quinta-feira, 17 de junho de 2010

Tratamento da Esquizofrenia

A mais comum das doenças mentais se caracteriza por distorção do senso de realidade, inadequação e falta de harmonia entre pensamento e afetividade, e freqüentemente alucinações e idéias delirantes (Kaplan). A tendência à enfermidade é hereditária, mas fatores psicossociais também contribuem.

Os principais tipos são: catatônico (mudo, estuporoso, bizarro, delirante), paranóide (“perseguido”), hebefrênico (frívolo, infantil, isolado), simples (apático, regressivo).

O tratamento é feito com drogas antipsicóticas e psicoterapia com o mínimo de hospitalização (vide publicação 45).

TRATAMENTO SEGUNDO AS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS

1. Nunca interromper o tratamento farmacoterápico ou psicoterápico do paciente;

2. Nem sempre se pode curar todos os males, mas com certeza, aliviar sempre;

3. A maioria dos pacientes esquizofrênicos são perturbados espirituais, tem comprometimento espiritual (atuação de espíritos antagônicos – kiumbas, eguns e toda sorte de marginais espirituais);

4. Esses espíritos antagônicos atuam no campo mental do indivíduo, desarmonizando pensamentos, sentimentos e comportamentos, podendo apresentar sintomas de conversão (a mente desgovernada manifesta sintomas físicos);

5. Terapia do diálogo

Atuação por intermédio dos ritos (enjiras) onde os ancestrais ilustres atuam com suas palavras de poder, seus passes e outros processos terapêuticos do plano espiritual;

6. Bori

O bori é essencial, pois fortalece a cabeça (ori) propiciando uma natural repulsão de energias negativas oriundas da mente destrambelhada.

Permite ao indivíduo retomar a conexão com seu ori e por decorrência com seu olori (o Orixá dono da cabeça) fazendo-o retornar ao equilíbrio mágico-sagrado (fluxo contínuo de axé);

7. Ervas

Devem ser qualificadas adequadamente. Saber se são: masculinas/femininas; direita/esquerda; positiva/negativa; quente/fria; utilizadas com metodologia própria do culto de Ossaim (Sassanha) onde se despertam as ervas, com cânticos sagrados adequados e ofós.

São usadas em banhos do descarrego, purificação, propiciatório, etc. Defumações, abôs, sacudimentos (no final), amassis, etc;

8. Oferendas e ebós em suas várias formas e finalidades;

9. Terapia do transe mediúnico – para aqueles que são médiuns e não sabiam, ou mesmo para outros que são médiuns e não souberam como manter a mediunidade e para alguns “iniciados” que infortunadamente rolaram os degraus da iniciação.


Depois destas considerações que esperamos possam trazer luz ao tema discutido, disponibilizamos vídeo – Iniciação como terapia da alma. Axé!





Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 46

Um comentário:

  1. Olá! Obrigado por todo o trabalho desenvolvido pela FTU, em especial ao "Pai Rivas". Sou um internauta adimirador, e gostaria muito que, se possível, falassem um pouco sobre arte, em especial as artes dramáticas na visão das religiões afro, pois sou artista de teatro e assisti um vídeo de vocês praticando a "terapia do transe" muito parecido com nossas preparações cênicas. Como vêem o teatro brasileiro moderno para a sociedade, e toda essa linguagem pós moderna existente inclusive na dramaturgia? (à ex.: Zé Celso no Teatro Oficina, Antunes Filho, e outros...)
    Muito obrigado pela atenção, e continuarei plugado em vocês.

    Saudações carinhosas e artisticas,
    Diego Gonzalez
    Companhia teatral Bará.
    e-mail: diemargon@hotmail.com

    ResponderExcluir