quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A Umbanda é mesmo de todos nós!


A Assembléia Geral das Nações Unidas, em 10 de dezembro de 1948, proclamou a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Este foi um passo importantíssimo no sentido da Paz Mundial, não apenas pelo conteúdo da Declaração que, de certa forma, consiste em uma necessária adaptação à sociedade moderna de princípios filo-religiosos há muito existentes, mas principalmente por estabelecer como prioridade a observância destes princípios adaptados em todos os países filiados e permitir que a Assembléia pudesse interferir quando estes direitos fossem violados. Talvez tenha sido o primeiro passo mais concreto para o início da comunidade global, pois este instrumento era e é capaz de ultrapassar, sem necessidade de visto, as barreiras geopolíticas e sócio-religiosas.

Embora haja um hiato considerável entre a teoria e prática, acreditamos que alcançar a garantia desses direitos para todo ser humano é o mínimo indispensável para qualquer progresso espiritual efetivo. É claro que há uma parcela pequena, mas significativa da população mundial que vivência conceitos mais avançados que os citados; por exemplo, alguns já entendem que a garantia de propriedade é irrelevante quando consideramos que, em realidade, não existe propriedade privada ou estatal, bens móveis ou imóveis e até nosso corpo não nos pertence, pois todos alcançaremos o outro lado da vida e, com a morte do corpo físico, deixaremos para trás todos nossos pertences. Só restarão os tesouros que o ladrão não rouba e a traça não rói...

A Umbanda deseja que estejamos em Paz, que possamos dar valor e sentirmo-nos abençoados a cada dia de vida, nossa e dos outros, que sejamos simples e tratemos a todos com respeito, fraternidade e caridade. Liberdade, Fraternidade e Caridade: esta é uma boa meta a seguir. Esqueçamos, portanto as desavenças sociais e, principalmente religiosas; todas são efêmeras. Se temos convicção do que tomamos como nossos valores místicos, não devemos temer a ninguém nem impor nossa visão a quem quer que seja; devemos simplesmente seguir o caminho que escolhemos e até mudar se acharmos certo, mas, no final da vida, do outro lado, comprovaremos nós mesmos até onde alimentamos ilusões. Quando este momento chegar, nada vai adiantar que você tenha convertido a dez milhões de pessoas se você não converteu a si mesmo, de verdade.

Procuremos por em prática os preceitos que tomamos como divinos no nosso dia-a-dia, em casa, no trabalho, com a família, com os irmãos que comungam os mesmos princípios e estaremos criando uma base sólida para que outros possam ver e se beneficiar de nosso exemplo. Todas estas metas são difíceis de serem alcançadas, pois estamos acostumados a brigar por ideologia, filosofias e religiões sem, ao menos, segui-las. Contudo, devemos acabar com as diferenças entre teoria e prática e começar por nossa própria casa.

A postura da Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino e seu Mestre Espiritual –Arhapiagha é no que se refere ao contexto brasileiro e universal da Umbanda, de buscar sempre a Paz e a União. Temos lutado para derrubar as barreiras existentes entre as religiões e, principalmente, dentro do próprio Movimento Umbandista. Sobre isso, duas questões básicas devem ser ressaltadas:

1º - Mestre Arhapiagha almeja estender os limites de integração dos umbandistas com todos os povos, independente dos credos ou qualquer outra limitação. Devemos ter respeito com todas as formas de pensamento religioso. Acreditamos e aprendemos com a espiritualidade que devemos buscar a melhora interior, mas esta não está desvinculada da melhora do planeta. Entendemos que é dever fundamental de todas as religiões dar o exemplo ao mundo de união e paz. Exercendo este papel estaremos sendo verdadeiros sacerdotes da humanidade.

Na verdade, a Umbanda deseja que todas as filosofias religiosas se unam e busquem viver os princípios comuns a todos, fazendo renascer a Proto-Síntese Relígio Científica com a perfeita integração entre Filosofia, Ciência, Arte e Religião. A partir daí estaremos aptos a avançar para a Proto-Síntese Cósmica que une a Sabedoria e o Amor Cósmicos e faz a perfeita integração entre Espírito e Matéria. É a própria lei Divina, a Umbanda, que também significa hieraticamente o Conjunto da Lei Suprema.

Existem pontos de contato entre todas as filosofias místicas, todas guardam consigo fragmentos da Tradição Primeva. Se somarmos esforços encurtaremos o tempo que levará para esta Tradição se restabelecer definitivamente no solo terreno. Todos podem e devem contribuir shintoístas, taoistas, hindus, jainistas, budistas, lamaistas, cultos de nação africanos, druidas, cultos ameríndios, etc. Enfim, todos sem exceção têm o que fazer pela humanidade, temos que deixar as rusgas do passado e agir positivamente hoje.

2º Mestre Arhapiagha e a Ordem Iniciática são contra qualquer tipo de distinção ou discriminação dentro do Movimento Umbandista. Acreditamos que somos igualmente importantes, independente do tipo de ritual que as pessoas venham a seguir. A marcha da evolução acolhe a todos e se há uma escada, todos os seus degraus são igualmente necessários. Por estes motivos é que deixamos de usar a denominação de “Umbanda Esotérica”, herdada do Mestre Matta e Silva.

Qualquer templo tem seus aspectos internos e outros públicos, há alguns templos que se aprofundam mais nos aspectos iniciáticos, como a Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino, mas esta é uma faceta da OICD, que também considera fundamental o atendimento público às pessoas que procuram o Templo. Da mesma forma, considera que todos os ângulos de interpretação são merecedores do mais amplo respeito, que todos merecem atendimento adequado e assim pensado, mantém agrupamentos que possam atender estas pessoas em sua necessidades e capacidade de entendimento. Hoje a Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino é uma grande família, que já não cabe em uma única casa, mas que mantém os elos de carinho, Fraternidade e respeito entre todos, independente de onde se encontrem as pessoas.

3º Por isto é que Mestre Arhapiagha vivencia a Escola de Síntese, que não faz distinções e procura a confraternização geral do Movimento Umbandista. Entende que o trabalho desenvolvido por todos os confrades é importantíssimo. Se há um pastor e um rebanho é porque o pastor é o melhor para seu rebanho e vice versa. Apenas a Ordem Iniciática quer grassar a necessidade de reunião de todos, em volta de um mesmo propósito que é dar a Umbanda seu devido valor.

A Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino, não pretende qualquer tipo de controle político ou religioso, nem reclama supremacia sobre quem quer que seja. Desejamos convidar a todos os dirigentes de todos os Templos para formarmos uma irmandade, uma congregação que busque a convivência pacífica e com forças multiplicadas entre as várias formas de rituais, entre as várias Escolas ou segmentos das religiões afro-brasileiras.

Procuremos a simplicidade, buscando o que é verdadeiro para todos, a cura de todos os males do homem, físicos e espirituais. Convidamos todos a relembrar a Declaração Universal dos Direitos Humanos, e encerramos citando: O homem sábio é aquele que respeita a todos, tem poucos apegos e procura viver com simplicidade crescente. Axé!


Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 79


Adaptado do livro Umbanda: O Arcano dos 7 Orixás – 3ª ed. (1989)

Um comentário:

  1. Por favor, Dr. Rivas Neto, sou mestrando em Ciência das Religiões,estou escrevendo acerca da Umbanda e gostaria, se possível, de manter contato com o senhor. Paz!

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