segunda-feira, 28 de junho de 2010

A Vertente Una do Sagrado

RESUMO

O Sagrado é a Espiritualidade universal, inerente a todos os seres humanos, corresponde à Essência de cada um de nós e transcende ao corpo físico, assim como a toda forma de energia. O Sagrado é, portanto atemporal, adimensional – Eterno e Infinito.

A Convergência aponta para o Sagrado, este, por sua vez, é a Unidade e Universalidade de todas as coisas e por esta visão não dualista compreende todas as faces da realidade espiritual e material e está presente em todos os Seres, assim como em todos os setores que buscam a vivência desse mesmo Sagrado.

Convergência é a compreensão da Vertente-Una do Sagrado. Passamos de uma visão fenomênica que ressalta as diferenças para uma visão mais aprofundada, interessando-nos a semelhança estrutural, os princípios que formam todas as religiões.

Palavras-Chave: Convergência, Espiritualidade, Religião, Sagrado, Vertente Una do Sagrado.

ABSTRACT

The Sacred is the universal Spirituality, inherent to all human beings, represents the essence of each one of us and transcends the physical body as well as all forms of energy. The Sacred is so timeless, dimensionless - Eternal and Infinite.

The convergence points to the Sacred, this, in turn, is the Unity and Universality of all things and for this non-dualistic vision includes all facets of spiritual and material reality and is present in all beings, as well as in all sectors who seek the experience of that sacred.

Convergence is the understanding of the Holy One-strand. We come from a phenomenal vision that highlights the differences to a more thorough vision, interested in the structural similarity, the principles that make all religions.

Keywords: Convergence, Spirituality, Religion, Sacred, Sacred One-Strand.

A VERTENTE UNA DO SAGRADO

O Sagrado é a Espiritualidade universal, inerente a todos os seres humanos, corresponde à Essência de cada um de nós e transcende ao corpo físico, assim como a toda forma de energia. O Sagrado é, portanto atemporal, adimensional – Eterno e Infinito.

Nossa consciência oscila entre a percepção das formas temporais e a percepção do Ser-em-Si, do Sagrado dentro de nós, que não tem forma, nem tempo. Infelizmente, nossa sociedade atual polariza-se na realidade material, esquecendo-se da realidade espiritual. Já não percebemos que a realidade material é apenas uma manifestação do Espírito e que, assim como teve início terá fim.

A consequência direta da hipervalorização da forma em detrimento da essência é que passamos a pautar nossos valores e relações sociais em função das diferenças aparentes que existem entre nós. Advêm daí vários preconceitos e discriminações com os relacionados com a etnia, com o sexo, com a cultura, com o nível socioeconômico, com a religião, etc.

Temos uma sociedade que dá mais valor à diferença do que à semelhança de todos nós. Favorecemos assim o egoísmo, o exclusivismo e o separatismo.

Estamos acostumados a pensar de forma analítica, vemos a diversidade aparente na natureza perceptível aos nossos sentidos e acreditamos que a pluralidade é a característica do real. Não percebemos que se não tivéssemos as limitações que “cercam” nossa consciência, seríamos capazes de ver que são as mesmas partículas subatômicas que formam toda a existência no plano microscópico e que estamos todos inseridos em um grande contexto universal, onde tudo está interligado, no plano macrocósmico.

Quando a Umbanda por intermédio da Escola de Síntese afirma: - Nossa Pátria é o planeta Terra, quer dizer que percebe a imensa família planetária que representa a humanidade e que temos nossos destinos entrelaçados. A interdependência é o guia da Ética proposta por essa Escola de pensamento filosófico. Todo esforço que fazemos no sentido do autoconhecimento remete à identificação com o outro e passamos a entender o Bem como algo necessariamente coletivo; não existe Bem quando é só para um e não para todos.

Com esses conceitos em mente, podemos definir Convergência e os princípios que podem nortear este processo.

A Convergência aponta para o Sagrado, este, por sua vez, é a Unidade e Universalidade de todas as coisas e por esta visão não dualista compreende todas as faces da realidade espiritual e material e está presente em todos os Seres, assim como em todos os setores que buscam a vivência desse mesmo Sagrado.

Por conseguinte, entendemos que todas as religiões são boas, todas contêm o Sagrado dentro de si e merecem ser respeitadas e louvadas em seus veneráveis propósitos. O primeiro passo da Convergência é a Convivência Pacífica, algo que somente se instalará quando começarmos a dar mais valor à semelhança entre todos os setores filo-religiosos, compreendendo que as diferenças atendem à variação de entendimento do Sagrado que nós, seres humanos, possuímos.

O segundo passo da Convergência é a compreensão da Vertente-Una do Sagrado. Passamos de uma visão fenomênica que ressalta as diferenças para uma visão mais aprofundada, interessando-nos a semelhança estrutural, os princípios que formam todas as religiões.

Como podemos observar no diagrama a seguir, todos acreditam em uma Realidade Divina, perfeita, eterna, Una e imaterial. Os cristãos chamam Deus; os islâmicos, Allah; os judeus, Ieve; os budistas, Nirvana ou Mente Incriada; os Taoístas, Tao; os vedanta, Brahman e assim por diante. Desta forma, temos o topo de nossa Vertente-una.

Existem, também, em todos os setores, Potestades Divinas que coordenam o Universo, as formações da matéria, as leis que regulam a evolução dos seres, com nomes diferentes segundo cada setor, mas com funções semelhantes.

A seguir, temos os Ancestrais Ilustres da humanidade, seres que viveram no planeta, encarnados e que foram veículos da manifestação do Sagrado em sua pureza. Foram os grandes patriarcas, profetas de todos os povos, grandes líderes da humanidade que revelaram meios, métodos e regras para a união do homem com o Sagrado. Os princípios ensinados por estes augustos condutores de raças foram sempre os mesmos, apenas adaptados a cada local e situação.

Por fim, temos a humanidade terrena que ainda se digladia tentando fazer prevalecer a idéia de um sobre os outros, buscando a satisfação dos sentidos como forma de realização da personalidade temporal. Essa mesma humanidade necessita engajar-se neste processo de verticalização que conduz ao Sagrado, ao destino ultérrimo de nossa coletividade planetária.

Esperamos uma nova sociedade, condizente com a natureza sagrada de todos os seres. Reinará no planeta a Paz Mundial e viveremos a Felicidade também durante a vida terrena, pois o Sagrado não é algo para se almejar para depois da vida física, mas para se realizar aqui, agora e sempre...

A Umbanda, humildemente, pretende contribuir com nossa família planetária nessa caminhada, por isso abre suas portas em todas as direções para receber e aceitar as pessoas como elas são e, lentamente, dar-lhes subsídios para serem mais felizes e conquistarem uma paz interior que se reflete na Paz do Mundo.

A Escola de Síntese preconiza, na teoria e na prática, a universalidade e a Unidade de todas as coisas que nos remete à Paz Mundial e à Convergência. Este é o princípio que sustenta todas as ações, mesmo quando atuamos no campo da pluralidade, respeitando o momento de cada um, com a certeza de que somos todos sagrados.

Entendemos que a finalidade da Umbanda é reunir o homem com sua Realidade Espiritual por meio de três etapas:

Reunião com os Ancestrais Ilustres (ritos mediúnicos)

2º Reunião com as Potestades Divinas (Ritos de Canalização com os Orixás)

3ª Reunião com a Divindade Suprema (Identificação com a Consciência–Una)

Vejamos no esquema abaixo as Hierarquias espirituais como são entendidas pela Escola de Síntese e cada um poderá transpor este sistema para todos os demais setores filorreligiosos.





As etapas podem ser progressivas ou concomitantes, sem solução de continuidade; está na dependência de cada indivíduo, que é livre para dimensionar as formas parciais ou globais de vivências do Sagrado, que insistimos ser a Espiritualidade Universal inerente a todo ser humano, vivente no seu interior. Vivamos o Sagrado?!? Axé.

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 49

Bibliografia

· RIVAS NETO, Francisco. Do Sincretismo à Convergência. In: II CONGRESSO BRASILEIRO DE UMBANDA DO SÉCULO XXI, São Paulo: Faculdade de Teologia Umbandista, 2009.

· RIVAS NETO, Francisco. Sacerdote, Mago e Médico : cura e autocura umbandista: terapia da alma. 1. ed. São Paulo: Ícone, 2003, 493p.

· RIVAS NETO, Francisco. Umbanda A Proto-Síntese Cósmica. 4. ed. São Paulo: Pensamento, 2007, 392p.

Um comentário:

  1. Muito interessante o blog!
    Voltarei sempre que puder!
    Tem muita informação importante...


    Aninha

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