quinta-feira, 1 de julho de 2010

Assim falava Zaratustra


Um dos maiores, senão o maior crítico da civilização ocidental foi Nietzsche, que em sua genealogia da moral, isto é, o estudo da origem e da história dos valores morais, chegou à conclusão que as idéias morais surgem dos homens, e mais, das necessidades dos homens.

Continuando em sua crítica sobre os valores humanos, aprofunda, afirmando que os homens são os verdadeiros criadores dos valores morais, mormente as religiões que os impõem, como se fossem a “vontade divina”.

“Para Nietzsche a maioria das pessoas adota uma “moral de rebanho”, baseada na submissão irrefletida aos valores dominantes da civilização cristã e burguesa”. (Mello e Souza, Antonio Candido de. O portador. In: Nietzsche, p.411)

A crítica não se aplicaria ao poder temporal que busca abarcar o poder espiritual? O Estado unido à “religião oficial”? Seria a união dos poderes para mais fácil desenvolver a “moral de rebanho”, tão a gosto dos que desejam manter os status quo? Ou seja, aumentar o número de oprimidos, já que os opressores se (re)unem para melhor dominar?

Esse conservadorismo é o mesmo, em suas bases, de quase dois séculos passados, quando se pretendeu “embranquecer” as religiões afro-brasileiras, vestindo-as com o requinte da moda “científica” vigente na Europa, inclusive com perfume francês, em associação com o “hábito negro”. Pronto, eis o sincretismo... que procurou secar a seiva criadora das variadas religiões afro-brasileiras, entre elas a Umbanda.

Teólogos, sociólogos, antropólogos entre os mais cotados, sempre que podem afirmam ser a Umbanda uma mistura de “religião africana” com o catolicismo e o kardecismo como base filosófica. Talvez seja verdadeira a assertiva, mesmo que expresse apenas um único segmento de Umbanda - A Umbanda branca ou Cristã, que merecedora de nosso mais austero e verdadeiro respeito, não é a Umbanda em sua totalidade; é como afirmamos, apenas um único segmento ou Escola.

Será que confundem por não terem percebido sua “gestalt”? Ou por intenção de querer codificá-la, ou melhor, engessá-la, destruí-la? Porque será? Assim falava Zaratustra!...




Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 50

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