quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Umbandização – Umbanda Para Todos Nós!


Vocábulo cunhado por Roger Bastide que identificava cultos miscigenados pela influência da Umbanda. Era algo que “maculava” a pureza dos cultos, processo de interação, mistura de ideologias, crenças e práticas.

Parece-nos que Bastide queria ou postulava uma “eugenia religiosa”, algo perigoso, contestável, pois num país continental como o Brasil, que tem uma história de formação de seu povo recheada de iniqüidades, sincretismos, violências, amalgamações e hibridismos, culminando num caldeamento que resultou no povo brasileiro, seu sentimento, seu pensamento, seu comportamento, sua cultura, enfim seu ethos. É para pensar...E na atualidade há aqueles que assim pensam!

Sobre isso temos uma visão heterodoxa, pois grassamos que a Umbandização permite a pluralidade de crenças e cultos e mais, promove a prioridade entre os mesmos, neutralizando dicotomias, sem, todavia coibir a livre manifestação deste ou daquele segmento das religiões afro-brasileiras.

Em nossa visão é um avanço no respeito às diferenças, e adaptação filosófica-religiosa, de crenças à diversidade do povo brasileiro.

Temos as matrizes formadoras, caldeadas e conectadas sem litígio ou conflito devido à Umbandização, ou seja, os cultos foram buscar na Umbanda seu ponto de equilíbrio, estabilidade e maximização de suas missões.

Bendita Umbandização que não discrimina o plural, ao contrário privilegia o diverso, o todo, essencialmente pela inclusão total.

É por este e demais motivos, principalmente os da missão da Umbanda, que cultuamos várias religiões afro-brasileiras.

Primeiro por termos passado por elas, e conhecido seus fundamentos. Segundo, pois somos sincrônicos com a Umbandização, que acreditamos pode unir (não uniformizar ou codificar) todo o povo das religiões afro-brasileiras, podendo esse povo estar em condições de igualdade nas 5 vertentes principais por nós defendidas: Espiritual, Cultural, Social, Político e Econômico.

Não querer a harmonia ou união das religiões afro-brasileiras, não aceitando o fenômeno da Umbandização, é desejar enfraquecer nosso povo, mantendo-o distanciado do centro de decisão da sociedade brasileira, principalmente mantendo-o na periferia cultural, social, política e econômica. Desejam sim afastar as religiões afro-brasileiras da Umbanda (negando o aspecto democrático da umbandização), pois fica-lhes mais fácil assumir uma posição que desejariam e seriam refutados pelas religiões afro-brasileiras; os que assim desejam querem afastar-se das religiões afro-brasileiras, onde indissoluvelmente a Umbanda está inserida, pois querem uma Umbanda codificada segundo suas visões autoritárias, arbitrárias e fundamentalistas. Tudo bem, afastem-se das religiões afro-brasileiras, inclusive da própria Umbanda, pois o que promovem, propugnam, escrevem e falam é uma seita, não é mais Umbanda, não é mais nenhum setor ou Escola umbandista , pois se fosse, saberiam que o todo nunca pode ser representado por uma parte apenas, seja ela qual for.

Façam suas seitas, que nós respeitamos, mas respeitem a Umbanda e aqueles que estão interessados na sua unidade.

Após nossa introdução e conclusões disponibilizaremos um álbum de fotos do último “Toque de Jurema”, onde “abrimos a mesa” com a “fumaça às direita”, para que todos saibam que a história se faz vivendo, e não somente escrevendo segundo a “conveniência”. Axé!


Padê de Exu


Mestre Arhapiaga abrindo a mesa


Mestre Arhapiaga tocando caracaxá, instrumento próprio do culto da Jurema e pajelança


Mestre Canindé acostado em Pai Rivas


Mestre Canindé acendendo sua Marca


Mestre Canindé abençoando a todos


Mestre Canindé consultando aos pés do seu assentamento


Mestre Canindé acendendo sua Marca


Mestre Canindé oferecendo as cinzas da fogueira de Xangô


Mestre Canindé mobilizando forças mágicas da Princesinha


Mestre Canindé e seu rito mágico


Mestre Canindé evocando espíritos


Aspectos magísticos da encantaria


Entidade acostando na médium


Entidade acostando na médium


Mestre Canindé enviando a fumaça de sua marca a filha de fé


Filha de fé acostada


Ogun Encantado acostado no Mestre Yamathiara


Recorte da mesa de assentamento dos Mestres


Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 63

2 comentários:

  1. Salve meu amigo
    com grande alegria encontro seu blog
    e logo de inicio voce mostra que "quem sabe" faz.
    Considerando tantas pessoas que sao verdadeiros "pais de santo de apostila" nada tendo de experiencia religiosa, e muito menos sacerdotal,nos enche de alegria vermos um irmao de fé trabalhando com fervor
    ASHE
    ARANAUAM
    SARAVÁ

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  2. Benção Mestre!!!

    Mais uma vez agradeço pelo seu excelente texto o qual nos dá a oportunidade de abrir nossas conciências a patamares mais superiores.

    Sempre acompanho suas postagens com muita atenção no intuito de apreender ao máximo para que gradativamente consiga transformar suas palavras em atos.

    Sei que sua sabedoria é infinita e com muita dificuldade entendo algumas fagulhas do que nos é passado mas, acredito que uma coisa é certa, seu trabalho sempre visou o bem da coletividade planetária.

    Mais uma vez esta mensagem ficou bem clara neste texto de hoje mostrando que as religiões afro-brasileiras são pela total inclusão, assim como o Sr.

    Benção,
    Yaranacy.

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