segunda-feira, 5 de julho de 2010

Somos o que somos?...

RESUMO

Todos sabem que o espelho reflete a imagem do objeto. O mesmo acontece com pessoas que quando colocadas próximas umas as outras emitem vários conceitos sobre elas. Na verdade estão emitindo sua própria forma de ver, desejar, viver e de ser, pois o outro lhe é apenas espelho.

Precisamos penetrar mais profundamente na mente, na alma das pessoas, em nossa própria alma, então deixaremos de ser críticos mordazes, atitude que tanto escandalizou Diógenes (Escola Cínica) e decepcionou Nietzsche (niilismo). As religiões afro-brasileiras preconizam e pontificam que a iniciação é o conhecimento de todas as coisas (cosmovisão), mas principalmente da conquista de si mesmo, como forma de vivenciar a liberdade, sem submissão ou conformismo.

As Religiões afro-brasileiras e seus emissários de todos os planos quando nos encontram permitem que nos vejamos profundamente. Quando conversamos ou nos comunicamos com eles, estamos nos enxergando... Eles são espelhos, apenas refletem o que somos.

Palavras-chave: Diógenes, Espelho, Iniciação, Nietzsche, Religiões Afro-brasileiras

ABSTRACT

Everyone knows that the mirror reflects the image of the object. The same thing happens with people that, when placed next to each other, emit various concepts about them. In fact they are sending their own sight, wishing, living and being, because it is just another mirror.

We need to dig deeper into the mind of other people and in our own soul. Then, we will cease to be scathing critics, something that shocked both Diogenes (Cynic School) and disappointed Nietzsche (nihilism). African-Brazilian religions advocate and pontificate that initiation is the knowledge of all things (cosmovision), but mainly the conquest of himself as a way to experience freedom, without submission or conformity.

African-Brazilian Religions and its emissaries from all the plans, when near us, allow us to see deeply. When you talk or communicate with them, we are seeing ourselves... They are mirrors that only reflect what we are.

Keywords: Diógenes, Mirror, Initiation, Nietzsche, Afro-Brazilian Religions

SOMOS O QUE SOMOS?...

Todos sabem que o espelho reflete a imagem do objeto. O mesmo acontece com pessoas que quando colocadas próximas umas as outras emitem vários conceitos sobre elas. Na verdade estão emitindo sua própria forma de ver, desejar, viver e de ser, pois o outro lhe é apenas espelho.

Vemos nos outros o que na realidade somos. Muitas decepções pessoais e coletivas não teriam existência se soubéssemos que criticamos nos outros (espelhos), temos em menor ou maior proporção.

Essa constatação faz com que tenhamos tolerância com os outros, respeito incondicional à liberdade e amor à sabedoria, que não desdenha dos valores pessoais e coletivos que norteiam pensamentos, sentimentos e atitudes das humanas criaturas.

Precisamos penetrar mais profundamente na mente, na alma das pessoas, em nossa própria alma, então deixaremos de ser críticos mordazes, atitude que tanto escandalizou Diógenes (Escola Cínica) e decepcionou Nietzsche (niilismo).

Sobre Diógenes, o que se sabe é que andava com uma lanterna acesa, ao meio dia, procurando um “homem verdadeiro”. Seu comportamento pretendia chocar, criticar a sociedade convencional, que tudo estereotipa.

Conta-se que Alexandre, quando estava prestes a atacar a Pérsia soube que o filósofo estava por perto e resolveu fazer-lhe uma visita.

Diógenes tinha por hábito dormir num barril e durante o dia ficava sentado ao sol, e foi assim que Alexandre o encontrou. Quando o encontrou, perguntou: “- Você sabe quem sou?” Como Diógenes nada respondeu, acrescentou: “Saiba que sou Alexandre!” O filósofo com indiferença disse: “Eu sou Diógenes.” Alexandre reiterou:“- Você sabe que possuo um império e milhares de homens se curvam perante mim?” Diógenes responde: “- Pois eu só tenho este barril, senhor, e isto me basta. Quanto aos homens não creio neles; há muito que procuro um e não encontro.”

Alexandre riu e disse: “-Agrada-me sua maneira de ser. Para provar o quanto lhe respeito, quero satisfazer qualquer desejo seu. Que deseja?”

“ – Desejo que o Sr. se afaste um pouco para não me tirar o sol.”

Com o semblante circunspecto, Alexandre disse aos que o acompanhavam: - Se eu não fosse Alexandre, gostaria de ser Diógenes.

Depois de breve relato sobre este ser humano estupendo, lúcido e transparente, nos faz acreditar que ainda há pessoas não condicionadas ou convencionais, que apenas são o que são.

O mesmo podíamos dizer de Sócrates, Platão, Jesus, Buda, Lao Tse, Mahavira, Shankara, Ancestrais das religiões afro-brasileiras, entre outros homens maiúsculos que sempre combateram os convencionalismos, o “moralismo”; e a pseudo-cultura que tenta homogeneizar a todos como se estivessem presos a uma “moral de rebanho”.

Carecemos de pessoas citadas como a de Nietzsche que afirmou não existir noções absolutas de bem e mal. Para ele as concepções morais surgem com os homens, a partir das necessidades dos homens. Ou seja, são produtos da história humana. Os homens são verdadeiros criadores dos valores morais, sobretudo algumas religiões, que impõem muitos desses valores humanos como se fossem produto da “vontade divina”.

Muitos podem questionar que estamos tendo como referencia um “celerado” que afirmou o niilismo na “morte de Deus”. O que ele rejeitava, também rejeitamos, ou seja, de que o caminho já esta totalmente traçado, a submissão e o temor ao poder divino.

As religiões afro-brasileiras como dissemos, em outras oportunidades, preconizam e pontificam que a iniciação é o conhecimento de todas as coisas (cosmovisão), mas principalmente da conquista de si mesmo, como forma de vivenciar a liberdade, sem submissão ou conformismo. Portanto não cremos num Deus antropomorfizado, não crendo por conseqüência num destino fatalista ou determinista e muito menos no temor e na submissão ao poder divino.

Nossa ultima assertiva justifica a forma de viver e ser daqueles que escolheram as religiões afro-brasileiras como um caminho para a felicidade, pois acreditam que o “mau destino” é fruto de nossa desatenção para com a vida e, não de castigo divino. Crêem nos augúrios ou oráculos que os fazem ficar atentos para a vida e por intermédio de várias poções alquímicas naturais e sobrenaturais (rituais de fundamento) os colocam nos trilhos da felicidade. A nós compete mantermo-nos no caminho.

Religiões afro-brasileiras e seus emissários de todos os planos quando nos encontram permitem que nos vejamos profundamente. Quando conversamos ou nos comunicamos com eles, estamos nos enxergando... Eles são espelhos, apenas refletem o que somos. Axé!

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 51

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