segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Os Orixás – Pais Divinos presidindo o Destino

SINCRONISMO ENTRE A COSMOGÊNESE E ANTROPOGÊNESE



RESUMO

No momento da cosmogênese, no Fiat Lux, o Espírito cuja Essência é o Vazio-Uno se manifestou como Luz. A primeira manifestação da Consciência-Una foi como a Luz Branca, que em sua unidade contém todas as outras cores, como no prisma que vemos abaixo. A decomposição da Unidade gerou as Sete Vibrações, manifestação dos Sete Orixás que deu formação a todo o Universo Astral.

O que determina a individualidade de cada Ser Espiritual no universo é sua maior ou menor sintonia com a manifestação setenária da Unidade. Isso significa que cada um consegue absorver, em função da sua evolução espiritual, com maior ou menor pureza e em maior ou menor quantidade, a Luz dos Orixás.

O uso da expressão “Poder Volitivo do Orisha” tem como significado a vontade espiritual manifesta na energia massa; o Orisha como Senhor estruturante de todo o universo, por conseguinte das forças sutis da natureza (ar,fogo, água e terra), do Princípio e Poder de realizar todas as coisas, inclusive o destino-existência (Axé-Iwá-Abá).

Palavras-chave: Antropogênese, Cosmogênese, Luz Espiritual, Organismo Astral, Orixás, Vazio-Uno.

ABSTRACT

At the moment of cosmogenesis, at the Fiat Lux, the Spirit whose essence is the Empty-One manifested itself as Light. The first manifestation of the One-Consciousness was the White Light, which in its unit contains all other colors, as in the prism we can see below. The decomposition of the Unit generated the Seven Vibrations, a manifestation of Seven Orishas that has formed the entire Astral Universe.

What determines the individuality of each Spiritual Being in the universe is their greater or lesser tune with the sevenfold expression of the Unit. This means that each one can absorb, according to their spiritual evolution, with greater or lesser purity and in greater or lesser extent, the Light of the Orishas.

The use of the expression " Volitional Power of the Orisha " means the spiritual will manifested in mass energy; the Orisha as the structuring Lord of the entire universe, likewise the subtle forces of nature (air, fire, water and earth), of the Beginning and the Power to accomplish all things, including the fate-existence (Axe-Iwá-Abá).

Keywords: Anthropogenesis, Cosmogenesis, Spiritual Light, Astral Body, Orishas, empty-One.

OS ORIXÁS – PAIS DIVINOS PRESIDINDO O DESTINO

SINCRONISMO ENTRE A COSMOGÊNESE E ANTROPOGÊNESE

A Luz Espiritual

No momento da cosmogênese, no Fiat Lux, o Espírito cuja Essência é o Vazio-Uno se manifestou como Luz. A primeira manifestação da Consciência-Una foi como a Luz Branca, que em sua unidade contém todas as outras cores, como no prisma que vemos abaixo.

A decomposição da Unidade gerou as Sete Vibrações, manifestação dos Sete Orixás que deu formação a todo o Universo Astral.

Cada um de nós possui como Essência Espiritual o Vazio, mas também nos manifestamos dando forma a veículos da Consciência que conhecemos como Organismo Mental (mente sutilíssima), Organismo Astral (mente sutil) e Organismo Físico (mente densa). O Organismo Mental é pontual, ou seja, corresponde à Unidade, que se manifesta no Organismo Astral através dos Sete centros de iluminação ou chakras que absorvem a vibração de cada um dos Sete Orixás.

O que determina a individualidade de cada Ser Espiritual no universo é sua maior ou menor sintonia com a manifestação setenária da Unidade. Isso significa que cada um consegue absorver, em função da sua evolução espiritual, com maior ou menor pureza e em maior ou menor quantidade, a Luz dos Orixás.

Por analogia, temos que a consciência espiritual de cada um pode ser representada como um "código de barras" que contém faixas de todas as Sete Vibrações, com variações de matizes, de intensidade e de largura de banda. Esse código de barras, determinado pela destinação natural ou karma do indíviduo, coordena a formação dos centros de iluminação ou chakras que governam o Organismo Astral que, por sua vez, serve de molde para o Corpo Físico, regulando suas atividades, funções e mesmo permitindo o aparecimento de disfunções orgânicas ou tendências comportamentais.

A FORMAÇÃO DO ORGANISMO ASTRAL

A Luz Espiritual, em suas sete variações, distribui-se por todo o Cosmos, e cada indivíduo a absorve segundo sua percepção espiritual.

Quando o indivíduo reencarna, é preciso deixar para trás sua antiga personalidade estabelecida em sua forma astral para assumir o início de uma nova etapa. Isso acontece mediante um processo de desdiferenciação em que os Sete centros de iluminação ou chakras (que caracterizavam o corpo astral) tomam a forma de um único centro de iluminação ou chakra indiferenciado que presidirá a formação do novo Organismo Astral. O indivíduo então fica “miniaturizado”, podendo se ligar ao ventre materno.

Chegando ao estágio de um único centro de iluminação indiferenciado, o indivíduo perde a recordação de suas existências anteriores, trazendo de sua antiga personalidade apenas os traços mais marcantes que determinarão suas tendências e aptidões. Se, por um lado, há a perda da personalidade anterior, há a recordação do Vazio, de sua Essência e do início de tudo, relembrando o começo do Universo e da odisséia espiritual.

Durante a gestação, o centro de iluminação indiferenciado absorve as faixas das Sete Vibrações Espirituais conforme seu "código de barras" e se desdobra formando os sete centros de iluminação, um de cada vez, o que governa o processo da embriogênese no plano físico através do código genético, formando o feto com seus órgãos e sistemas.

Os centros de iluminação atuam em todo o corpo, inclusive por meio de centros secundários, mas coordenam principalmente sete glândulas endócrinas, conforme vemos no diagrama abaixo, assim como plexos nervosos que se integram com o sistema imunológico formando um sistema psico-neuroimunoendocrinológico integrado cujo balanço é essencial para a manutenção da saúde. Segundo as predisposições genéticas e o comportamento do individuo, que influencia a expressividade e penetrância dos genes, as doenças ou desequilíbrios orgânicos se manifestam com maior ou menor intensidade.

OBS: Clique na imagem para ampliá-la

O Texto e o diagrama ora publicado é um excerto constante em nossa obra literária - O Sacerdote, Mago e Médico – cura e autocura umbandistas, 2002.

O uso da expressão Poder Volitivo do Orisha tem como significado a vontade espiritual manifesta na energia massa; o Orisha como Senhor estruturante de todo o universo, por conseguinte das forças sutis da natureza (ar,fogo, água e terra), do Princípio e Poder de realizar todas as coisas, inclusive o destino-existência (Axé-Iwá-Abá).

O diagrama permite a percepção de que a cosmogênese é molde para a planetogênese essa para a antropogênese (biogênese). Em outras palavras a planetogênese imita a cosmogênese, o mesmo acontecendo com a ontogênese (desenvolvimento do feto ao adulto), que imita a filogênese (evolução das espécies).

Não há como refutar que os fundamentos propugnados pela Umbanda, além de metafísica explicam e desenvolvem aspectos científicos esposados pela biologia molecular e outras ciências afins. Por isso quando uns e outros se propuserem a escrever sobre a Umbanda, relacionando-a com a ciência, que o façam com conhecimento de causa e não por “achismo”, pois mais de uma vez, infelizmente para a Umbanda, vimos alguns cientistas criticarem erros primários escritos em algumas obras tidas como umbandistas. Que tristeza para todos nós, que afirmamos ser a Umbanda uma forma espiritualizada e inteligente de bem viver. Axé!

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 68

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Tratamento da Esquizofrenia


Antecedendo a discussão sumarizada de esquizofrenia, façamos uma ligeira resenha sobre o transtorno psiquiátrico, ora focalizado.

As características fundamentais são: retraimento, pobreza afetiva, delírios, alucinações (principalmente auditivas), confusão, distúrbios de identidade e pensamento autista (pensamento determinado unicamente pelos desejos e fantasias do indivíduo, sem referência ao meio ambiente).

Como afirmamos na publicação anterior, o transtorno é o pano de fundo de um profundo desajuste espiritual, que pode ter início insidioso e progredir para um surto psicótico, como pudemos constatar.

É digno de menção especial o desarranjo da ação, em total desalinho com a linha do pensamento que se encontra fragmentada, em total dissociação. Tal fato deve-se a enfermidades na energia mental sutilíssima e sutil, com correspondência na energia densa (segundo a Medicina Integrativa).

Um profundo desequilíbrio no “campo astral” que se manifesta em desarmonia mental, desestruturando a personalidade, como afirmamos, de forma insidiosa ou em surtos desagregadores da personalidade com reais danos ao SNC (cérebro) e SNA (sistema nervoso autônomo- simpático e parassimpático) acarretando as mais bizarras formas comportamentais com repercussão na economia orgânica, principalmente no sistema cardiovascular, imunológico e hematológico entre outras afecções.

Vivemos de forma desatenta, esquecemos completamente da necessidade de espiritualidade em nossa vida; carecemos de vivênciar a espiritualidade, independente de sermos religiosos, pois de nada adianta o convencionalismo socio-religioso, carecemos do bem viver, e isto com certeza deverá incluir a vida do espírito, a nobreza de ideais e sentimentos.

Precisamos estar preparados para os novos tempos que reclamam a “ciência” do intercâmbio entre as várias dimensões da vida, nos vários níveis de realidade.

As religiões afro-brasileiras dão sua contribuição nesse processo de conscientização e direcionamento para uma melhor qualidade de vida, iniciando pelo bom relacionamento entre vivos e mais-vivos (mortos), e mais pela certeza desse relacionamento e os cuidados necessários para não cairmos no engodo dos “marginais” (dementados) do outro lado da vida.

FARMACOTERAPIA

O tratamento medicamentoso é fundamental na esquizofrenia, mas infelizmente, na quase totalidade dos casos, é sintomático, paliativo. As drogas utilizadas praticamente são prescritas pelos psiquiatras, mudando apenas a primeira escolha, segundo a experiência do terapeuta mental.

Os medicamentos em geral são os antipsicóticos, introduzidos há mais de cinqüenta anos e que vem cada vez mais se aperfeiçoando. Na atualidade os fármacos antipsicóticos incluem duas classes principais: antagonistas do receptor de dopamina (clorpromazina e haloperidol) e os antagonistas serotonina-dopamina – ASDs (risperidona e clozapina).

FARMACOTERÁPICOS MAIS UTILIZADOS

  1. Antagonistas do receptor da dopamina

a. Clorpromazina

b. Haloperidol

  1. Antagonistas do receptor serotonina-dopamina

a. Risperidona

b. Clozapina

c. Olanzapina

d. Sertindol

e. Quetiapina

f. Ziprasidona

  1. Outros medicamentos adicionais ou opcionais

Anticonvulsivantes

a. Carbamazepina

b. Valproato

Ambos usados em associação com o lítio.

Benzodiazepínicos

Lorazepam é preferível ao diazepan (por ter ação mais curta e menos potencial de abuso).

Pssicoterapias

1. Terapias psicossocias

a. Treinamento de habilidades sociais

b. Terapias de orientação familiar

c. Tratamento comunitário assertivo

2. Terapia de Grupo

3. Terapia cognitivo-comportamental

4. Psicoterapia individual

5. Terapia vocacional (reinserção social – trabalho – ocupacional)

Para maior aprofundamento do assunto, gentilmente remetemos o leitor à referência bibliográfica constante no final da publicação.

TERAPIA NA VISÃO DAS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS

  1. As religiões afro-brasileiras reconhecem a necessidade da atuação da psiquiatria e seus métodos no auxílio ao esquizofrênico. É necessário para o paciente e em favor dos familiares.
  2. Assim como outros transtornos, trata os portadores de esquizofrenia como indivíduos que estão sob os guantes de “arajés” (inimigos espirituais), eguns e toda sorte de infortúnios “sobrenaturais” (espirituais)
  3. A desconexão Ori-Axé-Orixá é tida como causa principal do transtorno psíquico; a desconexão acarreta ao indivíduo o enfraquecimento de seu Ori (cabeça-consciência) abrindo portas a toda classe de espíritos inferiores do “astral” correspondente.
  4. Os “remédios” proporcionados pelas religiões afro-brasileiras podem ser divididos em três classes:

1ª Neutralizar: eguns, arajés e outras entidades negativas

2ª Restituir o axé – carência de energia vital

Axé mineral – próprio a cada indivíduo

Axé vegetal – idem

Axé animal – idem

3ª Reconectar o indivíduo com seu genitor divino, seu Olori e todos os que o representam no equilíbrio, na harmonia e estabilidade.

  1. Diálogo como Terapia ou Terapia do diálogo com os Ancestrais ilustres no Templo ou em sítios afins (praia, mata, rio, etc.)
  2. Oráculo como terapia

Achamos imprescindível, pois orienta e demarca as fases dos ritos propiciatórios e neutralizadores. Explica a causa do transtorno na origem.

  1. As ervas medicinais e rituais são receitadas na forma de chás e similares; banhos de descarrego, banhos de purificação, banhos propiciatórios e defumações várias.

No término do texto, esperamos que todos tenham percebido a gravidade de indicar os remédios recomendados pelas religiões afro-brasileiras. Quanto à terapia atinente às religiões afro-brasileiras a necessidade do conhecimento e experiência do sacerdote é importantíssima. Por sua gravidade e responsabilidade máxima sempre defendemos que o sacerdote deve ter conhecimentos comprovados, corolário de uma profunda e sólida iniciação; relação direta de seu dom espiritual, e do conhecimento da Tradição na teoria e prática dispensada por um verdadeiro pai ou mãe de santo que o iniciou, dentro do templo onde se vive e respira o Sagrado. Axé!









Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 67

Referências

Aspectos Psicológicos e Psiquiátricos

· ANDRADE, Arthur Guerra de. ALVARENGA, Pedro Gomes.Fundamentos de Psiquiatria. 1. ed. Barueri: Manole, 2008, 644p.

· AUSIELLO, Dennis. GOLDMAN, Lee. Cecil - Tratado de Medicina Interna - 2 Vols. 23. ed. Rio de Janeiro: Ed. Elsevier, 2009, 2688p.

· BICKLEY, Lynn S. Propedêutica Médica – Bates. 8. ed. Rio de Janeiro: Ed. Guanabara Koogan, 2005, 928p.

· HALL, Calvin S. LINDZEY, Gardner. CAMPBELL, John B.Teorias da Personalidade. 4. Ed. Porto Alegre: Artmed, 2000, 591p.

· KAPLAN, Harold I., SADOCK, Benjamin J. Tratado de psiquiatria. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 1999, 1486p.

· MURPHY, Michael J. COWAN, Ronald L. Psiquiatria – Murphy – Série Blueprints. 4. ed. Rio de Janeiro: Ed. Revinter, 2009, 152p.

· PADRO, Cintra do. VALLE, Ribeiro do. RAMOS, Jairo.Atualização Terapêutica. 23. ed. Porto Alegre: Ed. Artes Médicas, 2007, 2400p.

· PAIN, Isaias. Tratado de Clínica Psiquiátrica. 3. ed. São Paulo: E.P.U. Ed, 1991, 370p.

· PINHEIRO, Raimundo. Medicina Psicossomática – Uma abordagem clínica.1. ed. São Paulo: Fundo Editorial DYK, 1992, 125p.

· PORTO, Celmo Celeno. PORTO, Arnoldo Leme. Semiologia Médica. 6. ed. Rio de Janeiro: Ed. Guanabara Koogan, 2005, 1356p.

· SÓFOCLES. Édipo Rei. 1. ed. Porto Alegre: L&PM, 2001, 104p.

Aspectos Religiosos

· RIVAS NETO, Francisco. Do Sincretismo à Convergência. In: II CONGRESSO BRASILEIRO DE UMBANDA DO SÉCULO XXI, São Paulo: Faculdade de Teologia Umbandista, 2010.

· RIVAS NETO, Francisco. Sacerdote, Mago e Médico : cura e autocura umbandista: terapia da alma. 1. ed. São Paulo: Ícone, 2003, 493p.

· RIVAS NETO, Francisco. Vídeo-Aula 19: A ciência do Orixá - Parte 2 - Psicanálise e Arquétipos dos Orixás. Disponível em:mms://wm01.mediaservices.ws/ftu12-ondemand/FTU_VIDEOAULA_19.wmv. Acesso em: 13 jun 2010.


segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Esquizofrenia

RESUMO

Como sacerdote médico temos nosso interesse voltado à saúde espiritual, mental (psique) e corporal (soma). Temos escrito e discutido sobre a psiquiatria da atualidade à luz da espiritualidade, segundo a visão das religiões afro-brasileiras. O transtorno mental que discutiremos – a esquizofrenia – segundo a psiquiatria, se caracteriza por distorção do senso de realidade, inadequação e falta de harmonia entre pensamento e afetividade e frequentemente alucinações e idéias delirantes.

A esquizofrenia é um grupo de transtornos com sintomas comportamentais semelhantes, mas com causas heterogêneas. Por isso os pacientes esquizofrênicos apresentam clínica e resposta ao tratamento e curso da doença diferentes. Também podemos considerar a esquizofrenia como uma doença ou grupo de transtornos que dissocia pensamentos, sentimentos e comportamentos, justificando sua nomenclatura: esquizo (divisão, fenda)

No entanto, a etiologia fundamental está no plano espiritual ou “sobrenatural” da vida planetária. Somos vulneráveis às influenciações várias, mas as principais são as de seres que atraímos por nossa própria “vontade”, pensamentos, sentimentos e comportamentos dissonantes com a esfera dos espíritos superiores.

Palavras-chave: Alucinações, Esquizofrenia, Pensamento, Sentimento, Vontade

ABSTRACT

As a doctor priest, we have our interest turned to spiritual health, mental (psique) and body (soma). We have written and discussed about the current psychiatry in the light of spirituality, according to the vision of the african-brazilian religions. The mental disorder that we will discuss - schizophrenia - according to psychiatry, is characterized by a distortion of reality, inadequacy and lack of harmony between thought and affection and frequent hallucinations and delusions.

Schizophrenia is a group of disorders with similar behavioral symptoms, but with heterogeneous causes. Therefore, the schizophrenic patients present a different clinical response to treatment and disease course. We can also consider schizophrenia as a disease or group of disorders that dissociates thoughts, feelings and behavior, justifying its nomenclature: schizo (split, crack).

However, the essential etiology is in the spiritual or "supernatural" level of planetary life. We are vulnerable to various influences, but the main ones are those that come from beings that we attract with our own "will", thoughts, feelings and dissonant behaviors with superior spirits.

Keywords: Hallucinations, Schizophrenia, Thought, Feeling, Will.

ESQUIZOFRENIA

Introdução

Como sacerdote médico temos nosso interesse voltado à saúde espiritual, mental (psique) e corporal (soma). Temos escrito e discutido sobre a psiquiatria da atualidade à luz da espiritualidade, segundo a visão das religiões afro-brasileiras.

Sim, além de valorizarmos os fundamentos expressos pela academia, associamos aos vários transtornos por nós estudados, na lida da prática diária do consultório médico e do templo, às influências espirituais antagônicas que agem sobre o indivíduo doente.

O transtorno mental que discutiremos – a esquizofrenia – segundo a psiquiatria, se caracteriza por distorção do senso de realidade, inadequação e falta de harmonia entre pensamento e afetividade e frequentemente alucinações e idéias delirantes.

Além da História do transtorno, que deixaremos para um próximo trabalho, há o aspecto epidemiológico que não podemos olvidar, a esquizofrenia atinge cerca de 1% da população, normalmente inicia antes dos 25 anos de idade. É digno de nota a menção de Eugen Bleuler (quem cunhou o vocábulo esquizofrenia) que afirmou “um vasto número de esquizofrênicos consegue atuar na comunidade sem jamais terem passado por um atendimento psiquiátrico”.

Obvio está que Bleuler afirmou sua tese há um pouco mais que um século, mas acreditamos que seja atualíssima, se é que a prevalência não aumentou. Nossa percepção é que nós próximas três décadas teremos aumentado e muito a prevalência da esquizofrenia. A mesma já ocorre em 1:100, e como afirmamos nos próximos 30 anos aumentará sobremaneira, principalmente, como veremos na discussão final do texto, pelo relacionamento clandestino da humanidade com as hostes das sombras do mundo espiritual.

No término da introdução queremos declarar que os médicos estão cientes que o diagnóstico da esquizofrenia baseia-se fundamentalmente na história psiquiátrica e no exame do estado mental (que achamos decisivo), uma vez que não existe exame laboratorial para tal condição.

Aspectos clínicos (Kaplan/Sadock)

A. Maiores

Os sintomas fundamentais, apresentados por Eugen Bleuler (“sucessor” de Emil Kraepelin são os “Quatro As”.

A.1 Associação (distúrbio da)

As associações lógicas que normalmente conduzem de um pensamento para outro parecem estar perdidas (e quantas pessoas tem esse problema?!). O resultado é que o pensamento tem aparência bizarra, ilógica e caótica.

A.2 Autismo

É uma forma de pensamento cujo conteúdo é em grande parte subjetivo ou endógeno. O paciente está preocupado com idéias derivadas da imaginação e fantasias, até mesmo de alucinações e delírios (influência de espíritos antagonistas que interferem no indivíduo e na sua socialização). À medida que o pensamento autístico aumenta ocorre uma correspondente interferência no relacionamento com e na percepção da realidade.

A.3 Afetividade incongruente

As respostas emocionais podem ser inadequadas ao conteúdo do pensamento. O humor é geralmente inconsistente ou exagerado. O distúrbio afetivo pode incluir indiferença, frivolidade, constrição, impassibilidade ou embotamento afetivo.

A.4 Ambivalência

O paciente esquizofrênico abriga sentimentos, atitudes, desejos ou idéias contraditórias em relação a um dado objeto, pessoa ou situação, por exemplo: ama e odeia a mesma pessoa ao mesmo tempo. A ambivalência é uma característica de outros estados e pode estar presente, até certo ponto, mesmo em normais (?!), mas é na esquizofrenia que aparece particularmente intensa.

B. Menores

B.1 Alucinações – percepções sensoriais (dos sentidos) que ocorrem sem a presença de estímulo externo. Alucinação auditiva - ex.: “ouvir a voz de Deus”; alucinação visual – ex.: “ver espíritos”, alucinação táctil – ex.: sentir formigas andando pelo corpo; alucinação gustativa – ex.: gosto ruim; alucinação olfativa – ex.: mau cheiro. As mais freqüentes são as alucinações auditivas.

B.2 Delírios

É uma crença falsa em desacordo com o status educacional e social do paciente e não influenciável por lógicas que a contradigam. Ex. : “A CIA me persegue”.

B.3 Ilusões

Interpretação deformada de um estímulo sensorial real. Ex.: uma mancha no texto é vista como uma aranha que desce em direção ao paciente.

B.4 Idéias de referência

Uma inquietante impressão de que as conversas e gestos de outras pessoas se referem a si próprio.

B.5 Despersonalização

O sentimento de estar separado de sua própria personalidade; a sensação de que a identidade ou personalidade próprias estão desintegrando-se ou perdidas.

B.6 Negativismo

O paciente faz o contrário do que lhe é pedido.

B.7 Automatismo

O paciente sente que não é ele quem esta realizando suas próprias ações.

B.8 Ecolalia

Repetir a fala dos outros.

B.9 Ecopraxia

Repetição do movimento de outra pessoa.

B.10 Maneirismos

Gestos ou expressões que se repetem.

B.11 Esteriótipias

Repetição persistente e sem sentido de qualquer ação.

B.12 Impulsividade

Ações que são realizadas inesperadamente, sem a necessária reflexão e sem levar em conta a personalidade total.

B.13 Torpor

Lentificação de todas as funções psíquicas, trazendo como resultado uma inabilidade de adaptação frente a qualquer situação.

ETIOLOGIA

A esquizofrenia é um grupo de transtornos com sintomas comportamentais semelhantes, mas com causas heterogêneas. Por isso os pacientes esquizofrênicos apresentam clínica e resposta ao tratamento e curso da doença diferentes.

Na etiologia é aventada a hipótese diátese-estresse que se sustenta em várias bases, inclusive na biológica que pode ser influenciada por fatores epigenéticos, como abuso de substâncias, estresse psicossocial (muito importante) e trauma.

Os fatores genéticos e psicossociais também tem sua importância no contexto do “quadro sindrômico” esquizofrênico, todavia a causa da esquizofrenia é desconhecida.

TIPOS – SUBTIPOS

O DSM-IV-TR classifica quatro subtítulos de esquizofrenia: tipo paranóide; tipo desorganizada, tipo catatônico; tipo indiferenciado e tipo residual.

No passado a classificação era: esquizofrenia simples, hebefrênica, catatônica, paranóide, esquizo-afetiva e indiferenciada.

Esquizofrenia paranóide

É caracterizada por delírios ou alucinações auditivas freqüentes. Pode apresentar sintomas não específicos, tais como: comportamento desorganizado, afeto embotado ou inadequado.

Temas persecutórios formam freqüentemente o núcleo dos sintomas paranóides, e com a presença quase sempre, de alguma idéia de grandeza (megalomania).

Durante o processo pré-psicótico o paciente apresenta-se desconfiado, extremamente hostil com uma atitude de quem está com a “pulga atrás da orelha”, frieza emocional e uma tendência ao ressentimento, belicosidade e sentir-se facilmente ofendido.

Esquizofrenia catatônica

Os sintomas mais importantes são motores. Podem apresentar-se sob a forma de inibição generalizada, com sintomas tais como negativa, estupor, mutismo ou sob a forma de atividade motora excessiva e excitação.

Na agitação catatônica o comportamento não parece ser influenciado por estímulos externos, mas parece ser um comportamento estereotipado, aparentemente sem propósito, impulsivo e imprevisível.

O paciente pode correr sem destino, ficar sem dormir, recusar comida, e chegar à desidratação e ao esgotamento. Estereotipias, ecolalia, ecopraxia, maneirismos, caretas, postura esquisitas e catalepsia são outros sintomas freqüentes.

Esquizofrenia indiferenciada

Os pacientes apresentam freqüentemente, profundos distúrbios do pensamento, da afetividade e do comportamento, mas sem sintomas específicos suficientes para uma classificação mais precisa. O que acontece com mais freqüência é que o ataque inicial da esquizofrenia apresenta-se indiferenciado e que à medida que a reação progride vai se cristalizando num dos tipos definidos (já escritos).

Esquizofrenia tipo desorganizada

Os sintomas mais freqüentes e proeminentes são: discurso desorganizado, afeto embotado ou inadequado e comportamento desorganizado.

Os demais sintomas, excetuando-se os descritos são os mesmos da desarmonia proporcionada pela esquizofrenia.

Esquizofrenia tipo residual (Kaplan)

Embotamento emocional, retraimento social, comportamento excêntrico, pensamento ilógico e frouxidão leve das associações, são comuns neste tipo. Alucinações, delírios são raros, também raro afeto forte.

Conclusão

Depois do relato sumarizado sobre os fatores que achamos fundamentais para a compreensão da esquizofrenia, esperamos que tal intento encontre eco nos leitores do blog. Só assim nos sentiremos recompensados, e sugerindo que se aprofundem, se acharem necessário, nas referências bibliográficas.

A esquizofrenia é uma doença ou grupo de transtornos que dissocia pensamentos, sentimentos e comportamentos, justificando sua nomenclatura: esquizo (divisão, fenda)

Fatores epidemiológicos, índice de prevalência são citados na ordem de 1%, sendo 5 a 10 vezes mais freqüentes nas mulheres (?!)

Acreditamos ser uma doença em crescimento, pois a sintonia dos seres humanos desavisados do conluio clandestino com os “seres das sombras” aumenta a cada dia.

Deixaremos para a próxima publicação (a 67ª) a discussão sobre o prognóstico e tratamento, como também discutiremos a etiologia fundamental que está no plano espiritual ou “sobrenatural” da vida planetária.

A conclusão que chegaremos é a de que somos vulneráveis às influenciações várias, mas as principais são as de seres que atraímos por nossa própria “vontade”, pensamentos, sentimentos e comportamentos dissonantes com a esfera dos espíritos superiores. Nunca o homem esteve tão vulnerável como nos tempos atuais onde o ceticismo da ciência aliado ao descaso da maioria das religiões para os fatores aludidos, favorece o despreparo do homem para a vida espirítica-mental e suas leis de afinidade, que sintoniza todos os seres do universo, sejam eles bons ou maus e justos ou injustos. Urgentemente carecemos de nos imunizar contra tal estado fomentador desatino mento-espiritual, convertido em sofrimentos atrozes vários, mas o maior de todos – o homem degradando o próprio homem. Axé.

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 66

Referências

Aspectos Psicológicos e Psiquiátricos

· ANDRADE, Arthur Guerra de. ALVARENGA, Pedro Gomes.Fundamentos de Psiquiatria. 1. ed. Barueri: Manole, 2008, 644p.

· AUSIELLO, Dennis. GOLDMAN, Lee. Cecil - Tratado de Medicina Interna - 2 Vols. 23. ed. Rio de Janeiro: Ed. Elsevier, 2009, 2688p.

· BICKLEY, Lynn S. Propedêutica Médica – Bates. 8. ed. Rio de Janeiro: Ed. Guanabara Koogan, 2005, 928p.

· HALL, Calvin S. LINDZEY, Gardner. CAMPBELL, John B.Teorias da Personalidade. 4. Ed. Porto Alegre: Artmed, 2000, 591p.

· KAPLAN, Harold I., SADOCK, Benjamin J. Tratado de psiquiatria. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 1999, 1486p.

· MURPHY, Michael J. COWAN, Ronald L. Psiquiatria – Murphy – Série Blueprints. 4. ed. Rio de Janeiro: Ed. Revinter, 2009, 152p.

· PADRO, Cintra do. VALLE, Ribeiro do. RAMOS, Jairo.Atualização Terapêutica. 23. ed. Porto Alegre: Ed. Artes Médicas, 2007, 2400p.

· PAIN, Isaias. Tratado de Clínica Psiquiátrica. 3. ed. São Paulo: E.P.U. Ed, 1991, 370p.

· PINHEIRO, Raimundo. Medicina Psicossomática – Uma abordagem clínica. 1. ed. São Paulo: Fundo Editorial DYK, 1992, 125p.

· PORTO, Celmo Celeno. PORTO, Arnoldo Leme. Semiologia Médica. 6. ed. Rio de Janeiro: Ed. Guanabara Koogan, 2005, 1356p.

· SÓFOCLES. Édipo Rei. 1. ed. Porto Alegre: L&PM, 2001, 104p.

Aspectos Religiosos

· RIVAS NETO, Francisco. Do Sincretismo à Convergência. In: II CONGRESSO BRASILEIRO DE UMBANDA DO SÉCULO XXI, São Paulo: Faculdade de Teologia Umbandista, 2010.

· RIVAS NETO, Francisco. Sacerdote, Mago e Médico : cura e autocura umbandista: terapia da alma. 1. ed. São Paulo: Ícone, 2003, 493p.

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