segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Mais uma História dentro da História

RESUMO

No texto passado agradeci a todas as entidades que me ajudaram no início de minha tarefa espirítico-mediúnica. Dando prosseguimento, lembro-me ainda das palavras do Pai Ernesto do Xangô Airá que dizia: “quanto mais alto o prédio, mais para baixo devem estar firmados os alicerces”.

Reitero o agradecimento a Pai Ernesto de Xangô por tudo que vi e aprendi no culto de nação africano e também por seu intermédio travei contato muito intenso com entidades da Jurema, da encantaria, as quais quero firmar minha homenagem, reverência por tudo que me ensinaram e pela a amizade a mim dispensada.

Neste texto vamos comentar um pouco de nosso contato com o Dr. Carlos e sua esposa, a Sra. Helena, Caboclo Pedra Branca, médium Antonio Romero – o Sr. Toninho, o Caboclo Guarantan e seu “cavalo” Sr. Roberto Getúlio de Barros. Além da Dona Mercedes D’Tomasso e de Maria das Dores Francisco da Cruz, respectivamente, médiuns do Caboclo Mata Virgem dos Astros e Caboclo Arruda.

Palavras-Chave: Antonio Romero, Caboclo Urubatão da Guia, História, Umbanda, Roberto Getúlio de Barros.

ABSTRACT

In the last text I thanked all the entities that helped me early in my spirit-mediumship task.Continuing, I can still remember the words of the Father Ernesto Xangô Airá saying "the higher the building, further down the foundations must be firm."

I reiterate the thanks of the Father Ernesto of Shangô by everything I saw and learned in the cult of african nation and also through him, the intensive contact with entities of Jurema, of encantaria, to whom I wish to confirm my honor, reverence for everything that they taught me and the friendship given to me.

In this text we will comment on some of our contact with Dr. Charles and his wife, Mrs. Helen, Caboclo Pedra Branca, medium Antonio Romero - Mr. Toninho, Caboclo Guarantan and his "horse" Mr. Roberto Getúlio de Barros. Besides Mrs. Mercedes D'Tomasso and Maria das Dores Francisco da Cruz, respectively, mediums of Caboclo Mata Virgem dos Astros e Caboclo Arruda.

Keywords: Antonio Romero, Caboclo Urubatão da Guia, History, Umbanda, Roberto Getúlio de Barros.

MAIS UMA HISTÓRIA DENTRO DA HISTÓRIA...

No texto passado agradeci a todas as entidades que me ajudaram no início de minha tarefa espirítico-mediúnica. Disseram que eu teria muitos amigos que compartilhariam da minha tarefa, mas que também teria inimigos, pessoas despeitadas e despreparadas, mas que eu ficasse em paz, a Verdade e a Justiça prevaleceriam.

Dando prosseguimento, lembro-me ainda das palavras do Pai Ernesto do Xangô Airá que dizia: “quanto mais alto o prédio, mais para baixo devem estar firmados os alicerces”. Reitero o agradecimento a Pai Ernesto de Xangô por tudo que vi e aprendi no culto de nação africano e também por seu intermédio travei contato muito intenso com entidades da Jurema, da encantaria, as quais quero firmar minha homenagem, reverência por tudo que me ensinaram e pela amizade a mim dispensada.

Foi uma honra iniciar minha jornada espirítico-mediúnica no Culto de Nação Africano (Ketu, principalmente), onde vivenciei o Poder do Orixá manifesto em seus Babalorixás, Tatás, Toi, Yalorixás, Mameto, e outros. A todos muito obrigado, em dimensão-eternidade.

Em obediência aos desígnios superiores, como sempre fiz, fui direcionado à Tenda de Umbanda Xangô Kaô, a primeira Tenda de Umbanda que conheci. Era dirigida por Dr. Carlos Cruz (era médico), senhor baiano que fazia uma Umbanda que se fundamentava na Luz e na Caridade, segundo suas próprias palavras.

Para mim era tudo muito diferente do que vivenciara com Pai Ernesto no “Candomblé”. Confesso que no início me senti triste e desanimado, inclusive pela ausência dos toques e das danças ritualísticos que lá eram desconhecidos. Mas estava cumprindo os desígnios vaticinados pelo oráculo de Orunmilá-Ifá, que sentenciou que minha tarefa seria na Umbanda, pois meu destino assim o pedia...

O Dr. Carlos e sua esposa, Sra. Helena eram bons médiuns, tanto que ele, incorporado com o Caboclo do Raio ou Caboclo da Luz, contou-me muitas passagens ocorridas lá na roça do Pai Ernesto de Xangô, acontecendo o mesmo com o Preto-Velho, Pai Julião.

O importante para minha vida mediúnica na Umbanda teve início nesta Tenda, que se situava na Rua Lacerda Franco, próximo à Rua Heitor Peixoto. Foi importante, pois aí tive a primeira manifestação mediúnica de uma entidade genuinamente de Umbanda.

A entidade espiritual apresentou-se na incorporação (não tenho consciência desse fato), mas antes vi uma luz forte e penetrante chegar. Não dava para identificar forma alguma, a não ser a intensa luz. A entidade manifestada apresentou-se como uma “Criança” (Erê), denominando-se Doum. No mesmo dia, quando Doum “subiu”, desceu em terra o Caboclo Angarê de Ogum. Esse Caboclo, segundo meu pai logo foi cantando e riscando seu ponto e disse ter vindo em nome do Caboclo Urubatão da Guia, que na época oportuna assumiria a responsabilidade pelo meu mediunismo.

Na Tenda do Dr. Carlos, fiquei uns três meses, portanto pouco tempo, mas recordo com saudades, pois foi lá que pela primeira vez cedi minha máquina astro-física aos Mentores da Aruanda. Ah! Que saudades!

Prosseguindo, pois como disse, estou sintetizando, na época encontrei por intermédio de amigos de meus pais o médium Antonio Romero – o Sr. Toninho, médium ímpar de Caboclo Pedra Branca (Xangô), Pai Serafim, Pedrinho e Exu Tiriri.

Lembro-me bem que o conheci na casa dos amigos citados, quando vi pela primeira vez o Caboclo Pedra Branca. Este, quando chegou perto de mim contou muitas coisas que o médium, com certeza não sabia, inclusive o “sundidé”, o sangue derramado nos pés (lá na Roça do Pai Ernesto de Xangô), entre outras coisas.

Após este dia, a seu pedido, resolvi acompanhá-lo em seus trabalhos, mesmo porque havíamos sido convidados pelo Caboclo Pedra Branca, que no dia afirmou que eu era filho de Ogum...

O Sr. Antonio Romero era motorista particular de uma abastada família do Ipiranga (Família Jaffet), na Rua Oliveira Alves, próximo à Rua Silva Bueno. Seus patrões permitiram, pois também participavam das giras, que um dos aposentos para os funcionários fosse cedido para organizar a Tenda do Caboclo Pedra Branca.

No local citado, vimos o Caboclo Pedra Branca fazer verdadeiros milagres, tanto desmanchando trabalhos de Magia Negra, como encaminhando pessoas desnorteadas, levantando os doentes, amparando os fracos, animando os desanimados e fortalecendo ainda mais os fortes. A partir daí comecei a abrir meu coração à Umbanda, pois inútil seria negar os fenômenos que presenciei, como muitas outras coisas maravilhosas tais como a devoção, a amizade, a fé, a caridade, e o respeito incondicional a todos.

O Sr. Antonio Romero, “cavalo” de Caboclo Pedra Branca (Xangô), havia recebido a Coroação Iniciática, de seu Pai, Caboclo Guarantan, incorporado em seu “cavalo” Sr. Roberto Getúlio de Barros.

Fazendo questão que eu conhecesse o “cavalo” de Sr. Guarantan, fui com Sr. Antonio conhecê-lo. O local era no Brooklin, na Rua Alvorada. O Sr. Roberto era um Sr. de aproximadamente 35 anos. Seus predicados mediúnicos na época foram para mim demonstrados, pois em conversa com ele citou, sem me conhecer, o nome das entidades que trabalhavam comigo, e mais, perguntou-me se estava com dor de cabeça. De fato, estava. Apesar disto, continuou a conversa e, quando já conversávamos por uns 15 minutos, ele me perguntou, aliás afirmou: sua dor de cabeça passou. Realmente havia passado.

Num ambiente de paz, cortesia e alegria ouvi atentamente as palavras do Sr. Roberto e do Sr. Antonio; realmente estava feliz, pois senti que havia reencontrado velhos grandes amigos.

Fiquei lá por umas três ou quatro horas, e confesso que me pareceu ser apenas uns 20 a 30 minutos. Como era tarde, agradeci a recepção e quando ia me retirando, nos cumprimentamos, Roberto pediu aos meus pais e ao Sr. Antonio que me levassem na semana seguinte ao Templo do Sr. Guarantan, na Rua Alencar de Araripe, no Sacoman, e que eu fosse com minha “vestimenta branca”. Realmente, na semana seguinte, como combinado, lá estive e pela primeira vez vi o Sr. Guarantan; vi-o na clarividência... Que alegria!

Para encurtar nossa dissertação, diremos apenas que o Templo era amplo, seu piso era de areia do mar e coberto espiritualmente por verdadeiras constelações de entidades espirituais de escol da Espiritualidade Superior. Fiquei trabalhando lá durante meses, só me retirando porque os trabalhos terminavam muito tarde e, como estudava não conseguia acordar. Assim pedi um agô, e obtive.

Embora não fosse ao terreiro do Sr. Guarantan, não perdi o contato com o Sr. Roberto. Com autorização dele e do Sr. Guarantan freqüentava na medida de minha possibilidade o terreiro do Sr. Pedra Branca, onde fiquei até 1967.

No mesmo ano, 1967, fui sem avisar visitar o terreiro do Sr. Guarantan, que agora estava funcionando na Av. Santa Catarina, 414, próximo ao Aeroporto. Neste dia o terreiro estava lotado e ele, Roberto não poderia ter me visto. Mas o Sr. Guarantan sim, mandou me chamar em voz alta o “cavalo” do Sr. Urubatão da Guia, dizendo que o mesmo era o chefe da falange...

A partir deste dia Sr. Urubatão da Guia iniciou sua tarefa, tal qual havia vaticinado o Caboclo Angarê, algo que o Roberto não sabia, mas o Sr. Guarantan sim. Que pena que raros hoje possuam a mediunidade como a de um Roberto Getúlio de Barros, um Antonio Romero, de Dona Mercedes D’Tomasso e de Maria das Dores Francisco da Cruz, respectivamente, médiuns do Caboclo Guarantan, Caboclo Pedra Branca, Caboclo Mata Virgem dos Astros e Caboclo Arruda.

Muitos devem ter conhecido os médiuns Antônio Romero e Roberto Getúlio de Barros, com os quais eu tive a rara felicidade e o karma de mérito para junto deles trabalhar na Casa de Caridade do Caboclo Guarantan. Sim, na época, embora com 17 anos, era um médium pronto para trabalhar no abençoado terreiro de Sr. Guarantan, onde também trabalhou o Sr. Antonio Romero.

Fiquei neste abençoado e luminoso terreiro, que tinha mais de 100 médiuns, até quando fui consagrado e coroado (aos 18 anos de idade - depois de 7 anos de iniciação) segundo os fundamentos expostos e preconizados por Caboclo Guarantan, que afirmava fazer uma Umbanda que atendia a todos , sem desdenhar de ninguém.

Aproveitando a impossibilidade do Sr. Antonio Romero de ficar até altas horas, pois trabalhava todas as manhãs e bem cedo, e como eu estudava também muito cedo, em boa paz, pedindo agô pelos motivos aludidos, me retirei. Permaneci com Sr. Antonio, que depois de uns meses montaria o Templo do Caboclo Pedra Branca na Rua Bom Pastor, próximo ao Sacoman; para ser bem exato, na subida, para aqueles que vinham da Via Anchieta.

Fiquei por lá um tempo e também aprendi muitíssimas outras coisas; como havia recebido a consagração e ordenação sacerdotal, pedi agô ao Caboclo Pedra Branca para montar nosso Templo nos fundos da casa de meus pais. Caboclo Pedra Branca e o Caboclo Guarantan, como eu era um médium coroado segundo seus fundamentos, deram-me a bênção e o agô para formar o Templo de Caboclo Urubatão da Guia.

Quando fundei o Templo do Caboclo Urubatão da Guia e do Caboclo Arruda com a médium Maria das Dores Francisco da Cruz, continuei indo ao Templo do Sr. Pedra Branca às 2ªs e 6ªs feiras, pois na 4ª feira fazia “gira em meu Templo”, e assim fiz até o final de 1969, quando o Sr. Antonio Romero desencarnou, devido a um acidente vascular cerebral (derrame cerebral). Não mais me esqueci de seu desencarne, pois o mesmo ocorreu em 30 de dezembro, sendo seu corpo inumado em 31 de dezembro de 1969 às 17 hs, no cemitério de Congonhas.

Foi somente aí que comecei a questionar a morte. Por mais que evitasse, um dia ela teria de vir, não só para os outros, mas inclusive para mim. Com esta crise existencial, resolvi auxiliar a combatê-la e ouvindo meu íntimo, minhas predisposições naturais e as intuições de Sr. Urubatão da Guia, fui cursar medicina, pois queria auxiliar na erradicação da dor e do sofrimento. Assim, depois de um ano de estudos intensos, ingressava no curso de medicina.

Estudando e trabalhando nunca deixei a Umbanda, pois nela encontrei minha razão de vida, como também não tinha mais os vazios incompreensíveis.

Foi nessa época que Sr. Urubatão da Guia pediu-me para buscar um local fora da residência de meus pais onde tinha o Templo e foi o que fiz.

O Templo no fundo de casa tornara-se pequeno, e já recebia mais de 100 pessoas nos rituais das 4ªs feiras. Com o pedido do Caboclo Urubatão da Guia locamos um prédio de 300m² na Via Anchieta, 308 - Sacoman.

Para minha satisfação e alegria, na inauguração – dia 28/07/1970, tive a presença do médium Roberto Getúlio de Barros e muitos outros Pais e Mães de Santo. Não tive a presença física do prezadíssimo Sr. Antonio Romero, “cavalo” do Sr. Pedra Branca, mas tinha como médiuns da corrente seus sobrinhos: Heriberto Naranjo Filho, Ana Maria Naranjo Bichara e seu esposo Gibson Bichara. Os três médiuns citados, muito queridos por mim, foram médiuns de seu Antonio Romero onde tive a honra de conhecê-los.

A história não acabou... Continuaremos na postagem da próxima semana. Para ilustrar a publicação de hoje disponibilizo trecho do vídeo “Sacerdote, Mago e Médico – Cura e Autocura Umbandista”, ressaltando os médiuns citados. Axé!

Ps: Fato Histórico. Há 42 anos fundei o templo no fundo da casa de meus pais. Este registro consta no presente filme, exatos 14 minutos e dois segundos, onde é mostrada a foto do primeiro Peji do Caboclo Urubatão da Guia, localizado na Rua Lord Cockrane, 613. Em primeiro plano, da esquerda para a direita: Terezinha de Moraes (namorada, com 16 anos de idade), Yara (irmã com 3 anos de idade) e Regina (irmã, com 13 anos de idade).





Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 72

2 comentários:

  1. Sua Benção meu Mestre.
    Como é maravilhoso poder ter contato sempre com estas histórias...mesmo sentindo falta de ouvi-las pessoalmente.

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  2. Boa noite! Como eu gostaria de saber mais sobre o caboclo Urubatão da Guia...eu o amo muito e minha história é um pouco longa. Tão difícil achar alo completo aqui na internet. Achei linda sua história e me senti à vontade em perguntar mais sobre nosso querido caboclo. Te agradeço muito se puder me indicar onde obter mais informação. Obrigada e muito axé pra ti!

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