quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Política de todos nós?


O estagirita Aristóteles (384-322 a.C.) afirmava que o homem é por natureza um ser social, pois sua sobrevivência dependia de seus semelhantes.

Para ele, a cidade (polis) encontra-se entre as realidades que existem naturalmente, sendo o homem, por sua natureza, um animal político.

Como animal político Aristóteles entendia o homem envolvido com a cidade. Ele tomou um fenômeno social característico da Grécia como modelo natural do todo o gênero humano. Eis aí, seu ledo engano!

Deixemos o sábio grego, e ouçamos as vozes dos cientistas da atualidade que afirmam que a política está intimamente ligada ao poder. Definem a política como a responsável pela formação, distribuição e exercício do poder. Portanto, política é poder...

Para o filósofo inglês Bertrand Russel, o poder é a posse dos meios que levam à produção dos efeitos desejados, ou seja, o indivíduo ou grupo que detiver o poder torna-se capaz de exercer várias formas de domínio e, por meio delas, alcançar os efeitos que deseja.

Nada animador para os espiritualistas essa história de poder, meios para atingir os fins, domínio, etc. Se não bastasse isso, tem mais...

O poder pode ser entendido, ou melhor, dividido em duas modalidades: o poder do homem sobre a natureza e o poder do homem sobre outros homens.

O poder do homem sobre a natureza não tem sido portador de bons auspícios, mas forma de domínio de certos grupos ou nações sobre outros, e mais, não raras vezes, deterioramento, depauperação da natureza, quando não sérios riscos para o própria sobrevivência planetária (vide problema do manuseio do átomo e suas subpartículas).

Por sua vez, o poder social, o poder do homem sobre outros homens pode ser dividido em poder: político, ideológico e econômico. Segundo o cientista italiano Norberto Bobbio o que tem em comum essas três formas de poder é que elas contribuem conjuntamente para instituir e manter sociedades de desiguais, divididas em: fortes e fracos, com base no poder político; em ricos e pobres, com base no poder econômico; em sábios e ignorantes resultado direto do poder ideológico. Enfim, o que realmente decorre é a dicotomia: superiores e inferiores, e isso há de ficar claro...

Após simples constatação da política e suas decorrências, é necessário tomar ciência das relações entre a sociedade e o Estado, pois é desse relacionamento que se forma o poder, e dele a dicotomia: superiores e inferiores, enfim, uma sociedade de desiguais.

O Estado costuma ser discutido como uma instituição que exerce o poder coercitivo (em vários níveis), por intermédio de suas diversas funções, tanto na administração pública, como no judiciário e no legislativo.

A sociedade civil, por sua vez, é definida como o campo das relações sociais que se desenvolvem fora do poder institucional do Estado. As empresas, as igrejas, as escolas, os movimentos populares entre outros, fazem parte da sociedade civil.

Os vários grupos que compõem a sociedade civil em se relacionando provocam o surgimento de diversas questões políticas, ideológicas, econômicas, culturais, etc. A afinidade do grupo pode ser deslocada para o aspecto corporativo, sendo que as várias corporações, não raras vezes, geram conflitos entre si (isto sem falar dos conflitos endógenos), sofrendo com isso a intervenção do Estado que procura dirimir o enfrentamento, buscando o “consenso” (raramente).

Nos mecanismos articuladores entre Estado e sociedade civil, os partidos políticos deveriam desempenhar a função importante de captar os desejos, as aspirações da sociedade civil, e encaminhá-los para o campo da decisão política do Estado (Utopia! Pobre povo que pena e geme). Isso se deve (?!!) ao fato de os partidos políticos não pertencerem por completo nem ao Estado e nem a sociedade civil.

Portanto, os partidos políticos e seus correligionários, teoricamente, representantes do povo, deveriam proporcionar uma conexão ampla entre sociedade civil e Estado!

Atualmente, raríssimos são os partidos políticos que assumem o papel que se “auto atribuem”, ou seja, o que há mesmo é uma descaracterização total de sua “missão ideológica”, pois o que interessa mesmo é o poder. E o povo, mais uma vez, usado como massa de manobra, fica alheio ao processo de decisão, pois o mesmo só favorece os interesses dos poderosos (minoria) em detrimento dos “fracos” (maioria).

Infortunadamente, os partidos políticos, os políticos são reféns do poder econômico, de determinados grupos político-econômicos que dominam na política, pois elegem seus representantes; sim, seus representantes, de seus interesses econômicos que interferem na política e vice-versa, levando a um ciclo vicioso mantenedor do status quo – a desigualdade.

O relacionamento desses conglomerados econômicos com o poder se dá por intermédio de várias formas de “massificação cultural” (várias formas de mídias) onde os lobbystas se tornam empresários ou executivos bem remunerados da indústria da política, ou na tomada de poder como forma de domínio, hegemonia, mesmo que isso custe a vida de seres humanos, pois os aspectos sociais tornam-se meros adereços. Por isso, continuamos com altos índices de violência urbana, deficiência no serviço público, nos transportes, na educação (nem é bom falar nisso!), na saúde (sucateado no serviço público e com hipervalorização da medicina privada – planos de saúde), moradia, urbanização. Mas que nada! O interesse é só pelo poder, se possível para o menor número de pessoas, aliás, se possível nas mãos de um ou dois.

Concluímos que não é mais o povo, mas grupos de interesses que elegem seus candidatos que irão legislar em seu favor e não do povo. Legislam em favor dos que os elegeram, da mesma forma quem os elegeram tentam mantê-los no poder!

Vivemos num mundo onde o poder econômico, ideológico e político são onipotentes e onipresentes. Com isso estamos afirmando que a disputa pelo poder político não é mais decidida pelo povo, mas por grupos de interesses que elegem seus candidatos.

A disputa pelos cargos políticos é decidida pela luta entre os vários grupos de interesses ou mesmo pelo acordo entre alguns deles, que não obstante serem rivais, se unem para conseguir o poder, deixando suas diferenças para serem resolvidas quando estiverem formando, distribuindo ou exercendo o poder.

Depois de nossa visão nada otimista, sobre os grupos de interesses e algumas conseqüências sócio-político-econômicas, não podemos olvidar o problema mais agudo, mais amplo, todavia queremos apenas, neste momento, dar nossa contribuição para as eleições de outubro de 2010.

Se há grupos de interesses econômicos que elegem seus candidatos, o que é lastimável, que dizer então de grupos religiosos que tentam eleger seus candidatos, e nos apressamos em perguntar: por que desejam eleger seus candidatos? Muitos inocentes, no mínimo dirão que é para defender a religião. Pois bem, a religião precisa ser defendida de outros grupos concorrentes, certo? Certíssimo, dirão. Que tristeza perceber que muitos acreditam nessa balela histriônica, como se fosse possível uma ou duas pessoas defenderem a religião, num cenário dominado pelas corporações econômicas, a não ser que as mesmas queiram utilizar a religião como massa de manobras para seus empreendimentos políticos. Há também o contrário, ou seja, alguns setores da religião que se utilizam da mesma para conseguir este ou aquele benefício político-econômico.

No mais o que precisamos de forma urgente - urgentíssima é a reforma política, mas muito, e, muito principalmente de Espiritualidade, a qual, infelizmente, está muito distanciada daqueles que dela falam, mas dela, de sua prática estão de há muito divorciados. Pense nisto quando você for fazer a escolha de seus candidatos. Axé!





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Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 77

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Mais História... Iniciação e as vivências com Mestre Yapacany - W. W. da Matta e Silva

RESUMO

Muito se poderia dizer de Iniciação, como também nada... O tudo e o nada na Iniciação neutralizam a dualidade, remetem à unidade. Nas obras literárias que escrevi, explico o relacionamento Mestre x Discípulo e o porquê de minha Iniciação ser com Mestre Yapacany (W. W. da Matta e Silva) e de a mesma acontecer na Umbanda.

Primeiro reitero, como venho fazendo há 40 anos, que escolhi a Umbanda, pois Ela é universalista, mesmo que muitos não A percebam como tal, preconizando-A como um apêndice do catolicismo, espiritismo e tantas outras coisas mais. Respeitando os que citam a Umbanda como sendo afro-descendente, achamo-La universo-descendente, não estando interessada na Tradição de uma só raça ou etnia, mas em todas, portanto, universalista. É do negro, do branco, do amarelo, do índio, do mestiço, de todos nós.

Palavras-chave: História, Iniciação, Tenda de Umbanda Oriental, Vivência, W. W. da Matta e Silva

ABSTRACT

Much could be said about Initiation, as well as anything... The everything and the nothing in the Initiation neutralize duality, referring to the unit. In literary works that I wrote, I explained the relationship between Master and Disciple and why my Initiation happened with Master Yapacany (WW da Matta e Silva) and the same happens in Umbanda.

I repeat, as I have been doing for 40 years, that I chose Umbanda, because it is universal, even though many do not realize it as such, advocating it as an appendix to Catholicism, spiritualism and many other things. Respecting those who mention Umbanda as african descent, we find it universe descent, not being interested in the tradition of only one race or ethnicity, but in all, therefore, universal. It's black, white, yellow, Indian, mestizo, of all of us.

Keywords: History, Initiation, Tenda de Umbanda Oriental, W. W. da Matta e Silva

Mais História... Iniciação e as vivências com Mestre Yapacany - W. W. da Matta e Silva

“ A Iniciação não se resume somente a ensinamentos e ritos, mas às vivências que a valência espiritual do Mestre desperta no discípulo preparado” Arhapiagha

Relatando o convívio iniciático que tive com o Mestre Yapacany (Pai Matta e Silva) durante 18 anos, na presente existência, não estou negando o valor dos outros que o antecederam em minha Iniciação. Seus antecessores despertaram-me, cada um à sua maneira, para o Sagrado, que desde tempos remotos eu vivenciara. Levaram-me ao conhecimento dos aspectos periféricos, porém necessários do Sagrado, o qual me proporcionou o feliz ensejo de reencontrar-me comigo mesmo.

Pai Matta alinhavou o porquê de eu ter sido sacerdote, mago e médico no passado, algo recorrente no presente, pois meu karma assim pedia, e que na presente encarnação estivesse em tarefa no Brasil.

Sua clarividência apuradíssima (dimensão-mediunidade) proporcionou-me verdadeiro êxtase espiritual. Assim fez, pois sabia que paulatinamente deixaria a forma e penetraria na essência.

A conversa foi longa, muito longa, e era tão real que me vi em várias épocas, nos quatro cantos do planeta, em vários setores filosóficos, artísticos, científicos e religiosos, mas sempre interessado no tratamento das doenças da sociedade, do homem, de seu corpo e sua alma.

As revelações concedidas pelo meu próprio “eu” fizeram com que visse no Mestre Yapacany, o Mestre do passado, o Mestre consumado, sendo ele o único a transmitir-me a Iniciação, o que para mim significaria reunir o passado ao presente, cumprindo com alegria a tarefa a mim destinada.

Muito se poderia dizer de Iniciação, como também nada... O tudo e o nada na Iniciação neutralizam a dualidade, remetem à unidade.

Nas obras literárias que escrevi, explico o relacionamento Mestre x Discípulo e o porquê de minha Iniciação ser com Mestre Yapacany e de a mesma acontecer na Umbanda.

Primeiro reitero, como venho fazendo há 40 anos, que escolhi a Umbanda, pois Ela é universalista, mesmo que muitos não A percebam como tal, preconizando-A como um apêndice do catolicismo, espiritismo e tantas outras coisas mais.

Respeitando os que citam a Umbanda como sendo afro-descendente, achamo-La universo-descendente, não estando interessada na Tradição de uma só raça ou etnia, mas em todas, portanto, universalista. É do negro, do branco, do amarelo, do índio, do mestiço, de todos nós.

É tão universalista que sua tradição se edifica nas mudanças constantes; está sempre penetrando em novos ângulos da realidade, que é uma marcha, um processo, uma espiral constituída de ciclos e ritmos, até o momento de neutralizar-se completamente a ilusão, penetrando-se na Realidade Absoluta (Espírito).

Deixando as digressões metafísicas, penetremos sem mais delongas nos meandros da Iniciação.

Conversando seriamente, Mestre Yapacany disse-me estar cumprindo o determinado, consolidando minha Iniciação. Era o Mestre de que precisava, pois teria de receber a consagração iniciática, encadeamento de egrégoras consonantes astralizadas que são transmitidas desde o início dos tempos.

Estas revelações me foram importantíssimas, pois me deram o substrato, o fio de Ariadne para penetrar em meu destino por intermédio da simplicidade e humildade do “Terreiro” de Umbanda.

Na época, o Templo de Mestre Yapacany em Itacurussá era uma edificação de uns 50 m². O lugar reservado às coisas espirituais tinha o piso de areia. O reservado aos consulentes ou assistentes tinha uns cinco ou seis bancos e só (para a época era mais que suficiente).

O peji tinha os sinais sagrados com as Ordens e Direitos estendidos a ele por Pai Guiné (Mestre Yoshanan), encimado por uma efígie de “São Miguel”.

No solo havia algumas efígies simbólicas de “Caboclos” e “Preto-Velhos”, mas todos sobre uma madeira onde estavam riscados os sinais sagrados da Lei de Pemba.

Com o passar do tempo estas estatuetas foram retiradas, sendo levadas a um local que chamávamos “Casa das Almas”, nos fundos do terreno onde se localizava o “terreiro”. Nesse terreno, à direita de quem entrava havia uma casinhola com os assentamentos dos Exus Guardiões onde havia sinais riscados, velas, aguardente, ponteiros, e outros apetrechos magísticos.

Após a retirada das imagens, inclusive a de São Miguel (Mikael), só restou a efígie de Jesus Iniciado, pois estava coroado de espinhos, muito significativamente encimando todo o peji, demonstrando que aqueles que desejassem a “coroa” soubessem que a mesma é amor, dedicação, doação e nunca privilégio.

Descrevendo e relembrando o saudoso e iluminado Templo da extinta T.U.O (Tenda de Umbanda Oriental), não poderíamos deixar de citar o pioneirismo da produção literária de Mestre Yapacany.

Na época, sua produção literária era muito superior a qualquer outra existente e isto citamos não por proselitismo, mas por mera constatação, principalmente por causa dos primorosos livros que me levaram até Itacurussá: Umbanda de todos nós, Doutrina Secreta de Umbanda, Sua Eterna Doutrina, Lições de Umbanda (e quimbanda) na palavra de um Preto Velho, Segredos da Magia de Umbanda, Umbanda e o Poder da Mediunidade, Lições práticas da Lei de Umbanda, Macumbas e Candomblés na Umbanda, e finalmente, um compêndio sintético – Umbanda do Brasil.

Os aspectos práticos externos, em verdade, não confirmavam a teoria, pois aquela seria uma fase ulterior; a maioria embora percebesse que os fundamentos eram transcendentais e universais, se demorava ainda na forma do “terreiro”, algo natural para a época.

Poucos se interessavam pelos aspectos iniciáticos, subjetivos, se demorando na forma, no objetivo, no externo, segundo palavras do próprio Mestre.

Muitas vezes conversando com o insigne Mestre Yapacany, dizia-nos, contristado, que a maioria estava interessada em seus dons mediúnicos, em receber esta ou aquela mandala, este ou aquele fundamento ou eró (principalmente se fosse de Exu), mas raríssimos interessavam-se em conhecer-se melhor, em entender a profundidade da vida, os motivos de suas próprias dores, as do mundo, enfim, para a maioria a Iniciação não era o conhecimento da origem das coisas ou de si mesmo, mas do exterior, do mundo objetivo, o que de sobejo sabemos não ser este o mote da Iniciação Superior.

A Iniciação não é algo prosaico, requer decisão, convicção no Sagrado e certeza de que nossa essência imortal se manifesta em corpos mortais. Esses, embora mereçam cuidados e respeito não dever ser tidos como imortais, pois esta é a maior inversão de valores, sendo o maior óbice à Iniciação.

Após estas ligeiras elucubrações, que sutilmente demonstram as qualidades fundamentais do Mestre Espiritual, não há dúvidas que o pioneiro nesta denominação e aplicação foi W.W. da Matta e Silva, o qual iniciou e elevou alguns de seus discípulos ao grau de Mestre de Iniciação. Por sua vez, seus discípulos, Mestres de Iniciação, iniciaram outros Mestres sob a égide de uma sólida Tradição que esbarra nas noites do tempo...

Portanto, não podemos negar a primazia do Mestrado em Umbanda a Mestre Yapacany e, a posteriori, a seus iniciados no grau de Mestre de Iniciação.

Prosseguindo, seremos breve nas citações, pois este texto não comportaria as vivências-experiências proporcionadas pela Iniciação. Assim peço escusas aos irmãos planetários, pois serei lacônico nestas informações; é isto mesmo, os iniciados longe se encontram da ribalta, não querem exaltar seus egos, embora respeitem quem a deseje, mesmo que seja ilusório.

Ritualisticamente, fui consagrado em Itacurussá, em 28 de julho de 1978, no grau de Mestre de Iniciação (no grau de mago), num ritual singelo e singular, mas de farta assistência espiritual, que teve como ponto relevante as presenças de Pai Guiné (Mestre Yoshanan) e Caboclo Urubatão da Guia (Mestre Arashamanan). Na época tinha 28 anos de idade, completava o primeiro ciclo solar e o quarto ciclo lunar. Tanto o sete (as Potestades) como quatro (elementos) são a meta do Iniciado, pois se utiliza do Poder Espiritual para atuar na energia (magia etéreo-física).

Nessa época, em 1978, tinha o Templo no mesmo local onde edifiquei minha primeira “Tenda” em 1968, na Rua Lord Cockane, 613, no Ipiranga.

A primeira Tenda, fundada em 1968, funcionava semanalmente, às 4ªs feiras, no fundo da casa de meus pais, num corredor.

No ano de 1973, construímos no pomar da casa citada, um recinto de uns 70 m², onde recebíamos mais de 150 pessoas. Neste local ficamos até o final de 1980, quando mudamos para a Rua Chebl Massud, 157.

Interessante como o “astral” encaminha as coisas. O templo da Chebl Massud era de um ex-adepto do Mestre Yapacany, Eduardo da Costa Manso, e o que é mais incrível, ele havia conhecido e sido “filho de santo” do Pai Ernesto, o Ernesto de Xangô Airá.

Nos fins de 1980, em dezembro, nos mudamos para a Travessa Magalhães 681, onde nos encontramos até hoje. Além das mudanças que ocorreram neste período, quero citar que o nome da rua hoje é Chebl Massud, 157, Água Funda, São Paulo.

Haveria de narrar muitos acontecimentos ocorridos neste período, em que ia a Itacurussá quinzenalmente, e mesmo das muitíssimas vezes que nosso Mestre esteve nos honrando com sua presença em meu Templo.

Encerrando o relato desta publicação, remeto o irmão planetário a uma de suas vindas a São Paulo que foi profundamente significativa, pois seria o início de uma tomada de posição que só mais tarde seria entendida e confirmada, portanto, mais uma vez penetremos na estrada do tempo e recuemos aos idos de 1983.

Numa 4ª feira, julho de 1983, estava completando 33 anos de vida terrena na presente existência. Qual não foi a minha surpresa quando vi Mestre Yapacany e sua esposa (Salete) entrarem porta adentro no Templo, parabenizando-me ao mesmo tempo que me presenteava com um “presente do passado e do futuro”.

Sim, após os cumprimentos e a forte comoção que contagiou o templo, Mestre Yapacany me pediu para abrir o presente. O mesmo estava embrulhado em papel de presente, mas sua forma era de um retângulo de uns 50 x 40 cm, com menos de 5 mm de espessura. Claro, só poderia ser um pedaço de madeira, e quando abri, constatei ser o ponto riscado de Pai Guiné d’Angola em que ele, Mestre Yapacany, recebera como suas Ordens e Direitos de Trabalhos (Ordenação Superior) em 1946.

No verso dos sinais riscados de Pai Guiné, estendido ao insigne Mestre, ele me escreveu:

“Filho de meu Santé”, coroado na Raiz do Pai Guiné d’Angola. Sei que coisa alguma material seria mais importante a você ou seria tão marcante para o seu conscencial do que os sinais que estão grafados nesta simples área de madeira. Nesta data do teu aniversário, transponho os sinais ou signos da Lei de Pemba do Pai Guiné (as ordens e direitos de trabalhos que Ele próprio riscou, em perfeita incorporação sobre mim, em 1946), como prova de minha estima e para que você tenha, “ontem, hoje e sempre”, este amparo de corpo presente na sua jornada espiritual e mediúnica”.

Não temos nada a acrescentar a não ser agradecer ao inolvidável Pai, Mestre e Amigo pela sua sabedoria milenar e pela honra a mim concedida de ser seu discípulo, por ter-me aceito em sua luminar e coroada mandala.

Finalizando a narrativa deste sublime momento de minha eternidade, reitero o que escrevi em minhas obras na literatura umbandista. Na ocasião, tínhamos as Ordens e Direitos de Trabalhos que Caboclo Urubatão da Guia me estendeu. Sobre esses sinais colocamos os de Pai Guiné, que lá permaneceram até o final do ano de 1995.

Não desejo criar expectativas, mas a História não para ..., ao contrário, continuarei discorrendo na próxima publicação, onde melhor se entenderá o porquê da transmissão da Raiz para mim estendida por Pai Guiné manifestado em Pai Matta (Mestre Yapacany). Axé!

P.S. Nesta publicação disponibilizamos o vídeo em que alguns “filhos de meu santé”, que conheceram o Pai Matta, discorrem sobre o que observaram e perceberam de meu relacionamento com o insigne Mestre.







Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 76

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Mais História... Mãe Salete Esposa de W. W. da Matta e Silva


O respeito e o amor incondicionais à verdade nos fez, mais uma vez, relatar recorte histórico que reputamos importante, à sociedade como um todo.

Desde a década de 70, do século XX, até os dias de hoje, todos os ritos ou eventos realizados na OICD e mais recentemente na FTU são registrados em atas. Portanto temos vários volumes da História de Nossa Casa Espiritual e da Umbanda como um todo devido a sua atividade, e de estar no meio há 40 anos (fundada em 1970).

Temos disponibilizado documentos históricos (documentos escritos, em foto e vídeo) e continuaremos disponibilizando; não pararemos, pois desejamos que todos ao lerem a História, melhor entendam essa Umbanda de todos nós, principalmente da Augusta Raiz de Pai Guiné, atualmente de Urubatão da Guia – Velho Payé.

Obedecendo aos desígnios espirituais superiores mudamos e continuaremos a mudança de nossos fundamentos, pois a Tradição de nossa raiz se consubstancia na contínua mudança.

Pedimos paciência aos nossos leitores, temos muito ainda a dizer e mostrar, mas precisamos de tempo, tranqüilidade e serenidade, pois só assim se constrói a Verdade. Por gentileza acompanhem a História, ela será demonstrada, pois é vívida e vivida dia-a-dia.

Continuando nosso enredo histórico, disponibilizamos na publicação de hoje, a visita à OICD, de Mãe Salete, esposa de W.W. da Matta e Silva, que participou ativamente da época de ouro em Itacurussá, no TUO-Templo de Umbanda Oriental.

Vejamos atentamente o vídeo e reflitamos na importância histórica do mesmo. Esperamos estar contribuindo para a História, na sua verdadeira acepção. Ela continuará... Ashé!





Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

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Publicação 75

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Mais História... O (RE)Encontro com o Mestre Yapacany - W. W. da Matta e Silva

RESUMO

No término da publicação passada dissemos que na inauguração de nosso Templo, em julho de 1970, na Via Anchieta, 308 tivemos a visita do médium Roberto Getulio de Barros, o qual tínhamos, na época, como um de nossos Mestres e ao qual devotávamos amizade, respeito e lealdade.

Antes de conhecer o “Pai Matta” e após a leitura de dois dos livros de sua autoria, não tivemos dúvidas. Fomos ao encontro do autor, pois sabia que o conhecia e precisava que ele me iniciasse, me consagrasse. Ele era um Mestre consumado, eu precisava de sua bênção e de sua Iniciação, conforme reza a Tradição de Síntese, a qual para ser transmitida só pode ser de Mestre para Mestre, num encadeamento de consagrações que se perdem nas noites do tempo.

Depois dos primeiros contatos por nós descritos, robusteçamos o quadro mental; para tanto, aguardemos a próxima publicação onde serei mais minucioso na narrativa de nosso primeiro (re)encontro até o dia em que vimos seu corpo ser inumado em Itacurussá, em 17 de abril de 1988.

Palavras-chave: Caboclo Urubatão da Guia, História, Iniciação, Tradição de Síntese, W. W. da Matta e Silva

ABSTRACT

At the end of the last publication we said that in the opening of our Temple in July 1970, at Via Anchieta, 308, we have been visited by the medium Roberto Getúlio de Barros, who we had at that time as one of our Masters and to whom we had a true friendship, respect and loyalty.

Before knowing "Father Matta" and after reading two books of his own, we had no doubts. We went to meet the author, for I realized that I knew him and that needed him to make my initiation, to consecrate me. He was a consummate master, I needed his blessing and his Initiation, as stated in the Synthesis Tradition, which transmission just can be from Master to Master, in a chain of consecrations that are lost in the nights of times.

After the first contacts we described, let’s strengthen the mental picture; for this, let’s wait the next publication, where I will be more detailed in the narrative of our first (re)encounter until the day we saw his body be buried in Itacurussá on April, 17, 1988.

Keywords: Caboclo Urubatão da Guia, History, Initiation, Synthesis Tradition, W. W. da Matta e Silva.

MAIS HISTÓRIA... O (RE)ENCONTRO COM O MESTRE YAPACANY -W.W. DA MATTA E SILVA

No término da publicação passada dissemos que na inauguração de nosso Templo, em julho de 1970, na Via Anchieta, 308 tivemos a visita do médium Roberto Getulio de Barros, o qual tínhamos, na época, como um de nossos Mestres e ao qual devotávamos amizade, respeito e lealdade.

Foi muita alegria e regozijo que sentíamos, principalmente por parte de nossos mentores espirituais, no caso - Caboclo Urubatão da Guia.

Nossos ritos eram como são muitos atualmente. Possuíamos quatro atabaques; nosso peji tinha quatro imagens: Jesus -Oxalá, “São Jorge”- Ogum, “São Sebastião”- Oxossi e “Yemanja”, e era só. Eram dispostas de forma especial, mas o grande divisor de águas eram os Pontos Riscados, que eram diferentes, mas que Sr. Guarantan e Sr. Pedra Branca afirmavam ser “mironga” de Sr. Urubatão da Guia, dizendo que só nos competia aceitar os mistérios revelados por esse grande Mestre d’Aruanda.

Dissemos divisor de águas, pois foi por causa desses sinais que em 1971 procuramos o escritor W.W. da Matta e Silva.

Expliquemos sucintamente, pois o que relataremos é a pura verdade, fundamental não somente para explicar o divisor de águas, mas para respondermos como chegamos à Umbanda (viemos do culto de Nação) em seus aspectos universais e por que escolhemos a Medicina como profissão.

Retomando, em 1970, quando da fundação e inauguração de nosso Templo, além de recebermos a visita de Roberto Getúlio de Barros (médium do Caboclo Guarantan), recebemos dezenas Pais e Mães de Santo, inclusive o Sr. Isaias, que na época já contava com mais de 80 anos. Não podemos olvidar filhos de santo que nos acompanhavam na época: José Antonio, Antonio Ribeiro, Francisco Carlos da Cruz – “Ogã de couro”, José Carlos Bonavita – “Ogã de couro”, Rita Bonavita, Vera Bonavita, Filomena Bonavita, Ana Maria Bichara, José Camacho, Rosa Mojica, Ângelo Prado, Edvaldo Prado, Marcelo Pimenta, Ademir Friulli, Maria Francisco da Cruz, e mais tantos outros que guardo na mente e no coração.

Retornando ao Sr. Isaias, o conhecíamos há anos, pois ele freqüentava uma loja de artigos religiosos e lá ficava praticamente o dia todo (na Rua Bom Pastor, próximo à Silva Bueno).

Era um crioulo, desempenado de quase dois metros de altura, uma alma bondosa de predicados insofismáveis em seu coração, com conhecimentos irrefutáveis sobre a “Lei de Umbanda”.

Alguns dias após a inauguração, conversando com ele, pois como dissemos, conhecia muito a Umbanda, disse-nos que há muito não ia a uma gira tão firme como a nossa e mais, que o Sr. Urubatão da Guia revelou a ele coisas maravilhosas, inclusive um segredo que ele mesmo havia esquecido, tanto o tempo que passara.

Lembro-me dele dizer, estando próximo de uns dez “Pais de Santo” que estavam na loja: “olha gente, esse menino que vai ser doutor, gosta mesmo do “santo”, fazia tempo que não via Caboclo pegar tão firme o cavalo, montar para valer. Estarei lá na próxima gira, pois Caboclo, além de me revelar algumas coisas importantes, vai fazer-me um ajuste no Ori, pois realmente eu preciso e só vou lá fazer. Olha menino, continue assim, a Umbanda precisa de pessoas como você, que não interfiram no trabalho do Caboclo e gostem da Umbanda, que queiram vê-la brilhar para melhor a todos ajudar...

Quando estava dizendo a ele que não eram para mim os elogios, mas sim para Caboclo, que não “bambeava” é porque ele era bom e não eu, ele respondeu-me que sim. Que eu não ficasse envaidecido com que ele dizia, pois eu incorporava muito bem e com certeza alguma coisa a Umbanda me reservava, podendo ser que eu viesse a escrever. E disse-me: “você verá”!!!

Quando ele disse escrever, incontinenti olhei para a vitrine da loja que estava à minha frente e havia, na parte de baixo, um livro de capa branca cujo título era Doutrina Secreta de Umbanda, do autor W.W. da Matta e Silva.

Óbvio que pedi ao vendedor de nome Alexandre para pegar o livro, obtendo o aval do Sr. Isaias, que afirmou ser o autor o melhor escritor de Umbanda. Pediu-me para ler com atenção redobrada a obra, mas que não deixasse de ler Umbanda de todos nós, do mesmo autor, que afirmou ser a “Bíblia” da Umbanda. Depois das recomendações comprei é claro, as duas obras.

Abrindo Umbanda de todos nós, chamaram-me a atenção os encartes e os mapas, principalmente o da Lei de Pemba. Não é que os sinais que conhecíamos eram ligeiramente diferentes daqueles, mas havia profundas semelhanças?! Essas foram comprovadas mais tarde quando encontrei-me com o autor W.W. da Matta e Silva, o qual mostrou-me variações, afirmando-me que os mentores espirituais tem uma “Pemba” na verdade similar à que ele havia transcrito no livro, pois a do livro era para alguns médiuns invocá-los. Os guias espirituais podiam traçar sinais que obedeciam à “flecha”, a “chave” e a “raiz”, todavia podiam ser diferentes dos sinais do livro.

Retornando àqueles idos tempos, antes de conhecer o “Pai Matta” e após a leitura dos dois livros, não tivemos dúvidas. Fomos ao encontro do autor, pois sabia que o conhecia e precisava que ele me iniciasse, me consagrasse. Ele era um Mestre consumado, eu precisava de sua bênção e de sua Iniciação, conforme reza a Tradição de Síntese, a qual para ser transmitida só pode ser de Mestre para Mestre, num encadeamento de consagrações que se perdem nas noites do tempo.

Na verdade, fui buscar o ashé, os siddhis, que só um Mestre Espiritual pode transmitir, e feliz daquele que encontra o verdadeiro Mestre da sua atual existência.

Sou feliz e também bem-aventurado por ter encontrado um verdadeiro Mestre; que ele me abençoe sempre, pois hei de louvá-lo eternamente.

Após esta sincera exortação ao Mestre continuemos e vejamos como foi nosso primeiro contato com ele, comigo mesmo.

O (re)encontro com o Mestre Yapacany (W.W. da Matta e Silva) foi o reencontro comigo mesmo desnudo das limitações do espaço-tempo. Abria-se a dimensão-mediunidade. Numa tarde de 1971, após chegarmos ao Rio de Janeiro, nos dirigimos à Rua Sete de Setembro, onde pela primeira vez encontramos o Mestre Matta e Silva.

Estávamos ansiosos, pois esperávamos obter o telefone ou mesmo o endereço do autor de Umbanda de todos nós e, para nossa surpresa o encontramos pessoalmente na Livraria Freitas Bastos, na época a editora que detinha os direitos de publicação das obras de Matta e Silva.

Sinceramente, quando o vimos não nos surpreendemos, pois sentimos que mais que um encontro, era um reencontro, logo confirmado por ele, que nos disse:

- Há tempo que te aguardo, por que demoraste tanto? Ficamos perplexo, deslumbrado, pois no dia citou, sem nunca nos ter nos visto algumas das entidades espirituais que nos assistem, como outras importantíssimas constatações.

Afirmou que havíamos vindo do “Candomblé” e o porquê de nossa cabeça (ori) não ter sido vertido o sangue (menga, ejé). Contou-nos detalhes do Candomblé do Pai Ernesto de Xango Airá e que o mesmo tinha um catimbó que havíamos freqüentado, que a priori era um Candomblé de Caboclo, derivando para as encantarias e outras amalgamações que são importantes por dentro das religiões afro-brasileiras.

Revelou-me que realmente deveria ter começado pelos Cultos Africanos, pois no passado havia sido um Sacerdote dos Oráculos – Babalawô em plagas da África Ocidental, embora houvesse em tempos mais remotos vivido em plagas geladas no sopé do Himalaia.

Muito me chamou a atenção quando ele perguntou sobre uma moça que eu havia namorado, descrevendo-a pormenorizadamente. Interessante que, ao descrevê-la, disse-me também que o genitor dela levava sempre no bolso da camisa um cravo vermelho. Realmente, era tudo como ele havia descrito.

Depois dos primeiros contatos por nós descritos, robusteçamos o quadro mental; para tanto, aguardemos a próxima publicação onde serei mais minucioso na narrativa de nosso primeiro (re)encontro até o dia em que vimos seu corpo ser inumado em Itacurussá, em 17 de abril de 1988. Axé!

P.S.:Os originais das fotos que postamos estão conosco, pois foi um presente que recebemos em mãos de Pai Matta - Mestre Yapacany. Clique na foto para ampliá-la










Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 74

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Batismo - Rito de Bons Auspícios do Recomeço


Prática ritual de adesão do batizando às Religiões Afro-brasileiras, mas principalmente, uma cobertura, bons auspícios e proteção àquele que (re)começa sua vida terrena (reencarnação).

O ritual também tem a finalidade de purificar, de receber solenemente o batizando, permitindo-lhe se assim desejar, fazendo uso de seu livro arbítrio, continuar na Iniciação das Religiões Afro-brasileiras. É o primeiro passo, o início para aqueles que desejam a Iniciação, ou seja, conhecer o início de todas as coisas, inclusive de si mesmo, e isto é muito importante no processo de identificação do indivíduo consigo mesmo, com a alteridade e, principalmente, com seu destino.

Quanto ao rito em discussão nesta publicação é o de uma criança que vai receber as bênçãos do batismo (purificado pelas águas do espírito), para que possa levar a bom termo sua presente reencarnação, ou seja, seu destino. É importante que se afirme que a “criança” que sofre o batismo, pode, quando tiver plena consciência, ratificar ou retificar o ato, mas estará sempre acobertado pelos poderes das Religiões Afro-brasileiras.

O RITUAL

  1. 1. A prédica versa sobre a possibilidade das múltiplas vidas e suas aberturas no consciencial do indivíduo reencarnado. Explica-se que, segundo a Teologia Umbandista, todos são filhos espirituais dos Orixás, sendo esses de origem divina, portanto pais divinos de todos os seres espirituais carnados ou descarnados, em várias dimensões do universo.

O batismo na Umbanda, nas Religiões Afro-brasileiras como um todo, prende-se ao ato de conectar o indivíduo com seu Orixá ou Pai Divino, por intermédio da purificação do Ori (cabeça) e da reestruturação das energias fundamentais para esta conexão. A essa energia primeva que permite a vida, a existência, e o poder de realização é o que denominamos Axé. Assim o batismo conecta o indivíduo com seu Orixá, por intermédio do Axé – Força Vital que a tudo preside – que reside no Ori, na cabeça – consciência – individualidade.

  1. 2.Os elementos fundamentais para o rito são:

2.a. Uma pequena bacia de louça com água consagrada pelo sacerdote oficiante.

2.b. Sal acondicionado em continente pequeno, de louça branca.

2.c. Mel – idem ao item 2.b

2.d. Pó de pemba branca pilada e imantada acrescentada com ervas de Oxalá (dono do Ori).

2.e. Flores brancas (pois o batismo relaciona-se com a cabeça – Ori.

2.f. Água de Cheiro

FUNDAMENTOS DO RITO

O rito é antecedido por rezas, cânticos e gestos rituais. O batizando é chamado pelo nome três vezes, e somente após esse chamamento os pais se aproximam com a criança.

Podem também ser evocadas as presenças de padrinhos ou testemunhas que se responsabilizarão pelo batizando na ausência dos pais, e mesmo naquilo que for necessário para ele levar a bom termo sua presente reencarnação. Por isso o sacerdote quando chama os padrinhos abençoa-os com suas rezas e lhes sopra “pó de pemba” que representa as bênçãos dos Orixás.

Tudo pronto para o início do batismo. O sacerdote faz suas rezas afins ao rito, consagra os quatro cantos, invocando as bênçãos dos Orixás – os Senhores dos quatro elementos – ar, fogo, água e terra.

Em ato contínuo dá ao batizando para experimentar o sal, afirmando que isto o preservará de todos os males, conservando-o com saúde, não lhe faltando o alimento, o trabalho, o afeto e a amizade fraterna. Em seguida asperge suavemente uma pitada de sal no Ori (no alto da cabeça)

Novas rezas e cânticos, e o mel é oferecido ao batizando, dizendo-lhe: que este mel represente o doce da vida, o afeto, a alegria e a devoção que neutraliza todo ódio e desarmonias várias. A seguir verte uma gota de mel no Ori.

Continuando, pede aos padrinhos que se aproximem com as velas brancas e acesas (pequenas – delicadas), afirmando que essas luzes iluminarão seu caminho, sua jornada terrena, sendo também um escudo espiritual contra os anjos das sombras ou possíveis inimigos.

Os padrinhos entregam as velas ao sacerdote que as ergue fazendo orações em benefícios do batizando e padrinhos, para, a seguir, colocá-las no peji.

Os cânticos e as rezas se intensificam se aproxima o ponto culminante do rito.

O sacerdote pega as flores brancas (duas) pelas hastes e mergulha-as na água lustral imantada, consagrada e asperge-a no Ori do batizando. A seguir coloca uma flor na região occipital ao mesmo tempo que a outra é colocada na região frontal. Passado e futuro se entrelaçam, ancestrais e divindades são invocadas para abençoar e acobertar (proteção).

Num movimento harmonioso, mas efetivo, o sacerdote faz suas rezas e coloca as flores nos lados direito e esquerdo da cabeça da criança, invocando a proteção dos elementos masculinos e femininos afins.

A seguir sopra pemba pilada e as pétalas de flores caem de suas mãos entreabertas sobre a cabeça do batizando. Ato contínuo derrama água de cheiro no chão e pede que os caminhos do batizando sejam de paz e harmonia.

Pedindo as bênçãos dos Orixás com rezas e cânticos, diz que ele como sacerdote, em nome dos Orixás e dos Ancestrais Ilustres, considera a criança batizada segundo os preceitos das Religiões Afro-brasileiras. Que Olodumare (Tupã, Zamby), Orunmilá-Ifá (Deus da sabedoria e do destino) e todos os Orixás possam abênçoá-la com suas poderosas vibrações de paz, luz e felicidades, promotoras de um destino auspicioso.

Novos cânticos, rezas, cumprimentos, alegria e felicidade. Mais um ser espiritual abençoado e batizado pela Sagrada Corrente Astral de Umbanda e por todas as Religiões Afro-brasileiras. Aranauan, Motumbá, Axé, Saravá!





Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 73

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Mais uma História dentro da História

RESUMO

No texto passado agradeci a todas as entidades que me ajudaram no início de minha tarefa espirítico-mediúnica. Dando prosseguimento, lembro-me ainda das palavras do Pai Ernesto do Xangô Airá que dizia: “quanto mais alto o prédio, mais para baixo devem estar firmados os alicerces”.

Reitero o agradecimento a Pai Ernesto de Xangô por tudo que vi e aprendi no culto de nação africano e também por seu intermédio travei contato muito intenso com entidades da Jurema, da encantaria, as quais quero firmar minha homenagem, reverência por tudo que me ensinaram e pela a amizade a mim dispensada.

Neste texto vamos comentar um pouco de nosso contato com o Dr. Carlos e sua esposa, a Sra. Helena, Caboclo Pedra Branca, médium Antonio Romero – o Sr. Toninho, o Caboclo Guarantan e seu “cavalo” Sr. Roberto Getúlio de Barros. Além da Dona Mercedes D’Tomasso e de Maria das Dores Francisco da Cruz, respectivamente, médiuns do Caboclo Mata Virgem dos Astros e Caboclo Arruda.

Palavras-Chave: Antonio Romero, Caboclo Urubatão da Guia, História, Umbanda, Roberto Getúlio de Barros.

ABSTRACT

In the last text I thanked all the entities that helped me early in my spirit-mediumship task.Continuing, I can still remember the words of the Father Ernesto Xangô Airá saying "the higher the building, further down the foundations must be firm."

I reiterate the thanks of the Father Ernesto of Shangô by everything I saw and learned in the cult of african nation and also through him, the intensive contact with entities of Jurema, of encantaria, to whom I wish to confirm my honor, reverence for everything that they taught me and the friendship given to me.

In this text we will comment on some of our contact with Dr. Charles and his wife, Mrs. Helen, Caboclo Pedra Branca, medium Antonio Romero - Mr. Toninho, Caboclo Guarantan and his "horse" Mr. Roberto Getúlio de Barros. Besides Mrs. Mercedes D'Tomasso and Maria das Dores Francisco da Cruz, respectively, mediums of Caboclo Mata Virgem dos Astros e Caboclo Arruda.

Keywords: Antonio Romero, Caboclo Urubatão da Guia, History, Umbanda, Roberto Getúlio de Barros.

MAIS UMA HISTÓRIA DENTRO DA HISTÓRIA...

No texto passado agradeci a todas as entidades que me ajudaram no início de minha tarefa espirítico-mediúnica. Disseram que eu teria muitos amigos que compartilhariam da minha tarefa, mas que também teria inimigos, pessoas despeitadas e despreparadas, mas que eu ficasse em paz, a Verdade e a Justiça prevaleceriam.

Dando prosseguimento, lembro-me ainda das palavras do Pai Ernesto do Xangô Airá que dizia: “quanto mais alto o prédio, mais para baixo devem estar firmados os alicerces”. Reitero o agradecimento a Pai Ernesto de Xangô por tudo que vi e aprendi no culto de nação africano e também por seu intermédio travei contato muito intenso com entidades da Jurema, da encantaria, as quais quero firmar minha homenagem, reverência por tudo que me ensinaram e pela amizade a mim dispensada.

Foi uma honra iniciar minha jornada espirítico-mediúnica no Culto de Nação Africano (Ketu, principalmente), onde vivenciei o Poder do Orixá manifesto em seus Babalorixás, Tatás, Toi, Yalorixás, Mameto, e outros. A todos muito obrigado, em dimensão-eternidade.

Em obediência aos desígnios superiores, como sempre fiz, fui direcionado à Tenda de Umbanda Xangô Kaô, a primeira Tenda de Umbanda que conheci. Era dirigida por Dr. Carlos Cruz (era médico), senhor baiano que fazia uma Umbanda que se fundamentava na Luz e na Caridade, segundo suas próprias palavras.

Para mim era tudo muito diferente do que vivenciara com Pai Ernesto no “Candomblé”. Confesso que no início me senti triste e desanimado, inclusive pela ausência dos toques e das danças ritualísticos que lá eram desconhecidos. Mas estava cumprindo os desígnios vaticinados pelo oráculo de Orunmilá-Ifá, que sentenciou que minha tarefa seria na Umbanda, pois meu destino assim o pedia...

O Dr. Carlos e sua esposa, Sra. Helena eram bons médiuns, tanto que ele, incorporado com o Caboclo do Raio ou Caboclo da Luz, contou-me muitas passagens ocorridas lá na roça do Pai Ernesto de Xangô, acontecendo o mesmo com o Preto-Velho, Pai Julião.

O importante para minha vida mediúnica na Umbanda teve início nesta Tenda, que se situava na Rua Lacerda Franco, próximo à Rua Heitor Peixoto. Foi importante, pois aí tive a primeira manifestação mediúnica de uma entidade genuinamente de Umbanda.

A entidade espiritual apresentou-se na incorporação (não tenho consciência desse fato), mas antes vi uma luz forte e penetrante chegar. Não dava para identificar forma alguma, a não ser a intensa luz. A entidade manifestada apresentou-se como uma “Criança” (Erê), denominando-se Doum. No mesmo dia, quando Doum “subiu”, desceu em terra o Caboclo Angarê de Ogum. Esse Caboclo, segundo meu pai logo foi cantando e riscando seu ponto e disse ter vindo em nome do Caboclo Urubatão da Guia, que na época oportuna assumiria a responsabilidade pelo meu mediunismo.

Na Tenda do Dr. Carlos, fiquei uns três meses, portanto pouco tempo, mas recordo com saudades, pois foi lá que pela primeira vez cedi minha máquina astro-física aos Mentores da Aruanda. Ah! Que saudades!

Prosseguindo, pois como disse, estou sintetizando, na época encontrei por intermédio de amigos de meus pais o médium Antonio Romero – o Sr. Toninho, médium ímpar de Caboclo Pedra Branca (Xangô), Pai Serafim, Pedrinho e Exu Tiriri.

Lembro-me bem que o conheci na casa dos amigos citados, quando vi pela primeira vez o Caboclo Pedra Branca. Este, quando chegou perto de mim contou muitas coisas que o médium, com certeza não sabia, inclusive o “sundidé”, o sangue derramado nos pés (lá na Roça do Pai Ernesto de Xangô), entre outras coisas.

Após este dia, a seu pedido, resolvi acompanhá-lo em seus trabalhos, mesmo porque havíamos sido convidados pelo Caboclo Pedra Branca, que no dia afirmou que eu era filho de Ogum...

O Sr. Antonio Romero era motorista particular de uma abastada família do Ipiranga (Família Jaffet), na Rua Oliveira Alves, próximo à Rua Silva Bueno. Seus patrões permitiram, pois também participavam das giras, que um dos aposentos para os funcionários fosse cedido para organizar a Tenda do Caboclo Pedra Branca.

No local citado, vimos o Caboclo Pedra Branca fazer verdadeiros milagres, tanto desmanchando trabalhos de Magia Negra, como encaminhando pessoas desnorteadas, levantando os doentes, amparando os fracos, animando os desanimados e fortalecendo ainda mais os fortes. A partir daí comecei a abrir meu coração à Umbanda, pois inútil seria negar os fenômenos que presenciei, como muitas outras coisas maravilhosas tais como a devoção, a amizade, a fé, a caridade, e o respeito incondicional a todos.

O Sr. Antonio Romero, “cavalo” de Caboclo Pedra Branca (Xangô), havia recebido a Coroação Iniciática, de seu Pai, Caboclo Guarantan, incorporado em seu “cavalo” Sr. Roberto Getúlio de Barros.

Fazendo questão que eu conhecesse o “cavalo” de Sr. Guarantan, fui com Sr. Antonio conhecê-lo. O local era no Brooklin, na Rua Alvorada. O Sr. Roberto era um Sr. de aproximadamente 35 anos. Seus predicados mediúnicos na época foram para mim demonstrados, pois em conversa com ele citou, sem me conhecer, o nome das entidades que trabalhavam comigo, e mais, perguntou-me se estava com dor de cabeça. De fato, estava. Apesar disto, continuou a conversa e, quando já conversávamos por uns 15 minutos, ele me perguntou, aliás afirmou: sua dor de cabeça passou. Realmente havia passado.

Num ambiente de paz, cortesia e alegria ouvi atentamente as palavras do Sr. Roberto e do Sr. Antonio; realmente estava feliz, pois senti que havia reencontrado velhos grandes amigos.

Fiquei lá por umas três ou quatro horas, e confesso que me pareceu ser apenas uns 20 a 30 minutos. Como era tarde, agradeci a recepção e quando ia me retirando, nos cumprimentamos, Roberto pediu aos meus pais e ao Sr. Antonio que me levassem na semana seguinte ao Templo do Sr. Guarantan, na Rua Alencar de Araripe, no Sacoman, e que eu fosse com minha “vestimenta branca”. Realmente, na semana seguinte, como combinado, lá estive e pela primeira vez vi o Sr. Guarantan; vi-o na clarividência... Que alegria!

Para encurtar nossa dissertação, diremos apenas que o Templo era amplo, seu piso era de areia do mar e coberto espiritualmente por verdadeiras constelações de entidades espirituais de escol da Espiritualidade Superior. Fiquei trabalhando lá durante meses, só me retirando porque os trabalhos terminavam muito tarde e, como estudava não conseguia acordar. Assim pedi um agô, e obtive.

Embora não fosse ao terreiro do Sr. Guarantan, não perdi o contato com o Sr. Roberto. Com autorização dele e do Sr. Guarantan freqüentava na medida de minha possibilidade o terreiro do Sr. Pedra Branca, onde fiquei até 1967.

No mesmo ano, 1967, fui sem avisar visitar o terreiro do Sr. Guarantan, que agora estava funcionando na Av. Santa Catarina, 414, próximo ao Aeroporto. Neste dia o terreiro estava lotado e ele, Roberto não poderia ter me visto. Mas o Sr. Guarantan sim, mandou me chamar em voz alta o “cavalo” do Sr. Urubatão da Guia, dizendo que o mesmo era o chefe da falange...

A partir deste dia Sr. Urubatão da Guia iniciou sua tarefa, tal qual havia vaticinado o Caboclo Angarê, algo que o Roberto não sabia, mas o Sr. Guarantan sim. Que pena que raros hoje possuam a mediunidade como a de um Roberto Getúlio de Barros, um Antonio Romero, de Dona Mercedes D’Tomasso e de Maria das Dores Francisco da Cruz, respectivamente, médiuns do Caboclo Guarantan, Caboclo Pedra Branca, Caboclo Mata Virgem dos Astros e Caboclo Arruda.

Muitos devem ter conhecido os médiuns Antônio Romero e Roberto Getúlio de Barros, com os quais eu tive a rara felicidade e o karma de mérito para junto deles trabalhar na Casa de Caridade do Caboclo Guarantan. Sim, na época, embora com 17 anos, era um médium pronto para trabalhar no abençoado terreiro de Sr. Guarantan, onde também trabalhou o Sr. Antonio Romero.

Fiquei neste abençoado e luminoso terreiro, que tinha mais de 100 médiuns, até quando fui consagrado e coroado (aos 18 anos de idade - depois de 7 anos de iniciação) segundo os fundamentos expostos e preconizados por Caboclo Guarantan, que afirmava fazer uma Umbanda que atendia a todos , sem desdenhar de ninguém.

Aproveitando a impossibilidade do Sr. Antonio Romero de ficar até altas horas, pois trabalhava todas as manhãs e bem cedo, e como eu estudava também muito cedo, em boa paz, pedindo agô pelos motivos aludidos, me retirei. Permaneci com Sr. Antonio, que depois de uns meses montaria o Templo do Caboclo Pedra Branca na Rua Bom Pastor, próximo ao Sacoman; para ser bem exato, na subida, para aqueles que vinham da Via Anchieta.

Fiquei por lá um tempo e também aprendi muitíssimas outras coisas; como havia recebido a consagração e ordenação sacerdotal, pedi agô ao Caboclo Pedra Branca para montar nosso Templo nos fundos da casa de meus pais. Caboclo Pedra Branca e o Caboclo Guarantan, como eu era um médium coroado segundo seus fundamentos, deram-me a bênção e o agô para formar o Templo de Caboclo Urubatão da Guia.

Quando fundei o Templo do Caboclo Urubatão da Guia e do Caboclo Arruda com a médium Maria das Dores Francisco da Cruz, continuei indo ao Templo do Sr. Pedra Branca às 2ªs e 6ªs feiras, pois na 4ª feira fazia “gira em meu Templo”, e assim fiz até o final de 1969, quando o Sr. Antonio Romero desencarnou, devido a um acidente vascular cerebral (derrame cerebral). Não mais me esqueci de seu desencarne, pois o mesmo ocorreu em 30 de dezembro, sendo seu corpo inumado em 31 de dezembro de 1969 às 17 hs, no cemitério de Congonhas.

Foi somente aí que comecei a questionar a morte. Por mais que evitasse, um dia ela teria de vir, não só para os outros, mas inclusive para mim. Com esta crise existencial, resolvi auxiliar a combatê-la e ouvindo meu íntimo, minhas predisposições naturais e as intuições de Sr. Urubatão da Guia, fui cursar medicina, pois queria auxiliar na erradicação da dor e do sofrimento. Assim, depois de um ano de estudos intensos, ingressava no curso de medicina.

Estudando e trabalhando nunca deixei a Umbanda, pois nela encontrei minha razão de vida, como também não tinha mais os vazios incompreensíveis.

Foi nessa época que Sr. Urubatão da Guia pediu-me para buscar um local fora da residência de meus pais onde tinha o Templo e foi o que fiz.

O Templo no fundo de casa tornara-se pequeno, e já recebia mais de 100 pessoas nos rituais das 4ªs feiras. Com o pedido do Caboclo Urubatão da Guia locamos um prédio de 300m² na Via Anchieta, 308 - Sacoman.

Para minha satisfação e alegria, na inauguração – dia 28/07/1970, tive a presença do médium Roberto Getúlio de Barros e muitos outros Pais e Mães de Santo. Não tive a presença física do prezadíssimo Sr. Antonio Romero, “cavalo” do Sr. Pedra Branca, mas tinha como médiuns da corrente seus sobrinhos: Heriberto Naranjo Filho, Ana Maria Naranjo Bichara e seu esposo Gibson Bichara. Os três médiuns citados, muito queridos por mim, foram médiuns de seu Antonio Romero onde tive a honra de conhecê-los.

A história não acabou... Continuaremos na postagem da próxima semana. Para ilustrar a publicação de hoje disponibilizo trecho do vídeo “Sacerdote, Mago e Médico – Cura e Autocura Umbandista”, ressaltando os médiuns citados. Axé!

Ps: Fato Histórico. Há 42 anos fundei o templo no fundo da casa de meus pais. Este registro consta no presente filme, exatos 14 minutos e dois segundos, onde é mostrada a foto do primeiro Peji do Caboclo Urubatão da Guia, localizado na Rua Lord Cockrane, 613. Em primeiro plano, da esquerda para a direita: Terezinha de Moraes (namorada, com 16 anos de idade), Yara (irmã com 3 anos de idade) e Regina (irmã, com 13 anos de idade).





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