quinta-feira, 29 de julho de 2010

W. W da Matta e Silva - escritor de ponta da literatura umbandista








PREFACIANDO: "UMBANDA - LUZ NA ETERNIDADE"













Prefaciando...

Umbanda - Luz na Eternidade!... De certa forma o leitor vai se surpreender com semelhante título. Qual Umbanda? Que eternidade?

Bem, caro leitor, essa obra que estamos prefaciando, é de um nosso filho-de-santé, coroado em nosso santuário de Itacuruçá, há mais de 7 anos. Ele é o Francisco Rivas Neto, cujo nome de iniciação é ARAPYAGA. É um profundo estudioso e pesquisador, pessoa de cultura universitária, e há cerca de 25 anos que pratica a Umbanda, como médium, e sobre médiuns.

O Francisco Rivas Neto já alcançou o grau de Magista – Mestre de Iniciação. Segue a Umbanda Esotérica, segundo nossas obras, acrescidos de sua própria Criatividade espiritual mediúnica.

Acreditamos que o leitor, ao ir lendo esse livro, encontrará na substância de sua doutrina, as razões para compreender que essa Umbanda, levará o seu consciencional para longe; para o espaço infinito e ilimitado, que pode ser a citada eternidade, ou seja o nada, no absoluto, aquilo que não tem princípio nem fim, - a luz da sabedoria que é eternal...

Essa obra de Rivas Neto tem pesquisa histórica, especulações metafísicas e doutrina prática. Pois, ele fala na Umbanda Esotérica, isto é, daqueles conhecimentos internos, selecionados, próprios de quem já é um Iniciado.

Não confundi-lo com a Umbanda popular, essa que o povão pratica, segundo concebe e alcança, através desses milhares de terreiros, ou nessa tremenda variação dos denominados cultos afro-brasileiros.

E finalmente, caro leitor, se você também é um estudioso, aconselhamos a pegar uma moeda, e ver nela suas duas faces: a cara e a cora. No livro do Rivas Neto você vai ler a parte que está contida na coroa, isto é, o lado interno, esotérico da Umbanda, com suas verdades, e deixe de lado a parte da cara dessa moeda, que essa umbanda popular, folklórica, que você vê nas praias, no dia 31 de cada ano.

Escrevemos assim, para que o leitor pesquisador ao ler seu título, não pense logo que ele encoberte uma série de bobagens, de mitos e de ensinamentos absurdos, patéticos, sem base sólidas.

Em verdade, a maioria dessa literatura que lançam por aí, é mais uma fonte de perturbações, de confusões etc... Nessa obra, há pesquisa, há doutrina e orientações sobre a Umbanda de fato e de direito.

W.W. da Matta e Silva


PREFACIANDO: "UMBANDA - A PROTO-SÍNTESE CÓSMICA"

Sim, Caboclo pede licença aos poderes das divindades, ou seja, aos Orishas Superiores, para expressar para a coletividade umbandista as verdades, ou melhor, levantar um pouco do véu dos arcanos, para reafirmar ou mesmo revelar muitas coisas que fazem o mistério da vida deste mundo e do outro.

Esses ensinamentos que o leitor vai encontrar nesta obra foram transmitidos por intermédio dos canais mediúnicos de F Rivas Neto, filho do meu "Santé", ou seja, coroado em nosso Santuário de Itacuruçá. Ele é um Mestre de Iniciação de 7º grau, no grau de mago, e com a outorga do Astral Superior de promover a Iniciação de seus médiuns.

Assim, desejamos que o leitor se conscientize de que esse "Caboclo" (Entidade Espiritual que usa a roupagem fluídica de índio), que pede agô (licença) para transmitir o que vai transmitir, traz ensinamentos da doutrina esotérica da Umbanda.

Quando qualificamos de Umbanda Esotérica, queremos que fique bem claro que ela não tem nada em comum com o "Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento".

É só o leitor abrir um dicionário e verificar o que significam os termos esotérico e exotérico, que são as coisas internas e externas, respectivamente.

Assim é que, como Umbanda em seus aspectos externos, entendemos os rituais que são produzidos pelos atabaques ou palmas, quer seja nos terreiros, praias, cachoeiras, etc, alimentados por crenças, crendices e superstições, sem querermos apontar diretamente para o animismo vicioso que pode se manifestar nesses setores ditos dos cultos afro-brasileiros.

Então, "Caboclo" vem através de seu médium autenticar os ensinamentos mais límpidos, que são eternais ou de todas as escolas esotéricas ou filosóficas de conceito da antigüidade.

Assim é que ele fala primeiro da Divindade Suprema sem que com isso queira defini-la, e rasga os véus de certos mistérios que eventualmente foram ditos muito por alto em obras de outros autores conceituados. Assim é que fala do Além, isto é, "do outro lado da vida", das vivências grosseiras que existem e aguardam os Seres Espirituais imprevidentes que se mancharam de vícios, egoísmos, ódios, ambições, luxúria, e que são imediatamente atraídos para campos de teor vibratório de energias degradantes e morbosas após o desencarne. Eles são reconhecidos devido ao aura de seus corpos astrais, ou seja, pela cor vibratória que modela suas características psicoastrais.

Esta obra é de certa forma um pouco contundente, porque revela conceitos que podemos chamar até de inéditos.

Em Umbanda — A Proto-Síntese Cósmica o leitor vai verificar como essa entidade fala das 7 fases da Umbanda no Brasil, como tem um ensinamento muito preciso sobre os Exus, como aborda a questão do desencarne, etc. Caboclo 7 Espadas, que é como se identifica essa Entidade, fala com muita propriedade da ancestralidade da Umbanda, vindo até a comprovar a sua origem no seio da Raça Vermelha, em pleno solo brasileiro. Faz o mesmo com a origem do termo Exu, coordenação precisa de termos que sofreram ligeiras alterações semânticas mas que no fundo são a mesma coisa.

Inumeráveis leitores de nossas obras vão encontrar semelhanças no que escrevemos e no que está nesta obra.

Evidentemente, a verdade não são duas, é uma só. Uns alcançam-na até certo ponto e outros ainda vão além, dentro de sua relatividade.

Finalizando este prefácio, queremos dizer aos nossos leitores que nos sentimos até certo ponto envaidecido com o que Umbanda — A Proto-Síntese Cósmica ensina.

Portanto, leia-o leitor, atentamente, porque vai ficar plenamente satisfeito.

MESTRE YAPACANY WOODROW WILSON DA MATTA E SILVA

Itacuruçá, 18 de dezembro de 1987


Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 58

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Cosmogênese e Planetogênese na visão das Religiões Afro-brasileiras

RESUMO

Os princípios espirituais, por intermédio do Poder Operante dos Orixás (Senhores da Luz Espiritual), foram manifestados na Cosmogênese. A gênese cósmica deveu-se aos Orixás, cujos poderes volitivos expressos em ciclos e ritmos particulares foram expressos na substância primeva (energia escura) subtraindo-lhe a indiferenciação e o aspecto caótico. O instante primevo da Cosmogênese, como reação ou efeito do Poder Volitivo dos Orixás, produziu três fenômenos arquetipais: luz, som e movimento.

A Planetogênese imitou a Cosmogênese (criação do cosmos). A substância fundamental do Sol (Hélio e outros elementos – luz) sofreu sobre si o Poder Volitivo dos Orixás que deu origem ao Sistema Solar. Dentro desse Sistema, focalizemos nossos estudos no Planeta Terra, nosso mundo de evolução e vida.

A matéria constitutiva do planeta Terra é, igualmente, Setenária. A Energia Bipolarizada em Energia Mental Positiva (matéria mental abstrata) e energia mental negativa (matéria mental concreta) dão origem, por rebaixamento de sua vibração essencial, à Energia Astral. A Energia Astral, por dissociação ou emissão, dá formação a quatro energias, totalizando o setenário. A Energia Astral é a base constitutiva da dimensão sutil, hiperfísica do planeta. Na dimensão grosseira, densa, é a deflagradora de quatro estados de manifestação ou concretização.

Palavras-chave: Cosmogênese, Doutrina do Tríplice Caminho, Orixás, Planetogênese, Religiões Afro-brasileiras.

ABSTRACT

Spiritual principles, through the Power of the Operant Orishas (Lords of Spiritual Light) were expressed in the Cosmogenesis. The cosmic genesis was due to the Orishas, whose volitional powers expressed in cycles and particular rhythms were expressed in primal substance (dark energy) subtracting from this the undifferentiated and the chaotic aspect. The primal moment of Cosmogenesis, as a reaction or an effect of the Orisha Volitional Power, produced three archetypal phenomena: light, sound and movement.

The Planetogenesis imitated Cosmogenesis (creation of the cosmos). The fundamental substance of the Sun (Helium and other elements - light) has suffered on itself the Volitional Power of the Orishas, which led to the Solar System. Within this system, we focused our studies on Planet Earth, our world of evolution and life.

The substances that compose the planet Earth are also Septenary. The Bipolarized Energy in Positive Mental Energy (abstract mental matter) and negative mental energy (concrete mental matter), by lowering its essential vibration, gives birth to the Astral Energy. The Astral Energy, by dissociation or emission, forms four energies, totaling sevenfold. The Astral Energy is the basic constituent of the subtle, hyperphysic dimension of the planet. At the ragged, dense dimension, triggers four states of manifestation or concrealization.

Keywords: Cosmogenesis, Triple Way Doctrine, Orishas, Planetogenesis, Afro-Brazilian Religions.

COSMOGÊNESE E PLANETOGÊNESE NA VISÃO DAS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS

Os princípios espirituais, por intermédio do Poder Operante dos Orixás (Senhores da Luz Espiritual), foram manifestados na Cosmogênese.

A gênese cósmica deveu-se aos Orixás, cujos poderes volitivos expressos em ciclos e ritmos particulares foram expressos na substância primeva (energia escura) subtraindo-lhe a indiferenciação e o aspecto caótico.

O instante primevo da Cosmogênese, como reação ou efeito do Poder Volitivo dos Orixás, produziu três fenômenos arquetipais:


Os Orixás Virginais – “Senhores da Coroa Divina” estenderam seus atributos unos modificados à Hierarquia Virginal. Os atributos inerentes à “Coroa Divina” eram: Onisciência, Onipotência, Onipresença.

Esses atributos virginais manifestaram-se nos seres espirituais como percepção, consciência, inteligência, amor, vontade, etc.

Os atributos unos aludidos se expressaram na cosmogênese por meio dos três fenômenos arquetipais.

Assim tivemos:

- Onisciência manifestada como luz cósmica – sete cores fundamentais

- Onipotência manifestada como som cósmico – sete notas musicais

- Onipresença manifestada como movimento cósmico – sete forças fundamentais.

Apreciando com atenção o que até aqui expusemos, não terá o prezado leitor amigo dificuldades em atender a relação ou analogia que fizemos com a Doutrina do Tríplice Caminho ou dos Três Caminhos-Unos, que pretende interpretar para os diversos ângulos de interpretação, o significado da Luz Cósmica, do Som Cósmico e do Movimento Cósmico.

Avançando em nossa exposição, poderemos afirmar que o Cosmos é a manifestação ou concretização do Poder Volitivo ou Operante dos Orixás e Hierarquia e, portanto, Sagrado, Divino.

Centralizemos nossa percepção e atenção em nosso Sistema Solar e, em especial, no planeta Terra. Este orbita sob os influxos vibracionais do Sol, luminar que lhe dá sustentação, vida e luz. Remontemos, então, há aproximadamente 4.3 bilhões de anos e penetremos na Planetogênese (criação do planeta Terra).

A Planetogênese imitou a Cosmogênese (criação do cosmos). A substância fundamental do Sol (Hélio e outros elementos – luz) sofreu sobre si o Poder Volitivo dos Orixás que deu origem ao Sistema Solar. Dentro desse Sistema, focalizemos nossos estudos no Planeta Terra, nosso mundo de evolução e vida.

Mais uma vez, o Poder Operante dos Orixás, manifesto em ciclos e ritmos, deu origem à Setessência da matéria, em analogia com os Três Princípios Arquetipais.

Esta Setessência apresenta-se, em obediência aos “Três Princípios”, posicionada em três planos coexistentes e interdependentes, denominados:

Plano Mental, associado à Luz Espiritual, pedra angular dos fundamentos da Luz Divina;

Plano Astral, associado ao Verbo Espiritual, pedra angular dos fundamentos do Verbo Divino;

Plano Etéreo-Físico, associado ao Movimento Espiritual, pedra angular dos fundamentos da Lei Divina.

A “matéria” que constitui o plano mental é dita sutilíssima, origem ou arquétipo das forças vivas ou energias sutis.

A “matéria” que constitui o plano astral é nomeada sutil, sendo a primeira manifestação da energia sutilíssima. Esta energia astral é origem das forças sutis, ares vitais, prana, tattwas, etc.

No plano etéreo-físico temos a densificação máxima permitida à energia-massa segundo os limites vibracionais e gravitacionais relativos ao planeta Terra.

Esta energia-massa possui cinco estados físicos: sólido, líquido, gasoso, plasmático e boseano, que são consolidações de elementos sutis, também denominados de elementais: terra, água, fogo, ar e éter.

O estado etérico (fluido gerador ou espaço inercial), o Akasha, conhecido por outras religiões, está inteiramente aderido ao plano físico, sendo o quinto elemento, que é, na verdade, geratriz dos demais.

Após esta descrição da constituição da matéria física e hiperfísica do planeta (veículos concretizadores dos vários planos e manifestações da energia), façamos o mesmo com o homem. Entenderemos, assim, as íntimas relações deste (microcosmo) com o Planeta e mesmo com o Cosmos (macrocosmo).

“A planetogênese imita a cosmogênese; analogamente, afirmamos que a antropogênese imitou a planetogênese”.

A última assertiva nos faz concluir que os Sete Orixás Planetários (na verdade dezesseis) nos influenciam tanto quanto ao Planeta Terra e são nossos Genitores Kármicos, com a particularidade de que a cada nova reencarnação, segundo o momento de nosso nascimento, ficamos sob o influxo mais direto de um Orixá.

Antes de compreendermos o mecanismo de, a cada nova reencarnação, ficarmos sob os influxos vibracionais de determinado Orixá, penetremos nas analogias entre macrocosmo e microcosmo.

O Ser Espiritual, o homem reencarnado, tal qual o planeta é constituído de elementos densos, sutis e sutilíssimos.

O organismo ou veículo dimensional constituído de energia sutilíssima é o mental. Este organismo é a sede da consciência, vela a Essência Espiritual, a Autoconsciência – a Luz Espiritual. É o organismo mais rarefeito, refletindo de forma mais fidedigna o Ser Espiritual em essência.

O veículo intermediário entre o mais sutil e o denso é o organismo astral, sede eletiva dos sentimentos, das emoções. Vela a vontade, a percepção, o Verbo Espiritual. Nele encontramos os centros de iluminação, conhecidos como chakras em outras religiões, que são a representação do organismo mental no organismo astral.

Os centros de iluminação superiores regulam a atividade dos órgãos astrais e físicos relacionados; mais diretamente, as funções mentais; os intermediários à vida astralizada e os inferiores, à vida física.

No último organismo, o etéreo-físico, constituído de sólidos, líquidos, gases e éteres, é onde se situa a sede das sensações, das ações, da manifestação; é considerado a concretização dos demais veículos dimensionais.

Resumindo, diremos que o organismo mental está afeto ao pensamento, o organismo astral ao sentimento, o organismo etéreo-físico à ação. Recorrendo novamente aos processos analógicos, associemos os três organismos a sistemas e órgãos de equivalência no organismo etéreo-físico.

Assim fazemos com a finalidade de demonstrar que os organismos dimensionais são um contínuo vibracional, ou seja, feixes de vibrações que vão gradativamente se condensando até manifestarem o organismo físico denso.

Neste organismo físico denso, segundo nossas afirmações, poderemos encontrar representantes dos outros dois organismos mais sutis (feixes vibracionais ou campos eletromagnéticos menos condensados).

Assim o organismo mental tem seu ponto de equivalência no corpo físico, na cabeça (cérebro ou encéfalo, ou todo sistema nervoso central), principalmente nos órgãos de relação, com visão (olhos) e audição (ouvidos). Fazendo a interconexão com os demais organismos há o fluido nervoso, consolidado no líquido cefalorraquidiano (liquor).

O organismo astral tem seu ponto ou região de equivalência no tórax, principalmente no sistema fono-cardiorespiratório (laringe, coração e pulmões), sistema hematológico, órgãos hematopoéticos, sistema endócrino ou imunoendocrinologico. O elemento de ordem astral condensado que faz a conexão com os demais organismos é o fluido prânico (sangue – com suas duas partes: sérica [soro] e celular [hemácias, leucócitos, plaquetas]).

O organismo etéreo-físico tem sua expressão máxima na região abdominal, nas vísceras. O elemento conector é o fluido mecânico (linfa).

Resumindo, para melhor compreensão do tema exposto, vejamos o quadro sinóptico:


O fluido nervoso (consolidado no líquor) é a expressão do organismo mental no organismo físico.

O fluido prânico (consolidado no sangue) é a expressão do organismo astral no organismo físico.

O fluido mecânico (consolidado na linfa) é a expressão de elementos etéricos no organismo físico.

Depois de demonstrar como no organismo físico, especificamente em suas três regiões, cabeça, tórax e abdome, se expressam e se relacionam no organismo mental, astral e físico, tomemos um dos segmentos, a cabeça, e observemos como nela há representantes dos três organismos. O mesmo pode se fazer com os dois outros segmentos: tórax e abdome.

Observando-se atentamente a cabeça (crânio e face) perceberemos sete orifícios. Estes sete orifícios podemos afirmar, estão praticamente em três planos diferentes e relacionam-se com os três organismos citados.

No primeiro plano, ligeiramente inclinado, denominado superior, encontram-se quatro orifícios. Dois orifícios onde se adaptam os globos oculares (olhos) e dois orifícios onde se adaptam os dois pavilhões auditivos (orelhas). Este plano é relativo ao organismo mental.

Em um segundo plano, por nós denominado de médio, encontra-se dois orifícios. São os orifícios das narinas (nariz). Este plano é relativo ao organismo astral.

No último, o terceiro plano ou inferior, encontra-se um único orifício (boca). É o relativo ao próprio organismo etéreo-físico.

Assim, concluí-se que: o primeiro plano relaciona-se com a visão (cérebro) e audição (cerebelo). O segundo plano liga a cabeça com o tórax, por meio da nasofaringe, laringe, traquéia e finalmente pulmões e coração. O terceiro plano liga a cabeça com o abdome por meio da boca, língua, dentes, faringe, esôfago (que passa pelo tórax), estômago, duodeno, intestino delgado, intestino grosso e ânus.

Implicações várias têm essas citações. Vimos que da boca chega-se ao fim do intestino grosso (reto-ânus). São “entrada” e “saída” que devem controlar os alimentos ingeridos pela boca. Contudo, devemos considerar alimentos também o que entra pelos outros orifícios, tais como: imagens (visão), sons (audição), sensações táteis (tato), ar e sucedâneos, etc., devendo haver excreções correspondentes para cada um.

Assim explicamos, pois queremos relacionar a anatomia e fisiologia do organismo físico com a de ordem sutil, das forças vivas, das energias de ordem astral, com os canais sutis e órgãos ultérrimos”.

Continuando, é de vital importância entender-se que o Princípio Espiritual (imanifesto) ou Essência, ao manifestar-se (existência) fê-lo no Universo Astral, onde, como vimos, havia domínio da Substância, da Energia em seus vários graus de densidade.

Interpenetrando fundamentos e rasgando arcanos, afirmamos que o Ser Espiritual gerou, exsudou a Substância Primeva, sendo a mesma protoforma para a Cosmogênese, onde repisamos, teria domínio a Energia-Matéria.

Recapitulando e aprofundando, visando o melhor entendimento, afirmamos que o Princípio Espiritual Uno (Essência) ao se bipolarizar, separando-se objetivamente (Existência), gerou de moto próprio, devido à sua atribuição criadora (Substância), a Substância Primeva que é indiferenciada, caótica, sem movimentos coordenados.

É a essa Substância Primeva que a Coroa Divina, os Orixás Virginais – Espíritos Virginais de máximo Poder – por intermédio da Potenciação de suas vontades, de seus Poderes Volitivos, propiciaram movimentos ordenados, diferenciado-a imprimindo-lhe um ciclo e ritmo particular.

Esse ciclo e ritmo, na verdade, deu formação à energia bipolarizada. A essa energia bipolarizada denominamos Energia Primeva Positiva e Energia Primeva Negativa.

A energia primeva bipolarizada deflagrou a constituição setenária da matéria no universo astral.

Assim, o Poder Volitivo dos Orixás Virginais, aplicados à Substância Primeva, gerou o Universo Astral. A concretização desse Poder Volitivo pode ser expressa na Cosmogênese, no “Big-Bang”, que gerou três fenômenos que perduram até os nossos dias. A Luz, o Som e o Movimento são as expressões do Poder Volitivo dos Orixás. São o Tantra (Luz), Mantra (Som) e Yantra (Movimento) Cósmicos.

A matéria constitutiva do planeta Terra é, igualmente, Setenária. A Energia Bipolarizada em Energia Mental Positiva (matéria mental abstrata) e energia mental negativa (matéria mental concreta) dão origem, por rebaixamento de sua vibração essencial, à Energia Astral.

A Energia Astral, por dissociação ou emissão, dá formação a quatro energias, totalizando o setenário. A Energia Astral é a base constitutiva da dimensão sutil, hiperfísica do planeta.

Na dimensão grosseira, densa, é a deflagradora de quatro estados de manifestação ou concretização.

O primeiro estado de manifestação é o eólico (ar), essencialmente expansivo.

O segundo estado de manifestação é o ígneo (fogo), essencialmente radiante.

O terceiro estado de manifestação é o hídrico (água), essencialmente fluente.

O quarto e último estado de manifestação é o telúrico (terra), essencialmente coesivo.

Concluindo, os elementos ar, fogo, água e terra compõem o plano físico denso do planeta, sendo que as Linhas de Forças (energias sutis) os sustentam por meio do Poder Atuante dos Emissários Executores dos Orixás – os Exus (transportadores, distribuidores e mantenedores do Axé ).

Demonstramos como o microcosmo está relacionado com o macrocosmo, como ambos possuem características similares. Reiteramos que, embora o Ser Espiritual possua Sete Veículos Dimensionais de sua consciência, os agrupamos em três Organismos relacionando-os aos Princípios Cosmogenéticos (Luz, Som e Movimento).

Depois das exaustivas demonstrações analógicas sobre a interdependência entre Cosmos, Planeta e Homem, concluímos que o binômio Espírito-corpo é uno, indivisível, sendo assim considerado pela Umbanda em suas diversas Escolas ou segmentos e demais religiões afro-brasileiras.


(1) O Poder Operante ou Volitivo dos Orixás Virginais aplicado à substância Primeva conferiu-lhe ciclos e ritmos que se expressaram por meio de: Luz, Som e Movimento Cósmicos.

(2) O Poder Operante ou Volitivo dos Orixás Solares aplicados à Substância Solar conferiu-lhe por meio de ciclos e ritmos particulares. Estes se expressam por meio de: equilíbrio, estabilidade e harmonia planetários.

(3) O Poder Operante ou Volitivo dos Orixás Planetários ou “Ancestrais” aplicado à Setessência da Matéria confere-lhe ciclos e ritmos particulares. Sua expressão dá-se por meio dos: Organismo Mental, Organismo Astral e Organismo etéreo-físico.

Esperamos que tenham ficado evidentes as conexões cosmo-planeta-homem que corroboram com o velho adágio: o microcosmo é manifestação do macrocosmo. Igualmente esperamos ter demonstrado que as religiões afro-brasileiras, no tocante aos fenômenos da criação, tenham uma visão diferente, embora respeitosa, das religiões criacionistas (vide publicação 55). Axé!

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 57

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Exu é demonizado por ser contrário às desigualdades...


Vivemos numa sociedade de desiguais onde poucos têm muito, e muitos não têm quase nada. Na verdade temos um mundo de miseráveis, de excluídos.

Há tempos vivemos este estado, onde o “rico”, “o forte” e o “sábio” tripudiam o pobre, o fraco e o “ignorante”.

Isso é decorrência do poder, que deseja manter essa desigualdade e exclusão. Poder é ter os meios para se conseguir os fins.

Quando citamos poder, incontinenti nos vem à mente o conceito de política que é o processo de formação, distribuição e exercício do poder.

Não fica difícil perceber o porquê das desigualdades. Vejamos:

1. Formação do poder

O poder é formado por aqueles que defendem suas prioridades, os interesses de suas classes sociais, as elites dominantes. Com certeza não são os proletários ou excluídos?!!

2. Distribuição do poder

Para quem vocês acham que vai ser distribuído o poder? Óbvio que não é para mim e nem para você. O pior é que por dentro da própria religião há a corrida pelo poder. Que fazer?...

3. Exercício do poder

A política é financiada pela economia, logo os políticos defendem os grupos econômicos vários que os elegem. Mais uma vez, infelizmente, é necessário citar que há pseudos líderes religiosos que engrossam essa falange – a que deseja manter o status quo.

Por essas e outras mais é que as religiões que representam as elites dominantes tentam de todas as maneiras demonizar Exu. Sabem por quê? Porque Exu afirma que não devemos nos conformar com os infortúnios, sejam eles quais forem. Ele diz que todos têm direito à felicidade e para isso acontecer é necessário haver igualdade e a não-exclusão.

Na verdade muitos têm medo de Exu, pois para ele tudo é possível, tudo é factível, inclusive a inclusão.

O vídeo que postamos – Exu – o revolucionário político complementa o que afirmamos. Axé!





Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 56

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Isonomia é mesmo para todos?!

RESUMO

As religiões afro-brasileiras, principalmente a Umbanda, em suas várias Escolas, defendem a teoria darwiniana, pois tem convicção que tudo acontece com o aval do sobrenatural, com a intervenção do Orixá. Percebemos que as religiões afro-brasileiras não são insensíveis às descobertas arqueológicas que demonstram biomas distintos nas diferentes eras geológicas e exemplares de mudanças, passo a passo, de uma espécie a outra.

Na FTU – Faculdade de Teologia Umbandista – a única faculdade de teologia de matriz brasileira se discute a transversalidade ou convergência entre os vários saberes e fazeres, portanto atualizada com a ciência, filosofia, arte e demais religiões. Há um estudo aprofundado em teologia e religiões comparadas, onde se dissecam ao máximo todas as religiões ou teologias.

Temos convicção, não por proselitismo ou defesa em causa própria, que a teologia umbandista difere de outras teologias, pois defende e propaga a necessidade de atualização, de ser uma unidade aberta à discussão, à contínua construção. Faz grassar que esta abertura é proporcionada pelo poder divino ao homem planetário. É por intermédio desta postura que vem crescendo em expressão espiritual que se manifesta no cultural, social, político e econômico.

Palavras-chave: isonomia, evolucionismo, Faculdade de Teologia Umbandista, preconceito, Religiões Afro-brasileiras

ABSTRACT

African-Brazilian religions, especially Umbanda, in its various schools, support the Darwinian theory, because it is convinced that everything happens with the endorsement of the supernatural, with the intervention of the Orisha. We realize that african-Brazilian religions are not insensitive to the archaeological discoveries that demonstrate different biomes in different geological ages and evidences of changes, step by step, from one species to another.

In FTU – Faculdade de Teologia Umbandista (Umbanda Theology College) - the only college of theology of the Brazilian matrix is discussed intersections or convergence between the various knowledges and practices, so up to date with science, philosophy, art and other religions. There is an extensive study in theology and comparative religion, where the most of all religions or theologies are dissected.

We are convinced, not by proselytizing or in defense of our own cause, that umbanda theology differs from other theologies, as it defends and propagate the need of updates, to be an open unit for discussion in continuous construction. It believes that this opening is provided by the divine power to the planetary man. It is through this approach that has been growing in spiritual expression that manifests itself in cultural, social, political and economic areas.

Keywords: equality, evolutionism, Umbanda Theology College, prejudice, Afro-Brazilian Religions


ISONOMIA É MESMO PARA TODOS?!

A teogonia e a cosmogonia umbandistas nos dizem que imediatamente antes do início dos tempos só havia a substância escura imersa no vazio do infinito. Num determinado instante essa substância escura foi se condensando até ficar do tamanho da menor subpartícula que conhecemos na atualidade.

A cosmologia umbandista relata que o Poder Volitivo do Orixá (vontade e poder operante) deflagrou no “ovo cósmico” a cosmogênese, manifestada em luz, som e movimento. Após a formação das constelações, veio a formação dos sistemas solares, inclusive o sistema onde o planeta Terra está inserido. Sem nos determos nos pormenores da planetogênese, após bilhões de anos surge a vida (biogênese).

Estabilizado o sistema geofísico (solo, atmosfera e hidrosfera) tem inicio no mar a vida. A priori com os unicelulares (ovo biogênico) que deflagram além do reino vegetal o reino animal, num complexo processo denominado filogênese (evolução das espécies). A ciência terrena afirma que a cosmogênese data de aproximadamente 13,7 bilhões de anos e a planetogênese 4,3 bilhões de anos.

Do unicelular (autotrófico ou heterotrófico?) ao homem venceu-se bilhões de anos, num processo de constantes mudanças e aperfeiçoamento da forma (vida), onde o Orixá atuando na natureza propiciou a evolução como conhecemos na atualidade. Pelo que expusemos o mito de formação do universo e criação, segundo as religiões afro-brasileiras, em especial a Umbanda, na sua vertente ou Escola de Síntese, é muito próximo do proposto pelas ciências.

É muito diferente das demais religiões, principalmente das religiões abraâmicas ou religiões do livro (Pentateuco, Novo Testamento e Corão) que defendem o “criacionismo”, portanto diferentes das religiões afro-brasileiras.

No ano de 2009, as vésperas do aniversário de Charles Darwin, o pai da teoria da evolução, que afirmava que animais, plantas e seres humanos mudam para adaptarem-se às condições do ambiente ao longo dos tempos, por meio da seleção natural, surge um estudo publicado na Inglaterra o qual afirma que mais da metade dos britânicos acreditam no “design inteligente” em detrimento da teoria da evolução. O livro escrito por Charles Darwin há 150 anos – A evolução das espécies – está em rota de colisão com a explicação bíblica, segundo a qual Deus criou o mundo em sete dias. A maioria das religiões cristãs tem esta posição ou crença.

Os que interpretam esses fenômenos segundo a Bíblia são denominados de criacionistas (em oposição às explicações cientificas) sendo os mais dogmáticos, os que se apóiam no criacionismo da Terra Jovem, que preconizam a vida ter surgido há aproximadamente 10.000 anos – que sabemos pelas ciências, ser tempo insuficiente para haver evolução dos unicelulares ao homem.

Uma crítica ampla e contundente ao evolucionismo é feita pelo design inteligente. Sentenciam que a geração das espécies como os mamíferos é complexa demais para ter ocorrido por acaso ao longo do tempo. Afirmam que somente uma inteligência superior poderia tê-la projetado. Por que não? Mas não invalida a teoria da evolução e consequente tempo necessário.

As religiões afro-brasileiras, principalmente a Umbanda, em suas várias Escolas, defendem a teoria darwiniana, pois tem convicção que tudo acontece com o aval do sobrenatural, com a intervenção do Orixá.

Percebemos que as religiões afro-brasileiras não são insensíveis às descobertas arqueológicas que demonstram biomas distintos nas diferentes eras geológicas e exemplares de mudanças, passo a passo, de uma espécie a outra.

Somos coniventes com a ciência mesmo que nos acusem de racionalista e pragmático. Somos sim pela realidade, pelo real. Não podemos negar a realidade do Orixá, confirmada pela ciência.

Se em 2009, na Grã Bretanha mais de 50% das pessoas acham que o planeta Terra foi criado nos últimos dez mil anos, em completo desalinho com os fundamentos da ciência, acreditamos que na América do Sul, especialmente no Brasil, os números não são diferentes. No jornal Folha de S. Paulo em seu caderno “Mais”, afirma que o crescimento do criacionismo, segundo cientistas bretões deve-se a:

1. Aumento da população de imigrantes islâmicos

2. Igrejas pentecostais de africanos ou afro-descendentes

3. Rigidez de alguns intelectuais, tal como Richard Dawkin, escritor das obras Gene egoísta e Deus, um delírio.

Não desmerecemos os cientistas bretões, todavia não acreditamos que o avanço do criacionismo seja somente, ou quiçá, pelas causas aventadas. Sabemos do crescimento maciço do Islamismo e das igrejas evangélicas, principalmente as pentecostais e neopentecostais que realmente poderiam ser causas do aumento do criacionismo.

Não podemos, a bem da verdade, olvidar outros segmentos religiosos no contexto aventado. Todos sabem que há muito tempo essas religiões vem se opondo ao conhecimento científico, e mais, fazendo uma cisão, um processo irreconciliável com a ciência.

No passado essas religiões impuseram suas doutrinas dogmáticas por intermédio de seus processos culturais (eurocentrismo colonizador); outros mais açambarcaram os quatro cantos das Américas com suas missões, mormente no ensino das primeiras letras e, claro, da massificação da Bíblia (salvacionismo bíblico?!). É verdadeiro ou não o que aventamos? E há quanto tempo isso vem acontecendo?!

Uma coisa é certa, não se pode imputar as religiões afro-brasileiras o fazer grassar essas ideologias de submissão. Elas são vítimas da união do poder temporal com o poder espiritual. O que pode ter acontecido é que um ou outro umbandista ter contrariado a regra, tal qual aconteceu nos anos de chumbo, da ditadura militar (1964-1985), em que se uniu aos militares traindo seus irmãos de fé e muitos brasileiros que “partiram num rabo de foguete”. Mas quem são? Deveríamos perguntar por quê? Todos sabem!...

Retomando e retornando ao fulcro central de nossa discussão, se não fosse a revolução copernicana, “afirmando e provando” que o Sol e não a Terra era o centro do universo ainda estaríamos, com certeza, cegos e submissos. Imagine-se à época o que isso representou, pois a concepção medieval cristã afirmava que o homem era o ser supremo da criação, e nessa condição, seu habitat, a Terra, deveria ter o privilégio de ser o centro em relação aos outros astros. Compreende-se assim o repúdio, na época, a reação à tese copernicana. Felizmente para nossa civilização a obra foi publicada após sua morte.

O mesmo pode se dizer de Charles Darwin, pois a concepção de homem passou a ser associada a um processo evolutivo natural, no qual o ser humano mantém relações com outros seres naturais (vegetais, animais). O homem deixou de ser uma criação especial para irmanar-se aos demais seres vivos, pois foi no processo de seleção natural que ele desenvolveu suas características peculiares. (é bom reiterar que nas religiões afro-brasileiras não aplicamos o darwinismo nos aspectos espiritual, social, político e econômico).

Citando o processo de seleção natural, não podemos olvidar Mendel e suas leis de hereditariedade, descoberta dos cromossomos, dos genes até culminar com o Projeto Genoma Humano (P.G.H.)

E Freud?! Foi o mais contundente de todos, inclusive mais que o próprio Kant que preconizava o racionalismo crítico.

Os pressupostos ou teoria geral freudiana (psicanálise) afirmavam que a mente ou psique podia ser associada por processos analógicos ao iceberg. Sua porção submersa (90%) está associada ao inconsciente, a porção emersa (10%) associada ao consciente.

O que se pode depreender da teoria freudiana? Ao afirmar que a maior porção da mente é inconsciente revelou que todos estão nivelados pela inconsciência e não pela consciência, pois esta só representa 10% da mente. Talvez aí esteja o combate sem tréguas desferido contra Freud. O que Darwin fez com a natureza colocando todos os seres no mesmo plano, Freud fez com as humanas criaturas. A universalidade do inconsciente foi uma verdadeira ruptura na eugenia e hegemonia de certos indivíduos sobre outros. (Lastima-se que os outros não foram informados!) Essa arrogância persevera, é atualizada em nossos dias, onde o poder dos “fortes e sábios” oprime os “fracos e ignorantes” em todos os sentidos. Que fazer?

Deixando essa resposta ao leitor amigo, continuemos, pois todos conhecem nossa posição; focalizemos as igrejas, sinagogas e mesquitas, pois nelas ficou a idéia de que o evolucionismo é sinônimo de ateísmo, portanto é melhor ser criacionista. Não é por causa dos dogmas de Dawkin, assim como de outros insensíveis intelectuais, que a tese do evolucionismo é adepta ou incentivadora do ateísmo.

O que não podemos, a bem da verdade, é sermos favoráveis às teorias bíblicas no que concerne à ciência e, em especial, à teoria da evolução e da criação. Há tempo esses conceitos bíblicos deveriam ser atualizados, sem que isso significasse heresia para com a fé dessas veneráveis religiões.

As religiões em geral necessitam de atualização e reconciliação com as várias realidades, inclusive com a ciência e seus avanços tecnológicos que promovem uma melhor qualidade de vida a todos.

Temos convicção, não por proselitismo ou defesa em causa própria, que a teologia umbandista difere de outras teologias, pois defende e propaga a necessidade de atualização, de ser uma unidade aberta à discussão, à contínua construção. Faz grassar que esta abertura é proporcionada pelo poder divino ao homem planetário. É por intermédio desta postura que vem crescendo em expressão espiritual que se manifesta no cultural, social, político e econômico.

Depois de todo esse enredo, não entendemos o porquê do órgão competente da educação do País querer que a teologia umbandista, em sua grade curricular, tenha disciplinas que privilegiem a teologia das demais religiões ou principalmente as cristãs.

Exigem que tenhamos professores teólogos independentes se os nossos sejam sacerdotes com titulação em outras áreas que não a teologia. Sabem que possuímos há menos de dez anos a única Faculdade de Teologia que propugna uma religião essencialmente brasileira – a Umbanda. Ela precisa ser encarada como tal, e não como uma teologia cristã. Temos outras formas de entendimento das coisas sagradas e até das ciências às quais nos posicionamos de maneira agonista, óbvio, ressalvando os fatores éticos, mas sem negar a sua autonomia, tal como não queremos que neguem as nossas.

No encerramento, queremos reiterar que a maioria das faculdades de teologia são cristãs em seus diversos segmentos e que possuem uma grade curricular em desalinho com a grade de teologia umbandista. Sim, somos confessionais, nossa teologia é umbandista. Será que ainda há o peso do preconceito por sermos de origem afro-ameríndia? Será que pensam que na faculdade ensinamos a fazer “macumbas”? Ou será que não podem conceber que uma teologia de índios, negros, mestiços, de pobres e excluídos de todos os matizes se arvore em falar de saber teológico, filosófico e científico, e mais, não ser criacionista e muito menos adepta do design inteligente?

Após nossas considerações que são indignações do pacífico e justo, não podemos nos submeter aos preconceitos vários, principalmente quando nos posicionamos de maneira diferente das demais teologias.

Expusemos que a Umbanda em sua teologia não tem quase nada em comum com as teologias católica e protestantes, em seus diversos segmentos.

Na FTU – Faculdade de Teologia Umbandista – a única faculdade de teologia de matriz brasileira se discute a transversalidade ou convergência entre os vários saberes e fazeres, portanto atualizada com a ciência, filosofia, arte e demais religiões. Há um estudo aprofundado em teologia e religiões comparadas, onde se dissecam ao máximo todas as religiões ou teologias.

Como afirmamos, a FTU é uma instituição teológica confessional. Somos umbandistas, adeptos das religiões afro-brasileiras, e é calcado nesses princípios que esperamos ser avaliados. O mesmo que esperamos acontecer num curso de especialização (latu sensu) e de mestrado (strictu sensu) em teologia umbandista.

Por que precisamos fazer nossa pós-graduação em uma faculdade de teologia confessional diferente da nossa? Por que precisamos fazer mestrado em teologia numa faculdade católica ou protestante? Por quê? Muitos talvez digam ser necessário ter conhecimentos de outras teologias. Não, pois no curso de graduação da FTU contemplam-se quase todas as teologias. (teologia comparada)

Suponhamos que, por absurdo, concordemos com a assertiva de que precisamos conhecer outras teologias, (as cristãs, é claro) a recíproca também não seria verdadeira? Os católicos ou protestantes se sentiriam à vontade de cursarem suas pós-graduações em uma instituição em que o viés maior será em teologia umbandista ou das religiões afro-brasileiras? Claro que não, portanto, não tem porque impor.

Precisamos de isonomia!!!

O vocábulo já define – direito igual para todos!!!

Seria isso falacioso?!

Isonomia é mesmo para todos?

Será mesmo?

Espero que sim! Afinal, estamos ou não em um país democrático?

Axé.

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 55