quinta-feira, 6 de maio de 2010

Terapia do Transtorno de Estresse Pós-traumático (TEPT)

Antes de apresentarmos as várias terapias ou tratamentos disponíveis na medicina oficial acadêmica e na medicina complementar, em especial as preconizadas pelas religiões afro-brasileiras, queremos fazer algumas considerações finais sobre os transtornos de ansiedade, os quais demandaram algumas publicações.

Nos primeiros textos afirmamos que tínhamos convicção que a maioria das doenças tinha como etiologia, evidente ou subliminar, a ansiedade. Claro está não negarmos os transtornos que podem ter causas genéticas (genoma), imunológica, ou melhor psiconeuro-imunoendocrinológica, mas que não descartam a ansiedade. Só estas assertivas são suficientes para justificar os vários transtornos discutidos, todos tendo como pano de fundo a ansiedade (ansiedade patológica, transtorno de pânico, fobias específica e social, TOC e finalmente transtorno de estresse pós-traumático (TEPT)).

No TEPT não discorremos sobre o mesmo em crianças e adolescentes, pois as variações são mínimas, embora saibamos que o transtorno é mais elevado do que em adultos expostos ao mesmo estressor.

Outras ocasiões em que é comum desenvolver-se o TEPT são as guerras, as revoluções, chacinas e outras tantas violências cometidas pelo homem contra o homem.

Somos de opinião que a tortura definida pelas nações unidas como sendo o “ato de infringir” a um indivíduo, deliberadamente dor ou sofrimento mental grave, em geral por meio de tratamento ou punição cruel, desumano ou degradante. O mesmo acontece em relação à lavagem cerebral, algo abominável não somente nas relações interculturais, mas principalmente nas religiões ou seitas onde tivemos malfazejos exemplos, culminando em violência, morte - genocídio.

Infelizmente, para nós seres humanos, nem sempre possuímos o discernimento necessário e muito menos a clareza, a transparência mental ou equilíbrio para vencer óbices que não deveriam mais existir. Precisamos urgentemente cuidar de nosso mundo interno, caso contrário iremos destruir o mundo externo, e pior, o “mundo humano”. Urge que remodelemos nossas instituições e invertamos a ordem dos valores dominantes que até o momento não trouxeram a paz, a concórdia e a igualdade tão desejada.

A mudança se inicia no interior de cada indivíduo, assim teremos uma humanidade melhor, um ambiente físico mais condizente com a sobrevida humana, sem as dores e sofrimentos que nos infelicitam por essa ou aquela doença. Para isso necessitamos como dissemos, ter valores, por ordem de importância, espiritual, cultural, social, político e econômico. A ordem na atualidade é invertida. Temos a economia (lobbys) dominando a política, fazendo-a refém de grupos plutocratas, onde não há lugar para o social, cultural e muito menos para o espiritual.

Após as últimas considerações, que creditamos ao nosso propósito de “cura dos problemas do mundo”, além de nossas ilações, que devem ser bem interpretadas e pensadas, penetremos nos trilhos que nos conduzem ao tratamento do TEPT, os quais têm muito mais conteúdo etiológico do proposto pela psicopatologia; apesar de tudo, devemos objetivar ser de suma importância os medicamentos propostos pela psicofarmacologia, pois mesmo não resolvendo os transtornos nas causas permitem o tratamento sintomático, o qual é um avanço importantíssimo para o doente e seus familiares. O mesmo acontece para nós, pois preconizamos a interferência de outras mentes, as do além, nos doentes, fazendo-os padecer de sofrimentos atrozes. Os medicamentos (psicofarmacológicos) são importantíssimos, pois permitem uma trégua (psicossomática) para entrarmos com o “tratamento” que afaste a influência das mentes do além, segundo os fundamentos grassados pela medicina complementar, pelas várias “psicoterapias” e das curas provenientes das religiões afro-brasileiras, que sem ser uma panacéia, nem muito menos “tenda dos milagres”, muito tem colaborado na erradicação dos transtornos psicossomáticos e, segundo convicções, com influências intrusivas, de mentes antagônicas.

TRATAMENTO OU TERAPIA

FARMACOTERAPIA

1. O tratamento de primeira linha consiste em:

a. Inibidores da recaptação da serotonina (ISRSs)

Sertralina

paroxetina

2. Medicamentos tricíclicos ou tetracíclicos

Imipramina

Amitriptilina

3. Medicamentos que podem beneficiar o paciente

a. Inibidores da monoaminooxidase (IMAO)

Fenalzina

Trazodona

b. Anticonvulsivantes

Carbamazepina

Valproato

4. Agentes anti-adrenérgicos

Clonidina

Propanolol

Deixamos de citar o nome comercial dos medicamentos, pois somente o médico pode prescrever, e mesmo assim, com o paciente presente, após anamnese, exame físico, diagnóstico, prescrição médica e prognóstico.

Felizmente, a maioria dos medicamentos prescritos é com receita retida (“medicamentos de tarja preta” ou especiais).

PSICOTERAPIAS

O médico deve tentar desestigmatizar a noção de doença mental. As primeiras abordagens são apoio, encorajamento para discutir o acontecido e instrução sobre uma série de mecanismos para lidar com ele (por ex. relaxamento). [PAIN]

A colaboração adicional para o paciente e para sua família pode ser obtida por meio de grupos de apoio.

a. Terapia comportamental

b. Terapia cognitiva

c. Hipnose

Os mecanismos são os aventados nas publicações anteriores:

Dessensibilização (exposições gradativas do trauma)

Inundação (exposição intensa do trauma)

Psicoterapia Complementar

Vivência-terapia continuada (individual)

Vivência-terapia breve (pedagógica para os familiares)

TRATAMENTO PRECONIZADO PELAS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS

Mote das religiões afro-brasileiras – sumário

No ocidente as religiões abraâmicas são denominadas religiões do livro. Sim, as “escrituras sagradas” estão presentes no Judaísmo (Torah), Cristianismo (Evangelho) e Islamismo (Corão).

No que concernem as religiões afro-brasileiras são da tradição oral, embora o matemático e probabilístico sistema divinatório de Orunmilá-Ifá possua mais de quatro mil historietas, expressas nos poucos conhecidos esé Itanifá – os versos sagrados de Ifá.

Outras teias unem as religiões afro-brasileiras como transe, culto das divindades (Orixás, Inquices, Vodun), culto aos ancestrais ilustres (Babaegun, Caboclo, Preto Velho, Baiano, Exu e outros), toque dos ilus, danças e cânticos sagrados, comidas votivas (secas ou com sacrifícios de animais) e bebidas ritualísticas (vinho da Jurema, cauim, aluá e outros).

Nesse imenso cadinho étnico-cultural, mágico e religioso se sustentam muitos cultos, mas todos promovem a Cura Universal, uma forma de “Cura total” das mazelas do mundo.

Desejam “curar” as desigualdades, a fome, a miséria e o sofrimento que campeia mundo afora. Apontam para o ponto de encontro, comum a todo ser humano – a libertação do que escraviza – o sofrimento e todo seu séquito devastador, que invariavelmente termina nos guantes de Tânatos.

Pretende restaurar “Eros” com toda sua verve e poder vital, de universalidade logo, de todos os seres humanos.

Após a apresentação resumida do mote das religiões afro-brasileiras, penetremos no cerne dos tratamentos por elas preconizados:

1. Todo sofrimento espiritual, material (corpo) ou social é decorrente de desarmonias do individuo com seu Ori e, por decorrência, com seu Orixá. Várias seriam as causas das desarmonias que se apresentam como “doenças” físicas, sociais ou espirituais.

As doenças físicas (ausência de saúde e vitalidade) na maioria das vezes devem-se à “carência de axé”, que emana do Orixá, manifestados nos minerais, vegetais, animais e nos humanos. A solução de continuidade do axé do Orixá ao indivíduo pode estar na sua desatenção para com a vida, levando ao enfraquecimento de seu Ori (cabeça/ mente) permitindo a intromissão de seres negativos (egun, quiumba, ajagun, etc) e mesmo de egrégoras dissonantes, formas ou conjunto de pensamentos negativos que promovem enfermidades, debeladas ou não, tudo na dependência do tempo em que se instalaram e quando feitos diagnóstico e tratamento.

As doenças, não só as do corpo, mas as do afeto (desamor consigo mesmo e com os outros), no social (desequilíbrio financeiro, de relacionamento, de sustentabilidade) e no espiritual (problemas ou transtornos mentais) devido a seres antagonistas, mediunidade não desenvolvida ou mal sintonizada, desencadeiam um séquito de eguns e tantos outros seres inferiores do além.

É decisivo, no tratamento, retirar as negatividades ou “carregos”. Procurar manter o axé (Princípio e Poder de Realização) que permite o crescimento, proporciona harmonia, estabilidade e equilíbrio entre a vida espiritual, orgânica e social. Promove a harmoniosa unidade Orixá-ori-indivíduo .

2. Banhos de descarrego – por meio de várias ervas consagradas e “acordadas” por Ossaim, que neutralizam negatividades e antagonistas, repulsando-os.

3. Banhos de purificação – com as mesmas especificações anterior, acrescidas de ervas próprias à finalidade.

4. Banho propiciatório – com ervas e outros elementos que devolvem, restituem o axé, promovendo equilíbrio.

5. Sacudimento – com são gonçalinho, aroeira, peregun, espada de são jorge e outras (retira as más vibrações).

6. Oferendas diversas – com ou sem sacrifício, se houver efusão de sangue animal tem de acompanhar obrigatoriamente acassá e água fresca - omi tutu.

7. Após o ebó ter sido entregue (“despachado”), pode ser adimu, tomar banhos de ervas afins, acrescidos de acassá dissolvido, sem a folha de bananeira.

8. Ebós para saúde e para fins vários. Não é superstição ou para enganar os desatentos, desavisados ou ingênuos, como muitos tem sentenciado, mas para devolver o bem estar ao indivíduo. É feito com vários vegetais específicos segundo reza o fundamento. Ex.: chuchu, pepino, abobora e outros.

9. ABÔ – Mistura tradicional dentro dos processos da iniciação. Compõe-se de ervas selecionadas e afins a determinadas linhagens sacerdotais (17 a 21 ervas). Expressam o poder curativo e mágico dos Orixás e, em especial, de Ossaim, Orunmilá e Exu (folhas – destino – comunicação).

10. Chás / decocções – fitoterapia para todos os males sejam de saúde, de “feitiçaria” e outros.

11. Amaci – se o individuo tem “carrego de santo” ou “cargo no santo”. Mesmo necessidades espirituais e mentais várias.

12. Bori – dar de “comer” à cabeça (ebó + ori), venerar a cabeça (bo + ori). Fortelecer a “cabeça” para vencer demandas, quizilas, doenças ou para assentar o santo (olori). Harmonizar o indivíduo com seu Ori e Orixá – o dono da cabeça – olori, eledá, oluware ou “anjo de guarda”. Renova e fortalece a unidade e origem mítica (Ipori).

13. Bará ou Oke Ipori

Bará – Oba/Ará (o rei do corpo) – Preceituar o destino individual assentado no pote (kolobo). Representa o Bará Orun, mas fortalece o corpo (a energia vital, por intermédio de Bará ayê). No pote (continente) há conteúdo fundamental, próprio de cada Casa, em geral se compõem de búzios, obi, orobo, okutá (17) e outros.

14. Ritos de bênçãos e bons auspícios “curativos” (espírito, social e corpo). Não podem faltar as oferendas do Orixá, Babá egun (ancestral) ou ao Ori e Exu. A oferenda pode ser apenas água fresca (omi tutu) e acassá, que são oferendas indispensáveis, de fundamento.

15. Rito devocional – “deitar na dicissa” – louvar o Orixá (Olori) e o Juntó, ou o ancestral (Baba egun, Caboclo, Boiadeiro, Encantado).

16. Oráculo Terapia (Oponifá, Opele ti Ifá, Merindilogun, Ibo, obi, etc). O oráculo, seus vaticínios retifica o destino, afastando os maus augúrios, osogbo, eguns e ajagum.

Após consultar Orunmilá-Ifá é necessário dar adimu (o jogo diz o que, para quem e onde) favorecendo positivamente o destino. O mesmo, por ser aberto, o indivíduo é quem decide, é livre para se libertar do que o escraviza - o sofrimento.

17. Dialogoterapia (Diálogo como terapia)

Nas religiões afro-brasileiras, na maioria de seus cultos, há as “engiras” com consultas aos ancestrais (transe mediúnico). Os ancestrais são invocados para aconselharem e auxiliarem a resolver os mais variados problemas, que podem ser de quatro espécies: afetivo-emocionais, saúde, espiritual e das coisas materiais como as financeiras, de trabalho profissional, estudos e problemas judiciais ou policiais. Durante a consulta, há a veiculação do som, do sopro divino, o ar divino, principalmente da massa-genitora primeva – Ofurufú – a vida renovada – o Verbo Divino.

18. “Fumaçadas” (Defumação com a Marca)

“Fumaçadas curativas” para todos os momentos e finalidades. Usadas na pajelança, na Jurema e outros cultos das religiões afro-brasileiras. São verdadeiros medicamentos eólicos.

As mesmas são misturas de tabaco (fumo) com outras ervas curativas ou mágicas, segundo a necessidade que o próprio Mestre saberá escolher, seja ele juremeiro, rezadeiro, erveiro, mateiro, benzedeiro, curandeiro ou feiticeiro (mandingueiro). Que o sopro divino nos envie seus “ventos” medicinal e ritual. Saravá! Salve a Jurema, Salve os Mestres do além e todos os demais encantados.

Na dependência de qual for a enfermidade, será utilizada a erva ou conjunto de ervas adequadas, seja nos banhos, ebós, sacudimentos, fumaçadas, o mesmo ocorrendo para os problemas materiais, emocionais ou espirituais.

Para melhor entendimento dos tratamentos propugnados pelas religiões afro-brasileiras, disponibilizaremos o vídeo que demonstra a terapia alquímica da dialogoterapia em associação com o transe mediúnico.


Caso não consiga assistir o vídeo, clique aqui

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 34

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