segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Esquizofrenia

RESUMO

Como sacerdote médico temos nosso interesse voltado à saúde espiritual, mental (psique) e corporal (soma). Temos escrito e discutido sobre a psiquiatria da atualidade à luz da espiritualidade, segundo a visão das religiões afro-brasileiras. O transtorno mental que discutiremos – a esquizofrenia – segundo a psiquiatria, se caracteriza por distorção do senso de realidade, inadequação e falta de harmonia entre pensamento e afetividade e frequentemente alucinações e idéias delirantes.

A esquizofrenia é um grupo de transtornos com sintomas comportamentais semelhantes, mas com causas heterogêneas. Por isso os pacientes esquizofrênicos apresentam clínica e resposta ao tratamento e curso da doença diferentes. Também podemos considerar a esquizofrenia como uma doença ou grupo de transtornos que dissocia pensamentos, sentimentos e comportamentos, justificando sua nomenclatura: esquizo (divisão, fenda)

No entanto, a etiologia fundamental está no plano espiritual ou “sobrenatural” da vida planetária. Somos vulneráveis às influenciações várias, mas as principais são as de seres que atraímos por nossa própria “vontade”, pensamentos, sentimentos e comportamentos dissonantes com a esfera dos espíritos superiores.

Palavras-chave: Alucinações, Esquizofrenia, Pensamento, Sentimento, Vontade

ABSTRACT

As a doctor priest, we have our interest turned to spiritual health, mental (psique) and body (soma). We have written and discussed about the current psychiatry in the light of spirituality, according to the vision of the african-brazilian religions. The mental disorder that we will discuss - schizophrenia - according to psychiatry, is characterized by a distortion of reality, inadequacy and lack of harmony between thought and affection and frequent hallucinations and delusions.

Schizophrenia is a group of disorders with similar behavioral symptoms, but with heterogeneous causes. Therefore, the schizophrenic patients present a different clinical response to treatment and disease course. We can also consider schizophrenia as a disease or group of disorders that dissociates thoughts, feelings and behavior, justifying its nomenclature: schizo (split, crack).

However, the essential etiology is in the spiritual or "supernatural" level of planetary life. We are vulnerable to various influences, but the main ones are those that come from beings that we attract with our own "will", thoughts, feelings and dissonant behaviors with superior spirits.

Keywords: Hallucinations, Schizophrenia, Thought, Feeling, Will.

ESQUIZOFRENIA

Introdução

Como sacerdote médico temos nosso interesse voltado à saúde espiritual, mental (psique) e corporal (soma). Temos escrito e discutido sobre a psiquiatria da atualidade à luz da espiritualidade, segundo a visão das religiões afro-brasileiras.

Sim, além de valorizarmos os fundamentos expressos pela academia, associamos aos vários transtornos por nós estudados, na lida da prática diária do consultório médico e do templo, às influências espirituais antagônicas que agem sobre o indivíduo doente.

O transtorno mental que discutiremos – a esquizofrenia – segundo a psiquiatria, se caracteriza por distorção do senso de realidade, inadequação e falta de harmonia entre pensamento e afetividade e frequentemente alucinações e idéias delirantes.

Além da História do transtorno, que deixaremos para um próximo trabalho, há o aspecto epidemiológico que não podemos olvidar, a esquizofrenia atinge cerca de 1% da população, normalmente inicia antes dos 25 anos de idade. É digno de nota a menção de Eugen Bleuler (quem cunhou o vocábulo esquizofrenia) que afirmou “um vasto número de esquizofrênicos consegue atuar na comunidade sem jamais terem passado por um atendimento psiquiátrico”.

Obvio está que Bleuler afirmou sua tese há um pouco mais que um século, mas acreditamos que seja atualíssima, se é que a prevalência não aumentou. Nossa percepção é que nós próximas três décadas teremos aumentado e muito a prevalência da esquizofrenia. A mesma já ocorre em 1:100, e como afirmamos nos próximos 30 anos aumentará sobremaneira, principalmente, como veremos na discussão final do texto, pelo relacionamento clandestino da humanidade com as hostes das sombras do mundo espiritual.

No término da introdução queremos declarar que os médicos estão cientes que o diagnóstico da esquizofrenia baseia-se fundamentalmente na história psiquiátrica e no exame do estado mental (que achamos decisivo), uma vez que não existe exame laboratorial para tal condição.

Aspectos clínicos (Kaplan/Sadock)

A. Maiores

Os sintomas fundamentais, apresentados por Eugen Bleuler (“sucessor” de Emil Kraepelin são os “Quatro As”.

A.1 Associação (distúrbio da)

As associações lógicas que normalmente conduzem de um pensamento para outro parecem estar perdidas (e quantas pessoas tem esse problema?!). O resultado é que o pensamento tem aparência bizarra, ilógica e caótica.

A.2 Autismo

É uma forma de pensamento cujo conteúdo é em grande parte subjetivo ou endógeno. O paciente está preocupado com idéias derivadas da imaginação e fantasias, até mesmo de alucinações e delírios (influência de espíritos antagonistas que interferem no indivíduo e na sua socialização). À medida que o pensamento autístico aumenta ocorre uma correspondente interferência no relacionamento com e na percepção da realidade.

A.3 Afetividade incongruente

As respostas emocionais podem ser inadequadas ao conteúdo do pensamento. O humor é geralmente inconsistente ou exagerado. O distúrbio afetivo pode incluir indiferença, frivolidade, constrição, impassibilidade ou embotamento afetivo.

A.4 Ambivalência

O paciente esquizofrênico abriga sentimentos, atitudes, desejos ou idéias contraditórias em relação a um dado objeto, pessoa ou situação, por exemplo: ama e odeia a mesma pessoa ao mesmo tempo. A ambivalência é uma característica de outros estados e pode estar presente, até certo ponto, mesmo em normais (?!), mas é na esquizofrenia que aparece particularmente intensa.

B. Menores

B.1 Alucinações – percepções sensoriais (dos sentidos) que ocorrem sem a presença de estímulo externo. Alucinação auditiva - ex.: “ouvir a voz de Deus”; alucinação visual – ex.: “ver espíritos”, alucinação táctil – ex.: sentir formigas andando pelo corpo; alucinação gustativa – ex.: gosto ruim; alucinação olfativa – ex.: mau cheiro. As mais freqüentes são as alucinações auditivas.

B.2 Delírios

É uma crença falsa em desacordo com o status educacional e social do paciente e não influenciável por lógicas que a contradigam. Ex. : “A CIA me persegue”.

B.3 Ilusões

Interpretação deformada de um estímulo sensorial real. Ex.: uma mancha no texto é vista como uma aranha que desce em direção ao paciente.

B.4 Idéias de referência

Uma inquietante impressão de que as conversas e gestos de outras pessoas se referem a si próprio.

B.5 Despersonalização

O sentimento de estar separado de sua própria personalidade; a sensação de que a identidade ou personalidade próprias estão desintegrando-se ou perdidas.

B.6 Negativismo

O paciente faz o contrário do que lhe é pedido.

B.7 Automatismo

O paciente sente que não é ele quem esta realizando suas próprias ações.

B.8 Ecolalia

Repetir a fala dos outros.

B.9 Ecopraxia

Repetição do movimento de outra pessoa.

B.10 Maneirismos

Gestos ou expressões que se repetem.

B.11 Esteriótipias

Repetição persistente e sem sentido de qualquer ação.

B.12 Impulsividade

Ações que são realizadas inesperadamente, sem a necessária reflexão e sem levar em conta a personalidade total.

B.13 Torpor

Lentificação de todas as funções psíquicas, trazendo como resultado uma inabilidade de adaptação frente a qualquer situação.

ETIOLOGIA

A esquizofrenia é um grupo de transtornos com sintomas comportamentais semelhantes, mas com causas heterogêneas. Por isso os pacientes esquizofrênicos apresentam clínica e resposta ao tratamento e curso da doença diferentes.

Na etiologia é aventada a hipótese diátese-estresse que se sustenta em várias bases, inclusive na biológica que pode ser influenciada por fatores epigenéticos, como abuso de substâncias, estresse psicossocial (muito importante) e trauma.

Os fatores genéticos e psicossociais também tem sua importância no contexto do “quadro sindrômico” esquizofrênico, todavia a causa da esquizofrenia é desconhecida.

TIPOS – SUBTIPOS

O DSM-IV-TR classifica quatro subtítulos de esquizofrenia: tipo paranóide; tipo desorganizada, tipo catatônico; tipo indiferenciado e tipo residual.

No passado a classificação era: esquizofrenia simples, hebefrênica, catatônica, paranóide, esquizo-afetiva e indiferenciada.

Esquizofrenia paranóide

É caracterizada por delírios ou alucinações auditivas freqüentes. Pode apresentar sintomas não específicos, tais como: comportamento desorganizado, afeto embotado ou inadequado.

Temas persecutórios formam freqüentemente o núcleo dos sintomas paranóides, e com a presença quase sempre, de alguma idéia de grandeza (megalomania).

Durante o processo pré-psicótico o paciente apresenta-se desconfiado, extremamente hostil com uma atitude de quem está com a “pulga atrás da orelha”, frieza emocional e uma tendência ao ressentimento, belicosidade e sentir-se facilmente ofendido.

Esquizofrenia catatônica

Os sintomas mais importantes são motores. Podem apresentar-se sob a forma de inibição generalizada, com sintomas tais como negativa, estupor, mutismo ou sob a forma de atividade motora excessiva e excitação.

Na agitação catatônica o comportamento não parece ser influenciado por estímulos externos, mas parece ser um comportamento estereotipado, aparentemente sem propósito, impulsivo e imprevisível.

O paciente pode correr sem destino, ficar sem dormir, recusar comida, e chegar à desidratação e ao esgotamento. Estereotipias, ecolalia, ecopraxia, maneirismos, caretas, postura esquisitas e catalepsia são outros sintomas freqüentes.

Esquizofrenia indiferenciada

Os pacientes apresentam freqüentemente, profundos distúrbios do pensamento, da afetividade e do comportamento, mas sem sintomas específicos suficientes para uma classificação mais precisa. O que acontece com mais freqüência é que o ataque inicial da esquizofrenia apresenta-se indiferenciado e que à medida que a reação progride vai se cristalizando num dos tipos definidos (já escritos).

Esquizofrenia tipo desorganizada

Os sintomas mais freqüentes e proeminentes são: discurso desorganizado, afeto embotado ou inadequado e comportamento desorganizado.

Os demais sintomas, excetuando-se os descritos são os mesmos da desarmonia proporcionada pela esquizofrenia.

Esquizofrenia tipo residual (Kaplan)

Embotamento emocional, retraimento social, comportamento excêntrico, pensamento ilógico e frouxidão leve das associações, são comuns neste tipo. Alucinações, delírios são raros, também raro afeto forte.

Conclusão

Depois do relato sumarizado sobre os fatores que achamos fundamentais para a compreensão da esquizofrenia, esperamos que tal intento encontre eco nos leitores do blog. Só assim nos sentiremos recompensados, e sugerindo que se aprofundem, se acharem necessário, nas referências bibliográficas.

A esquizofrenia é uma doença ou grupo de transtornos que dissocia pensamentos, sentimentos e comportamentos, justificando sua nomenclatura: esquizo (divisão, fenda)

Fatores epidemiológicos, índice de prevalência são citados na ordem de 1%, sendo 5 a 10 vezes mais freqüentes nas mulheres (?!)

Acreditamos ser uma doença em crescimento, pois a sintonia dos seres humanos desavisados do conluio clandestino com os “seres das sombras” aumenta a cada dia.

Deixaremos para a próxima publicação (a 67ª) a discussão sobre o prognóstico e tratamento, como também discutiremos a etiologia fundamental que está no plano espiritual ou “sobrenatural” da vida planetária.

A conclusão que chegaremos é a de que somos vulneráveis às influenciações várias, mas as principais são as de seres que atraímos por nossa própria “vontade”, pensamentos, sentimentos e comportamentos dissonantes com a esfera dos espíritos superiores. Nunca o homem esteve tão vulnerável como nos tempos atuais onde o ceticismo da ciência aliado ao descaso da maioria das religiões para os fatores aludidos, favorece o despreparo do homem para a vida espirítica-mental e suas leis de afinidade, que sintoniza todos os seres do universo, sejam eles bons ou maus e justos ou injustos. Urgentemente carecemos de nos imunizar contra tal estado fomentador desatino mento-espiritual, convertido em sofrimentos atrozes vários, mas o maior de todos – o homem degradando o próprio homem. Axé.

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 66

Referências

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