segunda-feira, 18 de outubro de 2010

História na Umbanda - A Tradição em contínua mudança

RESUMO

Os vários relatos que dispensamos em textos, fotos e vídeos, carreiam vários documentos históricos e retratam em períodos de tempo desde 1954, portanto mais de meio século de vivências e práticas nas religiões afro-brasileiras.

Nessas vivências fomos e somos ator, sujeito pois, mas não deixamos de ser objeto; é dessa interação aporética que nos propusemos a fazer um recorte histórico, óbvio ora retratando, ora criticando, interpretando e estudando, pesquisando e concluindo. Tendo isto em vista, é necessário fazermos uma linha do tempo, e a seguir, desenvolver todos os períodos citados, e mais, os entrelaçamentos harmônicos entre os mesmos que determina de forma insofismável a unidade que se apresenta na diversidade.

Antes da linha do tempo de nossas vivências e práticas nas religiões afro-brasileiras é necessário caracterizar e demonstrar, segundo nossa apreciação o conceito de unidade, o todo e como a parte descontextualizada do todo, perde a sua função.

Palavras-chave: Escolas, História, Religiões Afro-brasileiras, Tradição, W. W. da Matta e Silva

ABSTRACT
Our many reports in text, photos and videos, bring various historical documents and represent periods of time since 1954, more than half a century of experiences and practices in afro-brazilian religions.

On these experiences we were and we are an actor, the subject, but does not stop being the object; it is this aporetic interaction we proposed to make a historical aproach, sometimes portraying, sometimes criticizing, interpreting and studying, researching and completing. With this in mind, it is necessary to make a timeline, and then develop all periods cited, and more, the harmonic twists between them that determines the unit that presents itself in diversity.

Before the timeline of our experiences and practices in afro-brazilian religions it is necessary to characterize and demonstrate the concept of unity, the whole and how a decontextualized part of the whole loses its function.

Keywords: Education, History, Afro-Brazilian Religions, Tradition, W. W. da Matta e Silva

HISTÓRIA NA UMBANDA - A TRADIÇÃO EM CONTÍNUA MUDANÇA

Os vários relatos que dispensamos em textos, fotos e vídeos, carreiam vários documentos históricos e retratam em períodos de tempo desde 1954, portanto mais de meio século de vivências e práticas nas religiões afro-brasileiras.

Nessas vivências fomos e somos ator, sujeito pois, mas não deixamos de ser objeto; é dessa interação aporética que nos propusemos a fazer um recorte histórico, óbvio ora retratando, ora criticando, interpretando e estudando, pesquisando e concluindo.

Acreditamos que o recorte histórico possibilita ao leitor a oportunidade de perceber várias nuanças da história da Umbanda, o pensamento vigente em cada “recorte minor” tece o pano de fundo em que se apóia o nosso “recorte major”.

Objetivamos demonstrar como a tradição oral transita para a tradição escrita, gradativamente num fluxo bidirecional, apresentando as características próprias e singulares das religiões afro-brasileiras, apesar de não serem um bloco monolítico, mas um painel multicolorido que expressa a flexibilidade de sua unidade manifesta na diversidade, sem perder sua característica que exprime sua identidade.

Antes de continuarmos, pois temos muito a referir de nossas práticas, pesquisas e conclusões, de nossa “vivência desde dentro”, é necessário fazermos uma linha do tempo, e a seguir, desenvolver todos os períodos citados, e mais, os entrelaçamentos harmônicos entre os mesmos que determina de forma insofismável a unidade que se apresenta na diversidade.

Antes da linha do tempo de nossas vivências e práticas nas religiões afro-brasileiras é necessário caracterizar e demonstrar, segundo nossa apreciação o conceito de unidade, o todo e como a parte descontextualizada do todo, perde a sua função.

Utilizamos a metodologia dos processos analógicos, que esperamos possa satisfazer nossa concepção. Para tal, tomemos o círculo geométrico. O círculo tem um centro que lhe dá a origem, terminando na periferia, balizado pela circunferência. Portanto, o círculo não é a circunferência. Se à circunferência associamos fator perimetral, no círculo associamos fator de área (bidimensional). Não podemos olvidar que no plano tridimensional temos a esfera, tendo como geratriz a própria circunferência que limita o círculo.

Continuando, dividamos o circulo em vários setores, que partem do centro, terminando na circunferência do círculo citado. A visão é de um circulo todo dividido, mas que mantém sua unidade balizada na circunferência. É possível observar a unidade (círculo) e a diversidade.

Poderia se questionar se a parte não representa o todo. Não representa, pois o fator principal da parte é o “cimento” ou interação que o todo promove entre todas as partes ou segmentos, logo não há possibilidade da parte representar o todo.

Além dos aspectos analógicos citemos a pedra basilar da psicologia da Gestalt desenvolvida por Frederick S. Perls (1893 – 1970).

A gestalt em sentido geral é uma disposição ou configuração – uma organização específica de partes que constitui um todo particular. O princípio mais importante da abordagem gestáltica é o de propor que uma análise das partes nunca pode proporcionar uma compreensão do todo, uma vez que o todo é definido pelas interações e interdependência das partes. As partes de uma gestalt não mantém sua identidade quando estão separadas de sua função e lugar no todo. (FADIMAN, 1986).

DIAGRAMA EXPLICATIVO

Unidade




Por exemplo – setores A, B, C, D – São diferentes entre si, mas fazem parte do todo, todavia quando apartados do todo perdem sua função.

Ex.:



Se transpusermos estes conceitos simples para a Umbanda, verificaremos que temos vários segmentos (Escolas – algo que já definimos, mas aprofundaremos o conceito por nós criado em 1998) que separados da unidade (círculo que representa a Umbanda) perdem sua função, não mais poderão representar o todo, pelos motivos acima aludidos.

Desejar perpetrar essa violência à Umbanda, e vez por outra encontramos vários incautos com esse famélico desejo (Poder Econômico) é querer codificá-la, algo que discutiremos na profundidade e maturidade devidas em futuro próximo.

Pelos fundamentos entabulados em linhas anteriores, chega-se a conclusão que desejar codificar a Umbanda é devaneio, ou querer cindir com Ela, surgindo assim uma seita, que acreditamos já ser vivente em nosso meio, algo que tentaremos demonstrar.

No término deste modesto texto introdutório à linha do tempo histórica, demonstraremos o que pretendemos discutir, segundo nossa vivência, pesquisa e práticas, por dentro da Umbanda e demais religiões afro-brasileiras.

“LINNHA DO TEMPO SOBRE NOSSAS VIVÊNCIAS NAS RELIGÕES AFRO-BRASILEIRAS”

  • Época Pré Matta e Silva

1ª Fase (1954 – 1962)

Fase em que vivenciamos o culto de Nação, da Nação Ketu – com o Pai Ernesto de Xangô Airá - Encantarias

2ª Fase (1963 – 1970)

Encontro e vivências com vários segmentos umbandistas:

a. Tenda de Umbanda Xangô Kaô (Dr. Carlos e D. Helena)

b. Tenda de Umbanda do Caboclo Pedra Branca (Antonio Romero – Pai Toninho de Xangô)

c. Casa de Caridade do Caboclo Guarantan (Roberto Getúlio de Barros – Pai Roberto de Oxossi)

d. Iniciação / Coroação, feita pelos Caboclos Guarantan e Pedra Branca (1962)

e. Fundação do 1º Templo (1968)

f. Mudança de local do Templo para a Via Anchieta, 308 (1970)

g. Vivência com o Babalorixá – Pai Isaias (Sr. Isaias) na casa de artigos religiosos na Rua Bom Pastor (1970)

  • Época Matta e Silva

3ª Fase (1971 – 1978)

Iniciação – Iniciado em Itacuruçá após 7 anos, como Mestre de Iniciação de 7º Grau no 2º Ciclo – segundo os fundamentos de Umbanda Esotérica.

4ª Fase (1979 – 1983)

Mudanças conceituais em Itacuruçá – prolegômenos da sucessão (1983)

5ª Fase (1984 – 1987)

Incumbências de representar Pai Matta:

- Escrevemos artigos durante 52 semanas num matutino paulista;

- Várias palestras e cursos que ministramos em São Paulo, Rio de Janeiro com o Pai Matta;

- A vida através dos Búzios e Dendês (Revista Planeta);

- Reportagem no Estado de São Paulo com o jornalista Jary Cardoso, onde afirmamos: que o banquinho de preto velho fazia as vezes do confessionário;

- Rito da Transmissão do Comando da Raiz.

  • Época pós Matta e Silva

6ª fase (1988-2003)

Retorno aos estudos, pesquisas e práticas por dentro das raízes afro-brasileiras, concomitantemente com fundamentos de Umbanda Iniciática.

1ª obra escrita: 1987 – Umbanda a Proto-Síntese Cósmica - após dois anos foi editada pela Editora Freitas Bastos (1989); atualmente editada pela Editora Pensamento, na 11ª edição.

2ª obra: 1990 – Umbanda – o elo perdido – 1ª edição editada pela Editora do Círculo Cruzado; 2ªs e 3ªs edições editadas pela Editora Ícone.

3ª obra: 1991 – Lições Básicas de umbanda – editada pela editora Ícone atualmente na 4ª edição.

4ª obra: 1993 – O Arcano dos Sete Orixás – Editora Ícone, atualmente na 4ª edição.

5ª obra: 1994 – Exu – o grande arcano – Editora Ícone, atualmente na 4ª edição.

6ª obra: 1996 – Fundamentos Herméticos de Umbanda – Editora Ícone, atualmente na 2ª edição.

7ª obra: 1998 – Cura e auto cura umbandista – terapia da alma – Editora Ícone, atualmente na 2ª edição.

8ª obra: Sacerdote, Mago e Médico – cura e auto cura umbandista – Editora Ícone, atualmente na 2ª edição.

7ª fase (2004 – 2010)

- Fundação da 1ª Faculdade de Teologia Umbandista, autorizada e credenciada pelo MEC, portaria 3864-18/12/2003.

- Início do curso de Bacharelado em Teologia Umbandista (2004);

- Cultos pela União e Paz Umbandistas (2004 até 2010);

- Locutórios intra-religiosos, inter-religiosos e inter-disciplinares (2005, 2006, 2007, 2008 e 2009);

- Fundação do Centro de Cultura Viva das Tradições Afro-brasileiras (2006);

- Vídeo aulas gratuitas – (2008, 2009 e 2010);

- Vídeo conferências nacionais e internacionais (2008, 2009 e 2010);

- Cursos de Extensão universitária presencial e à distância (2004 a 2010);

- I Congresso Brasileiro de Umbanda do Século XXI (2008);

- II Congresso Brasileiro de Umbanda do Século XXI (2009)

- III Congresso Brasileiro de Umbanda do Século XXI (novembro de 2010);

- Outros eventos e/ou atividades.

E a História não pára... Nas próximas publicações descreveremos todas as fases citadas acompanhadas de documentos comprobatórios. E a História continua... Continuará sempre! Axé!






Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 83

Referências Bibliográficas

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2 comentários:

  1. Magnífico Reitor,

    É isso aí....nada de engessar....

    Agora, se quem quer codificar fizer isso, vai cair na mesma atitude que as religiões seculares e o resultado é previsível.....a Umbanda, tal qual fênix ressurgirá de todos aqueles que sentem o valor da liberdade e tem Assistência dos seres vivos e dinâmicos do astral superior...

    Saravá...

    Antônio Sérgio

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  2. A diversidade é o ouro do mundo. Somos um Brazyl de africanos, de índios, europeus... de tudo, de todos.Um povo “indoafroiberoamericano”.
    O Brasil está na África como a África está na Ásia como a Ásia está na América e a América no Brasil como Brasil na Europa e a Europa na África como a África está no Brasil e assim sucessivamente com todos. Isso tudo resultou na forte cultura e espiritualidade que nós temos. Não acredito em purismo. Acho que nada é puro. Acredito na contaminação. Queremos ser contaminados, pois também contaminamos. SEM MASSACRE, disputa e apoderação. É o que na verdade desejamos: a contaminação. Eu sou “feito” pelo outro como o outro também é “feito” por mim, e é assim que vamos fazendo e nos refazendo a cada dia.
    Sou do teatro, não conseguiria atuar no palco, assim como na vida, sem a presença contaminadora de um outro, ou de outros - Isso seria impossível de contracenar! Eu só posso executar um bom papel se me deixar contaminar inclusive pelo texto à ser trabalhado. Dessa forma poderemos experimentar um corpo plugado com toda a natureza, humana e não-humana, um corpo/alma unidos num só ponto, sem separação. Pra isso, ora somos atores, ora somos objetos, mas sempre atuando.

    Podemos ser um ator-objeto, ou um objeto-ator. Porém, sempre atores de nosso próprio caminho.

    Viva a diversidade!
    Viva este País laico – como diz o nosso presidente.
    Viva a espiritualidade e a cultura brasileira!

    Diego Gonzalez

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