segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Mais História... Iniciação e as vivências com Mestre Yapacany - W. W. da Matta e Silva

RESUMO

Muito se poderia dizer de Iniciação, como também nada... O tudo e o nada na Iniciação neutralizam a dualidade, remetem à unidade. Nas obras literárias que escrevi, explico o relacionamento Mestre x Discípulo e o porquê de minha Iniciação ser com Mestre Yapacany (W. W. da Matta e Silva) e de a mesma acontecer na Umbanda.

Primeiro reitero, como venho fazendo há 40 anos, que escolhi a Umbanda, pois Ela é universalista, mesmo que muitos não A percebam como tal, preconizando-A como um apêndice do catolicismo, espiritismo e tantas outras coisas mais. Respeitando os que citam a Umbanda como sendo afro-descendente, achamo-La universo-descendente, não estando interessada na Tradição de uma só raça ou etnia, mas em todas, portanto, universalista. É do negro, do branco, do amarelo, do índio, do mestiço, de todos nós.

Palavras-chave: História, Iniciação, Tenda de Umbanda Oriental, Vivência, W. W. da Matta e Silva

ABSTRACT

Much could be said about Initiation, as well as anything... The everything and the nothing in the Initiation neutralize duality, referring to the unit. In literary works that I wrote, I explained the relationship between Master and Disciple and why my Initiation happened with Master Yapacany (WW da Matta e Silva) and the same happens in Umbanda.

I repeat, as I have been doing for 40 years, that I chose Umbanda, because it is universal, even though many do not realize it as such, advocating it as an appendix to Catholicism, spiritualism and many other things. Respecting those who mention Umbanda as african descent, we find it universe descent, not being interested in the tradition of only one race or ethnicity, but in all, therefore, universal. It's black, white, yellow, Indian, mestizo, of all of us.

Keywords: History, Initiation, Tenda de Umbanda Oriental, W. W. da Matta e Silva

Mais História... Iniciação e as vivências com Mestre Yapacany - W. W. da Matta e Silva

“ A Iniciação não se resume somente a ensinamentos e ritos, mas às vivências que a valência espiritual do Mestre desperta no discípulo preparado” Arhapiagha

Relatando o convívio iniciático que tive com o Mestre Yapacany (Pai Matta e Silva) durante 18 anos, na presente existência, não estou negando o valor dos outros que o antecederam em minha Iniciação. Seus antecessores despertaram-me, cada um à sua maneira, para o Sagrado, que desde tempos remotos eu vivenciara. Levaram-me ao conhecimento dos aspectos periféricos, porém necessários do Sagrado, o qual me proporcionou o feliz ensejo de reencontrar-me comigo mesmo.

Pai Matta alinhavou o porquê de eu ter sido sacerdote, mago e médico no passado, algo recorrente no presente, pois meu karma assim pedia, e que na presente encarnação estivesse em tarefa no Brasil.

Sua clarividência apuradíssima (dimensão-mediunidade) proporcionou-me verdadeiro êxtase espiritual. Assim fez, pois sabia que paulatinamente deixaria a forma e penetraria na essência.

A conversa foi longa, muito longa, e era tão real que me vi em várias épocas, nos quatro cantos do planeta, em vários setores filosóficos, artísticos, científicos e religiosos, mas sempre interessado no tratamento das doenças da sociedade, do homem, de seu corpo e sua alma.

As revelações concedidas pelo meu próprio “eu” fizeram com que visse no Mestre Yapacany, o Mestre do passado, o Mestre consumado, sendo ele o único a transmitir-me a Iniciação, o que para mim significaria reunir o passado ao presente, cumprindo com alegria a tarefa a mim destinada.

Muito se poderia dizer de Iniciação, como também nada... O tudo e o nada na Iniciação neutralizam a dualidade, remetem à unidade.

Nas obras literárias que escrevi, explico o relacionamento Mestre x Discípulo e o porquê de minha Iniciação ser com Mestre Yapacany e de a mesma acontecer na Umbanda.

Primeiro reitero, como venho fazendo há 40 anos, que escolhi a Umbanda, pois Ela é universalista, mesmo que muitos não A percebam como tal, preconizando-A como um apêndice do catolicismo, espiritismo e tantas outras coisas mais.

Respeitando os que citam a Umbanda como sendo afro-descendente, achamo-La universo-descendente, não estando interessada na Tradição de uma só raça ou etnia, mas em todas, portanto, universalista. É do negro, do branco, do amarelo, do índio, do mestiço, de todos nós.

É tão universalista que sua tradição se edifica nas mudanças constantes; está sempre penetrando em novos ângulos da realidade, que é uma marcha, um processo, uma espiral constituída de ciclos e ritmos, até o momento de neutralizar-se completamente a ilusão, penetrando-se na Realidade Absoluta (Espírito).

Deixando as digressões metafísicas, penetremos sem mais delongas nos meandros da Iniciação.

Conversando seriamente, Mestre Yapacany disse-me estar cumprindo o determinado, consolidando minha Iniciação. Era o Mestre de que precisava, pois teria de receber a consagração iniciática, encadeamento de egrégoras consonantes astralizadas que são transmitidas desde o início dos tempos.

Estas revelações me foram importantíssimas, pois me deram o substrato, o fio de Ariadne para penetrar em meu destino por intermédio da simplicidade e humildade do “Terreiro” de Umbanda.

Na época, o Templo de Mestre Yapacany em Itacurussá era uma edificação de uns 50 m². O lugar reservado às coisas espirituais tinha o piso de areia. O reservado aos consulentes ou assistentes tinha uns cinco ou seis bancos e só (para a época era mais que suficiente).

O peji tinha os sinais sagrados com as Ordens e Direitos estendidos a ele por Pai Guiné (Mestre Yoshanan), encimado por uma efígie de “São Miguel”.

No solo havia algumas efígies simbólicas de “Caboclos” e “Preto-Velhos”, mas todos sobre uma madeira onde estavam riscados os sinais sagrados da Lei de Pemba.

Com o passar do tempo estas estatuetas foram retiradas, sendo levadas a um local que chamávamos “Casa das Almas”, nos fundos do terreno onde se localizava o “terreiro”. Nesse terreno, à direita de quem entrava havia uma casinhola com os assentamentos dos Exus Guardiões onde havia sinais riscados, velas, aguardente, ponteiros, e outros apetrechos magísticos.

Após a retirada das imagens, inclusive a de São Miguel (Mikael), só restou a efígie de Jesus Iniciado, pois estava coroado de espinhos, muito significativamente encimando todo o peji, demonstrando que aqueles que desejassem a “coroa” soubessem que a mesma é amor, dedicação, doação e nunca privilégio.

Descrevendo e relembrando o saudoso e iluminado Templo da extinta T.U.O (Tenda de Umbanda Oriental), não poderíamos deixar de citar o pioneirismo da produção literária de Mestre Yapacany.

Na época, sua produção literária era muito superior a qualquer outra existente e isto citamos não por proselitismo, mas por mera constatação, principalmente por causa dos primorosos livros que me levaram até Itacurussá: Umbanda de todos nós, Doutrina Secreta de Umbanda, Sua Eterna Doutrina, Lições de Umbanda (e quimbanda) na palavra de um Preto Velho, Segredos da Magia de Umbanda, Umbanda e o Poder da Mediunidade, Lições práticas da Lei de Umbanda, Macumbas e Candomblés na Umbanda, e finalmente, um compêndio sintético – Umbanda do Brasil.

Os aspectos práticos externos, em verdade, não confirmavam a teoria, pois aquela seria uma fase ulterior; a maioria embora percebesse que os fundamentos eram transcendentais e universais, se demorava ainda na forma do “terreiro”, algo natural para a época.

Poucos se interessavam pelos aspectos iniciáticos, subjetivos, se demorando na forma, no objetivo, no externo, segundo palavras do próprio Mestre.

Muitas vezes conversando com o insigne Mestre Yapacany, dizia-nos, contristado, que a maioria estava interessada em seus dons mediúnicos, em receber esta ou aquela mandala, este ou aquele fundamento ou eró (principalmente se fosse de Exu), mas raríssimos interessavam-se em conhecer-se melhor, em entender a profundidade da vida, os motivos de suas próprias dores, as do mundo, enfim, para a maioria a Iniciação não era o conhecimento da origem das coisas ou de si mesmo, mas do exterior, do mundo objetivo, o que de sobejo sabemos não ser este o mote da Iniciação Superior.

A Iniciação não é algo prosaico, requer decisão, convicção no Sagrado e certeza de que nossa essência imortal se manifesta em corpos mortais. Esses, embora mereçam cuidados e respeito não dever ser tidos como imortais, pois esta é a maior inversão de valores, sendo o maior óbice à Iniciação.

Após estas ligeiras elucubrações, que sutilmente demonstram as qualidades fundamentais do Mestre Espiritual, não há dúvidas que o pioneiro nesta denominação e aplicação foi W.W. da Matta e Silva, o qual iniciou e elevou alguns de seus discípulos ao grau de Mestre de Iniciação. Por sua vez, seus discípulos, Mestres de Iniciação, iniciaram outros Mestres sob a égide de uma sólida Tradição que esbarra nas noites do tempo...

Portanto, não podemos negar a primazia do Mestrado em Umbanda a Mestre Yapacany e, a posteriori, a seus iniciados no grau de Mestre de Iniciação.

Prosseguindo, seremos breve nas citações, pois este texto não comportaria as vivências-experiências proporcionadas pela Iniciação. Assim peço escusas aos irmãos planetários, pois serei lacônico nestas informações; é isto mesmo, os iniciados longe se encontram da ribalta, não querem exaltar seus egos, embora respeitem quem a deseje, mesmo que seja ilusório.

Ritualisticamente, fui consagrado em Itacurussá, em 28 de julho de 1978, no grau de Mestre de Iniciação (no grau de mago), num ritual singelo e singular, mas de farta assistência espiritual, que teve como ponto relevante as presenças de Pai Guiné (Mestre Yoshanan) e Caboclo Urubatão da Guia (Mestre Arashamanan). Na época tinha 28 anos de idade, completava o primeiro ciclo solar e o quarto ciclo lunar. Tanto o sete (as Potestades) como quatro (elementos) são a meta do Iniciado, pois se utiliza do Poder Espiritual para atuar na energia (magia etéreo-física).

Nessa época, em 1978, tinha o Templo no mesmo local onde edifiquei minha primeira “Tenda” em 1968, na Rua Lord Cockane, 613, no Ipiranga.

A primeira Tenda, fundada em 1968, funcionava semanalmente, às 4ªs feiras, no fundo da casa de meus pais, num corredor.

No ano de 1973, construímos no pomar da casa citada, um recinto de uns 70 m², onde recebíamos mais de 150 pessoas. Neste local ficamos até o final de 1980, quando mudamos para a Rua Chebl Massud, 157.

Interessante como o “astral” encaminha as coisas. O templo da Chebl Massud era de um ex-adepto do Mestre Yapacany, Eduardo da Costa Manso, e o que é mais incrível, ele havia conhecido e sido “filho de santo” do Pai Ernesto, o Ernesto de Xangô Airá.

Nos fins de 1980, em dezembro, nos mudamos para a Travessa Magalhães 681, onde nos encontramos até hoje. Além das mudanças que ocorreram neste período, quero citar que o nome da rua hoje é Chebl Massud, 157, Água Funda, São Paulo.

Haveria de narrar muitos acontecimentos ocorridos neste período, em que ia a Itacurussá quinzenalmente, e mesmo das muitíssimas vezes que nosso Mestre esteve nos honrando com sua presença em meu Templo.

Encerrando o relato desta publicação, remeto o irmão planetário a uma de suas vindas a São Paulo que foi profundamente significativa, pois seria o início de uma tomada de posição que só mais tarde seria entendida e confirmada, portanto, mais uma vez penetremos na estrada do tempo e recuemos aos idos de 1983.

Numa 4ª feira, julho de 1983, estava completando 33 anos de vida terrena na presente existência. Qual não foi a minha surpresa quando vi Mestre Yapacany e sua esposa (Salete) entrarem porta adentro no Templo, parabenizando-me ao mesmo tempo que me presenteava com um “presente do passado e do futuro”.

Sim, após os cumprimentos e a forte comoção que contagiou o templo, Mestre Yapacany me pediu para abrir o presente. O mesmo estava embrulhado em papel de presente, mas sua forma era de um retângulo de uns 50 x 40 cm, com menos de 5 mm de espessura. Claro, só poderia ser um pedaço de madeira, e quando abri, constatei ser o ponto riscado de Pai Guiné d’Angola em que ele, Mestre Yapacany, recebera como suas Ordens e Direitos de Trabalhos (Ordenação Superior) em 1946.

No verso dos sinais riscados de Pai Guiné, estendido ao insigne Mestre, ele me escreveu:

“Filho de meu Santé”, coroado na Raiz do Pai Guiné d’Angola. Sei que coisa alguma material seria mais importante a você ou seria tão marcante para o seu conscencial do que os sinais que estão grafados nesta simples área de madeira. Nesta data do teu aniversário, transponho os sinais ou signos da Lei de Pemba do Pai Guiné (as ordens e direitos de trabalhos que Ele próprio riscou, em perfeita incorporação sobre mim, em 1946), como prova de minha estima e para que você tenha, “ontem, hoje e sempre”, este amparo de corpo presente na sua jornada espiritual e mediúnica”.

Não temos nada a acrescentar a não ser agradecer ao inolvidável Pai, Mestre e Amigo pela sua sabedoria milenar e pela honra a mim concedida de ser seu discípulo, por ter-me aceito em sua luminar e coroada mandala.

Finalizando a narrativa deste sublime momento de minha eternidade, reitero o que escrevi em minhas obras na literatura umbandista. Na ocasião, tínhamos as Ordens e Direitos de Trabalhos que Caboclo Urubatão da Guia me estendeu. Sobre esses sinais colocamos os de Pai Guiné, que lá permaneceram até o final do ano de 1995.

Não desejo criar expectativas, mas a História não para ..., ao contrário, continuarei discorrendo na próxima publicação, onde melhor se entenderá o porquê da transmissão da Raiz para mim estendida por Pai Guiné manifestado em Pai Matta (Mestre Yapacany). Axé!

P.S. Nesta publicação disponibilizamos o vídeo em que alguns “filhos de meu santé”, que conheceram o Pai Matta, discorrem sobre o que observaram e perceberam de meu relacionamento com o insigne Mestre.







Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 76

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