segunda-feira, 17 de maio de 2010

Síndrome Neurastênica: Neurastenia

RESUMO

Neurastenia (“exaustão nervosa”), termo cunhado e introduzido no ano de 1860 pelo neuropsiquiatra americano Jorge Miller Beard, caracteriza-se como fadiga crônica e incapacitação. Apesar deste termo não ser mais usado com freqüência, aparece na literatura psiquiátrica e continua a constituir uma entidade diagnóstica da CID-10, na qual está classificado como um dos transtornos neuróticos.

Os componentes aventados como predisponentes da neurastenia, podem ser biológicos (infecção) ou psicológicos (morte de um parente próximo). Na atualidade, psicanalistas pós-freudianos consideram a neurastenia como reação a fatores inconscientes como sentimento de rejeição, baixa auto-estima, sensação de desvalia e raiva reprimida.

Muitas seriam as causas preconizadas para a neurastenia, mas segundo as religiões afro-brasileiras a grande maioria deve-se ao ataque de inimigos espirituais (espíritos “sem corpos”) ou agressão mística (goécia) algo que infortunadamente infelicita muitos pacientes, muitas pessoas que não sabem da causa.

Palavras-chave: Goécia, Mente, Neurastenia, Religiões Afro-brasileiras, Sistema Nervoso

ABSTRACT

Neurasthenia (nervous exhaustion), a term invented and introduced in 1860 by the American neuropsychiatrist George Miller Beard, is characterized as chronic fatigue and disability. Although this term is not used more often, it appears in the psychiatric literature and remains a diagnostic entity in ICD-10, which is ranked as one of neurotic disorders.

The components considered as predisposing of neurasthenia may be biological (infection) or psychological (death of a close relative). Currently, post-Freudian psychoanalysts consider neurasthenia as a reaction to unconscious factors as feelings of rejection, low self-esteem, feelings of worthlessness and suppressed anger.

Many are the causes advocated for neurasthenia, but according to the african-Brazilian religions the vast majority is due to the attack of spiritual enemies (spirits without bodies) or mystical aggression (goetia) something that unluckily disgraced many patients, many people who do not know the cause.

Keywords: Goetia, Mind, Neurasthenia, Afro-Brazilian Religions, Nervous System

SÍNDROME NEURASTÊNICA

NEURASTENIA

O manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-IV) classifica a neurastenia como transtorno somatoforme indiferenciado.

Neurastenia (“exaustão nervosa”) termo cunhado e introduzido no ano de 1860 pelo neuropsiquiatra americano Jorge Miller Beard caracteriza-se como fadiga crônica e incapacitação.

Apesar deste termo não ser mais usado com freqüência, aparece na literatura psiquiátrica e continua a constituir uma entidade diagnóstica da CID-10, na qual está classificado como um dos transtornos neuróticos.

Na Europa e na Ásia é aceita, constituindo-se num bom exemplo das diferenças culturais a influenciar a classificação e manifestação da doença, e caracterizada por fadiga, cefaléia, insônia e outras queixas somáticas vagas, resultante do estresse crônico, mais do que conflitos psicológicos inconscientes.

Muitos autores, renomados em suas áreas, afirmam que especialmente no leste asiático é preferível o diagnóstico de neurastenia, devido à resistência à categorização de portador de transtorno mental. Essa evidência é especialmente constatada na China.

A “exaustão nervosa” dizia respeito, segundo Beard, a depleção de “nutrientes armazenados” na célula nervosa. Seria resultado de um estressor, que desencadearia segundo a teoria da “diátese nervosa” (vulnerabilidade específica do indivíduo) uma gama de sintomas difusos.

Os componentes aventados como predisponentes da neurastenia, podem ser biológicos (infecção) ou psicológicos (morte de um parente próximo).

Na atualidade, psicanalistas pós-freudianos consideram a neurastenia como reação a fatores inconscientes como sentimento de rejeição, baixa auto-estima, sensação de desvalia e raiva reprimida.

Algumas características clínicas que podem estar presentes são as queixas persistentes de sensação de exaustão em geral após esforço mental comum (cotidiano) e queixas de sensação de fadiga e fraqueza física (do corpo) após pequeno esforço. Acompanham sintomas variáveis tais como: irritabilidade, transtornos do sono, dores musculares, tontura e incapacidade de relaxar.

Nas condições citadas, o repouso, o relaxamento e o entretenimento são ineficientes na recuperação dos sintomas. Digno de nota é que apesar dos exames físicos e complementares serem inconclusivos, e na maioria dos casos nada ser detectado, os sintomas não são imaginários. Tem existência objetiva e não podem ser eliminadas por um ato de vontade.

No anseio de resumir, apontamos como fundamental no diagnóstico os sintomas de fraqueza e fadiga crônica, dores e ansiedade geral ou “nervosismo”.

É característica a fadiga após esforço mental, associada à diminuição do desempenho ocupacional e da eficiência nas tarefas cotidianas. Além dos sintomas relacionados não podemos deixar de citar a ansiedade generalizada, dificuldade de concentração, cefaléia, sudorese excessiva, disfunção sexual (transtorno erétil), palpitações, parestesia, memória comprometida, tremores, dores nas costas, irritabilidade e sentimentos de desesperança.

Continuando, antes do término, sabe-se que neurastenia ocorre com maior freqüência durante a adolescência ou a meia idade. Se não tratada pode cronificar e os pacientes ficarem incapacitados.

Na infância pode se manifestar por dificuldades na performance escolar, incluindo não comparecimento às aulas e notas baixas. Na vida adulta, o desempenho no trabalho se deteriora, e o indivíduo pode se sentir tão debilitado que o trabalho se torna impossível. (KAPLAN)

Pacientes que receberam diagnóstico na infância, o prognóstico, sem tratamento, é reservado, com sintomas crônicos como resultado mais esperado. Muitas vezes é impossível ou difícil distinguir os sinais iniciais, prodrômicos da esquizofrenia ou do transtorno bipolar da neurastenia.

A terapêutica tem uma gama ampla de possibilidades, proporcionando razoável prognóstico.

Como temos feito nos outros transtornos, deixaremos para a próxima publicação a terapêutica segunda à medicina acadêmica, igualmente o tratamento preconizado pelas religiões afro-brasileiras.

No término desta publicação não podemos deixar de citar, em nome de princípios por nós defendidos, que a neurastenia deve-se a um profundo desequilíbrio da mente sutilíssima, desencadeando desestabilidade na mente sutil (pensamentos negativos do próprio indivíduo e de antagonistas sobrenaturais) e uma total desarmonia na mente densa (corpo físico) iniciando a derrocada no sistema nervoso central, continuando no sistema nervoso autônomo, glândulas endócrinas (sub-clínico) e para toda economia orgânica.

Muitas seriam as causas preconizadas para a neurastenia, mas segundo as religiões afro-brasileiras a grande maioria deve-se ao ataque de inimigos espirituais (espíritos “sem corpos”) ou agressão mística (goécia) algo que infortunadamente infelicita muitos pacientes, muitas pessoas que não sabem da causa. Portanto, alertamos se, a medicina esgotar todos os recursos técnico-científicos, é de bom alvitre o paciente procurar quem o possa ajudar no âmbito do sobrenatural.

No encerramento, citemos alguns autores clássicos que estudaram a influência do sobrenatural, sem contudo prová-lo cientificamente:

- Há mortalidade mais precoce em pessoas que sofrem conflitos psicológicos (P. Hermann)

- A morte vodu de pessoas condenadas por meio de magia, estudada pelo fisiologista Walter B. Cannon.

Precisamos ter sabedoria e humildade para iniciar um estudo sério sobre os fenômenos sobrenaturais, e ficaremos perplexos, perceberemos que são fatos insólitos, mas não por isso devam ser descartadas suas possibilidades causais. Renovemos e amplifiquemos os conceitos, pois já se tardam os (pré) conceitos.

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 37

Bibliografia

Aspectos Psicológicos e Psiquiátricos

· ANDRADE, Arthur Guerra de. ALVARENGA, Pedro Gomes.Fundamentos de Psiquiatria. 1. ed. Barueri: Manole, 2008, 644p.

· AUSIELLO, Dennis. GOLDMAN, Lee. Cecil - Tratado de Medicina Interna - 2 Vols. 23. ed. Rio de Janeiro: Ed. Elsevier, 2009, 2688p.

· BICKLEY, Lynn S. Propedêutica Médica – Bates. 8. ed. Rio de Janeiro: Ed. Guanabara Koogan, 2005, 928p.

· HALL, Calvin S. LINDZEY, Gardner. CAMPBELL, John B.Teorias da Personalidade. 4. Ed. Porto Alegre: Artmed, 2000, 591p.

· KAPLAN, Harold I., SADOCK, Benjamin J. Tratado de psiquiatria. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 1999, 1486p.

· MURPHY, Michael J. COWAN, Ronald L. Psiquiatria – Murphy – Série Blueprints. 4. ed. Rio de Janeiro: Ed. Revinter, 2009, 152p.

· PADRO, Cintra do. VALLE, Ribeiro do. RAMOS, Jairo.Atualização Terapêutica. 23. ed. Porto Alegre: Ed. Artes Médicas, 2007, 2400p.

· PAIN, Isaias. Tratado de Clínica Psiquiátrica. 3. ed. São Paulo: E.P.U. Ed, 1991, 370p.

· PINHEIRO, Raimundo. Medicina Psicossomática – Uma abordagem clínica. 1. ed. São Paulo: Fundo Editorial DYK, 1992, 125p.

· PORTO, Celmo Celeno. PORTO, Arnoldo Leme. Semiologia Médica. 6. ed. Rio de Janeiro: Ed. Guanabara Koogan, 2005, 1356p.

· SÓFOCLES. Édipo Rei. 1. ed. Porto Alegre: L&PM, 2001, 104p.

Aspectos Religiosos

· RIVAS NETO, Francisco. Do Sincretismo à Convergência. In: II CONGRESSO BRASILEIRO DE UMBANDA DO SÉCULO XXI, São Paulo: Faculdade de Teologia Umbandista, 2010.

· RIVAS NETO, Francisco. Sacerdote, Mago e Médico : cura e autocura umbandista: terapia da alma. 1. ed. São Paulo: Ícone, 2003, 493p.

· RIVAS NETO, Francisco. Vídeo-Aula 19: A ciência do Orixá - Parte 2 - Psicanálise e Arquétipos dos Orixás. Disponível em:mms://wm01.mediaservices.ws/ftu12-ondemand/FTU_VIDEOAULA_19.wmv. Acesso em: 17 abr 2010.

2 comentários:

  1. Sua Benção meu Pai!
    Obrigado pela explicação, sei que apos essa terapia que acabamos de fazer com o senhor, tenho certeza que uma melhora eu terei, pois sempre achei mesmo que tinha algo mais sobre a espiritualidade do que outra causa em si. Agora eu tenho um PAI verdadeiramente, sei que posso contar com seu "colo" minha cabeça tem sua mão e por isso sei que estou no caminho certo, deixo aqui minha pura e verdadeira declaração de amor incondicional, pois nao tive pai de sangue por uma tragédia familiar, e sempre busquei esse pai por me fazer falta mesmo, e agora encontrei e o considero assim, meu PAI(figura masculina de segurança) e PAI espiritual que me ajuda a compreender esse caminho e também para me preparar para esse responsabílidade linda que é a UMBANDA, quero SER(por mim) FAZER(pelos outros) e VIVER essa vida maravilhosa! OBRIGADO do fundo da minha alma, que todos os ORIXAS cubram o senhor de SAUDE e muito mais sabedoria. Fabiani Pires Pereira, Terreiro Vovó Cambinda, Curitiba - Pr (e sua FILHA se tiver essa honra) Abraços fraternos.

    ResponderExcluir
  2. Olá, gostaria de saber se tem algum tratamento que posso fazer aqui em Curitiba, ou quem procurar, pois preciso dar continuidade no tratamento, ainda não é fácil para mim. obrigado. Fabiani Pires (fabiani.pires@hotmail.com)

    ResponderExcluir