segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Convivência Iniciática de Pai Rivas com Pai Matta

Resumo

A Iniciação não se resume a conhecimentos, ritos ou fundamentos transmitidos por um Mestre consumado ao discípulo preparado. Isto é epidérmico, periférico, pois a Iniciação é algo interno, do interior do indivíduo, sendo que ritos seletos e secretos são catalisadores ou mesmo galvanizadores de vivências passadas, resultado de um karma, de uma missão que deve continuar nesta e em outras existências.

Em rápidas e sutis pinceladas colocamos na tela vivencial uma pequena seqüência de nossa odisséia, que se tornou consciente com a Iniciação. Portanto, espero com isto ter reafirmado que a Iniciação se encontra totalmente afastada das glórias do mundo e de suas honrarias. Aliás, isto é oposto à Iniciação, ao reencontro com o Sagrado, com a essência espiritual que não pode ser conferida por nenhuma mercê, mas somente conquistada por aqueles discípulos despertos.

Palavras-Chave: Iniciação, Mandala, Mestre, Rito, W. W. da Matta e Silva.

Abstract

Initiation is not just knowledge, rites, or foundation forwarded by a consummate master to a prepared disciple. This is epidermal, peripheral, because the initiation is internal, inside the individual, and select and secret rituals are catalysts or even galvanized past experiences, the result of karma, a mission that must continue in this and other existences.

In swift and subtle touches we put on life’s screen a small sequence of our odyssey, which became conscious with the Initiation. So I hope with it reaffirm that the Initiation is totally far from the glories of the world and its honors. This is opposite to the initiation, the encounter with the sacred, with the spiritual essence that can not be given by any benefits, but only won by those awaked disciples.

Keywords: Initiations, Mandala, teacher, rite, W. W. da Matta e Silva.


CONVIVÊNCIA INICIÁTICA DE PAI RIVAS COM PAI MATTA

Como afirmamos nas publicações anteriores a Iniciação não se resume a conhecimentos, ritos ou fundamentos transmitidos por um Mestre consumado ao discípulo preparado. Isto é epidérmico, periférico, pois a Iniciação é algo interno, do interior do indivíduo, sendo que ritos seletos e secretos são catalisadores ou mesmo galvanizadores de vivências passadas, resultado de um karma, de uma missão que deve continuar nesta e em outras existências.

O que posso afiançar a todos é que conheci muitos Fundamentos, mas o eró, o awô não é transmitido por rituais ou pela palavra do Mestre, mas por sua mandala. O discípulo o intui e sob estes influxos consolida sua Iniciação e constrói sua mandala pessoal.

Para não divagarmos, pois estamos escrevendo ou tentando retratar aspectos seletos e reais da Iniciação Superior, queremos ressaltar que a mandala de Mestre Yapacany despertou-nos o pretérito (vivências passadas) que se une ao futuro.

Primeiro, vi-me em “terras americanas”, há centenas de milhares de anos, no seio da Raça Solar – o Povo de Cristal – que seria esquecida, como a Raça Vermelha, que era sua remanescente. Que áureos tempos de paz e luz!

Vi-me em plagas asiáticas, como um simples Sacerdote da Mongólia; igualmente, em terras do Indo, asceta e médico Vedanta Advaita e mesmo um Yogue que praticava e respeitava todas as Escolas de Yoga, mas principalmente, a Bhakti Yoga, a Jnâna Yoga e o Tantra Yoga.

Em obediência à Lei dos ciclos e ritmos que rege nosso planeta e nossa existência, deixei as terras gélidas de Ásia e fui ter em terras tépidas de África, onde novamente fui Sacerdote, Mago e Médico, devotado a Orunmilá-Ifá em Ifé, onde tinha a dijina de Ifatoshogun. Então por intermédio da caída dos ikin, no opon, traçava o destino dos seres, seu kpoli, seu odu pessoal. Ah! Que bons tempos de vivência pura e plena do Sagrado – do Mundo Divino, o Reino dos Orixás no Orun e no Aye.

E assim, rodando sobre o destino, no pião do universo, vi-me emergir mais uma vez no topo do mundo, nas Terras das Neves, onde retomei e reencontrei a paz, o amor, a sabedoria da compaixão, a Senda do Caminho, o Mantra Secreto, enfim no Tibete vivi a pureza da vida dedicada ao Sagrado (como Mahasiddha), à medicina, à cura e autocura tântricas – louvando todas as Escolas e participando da formação de outras onde, em nome do Rei do Mundo, venerava a Siddartha Gautama – o Buddha Shakya Muni e sua Linhagem de Buddhas Primevos.

Em rápidas, sutis e descoloridas pinceladas colocamos na tela vivencial uma pequena seqüência de nossa odisséia, que se tornou consciente com a Iniciação. Portanto, espero com isto ter reafirmado que a Iniciação se encontra totalmente afastada das glórias do mundo e de suas honrarias. Aliás, isto é oposto à Iniciação, ao reencontro com o Sagrado, com a essência espiritual que não pode ser conferida por nenhuma mercê, mas somente conquistada por aqueles discípulos despertos.

Prosseguindo, em 1984 fomos convidados a escrever num matutino paulistano um artigo semanal. Escrevemos exatamente 52 artigos, na ocasião, bem aceitos pela Comunidade Umbandista, principalmente pelos adeptos e simpatizantes dos conceitos propugnados por Mestre Yapacany.

No mesmo rumo, fomos entrevistados pela Revista Planeta onde em várias páginas esmiuçamos os fundamentos do Opele e Opon Ifá. Foi um sucesso, pois recebemos centenas de cartas, muitas das quais repassamos ao Pai Matta (Mestre Yapacany), e outras mais de irmãos de fé que tivemos a honra de conhecer na Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino, quando nos presentearam com sua visita.

Outro artigo de impacto foi no jornal “O Estado de São Paulo”, quando o jornalista Jary Cardoso escreveu que – “o cardiologista F. Rivas Neto, também Sacerdote de Umbanda há 15 anos, afirma que o divã do psicanalista foi trocado pelo banquinho de Preto-Velho”.

Como podemos constatar Mestre Yapacany na época dava-nos total apoio, tanto que em meados de 1987 enviamos à sua apreciação a obra Umbanda – a Proto Síntese Cósmica, psicografada pela Entidade Espiritual que se identificava como Caboclo Sete Espadas...

Também enviamos Umbanda – Luz na Eternidade, que, assim como a obra anterior, fora psicografada pela mesma Entidade Espiritual.

Pai Matta disse-me nos idos de 1987, que gostara muito das duas obras, as quais eram revolucionárias (vide prefácio escrito por Ele em Umbanda – A Proto Síntese Cósmica), que seriam um marco importante para a Umbanda, afirmando-me que estava feliz em saber que sua obra continuaria e seria desdobrada, pois os tempos eram chegados, e maiores esclarecimentos eram inadiáveis.

No mesmo ano, 1987, uma Entidade Espiritual que escreveria o livro Exu – O Grande Arcano, O Exu... disse-nos que a árdua, penosa mas iluminada tarefa de Mestre Yapacany estava em seu epílogo. Ao vitorioso as loas da glória! E Ele mais uma vez havia sido vitorioso, venturoso...

Não quisemos acreditar, pois o Mestre para nós era o esteio da Umbanda, aquele que havia modificado a opinião de leigos e doutos os Fundamentos da Umbanda de todos nós, mas eis que não demorou sete dias e Ele me chama para ter uma conversa lá em Itacurussá. Como sempre fizemos, aquiescemos e partimos para lá. Conversamos longamente! Deixemos para a próxima publicação os pormenores da longa conversa. Como vemos a História não pára... AXÉ!




Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 78

Nenhum comentário:

Postar um comentário