrevista na Revista Planeta, num artigo que discutia o destino por intermédio dos búzios e dendês. Também escrevemos 52 artigos (semanal) na coluna do jornalista Moacyr Jorge.

- Dezembro de 1987 – Pai Matta vem a São Paulo e faz a Transmissão da Raiz para mim. Estava incorporado em Pai Guiné e este afirmou que eu seria o condutor da Raiz de Pai Matta.

- Abril de 1988 – Pai Matta desencarna; confirmada a predição do astral, o mesmo que ele havia falado para mim.


Período de 1989 aos dias atuais

1ª obra escrita – Umbanda – a Proto Síntese Cósmica – 1989 – 1ª edição – Freitas Bastos, atualmente na 11ª edição – editora Pensamento.

Durante estes vários anos escrevemos mais oito obras.

-1996 – Fundamos o Templo da Av. Santa Catarina, 400 – onde funciona hoje a Faculdade de Teologia Umbandista – fundada em 2004.

-2005 – Fundei o Centro de Cultura Viva das Tradições Afro-brasileiras

-2008 – I Congresso Brasileiro de Umbanda do Século XXI – realizado pela FTU

- 2009 – II Congresso Brasileiro de Umbanda do Século XXI -– realizado pela FTU

- 2010 - III Congresso Brasileiro de Umbanda do Século XXI -– realizado pela FTU

No término da sinopse, reitero que estarei disponibilizando para breve os pormenores dos fatos citados e outros que citaremos na “História da História”...

O vídeo que acompanha a publicação é uma singela homenagem a todas Entidades Espirituais que fizeram e fazem a História desta Umbanda de Todos nós – a Teologia da Felicidade. Saravá... Axé!





Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 90


segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Excertos Históricos - Escolas Umbandistas

RESUMO

Espistemologia, Ética e Método constituem três vertentes que consolidam a Doutrina e a Prática Umbandista como Universalistas, podendo ela ser praticada e entendida de várias formas. Todas elas são, sem exceção, merecedoras de amplo e irrestrito respeito, principalmente por atuar na percepção da realidade espiritual das humanas criaturas, o que significa dizer em suas crenças, em seus mecanismos anímicos de buscar o Sagrado.

Portanto, Escola significa uma linha de transmissão; esta por sua vez, uma linguagem da idéia Umbanda. Sim, a Umbanda pode ser expressa, manifesta de várias formas, sendo todas elas acertadamente denominadas como sendo Umbanda.

É a Umbanda conciliando a diversidade na Unidade; oscilando do centro para a periferia cultural, social, política e econômica. Oscila, pois não se atém a este ou àquele grupo, por menor que seja, atende todos sem discriminação ou exclusão.

Palavras-chave: Epistemologia, Escolas, Ética, História, Método

ABSTRACT

Epistemology, ethics and method are three elements that consolidated the Umbanda Doctrine and Practice as Universalists, and it can be practiced and understood in different ways. They are all, without exception, worthy of broad and unrestricted respect, especially by acting on the perception of spiritual reality of human creatures, which means in their belief, in their psychic mechanisms of seeking the sacred.

Therefore, School means a transmition line, this, in turn, a languageof the umbanda idea. Yes, Umbanda can be expressed, manifested in various forms, all of which are aptly named as Umbanda.

Umbanda is reconciling the diversity in Unity, ranging from center to cultural, political and economic periphery. Fluctuates, as does not hold to this or that group, however small, serves everyone without discrimination or exclusion.

Keywords: Epistemology, Schools, Ethics, History, Method

EXCERTOS HISTÓRICOS – ESCOLAS UMBANDISTAS

Após 23 anos da passagem de Mestre Yapacany (W.W. da Matta e Silva) para o plano astral, ainda brilha como estrela da máxima grandeza no céu da Umbanda sua obra, sua tarefa transformadora e replasmadora.

Suas obras não são apenas as literárias, que sem dúvida alguma deram à Umbanda uma alma; demonstraram sua ancestralidade que muito sutilmente aproveitou da miscigenação étnica, cultural e anímica para das brumas do passado ressurgir com toda sua valência de universalidade.

Como afirmamos, suas outras obras ficaram nas pessoas de seus discípulos, cada um deles com funções que lhes são próprias por dentro do Movimento Umbandista.

Sendo eu um de seus discípulos iniciados e tendo tido com ele uma convivência iniciática de dezoito anos, após seu desencarne esperamos os sinais do Astral Superior.

Aprendemos com os guias espirituais que as diretrizes viriam de “cima para baixo” e, baseados nestas diretrizes edificamos, em 1989, após o lançamento da Obra Umbanda – A Proto Síntese Cósmica, a Escola de Síntese, que preconiza a Universalidade e Unidade de todas as coisas.

Neste e em outros textos entendemos melhor a Escola de Síntese, sua função, sua tarefa, que demonstra de forma cabal que os fundamentos de Umbanda se consolidam em três vertentes. Espistemologia, Ética e Método constituem estas três vertentes que consolidam a Doutrina e a Prática Umbandista como Universalistas, podendo ela ser praticada e entendida de várias formas. Todas elas são, sem exceção, merecedoras de amplo e irrestrito respeito, principalmente por atuar na percepção da realidade espiritual das humanas criaturas, o que significa dizer em suas crenças, em seus mecanismos anímicos de buscar o Sagrado.

Portanto, Escola significa uma linha de transmissão; esta por sua vez, uma linguagem da idéia Umbanda. Sim, a Umbanda pode ser expressa, manifesta de várias formas, sendo todas elas acertadamente denominadas como sendo Umbanda.

É a Umbanda conciliando a diversidade na Unidade; oscilando do centro para a periferia cultural, social, política e econômica. Oscila, pois não se atém a este ou àquele grupo, por menor que seja, atende todos sem discriminação ou exclusão.

Por isso ficamos estarrecidos quando uns e outros afirmam, sentenciam que não praticamos uma Umbanda pura, mas o que é Umbanda pura? É aquela que preconiza uma eugenia espiritual? Essa não praticamos mesmo! Muitos afirmam que misturamos a Umbanda Esotérica (que não tem nada a ver com esoterismo), com Culto de Nação, com Encantaria, e com a Umbanda Popular.

O conceito de Escolas por nós criado, sustentado e propagado afirma que a Umbanda pode ser praticada de várias maneiras e todas elas estão no mesmo plano de importância, não havendo entre elas hierarquização, isto é, não há uma Escola melhor que outra. Com isso afirmamos que a Umbanda esotérica não é melhor que as outras Escolas, como muitos desejam.

Para melhor entendimento postamos vídeo “Escolas – diferentes, mas não desiguais” que esperamos possa dirimir as dúvidas e permita que todos caminhemos rumo à união umbandista, das religiões Afro-brasileiras. Axé!




Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 89