quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Teologia Umbandista e a Convergência do Conhecimento


O trabalho de resgate da História Umbandista e do recorte histórico de nossa Escola será intermediado pelo texto que se segue, pois este introduz e em parte justifica nosso tentame que continuaremos em textos ulteriores.

O mundo contemporâneo tem como estandarte o culto ao individualismo, a apologia do ego que sustenta a pluralidade de opiniões como se a mesma fosse sinal de liberdade de expressão. A grande diversidade de filosofias, ciências, artes e religiões, de certa forma, é também consequência desse processo de isolamento em busca da individuação onde, cada vez mais, tornamo-nos distantes uns dos outros, ressaltando as diferenças e olvidando as semelhanças.

O processo de Convergência para a paz no mundo procura não apenas a convivência pacífica, mas principalmente a busca da origem comum de todos, da Ciência do Ser, até alcançarmos a identificação total entre todos.

Apesar de todas as diferenças existentes entre as pessoas, na verdade, temos muito mais em comum do que julgamos. A causa disso é que perdemos o conhecimento da Ciência do Ser, da manifestação do princípio divino em todo o universo, inclusive nos homens. Vivemos na diversidade, e no tempo presente isso é fundamental, por estarmos fragmentados em nossa consciência, distantes de nossa origem, que é também nosso destino final.

A Tradição de Síntese – Aumbhandan ou Umbanda contém em si os princípios que regem toda a criação, seja no nível macrocósmico ou microcósmico. Tudo o que existe obedece às Leis de formação do Universo, que continuam atuando tanto em nós, indivíduos, como em toda a energia-massa do universo, mesmo que não sejamos conscientes das mesmas.

Devido à fragmentação do Homem, essa Tradição de Síntese dividiu-se na compreensão do que é abstrato e do que é concreto, em número e fenômeno. As leis que regulam os fenômenos tornaram-se estudo da Ciência no geral e também da Arte. Quer dizer, toda e qualquer forma de manifestação em energia-massa obedece a leis científicas; compreender a harmonia das formas faz parte da Arte.

Por outro lado, o estudo das causas abstratas que incidem sobre a matéria gerando os fenômenos não pode ser simplesmente apreendida pela ciência concreta, é preciso estar de posse dos instrumentos da Ciência do Espírito para compreender os números, as idéias que antecedem a forma. Isso tudo faz parte do campo de atuação da Religião e da Filosofia.

Infelizmente, após perdermos a Tradição de Síntese, acabamos por perder também a Filosofia, a Ciência, a Arte e a Religião integrais e primevas. Como consequência, passou a existir fragmentação também nesses campos, surgindo várias filosofias, religiões, etc., muitas vezes opostas entre si.

Para exemplificar, vemos que as religiões são formas particulares e parciais de ver o Sagrado que todas buscam. Fica claro que quanto mais nos aproximamos da convergência, menos observações parciais, regionais ou sectárias existirão, predominando a universalidade sobre a individualidade.

Acreditamos piamente que a Paz Mundial se consolida na convergência entre a Filosofia, a Ciência, a Arte e a Religião com todos os seus segmentos convivendo pacificamente, em primeira instância, e compreendendo sua essência una ulteriormente.

Temos muito que pensar, fazer e com certeza, faremos...Axé!





Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 84

2 comentários:

  1. Prezado Pai Rivas,

    Felicidades !

    O meio eletrônico as vezes torna tudo muito impessoal, mas é o único meio que tenho para manter o contato, já que moro em São Lourenço-MG.
    O Sr. tocou em especial em dois pontos que para mim, se consubstanciam no maior desafio epistemológico e o maior desafio espiritual para todos nós que tentamos ser contemporâneos do nosso tempo.
    1º A questão da educação infantil ou melhor dizendo, no meu entendimento, da inteligência infantil - como manter essa inteligência e alimentá-la sem imprimir-lhe nossas próprias limitações....?

    2º Sobre a formação teológica, como manter no núcleo da experiência reflexiva, crítica e racional, esse espaço do sagrado, do virginal, do silêncio....?

    Tenho minhas convicções que não caberiam nesse comentário, mas entendo que somente um profundo respeito pelas diferentes naturezas das energias primordiais, poderia consolidar uma didático espiritual que conduza de fato à convergência esperada.

    Abraço e Saravá !

    Antônio Sérgio

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  2. parabens pela publicação de mais conhecimento

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