quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Tratamento da Esquizofrenia


Antecedendo a discussão sumarizada de esquizofrenia, façamos uma ligeira resenha sobre o transtorno psiquiátrico, ora focalizado.

As características fundamentais são: retraimento, pobreza afetiva, delírios, alucinações (principalmente auditivas), confusão, distúrbios de identidade e pensamento autista (pensamento determinado unicamente pelos desejos e fantasias do indivíduo, sem referência ao meio ambiente).

Como afirmamos na publicação anterior, o transtorno é o pano de fundo de um profundo desajuste espiritual, que pode ter início insidioso e progredir para um surto psicótico, como pudemos constatar.

É digno de menção especial o desarranjo da ação, em total desalinho com a linha do pensamento que se encontra fragmentada, em total dissociação. Tal fato deve-se a enfermidades na energia mental sutilíssima e sutil, com correspondência na energia densa (segundo a Medicina Integrativa).

Um profundo desequilíbrio no “campo astral” que se manifesta em desarmonia mental, desestruturando a personalidade, como afirmamos, de forma insidiosa ou em surtos desagregadores da personalidade com reais danos ao SNC (cérebro) e SNA (sistema nervoso autônomo- simpático e parassimpático) acarretando as mais bizarras formas comportamentais com repercussão na economia orgânica, principalmente no sistema cardiovascular, imunológico e hematológico entre outras afecções.

Vivemos de forma desatenta, esquecemos completamente da necessidade de espiritualidade em nossa vida; carecemos de vivênciar a espiritualidade, independente de sermos religiosos, pois de nada adianta o convencionalismo socio-religioso, carecemos do bem viver, e isto com certeza deverá incluir a vida do espírito, a nobreza de ideais e sentimentos.

Precisamos estar preparados para os novos tempos que reclamam a “ciência” do intercâmbio entre as várias dimensões da vida, nos vários níveis de realidade.

As religiões afro-brasileiras dão sua contribuição nesse processo de conscientização e direcionamento para uma melhor qualidade de vida, iniciando pelo bom relacionamento entre vivos e mais-vivos (mortos), e mais pela certeza desse relacionamento e os cuidados necessários para não cairmos no engodo dos “marginais” (dementados) do outro lado da vida.

FARMACOTERAPIA

O tratamento medicamentoso é fundamental na esquizofrenia, mas infelizmente, na quase totalidade dos casos, é sintomático, paliativo. As drogas utilizadas praticamente são prescritas pelos psiquiatras, mudando apenas a primeira escolha, segundo a experiência do terapeuta mental.

Os medicamentos em geral são os antipsicóticos, introduzidos há mais de cinqüenta anos e que vem cada vez mais se aperfeiçoando. Na atualidade os fármacos antipsicóticos incluem duas classes principais: antagonistas do receptor de dopamina (clorpromazina e haloperidol) e os antagonistas serotonina-dopamina – ASDs (risperidona e clozapina).

FARMACOTERÁPICOS MAIS UTILIZADOS

  1. Antagonistas do receptor da dopamina

a. Clorpromazina

b. Haloperidol

  1. Antagonistas do receptor serotonina-dopamina

a. Risperidona

b. Clozapina

c. Olanzapina

d. Sertindol

e. Quetiapina

f. Ziprasidona

  1. Outros medicamentos adicionais ou opcionais

Anticonvulsivantes

a. Carbamazepina

b. Valproato

Ambos usados em associação com o lítio.

Benzodiazepínicos

Lorazepam é preferível ao diazepan (por ter ação mais curta e menos potencial de abuso).

Pssicoterapias

1. Terapias psicossocias

a. Treinamento de habilidades sociais

b. Terapias de orientação familiar

c. Tratamento comunitário assertivo

2. Terapia de Grupo

3. Terapia cognitivo-comportamental

4. Psicoterapia individual

5. Terapia vocacional (reinserção social – trabalho – ocupacional)

Para maior aprofundamento do assunto, gentilmente remetemos o leitor à referência bibliográfica constante no final da publicação.

TERAPIA NA VISÃO DAS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS

  1. As religiões afro-brasileiras reconhecem a necessidade da atuação da psiquiatria e seus métodos no auxílio ao esquizofrênico. É necessário para o paciente e em favor dos familiares.
  2. Assim como outros transtornos, trata os portadores de esquizofrenia como indivíduos que estão sob os guantes de “arajés” (inimigos espirituais), eguns e toda sorte de infortúnios “sobrenaturais” (espirituais)
  3. A desconexão Ori-Axé-Orixá é tida como causa principal do transtorno psíquico; a desconexão acarreta ao indivíduo o enfraquecimento de seu Ori (cabeça-consciência) abrindo portas a toda classe de espíritos inferiores do “astral” correspondente.
  4. Os “remédios” proporcionados pelas religiões afro-brasileiras podem ser divididos em três classes:

1ª Neutralizar: eguns, arajés e outras entidades negativas

2ª Restituir o axé – carência de energia vital

Axé mineral – próprio a cada indivíduo

Axé vegetal – idem

Axé animal – idem

3ª Reconectar o indivíduo com seu genitor divino, seu Olori e todos os que o representam no equilíbrio, na harmonia e estabilidade.

  1. Diálogo como Terapia ou Terapia do diálogo com os Ancestrais ilustres no Templo ou em sítios afins (praia, mata, rio, etc.)
  2. Oráculo como terapia

Achamos imprescindível, pois orienta e demarca as fases dos ritos propiciatórios e neutralizadores. Explica a causa do transtorno na origem.

  1. As ervas medicinais e rituais são receitadas na forma de chás e similares; banhos de descarrego, banhos de purificação, banhos propiciatórios e defumações várias.

No término do texto, esperamos que todos tenham percebido a gravidade de indicar os remédios recomendados pelas religiões afro-brasileiras. Quanto à terapia atinente às religiões afro-brasileiras a necessidade do conhecimento e experiência do sacerdote é importantíssima. Por sua gravidade e responsabilidade máxima sempre defendemos que o sacerdote deve ter conhecimentos comprovados, corolário de uma profunda e sólida iniciação; relação direta de seu dom espiritual, e do conhecimento da Tradição na teoria e prática dispensada por um verdadeiro pai ou mãe de santo que o iniciou, dentro do templo onde se vive e respira o Sagrado. Axé!









Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 67

Referências

Aspectos Psicológicos e Psiquiátricos

· ANDRADE, Arthur Guerra de. ALVARENGA, Pedro Gomes.Fundamentos de Psiquiatria. 1. ed. Barueri: Manole, 2008, 644p.

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· HALL, Calvin S. LINDZEY, Gardner. CAMPBELL, John B.Teorias da Personalidade. 4. Ed. Porto Alegre: Artmed, 2000, 591p.

· KAPLAN, Harold I., SADOCK, Benjamin J. Tratado de psiquiatria. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 1999, 1486p.

· MURPHY, Michael J. COWAN, Ronald L. Psiquiatria – Murphy – Série Blueprints. 4. ed. Rio de Janeiro: Ed. Revinter, 2009, 152p.

· PADRO, Cintra do. VALLE, Ribeiro do. RAMOS, Jairo.Atualização Terapêutica. 23. ed. Porto Alegre: Ed. Artes Médicas, 2007, 2400p.

· PAIN, Isaias. Tratado de Clínica Psiquiátrica. 3. ed. São Paulo: E.P.U. Ed, 1991, 370p.

· PINHEIRO, Raimundo. Medicina Psicossomática – Uma abordagem clínica.1. ed. São Paulo: Fundo Editorial DYK, 1992, 125p.

· PORTO, Celmo Celeno. PORTO, Arnoldo Leme. Semiologia Médica. 6. ed. Rio de Janeiro: Ed. Guanabara Koogan, 2005, 1356p.

· SÓFOCLES. Édipo Rei. 1. ed. Porto Alegre: L&PM, 2001, 104p.

Aspectos Religiosos

· RIVAS NETO, Francisco. Do Sincretismo à Convergência. In: II CONGRESSO BRASILEIRO DE UMBANDA DO SÉCULO XXI, São Paulo: Faculdade de Teologia Umbandista, 2010.

· RIVAS NETO, Francisco. Sacerdote, Mago e Médico : cura e autocura umbandista: terapia da alma. 1. ed. São Paulo: Ícone, 2003, 493p.

· RIVAS NETO, Francisco. Vídeo-Aula 19: A ciência do Orixá - Parte 2 - Psicanálise e Arquétipos dos Orixás. Disponível em:mms://wm01.mediaservices.ws/ftu12-ondemand/FTU_VIDEOAULA_19.wmv. Acesso em: 13 jun 2010.


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