segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O Sagrado nas Religiões Afro-Brasileiras

RESUMO

As religiões são santas em seus propósitos e intentos, todavia não é menos verdade que há verdadeiros duelos, lutas aviltantes pela posse de prosélitos. Como conciliar o aspecto do bem e da luz, com o simples e vulgar comércio que infelizmente se faz com as “coisas divinas”?

Entendemos tais óbices e, como cultor do Sagrado, esperamos o retorno da religião ao seu devido contexto, da mesma forma a filosofia, a ciência e a arte. Todas são formas particularizadas de perceber, entender e vivenciar o Sagrado. O Sagrado é a espiritualidade universal inerente a todo ser humano, vivente no seu interior, independente do individuo ser ou não “religioso”.

Precisamos, urgentemente, em favor da lógica e do bom senso revisar conceitos e promover sua implantação.

Palavras-chave: Espiritualidade, historiografia, Inconsciente, Religiões Afro-brasileiras, Sagrado.

ABSTRACT

Religions are holy in their intents and purposes, however the fact remains that there are real duels, fights for the possession of followers. How to reconcile the aspecto f goodness and light, with the simple and vulgar commerce that unfortunately makes the "divine"?

We understand these obstacles and, as a cultivator of the Sacred, we expect the return of religion to its proper context, just as philosophy, science and art. All forms are particularized to perceive, understand and experience the Sacred. The Sacred is the universal spirituality inherent to every human being living in its interior, regardless of the individual is or is not "religious."

We need, urgently, in favor of logic and common sense, to review concepts and promote their implementation.

Keywords: Spirituality, historiography, Unconscious, Afro-Brazilian Religions, Sacred.


O SAGRADO NAS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS

Temos convicção na fé iluminada que direciona a alma para os planos além da matéria grosseira, convidando a novos patamares de bênçãos de paz e luz, traduzidas em amor e sabedoria.

Sabemos que as religiões são santas em seus propósitos e intentos, todavia não é menos verdade que há verdadeiros duelos, lutas aviltantes pela posse de prosélitos. Como conciliar o aspecto do bem e da luz, com o simples e vulgar comércio que infelizmente se faz com as “coisas divinas”?

Por esse motivo muitas almas “versadas” na inteligência se encolhem, se afastam do salutar medicamento para seus sentimentos, para suas almas, que poderiam encontrar nas religiões disponíveis.

Entendemos tais óbices e, como cultor do Sagrado, esperamos o retorno da religião ao seu devido contexto, da mesma forma a filosofia, a ciência e a arte. Todas são formas particularizadas de perceber, entender e vivenciar o Sagrado.

Venerando a missão das religiões e dos religiosos de maneira geral, não podemos afastar os que se interessam pelo Sagrado de forma não sectária, os livres pensadores.

A eles afirmamos que o Sagrado é a espiritualidade universal inerente a todo ser humano, vivente no seu interior, independente do individuo ser ou não “religioso”.

Entendemos por espiritualidade a capacidade que temos de nos identificar como espíritos. Temos, mas nem todos desejam...

Encerrando, sabemos da necessidade das várias religiões, e acreditamos que seja isso mesmo, todavia carecemos restaurar nossa visão da lida das coisas divinas, deslindando-as dos entraves que levam muitos à incredulidade.

Nós, por dentro das religiões afro-brasileiras, temos proposto com total isenção de ânimos, o conceito de Escola, como forma de se perceber e praticar a doutrina sem precisar entrar em rota de colisão com outras Escolas que seguem princípios diversos e diferentes.

Partimos da premissa que somos diferentes, mas não melhores um que outro. A riqueza de nossa doutrina está na pluralidade de percepções e na diversidade de cultos, algo muito importante em uma sociedade secular e incrédula.

Muitas vezes entramos em diálogo mais agudo com esta ou aquela Escola, pois as mesmas reclamam a supremacia e até desejam codificar a Umbanda, algo que sabemos ser contrário aos princípios que regem a Lei Divina em ação nas religiões afro-brasileiras (forma de gessar, normatizar a Umbanda).

Temos tomado para nós a tarefa de enfrentar tais óbices das intermináveis discussões entre os vários segmentos, pois o conceito de Escola determina que todas têm a mesma importância, não tendo nexo qualquer discussão que fere tal “isonomia”.

As discussões se devem como já afirmamos a determinados segmentos que desconhecem o conceito de Escola e vez por outra querem açambarcar a Umbanda, sentenciando que suas práticas e doutrinas são melhores. Querem tomar a parte pelo todo e, pior, querem que a parte (a sua claro) seja melhor que as demais.

Alguns pesquisadores da academia, em seus recortes historiográficos, cometem tal equívoco, pois identificam como sendo de Umbanda a visão de apenas um segmento. Isso é tomar a parte pelo todo que, insistimos, só tem sentido quando inserido e formalizado no todo.

Precisamos, urgentemente, em favor da lógica e do bom senso revisar conceitos e promover sua implantação.

No término, como complemento de nossas ilações, disponibilizamos o vídeo – As religiões afro-brasileiras e o inconsciente. Axé!





Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 85

Um comentário:

  1. Prezado Pai Rivas, Saravá !

    Do ponto de vista da origem desse termo que tem sido utilizado de escola, no oriente em especial na Índia, os "scholars" são verdadeiros "especialistas" em determinado caminho espiritual. Mas, como na diversidade mística da Índia não é possível ignorar a existência de uma centena de caminhos que são considerados entre si, "válidos" os mesmos especialistas costumam inclusive indicar a uma pessoa esse ou aquele caminho, por ser mais condizente com o perfil da personalidade do indivíduo.
    Já nas escolas sufis costuma-se encaminhar o discípulo a esta e aquela escola, como um método de "desgaste" de uma certa obstinação do ego em tratar a espiritualidade como se fora um troféu do mundo mundano.
    Faço votos que também nós, em nossa Umbanda Querida, alcancemos esse desprendimento vendo nos indivíduos que batem em nossas portas espíritos eternos em busca do Deus Maior que de fato já se encontra nele. A explanação sobre o inconsciente mereceria muito debate construtivo....Mas um dia o Senhor poderia falar algo sobre atualização do inconsciente, ou melhor, sobre a forma como na umbanda a energia reprimida no inconsciente é revolvida e utilizada pela consciência espiritual encarnada.

    Paz e Luz....

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