segunda-feira, 19 de abril de 2010

Transtorno de Ansiedade: Fobias Específica e Social

RESUMO

A fobia se refere a medo excessivo de objeto, circunstância ou situação específica. Medo intenso e persistente de um objeto ou de uma situação é denominado fobia específica. A fobia social é o medo intenso e persistente de situações em que possa ocorrer embaraço.

Um sintoma característico da fobia é a ambivalência (coexistência de impulsos e emoções contraditórios ao mesmo objeto. A ambivalência dos sintomas fóbicos está bem demonstrada no ponto de vista sobre o papel protetor do sintoma fóbico.

Discutiremos neste texto um caso onde se evidencia além dos fatores psicogênicos (em geral repressões ou conflitos inconscientes), os fatores espiríticos do próprio indivíduo ou em associação com antagonistas de outras dimensões da vida.

Palavras-chave: Fobias Específicas, Fobias Sociais, Ritos de Fundamento, Transe, Transtornos de Ansiedade

ABSTRACT

Phobia refers to excessive fear of an object, circumstance or situation. Intense and persistent fear of an object or a situation is called specific phobia. Social phobia is the intense and persistent fear of situations in which embarrassment may occur.

A characteristic symptom of phobia is the ambivalence (the coexistence of contradictory impulses and emotions to the same object. Ambivalence of phobic symptoms is well established in view of the protective role of the phobic symptom.

In this text we will discuss a case where in addition to psychological factors (in general repression or unconscious conflicts), we can find the spiritual factors of that individual or in combination with antagonists of other dimensions of life.

Keywords: Specific Phobias, Social Phobias, Rites of Ground, Anguish, Anxiety Disorders


TRANSTORNOS DE ANSIEDADE

FOBIAS ESPECÍFICA E SOCIAL

A fobia se refere a medo excessivo de objeto, circunstância ou situação específica. Medo intenso e persistente de um objeto ou de uma situação é denominado fobia específica. A fobia social é o medo intenso e persistente de situações em que possa ocorrer embaraço.

A fobia é estudada e caracterizada como um medo irracional que produz a evitação consciente de assuntos, de atividades ou de situações temidos.

A presença bem como a antecipação da situação fóbica desencadeia um sofrimento grave no indivíduo afetado. Essas respostas podem tomar forma de um ataque de pânico. As reações fóbicas por sua vez perturbam a capacidade do indivíduo de ter bom desempenho na vida, sendo este um óbice importante que pode comprometer em definitivo o indivíduo doente.

Retomando a fobia específica, as mesmas podem antecipar lesões, como mordidas de animais domésticos, ou podem entrar em pânico com o pensamento de perder o controle; por exemplo, se tem medo de elevador, também pode se preocupar com o fato de ter um mal súbito quando a porta se fechar.

No caso da fobia social (transtorno de ansiedade social) tem medo excessivo da humilhação ou embaraço em várias situações sociais, como falar em público, urinar em banheiros públicos, etc.

Depois das ligeiras considerações concluímos que o principal sintoma das fobias é a ansiedade. Entretanto a ansiedade difusa pode ligar-se a qualquer elemento externo, interpessoal ou físico, enquanto as fobias o paciente fixa sua ansiedade num determinado objeto ou situação a qual ele não pode evitar.

Entre as fobias comuns incluem-se: agorafobia (medo de locais amplos e abertos), claustrofobia (medo de ambientes fechados); acrofobia (medo de altura), xenofobia (medo de estranho), zoofobia (medo de animais). Síndrome específica descritas como são as constituídas pela fobia do metrô, fobia do avião e tantas outras mais.

Mas como se apresenta ao paciente a fobia? Apresenta-se com uma característica particular comum: o paciente evita o objeto de seu medo, pois do contrário algo de mal irá lhe acontecer apesar dele não saber exatamente o quê e como.

A terapia exploradora (raramente bem sucedida) poderá revelar a razão de seu medo, todavia interpretações agressivas na fase inicial do tratamento apontam para o fracasso terapêutico. Mesmo que o médico-curador reconheça alguma das causas da fobia, a simples tranquilização é raramente eficaz, pois os sintomas estão tendo a importante função de promover alívio emocional, concentrando toda a ansiedade em alguma coisa, o paciente – mesmo a um grande custo – evita os sofrimentos da ansiedade.

O medo de espaços abertos (agorafobia) pode representar o medo da separação do ambiente protetor do lar. Pacientes com claustrofobia podem estar sentindo o medo de tomar suas próprias decisões.

Um sintoma característico da fobia é a ambivalência (coexistência de impulsos e emoções contraditórios ao mesmo objeto. Em geral, o temor se refere à coexistência de amor e ódio, enfim “atitudes” contraditórias). Do mesmo modo que sintomas “neuróticos” em geral, a fobia serve a dois propósitos:

  1. Deve ajudar de algum modo o indivíduo a se adaptar ao seu problema emocional, mesmo que seja um recurso pouco satisfatório ou desagradável;
  2. Deve preencher, pelo menos na fantasia, os desejos reprimidos inaceitáveis, sendo a dor e o sofrimento fatores concomitantes de punição. Ambos os fatores citados remetem à “ansiedade de separação”.

A ambivalência dos sintomas fóbicos está bem demonstrada no ponto de vista sobre o papel protetor do sintoma fóbico. O paciente fóbico pode freqüentemente superar seus receios quando protegido por alguém geralmente uma determinada pessoa.

Nas meninas fóbicas, a mãe assume freqüentemente o papel protetor. Caracteristicamente, o protetor é uma pessoa à qual o indivíduo fóbico devota sentimentos ambivalentes de amor e ódio (Kaplan).

O que determina a escolha do sintoma fóbico é tão “pouco compreendido”, como a escolha de sintomas psiquiátricos em geral. Entretanto, o significado da situação evitada numa fobia é frequentemente bastante “evidente”.

Após os aspectos gerais do quadro clínico das fobias, penetremos um pouco mais na clínica e melhor entenderemos a “dor espiritual” que infelizmente acomete os portadores das várias fobias.

Mecanismos de defesa são essenciais para o entendimento, no caso, das fobias e seus sintomas. O ego deve lidar não somente com as demandas e pressões do ID e do superego, mas também com as memórias do passado e com o mundo externo. Ele (o ego) atua melhor quando está ciente de todos os fatos, pressões e impulsos que deve enfrentar e quando pode ser totalmente objetivo, lógico e racional.

Entretanto sem situações que provocam fortes sentimentos de culpa ou ansiedade, o ego não pode operar deste modo; a ansiedade-sinal inconscientemente ativa uma série de mecanismos de defesa para proteger o ego contra uma dor psíquica iminente. Estes mecanismos operam em graus variáveis de sucesso e em alguns casos são construtivos e moderadamente eficientes. Alguns são melhores que outros, no sentido de que não desperdiçam muita energia psíquica e não interferem exageradamente com outras funções do ego; mas todos são menos satisfatórios do que um ego liberto funcionando na plena percepção da realidade objetiva, sendo que todos requerem algum gasto de energia psíquica.

Depois dessas explicações necessárias explicaremos de forma sumarizada mecanismos por nós evocados afetos às fobias. A projeção é o mecanismo pelo qual o ego recusa-se em reconhecer um impulso inaceitável do ID, dirigindo-o a alguma outra pessoa. Ex: uma esposa com desejos sexuais “ilícitos”, porém reprimidos, afirma que todos os maridos são infiéis e não merecem confiança.

O deslocamento consiste num processo pelo qual o todo pode ser representado por uma parte ou vice-versa. Também uma idéia ou imagem pode ser substituída por outra que está emocionalmente associada a ela embora nem sempre logicamente. O exemplo é o de que se uma mulher teve uma experiência muito desagradável com um homem ruivo, ela pode reagir agressivamente contra todos os homens ruivos; a parte passou a simbolizar o todo. O fenômeno do deslocamento é deveras importante na interpretação dos sonhos onde uma coisa ou uma parte, em geral, representam algo diferente. É importante na transparência na qual os sentimentos em relação a alguma pessoa importante do passado do paciente são deslocados ou transferidos para o médico.

Sumarizando, as possíveis causas e as bases da psicodinâmica envolvida nas fobias, observamos um caso onde se evidencia além dos fatores psicogênicos (em geral repressões ou conflitos inconscientes), os fatores espiríticos do próprio indivíduo ou em associação com antagonistas de outras dimensões da vida.

O paciente, masculino, 30 anos, engenheiro mecânico, procura tratamento por causa de medos que o impedem de visitar seu sogro, doente terminal no hospital. Explica não poder suportar, nem mesmo ver ou ouvir sobre pessoas doentes. Por esse medo evita consultar o médico mesmo quando esta doente. Não suporta ver sangue, muito menos traumatismos físicos e outros infortúnios. Por isso tornou-se vegetariano há cinco anos para evitar pensamentos sobre os animais sendo sacrificados. Relata ter desmaiado pela primeira vez aos nove anos de idade, quando o professor do ensino fundamental relatou sobre uma cirurgia que houvera presenciado. Afirma que outras vezes desmaiou por ver pessoas feridas por ferimentos corto-contundentes (cortes), e não soube explicar porquê de ter esses medos, pois não há nada racional que explique.

A história aproximada é a que relatamos, todavia além da fobia tipo sangue-ferimento, misto de fobias específica e social (com o menor componente), há um trauma, embalde encontrado em suas reminiscências mnemônicas, mas não oculta à uma visão mais apurada, não com a visão física, mas com os olhos da alma, nos recônditos de suas experiências passadas (para quem acredita), em outras existências e mesmo no período que esteve na dimensão hiperfísica (quando “morto” para os vivos), a causa para tais medos ou fobias. O importante é que o paciente depois de uma introvisão (insight) encontrou melhoria significativa e, concomitantemente, começou a frequentar um templo das religiões afro-brasileiras, onde por meio de vários ritos de fundamento e transe tem consolidado sua melhora. O próprio paciente está confiante que encontrará a remissão total de seus problemas, podendo construir uma nova vida onde prevalecerá a paz, a saúde e a felicidade. Axé! Que assim seja com ele e com todos os irmãos planetários.

Após a apresentação resumida do caso, deixemos para a próxima postagem a terapia das fobias, que constará também de um vídeo, onde no final apresentaremos na prática o transe como terapia.

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 29

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