quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Revendo a História


O rito dramatiza o mito, ou seja, as religiões possuem métodos (ritos) que manifestam a essência da doutrina.

A doutrina, por analogia, é associada ao círculo (unidade), que contém várias formas de entendê-la e praticá-la (diversidade).

A esta gestalt, uma organização específica de partes que constitui um todo particular, denominamos de religiões Afro-brasileiras ou Umbanda. Esta gestalt é, pois, uma unidade que se manifesta na diversidade. É a Umbanda (unidade) expressa na diversidade (as várias escolas), portanto é justíssimo dizer que as várias escolas de Umbanda são manifestações legítimas de Umbanda, salvaguardando um senão: às partes em separado nunca podem proporcionar uma compreensão do todo, uma vez que o todo é definido pelas interações e interdependências das partes. As partes não mantém sua identidade quando estão separadas de sua função e lugar no todo.

Pelo exposto fica preclaro que a identidade (unidade) se manifesta na diversidade, mas esta tem de manter a conexão entre todas as partes.

Depois destes conceitos que reiterei, portanto, meus pressupostos, que não desdenham de outros, queria contar a historieta do “encantado” João Canoeiro contada por ele mesmo, todavia estamos nas vésperas do III Congresso brasileiro de Umbanda do século XXI, adiarei meu intento para futura publicação, onde com mais tempo disponível tornarei pública sua História que, tenho certeza, contribuirá para a História das religiões Afro-brasileiras.

Ao citar as religiões Afro-brasileiras e seus “presumíveis” “cem anos”, quero introduzir, resumir 55 anos de minha experiência na vivência teórico-prática das religiões Afro-brasileiras.

Praticamente estou com tudo inventariado e para breve disponibilizarei todo o acervo de 55 anos, constando de textos, documentos, fotos, vídeos, artigos de jornais e revistas desde 1955 até os dias atuais. Aos leitores e amigos peço a gentileza de aguardarem, pois em breve estarão à disposição.

SINOPSE HISTÓRICA

Período de 1955 a 1961

- Início do meu envolvimento com as religiões Afro-brasileiras.

- Vivência teórico-prática (mais prática) dentro de minhas limitações, por dentro do culto de nação (Ketu), dirigido por Pai Ernesto de Xangô Airá (O Babá).

- Iniciado por Ele no Santo – Olori (Oxaguian); Juntó (Ogun Já e Ossaim)

- Contato direto com a Encantaria e Candomblé de Caboclo, com o próprio Pai Ernesto, em outro local, a parte do Ilê Axé.

- Aprendizado dos rudimentos do Opele Ifá e Odus, pois ele fora inicado pelo Babalawô Martiniano do Bonfim.


Período de 1962 a 1968

- Pimeiro contato com a Umbanda – na Tenda de Umbanda Xangô Caô – dirigido por Dr. Carlos e sua esposa Sra. Helena.

- Nesse local tive a 1ª manifestação mediúnica (maio de 1962) por intermédio de Doum (criança) e Caboclo Angarê de Ogum – que afirmaram virem para me preparar para o Caboclo Urubatão da Guia, o que realmente aconteceu.

- Ainda em 1962 conheci o médium Antonio Romero – médium do Caboclo Pedra Branca, e o médium Roberto Getúlio de Barros, médium do Caboclo Guarantan. Com eles me iniciei na Umbanda, após 7 anos (68), quando fui “coroado”, sendo considerado um médium pronto para “abrir casa” (abrir, dirigir meu próprio terreiro).


Período do final de 1968 a 1970

- Em 1968, abri terreiro nos fundos da residência de meus pais, lá permanecendo até junho de 1970. No ano de 1970, em julho, mudamos o terreiro para a Via Anchieta, 308.


Período de 1971 a 1988

- Em 1971 “reencontrei” (tive a felicidade rara) o Mestre Yapacany (W.W. da Matta e Silva) tendo desde o início uma profunda e verdadeira identificação.

- Em 1973, saí da Via Anchieta, 308 onde ritualizava uma Umbanda Traçada. Em tempo algum Pai Matta interferiu, ao contrário disse-me estar seguindo o acordado com o “Astral”, com a Espiritualidade.

- desde 1971 iniciei minha ida quinzenal a Itacurussá, na Tenda Umbandista Oriental, e lá iniciei e “terminei” a Iniciação Sacerdotal – Consagração Iniciática, como Mestre de Iniciação de 7º Grau de 1º Ciclo, após 7 anos (1978).

- Em 1980 já havia mudado o templo para a Travessa Magalhães, atualmente, Rua chebl Massud, local onde Pai Matta esteve inúmeras vezes, em inesquecíveis momentos gravados em meu âmago espiritual.

- Nos idos de 1983, na data de meu aniversário, veio a São Paulo (surpresa) e presenteou-me com os sinais que o Pai Guiné lhe dera em 1946. No decorrer da história que contarei, todos entenderão o porquê de sua atitude.

- Em 1985, escrevi em vários jornais de São Paulo e dei uma entrevista na Revista Planeta, num artigo que discutia o destino por intermédio dos búzios e dendês. Também escrevemos 52 artigos (semanal) na coluna do jornalista Moacyr Jorge.

- Dezembro de 1987 – Pai Matta vem a São Paulo e faz a Transmissão da Raiz para mim. Estava incorporado em Pai Guiné e este afirmou que eu seria o condutor da Raiz de Pai Matta.

- Abril de 1988 – Pai Matta desencarna; confirmada a predição do astral, o mesmo que ele havia falado para mim.


Período de 1989 aos dias atuais

1ª obra escrita – Umbanda – a Proto Síntese Cósmica – 1989 – 1ª edição – Freitas Bastos, atualmente na 11ª edição – editora Pensamento.

Durante estes vários anos escrevemos mais oito obras.

-1996 – Fundamos o Templo da Av. Santa Catarina, 400 – onde funciona hoje a Faculdade de Teologia Umbandista – fundada em 2004.

-2005 – Fundei o Centro de Cultura Viva das Tradições Afro-brasileiras

-2008 – I Congresso Brasileiro de Umbanda do Século XXI – realizado pela FTU

- 2009 – II Congresso Brasileiro de Umbanda do Século XXI -– realizado pela FTU

- 2010 - III Congresso Brasileiro de Umbanda do Século XXI -– realizado pela FTU

No término da sinopse, reitero que estarei disponibilizando para breve os pormenores dos fatos citados e outros que citaremos na “História da História”...

O vídeo que acompanha a publicação é uma singela homenagem a todas Entidades Espirituais que fizeram e fazem a História desta Umbanda de Todos nós – a Teologia da Felicidade. Saravá... Axé!





Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 90


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