segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Mais História... O (RE)Encontro com o Mestre Yapacany - W. W. da Matta e Silva

RESUMO

No término da publicação passada dissemos que na inauguração de nosso Templo, em julho de 1970, na Via Anchieta, 308 tivemos a visita do médium Roberto Getulio de Barros, o qual tínhamos, na época, como um de nossos Mestres e ao qual devotávamos amizade, respeito e lealdade.

Antes de conhecer o “Pai Matta” e após a leitura de dois dos livros de sua autoria, não tivemos dúvidas. Fomos ao encontro do autor, pois sabia que o conhecia e precisava que ele me iniciasse, me consagrasse. Ele era um Mestre consumado, eu precisava de sua bênção e de sua Iniciação, conforme reza a Tradição de Síntese, a qual para ser transmitida só pode ser de Mestre para Mestre, num encadeamento de consagrações que se perdem nas noites do tempo.

Depois dos primeiros contatos por nós descritos, robusteçamos o quadro mental; para tanto, aguardemos a próxima publicação onde serei mais minucioso na narrativa de nosso primeiro (re)encontro até o dia em que vimos seu corpo ser inumado em Itacurussá, em 17 de abril de 1988.

Palavras-chave: Caboclo Urubatão da Guia, História, Iniciação, Tradição de Síntese, W. W. da Matta e Silva

ABSTRACT

At the end of the last publication we said that in the opening of our Temple in July 1970, at Via Anchieta, 308, we have been visited by the medium Roberto Getúlio de Barros, who we had at that time as one of our Masters and to whom we had a true friendship, respect and loyalty.

Before knowing "Father Matta" and after reading two books of his own, we had no doubts. We went to meet the author, for I realized that I knew him and that needed him to make my initiation, to consecrate me. He was a consummate master, I needed his blessing and his Initiation, as stated in the Synthesis Tradition, which transmission just can be from Master to Master, in a chain of consecrations that are lost in the nights of times.

After the first contacts we described, let’s strengthen the mental picture; for this, let’s wait the next publication, where I will be more detailed in the narrative of our first (re)encounter until the day we saw his body be buried in Itacurussá on April, 17, 1988.

Keywords: Caboclo Urubatão da Guia, History, Initiation, Synthesis Tradition, W. W. da Matta e Silva.

MAIS HISTÓRIA... O (RE)ENCONTRO COM O MESTRE YAPACANY -W.W. DA MATTA E SILVA

No término da publicação passada dissemos que na inauguração de nosso Templo, em julho de 1970, na Via Anchieta, 308 tivemos a visita do médium Roberto Getulio de Barros, o qual tínhamos, na época, como um de nossos Mestres e ao qual devotávamos amizade, respeito e lealdade.

Foi muita alegria e regozijo que sentíamos, principalmente por parte de nossos mentores espirituais, no caso - Caboclo Urubatão da Guia.

Nossos ritos eram como são muitos atualmente. Possuíamos quatro atabaques; nosso peji tinha quatro imagens: Jesus -Oxalá, “São Jorge”- Ogum, “São Sebastião”- Oxossi e “Yemanja”, e era só. Eram dispostas de forma especial, mas o grande divisor de águas eram os Pontos Riscados, que eram diferentes, mas que Sr. Guarantan e Sr. Pedra Branca afirmavam ser “mironga” de Sr. Urubatão da Guia, dizendo que só nos competia aceitar os mistérios revelados por esse grande Mestre d’Aruanda.

Dissemos divisor de águas, pois foi por causa desses sinais que em 1971 procuramos o escritor W.W. da Matta e Silva.

Expliquemos sucintamente, pois o que relataremos é a pura verdade, fundamental não somente para explicar o divisor de águas, mas para respondermos como chegamos à Umbanda (viemos do culto de Nação) em seus aspectos universais e por que escolhemos a Medicina como profissão.

Retomando, em 1970, quando da fundação e inauguração de nosso Templo, além de recebermos a visita de Roberto Getúlio de Barros (médium do Caboclo Guarantan), recebemos dezenas Pais e Mães de Santo, inclusive o Sr. Isaias, que na época já contava com mais de 80 anos. Não podemos olvidar filhos de santo que nos acompanhavam na época: José Antonio, Antonio Ribeiro, Francisco Carlos da Cruz – “Ogã de couro”, José Carlos Bonavita – “Ogã de couro”, Rita Bonavita, Vera Bonavita, Filomena Bonavita, Ana Maria Bichara, José Camacho, Rosa Mojica, Ângelo Prado, Edvaldo Prado, Marcelo Pimenta, Ademir Friulli, Maria Francisco da Cruz, e mais tantos outros que guardo na mente e no coração.

Retornando ao Sr. Isaias, o conhecíamos há anos, pois ele freqüentava uma loja de artigos religiosos e lá ficava praticamente o dia todo (na Rua Bom Pastor, próximo à Silva Bueno).

Era um crioulo, desempenado de quase dois metros de altura, uma alma bondosa de predicados insofismáveis em seu coração, com conhecimentos irrefutáveis sobre a “Lei de Umbanda”.

Alguns dias após a inauguração, conversando com ele, pois como dissemos, conhecia muito a Umbanda, disse-nos que há muito não ia a uma gira tão firme como a nossa e mais, que o Sr. Urubatão da Guia revelou a ele coisas maravilhosas, inclusive um segredo que ele mesmo havia esquecido, tanto o tempo que passara.

Lembro-me dele dizer, estando próximo de uns dez “Pais de Santo” que estavam na loja: “olha gente, esse menino que vai ser doutor, gosta mesmo do “santo”, fazia tempo que não via Caboclo pegar tão firme o cavalo, montar para valer. Estarei lá na próxima gira, pois Caboclo, além de me revelar algumas coisas importantes, vai fazer-me um ajuste no Ori, pois realmente eu preciso e só vou lá fazer. Olha menino, continue assim, a Umbanda precisa de pessoas como você, que não interfiram no trabalho do Caboclo e gostem da Umbanda, que queiram vê-la brilhar para melhor a todos ajudar...

Quando estava dizendo a ele que não eram para mim os elogios, mas sim para Caboclo, que não “bambeava” é porque ele era bom e não eu, ele respondeu-me que sim. Que eu não ficasse envaidecido com que ele dizia, pois eu incorporava muito bem e com certeza alguma coisa a Umbanda me reservava, podendo ser que eu viesse a escrever. E disse-me: “você verá”!!!

Quando ele disse escrever, incontinenti olhei para a vitrine da loja que estava à minha frente e havia, na parte de baixo, um livro de capa branca cujo título era Doutrina Secreta de Umbanda, do autor W.W. da Matta e Silva.

Óbvio que pedi ao vendedor de nome Alexandre para pegar o livro, obtendo o aval do Sr. Isaias, que afirmou ser o autor o melhor escritor de Umbanda. Pediu-me para ler com atenção redobrada a obra, mas que não deixasse de ler Umbanda de todos nós, do mesmo autor, que afirmou ser a “Bíblia” da Umbanda. Depois das recomendações comprei é claro, as duas obras.

Abrindo Umbanda de todos nós, chamaram-me a atenção os encartes e os mapas, principalmente o da Lei de Pemba. Não é que os sinais que conhecíamos eram ligeiramente diferentes daqueles, mas havia profundas semelhanças?! Essas foram comprovadas mais tarde quando encontrei-me com o autor W.W. da Matta e Silva, o qual mostrou-me variações, afirmando-me que os mentores espirituais tem uma “Pemba” na verdade similar à que ele havia transcrito no livro, pois a do livro era para alguns médiuns invocá-los. Os guias espirituais podiam traçar sinais que obedeciam à “flecha”, a “chave” e a “raiz”, todavia podiam ser diferentes dos sinais do livro.

Retornando àqueles idos tempos, antes de conhecer o “Pai Matta” e após a leitura dos dois livros, não tivemos dúvidas. Fomos ao encontro do autor, pois sabia que o conhecia e precisava que ele me iniciasse, me consagrasse. Ele era um Mestre consumado, eu precisava de sua bênção e de sua Iniciação, conforme reza a Tradição de Síntese, a qual para ser transmitida só pode ser de Mestre para Mestre, num encadeamento de consagrações que se perdem nas noites do tempo.

Na verdade, fui buscar o ashé, os siddhis, que só um Mestre Espiritual pode transmitir, e feliz daquele que encontra o verdadeiro Mestre da sua atual existência.

Sou feliz e também bem-aventurado por ter encontrado um verdadeiro Mestre; que ele me abençoe sempre, pois hei de louvá-lo eternamente.

Após esta sincera exortação ao Mestre continuemos e vejamos como foi nosso primeiro contato com ele, comigo mesmo.

O (re)encontro com o Mestre Yapacany (W.W. da Matta e Silva) foi o reencontro comigo mesmo desnudo das limitações do espaço-tempo. Abria-se a dimensão-mediunidade. Numa tarde de 1971, após chegarmos ao Rio de Janeiro, nos dirigimos à Rua Sete de Setembro, onde pela primeira vez encontramos o Mestre Matta e Silva.

Estávamos ansiosos, pois esperávamos obter o telefone ou mesmo o endereço do autor de Umbanda de todos nós e, para nossa surpresa o encontramos pessoalmente na Livraria Freitas Bastos, na época a editora que detinha os direitos de publicação das obras de Matta e Silva.

Sinceramente, quando o vimos não nos surpreendemos, pois sentimos que mais que um encontro, era um reencontro, logo confirmado por ele, que nos disse:

- Há tempo que te aguardo, por que demoraste tanto? Ficamos perplexo, deslumbrado, pois no dia citou, sem nunca nos ter nos visto algumas das entidades espirituais que nos assistem, como outras importantíssimas constatações.

Afirmou que havíamos vindo do “Candomblé” e o porquê de nossa cabeça (ori) não ter sido vertido o sangue (menga, ejé). Contou-nos detalhes do Candomblé do Pai Ernesto de Xango Airá e que o mesmo tinha um catimbó que havíamos freqüentado, que a priori era um Candomblé de Caboclo, derivando para as encantarias e outras amalgamações que são importantes por dentro das religiões afro-brasileiras.

Revelou-me que realmente deveria ter começado pelos Cultos Africanos, pois no passado havia sido um Sacerdote dos Oráculos – Babalawô em plagas da África Ocidental, embora houvesse em tempos mais remotos vivido em plagas geladas no sopé do Himalaia.

Muito me chamou a atenção quando ele perguntou sobre uma moça que eu havia namorado, descrevendo-a pormenorizadamente. Interessante que, ao descrevê-la, disse-me também que o genitor dela levava sempre no bolso da camisa um cravo vermelho. Realmente, era tudo como ele havia descrito.

Depois dos primeiros contatos por nós descritos, robusteçamos o quadro mental; para tanto, aguardemos a próxima publicação onde serei mais minucioso na narrativa de nosso primeiro (re)encontro até o dia em que vimos seu corpo ser inumado em Itacurussá, em 17 de abril de 1988. Axé!

P.S.:Os originais das fotos que postamos estão conosco, pois foi um presente que recebemos em mãos de Pai Matta - Mestre Yapacany. Clique na foto para ampliá-la










Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 74

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