quinta-feira, 29 de abril de 2010

Terapia de Transtorno Obsessivo Compulsivo

TRATAMENTO DO TOC

O tratamento preconizado pela medicina oficial acadêmica é deveras importante para ser negligenciado, todavia preferimos associá-lo, quando possível, com a medicina integrativa propagada pelas religiões afro-brasileiras. Portanto, comentaremos alguns tratamentos da farmacoterapia e da psicoterapia e outros em associação com “os remédios do terreiro”. No final do texto, disponibilizaremos dois vídeos, o segundo complementando o primeiro sobre as “fumaçadas” ou defumações feitas com a Marca (cachimbo) utilizadas nos cultos da Jurema e Pajelança.

Iniciaremos nossas ligeiras considerações sobre o TOC e seu tratamento, ressaltando que a cura de qualquer doença depende da mudança profunda e interna do indivíduo. A cura será real quando houver mudanças essenciais de sentimentos, pensamentos e atitudes. A essa atitude internalizada e exteriorizada denominamos metanóia.

Remontemos ao início de nossos textos no blog e, logo os associamos à Espiritualidade, saúde e sustentabilidade. Sim, é o que acreditamos. Não temos as últimas respostas, mas as primeiras são de que a ciência de ser espírito, a consciência desta verdade, permite uma saúde equilibrada, harmonizada com os ciclos e ritmos do universo. Em suma, afirmamos que a Espiritualidade permite que nos libertemos do que nos escraviza, isto é, do sofrimento.

Todo ser humano tem um nível mental (a consciência de que é Espírito). Quanto maior o nível, maior a vontade de suplantar o anti-natural, retornando ao normal, ao natural e, por decorrência, ao sobrenatural (espiritual).

O indivíduo é o responsável por seu nível mental. Quanto mais responsável for, mais capaz de responder pelo que faz, não dá falsas explicações por suas atitudes. Isso denominamos maturidade para a vida, estando mais próximo da Espiritualidade. Ela é inerente a homens comuns, mas que sejam coerentes, responsáveis e naturais, sem o artificialismo que medra em nosso mundo contemporâneo. “É o não precisa ser, basta parecer que é”. Somos avessos a tal comportamento, pois acreditamos que somos o que somos e, nada mais.

Os níveis mentais congregam os afins, logo temos as amizades que desejamos que compactuam de nossas afinidades, sendo isto válido para todos os níveis mentais.

Depois destas considerações que dividimos com nossos leitores, relembremos que os níveis mentais, segundo nossos pressupostos, são três (em cada um deles há vários sub-níveis): o sutilíssimo, o sutil e o denso.

Cada indivíduo é livre para escolher seu nível mental, sendo que ressalvamos ser a valoração que se dá às coisas define o mental e não o certo ou errado, fazer isto ou aquilo; é o indivíduo em essência e não na aparência. Diz o adágio popular: ele é o que é, o que quiser ser. O ideal é viver os três níveis, mas saber que tudo é manifestação. O sutil é manifestação do sutilíssimo, assim como o denso é manifestação do sutil. A não-percepção ou a não vivência dos níveis mentais é a causa fundamental das doenças, as quais nada mais são que manifestações das desarmonias do individuo. O fator desencadeante é a não-vivência integrada dos três níveis mentais básicos. A vivência tripartite separa e polariza os níveis. A separação e a polarização rompem a unidade mental (os três níveis integrados) deflagrando a doença ou enfermidade (quebra homeostática).

Nossas especulações ou pressupostos, sempre abertos à discussão, nos remetem a energia densa (nível mental 1), representado no corpo (soma) e a energia sutil (nível 2), manifesta na porção consciente da mente, e a energia sutilíssima (nível 3) se expressando no inconsciente superficial (neo-inconsciente, as várias estratificações) e no inconsciente profundo (arqui-inconsciente). Vencendo-se as barreiras do corpo, do consciente, do inconsciente superficial (neo-inconsciente) acessamos o inconsciente primevo, profundo, enfim o arqui-inconsciente – a Espiritualidade.

Depois desse retrospecto e aprofundamento conceitual, antes de discorrermos sobre o tratamento dos transtornos obsessivos compulsivos, faremos algumas ligeiras considerações, as quais serão úteis na compreensão da enfermidade em voga e o escopo das terapias propugnadas.

A maioria dos pacientes apresenta características marcantes, sendo uma delas a ambivalência (já discutida) e o pensamento mágico que abordaremos superficialmente.

No pensamento mágico, a regressão desvela formas precoces de pensamento, em vez de impulsos, isto é, as funções do ego, bem como do id, são afetadas pela regressão. Inerente ao pensamento mágico é a onipotência do mesmo. As pessoas acreditam que, por pensar em um acontecimento no mundo externo, isso pode levar à sua realização sem as ações físicas intermediárias. Tal sentimento leva-os ao medo de ter um sentimento agressivo (SADOCK).

A versão da psiquiatria é pré-clara, mas não achamos que expressa toda verdade. A visão das religiões afro-brasileiras não nega os conceitos da medicina oficial, todavia propugna que há mente externa interferindo no processo. Pensamentos, sentimentos, impulsos, sensações podem ser captadas, apreendidos tal qual a visão, a audição. Em outras palavras, o pensamento mágico é possível (ver, ouvir pelo inconsciente). Um pensamento pode ser emitido (emissor) e ser apreendido, captado no inconsciente superficial do receptor. Deixemos esses “fatores metafísicos” para uma próxima oportunidade, onde aprofundaremos esses conceitos.

Encerrando as considerações, afirmamos que a metade dos pacientes com TOC tem início súbito dos sintomas. Pode ocorrer após um acontecimento estressante (estressor), como gravidez, problema sexual ou morte de um parente. Como muitas pessoas mantêm seus sintomas em segredo, por vezes há uma demora de 5 a 10 anos antes que busquem ajuda psiquiátrica. Um mau prognóstico é indicado por ceder (em vez de resistir) às compulsões, início na infância, necessidade de hospitalização, transtorno depressivo maior coexistente, crenças delirantes, idéias supervalorizadas (isto é, certa aceitação das obsessões e compulsões) e presença de um transtorno de personalidade (especialmente transtorno de personalidade esquizotípica).

Um bom prognóstico é indicado por um ajustamento social e ocupacional, presença de um acontecimento precipitante e natureza episódica dos sintomas. O conteúdo obsessivo não parece se relacionar ao prognóstico. Ótimo, excelente, penetremos sem mais delongas nos meandros das várias terapias por nós colecionadas.

TRATAMENTO FARMACOTERÁPICO

  1. a.Inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRSr)
  2. b.Medicamentos tricíclicos ou tetracíclicos (clomipramina)
  3. c.Potencializadores de (a) e (b)

Valproato

lítio

carbamazepina

  1. d.Venlafaxina
  2. e.Pindolol
  3. f.Inibidores de monoaminoxidase (iMAO)

Fenelzina

  1. g.Pacientes não responsivos (que não respondem ao tratamento prescrito)

Buspirona


  1. h.Hidroxitriptamina (5-HT)

L – triptofano

Clonazepam

PSICOTERAPIAS VÁRIAS

- Psicoterapia orientada para o insight

- Vivencia terapia breve ou continuada – propaga a cura universal

- Casos extremos (?!?) - Psicocirurgia – cingulotomia (há probabilidade de seqüelas: convulsões e outras)

- Terapia comportamental

(muitos a tem como tratamento de escolha para o TOC)

TRATAMENTO PRECONIZADO PELAS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS

a. Promover o retorno da harmonia e equilíbrio entre o indivíduo, Ori e Orixá.

b. Mantenedores do axé (Princípio e Poder de Realização e Crescimento) que proporcionam harmonia, estabilidade e equilíbrio entre a vida espiritual, orgânica e social.

- Banhos de ervas rituais e medicinais.

1. Descarrego (neutralizar energias negativas e “afugentar” antagonistas)

2. Purificação

3. Propiciatório

4. Ervas + acassá dissolvido, depois do ebó ou adimu

5. Sacudimento (com peregum, aroeira, etc)

6. EBÓ, principalmente com os 7 vegetais para a saúde, neutralizar doenças (limpeza).

7. ABÔS (se o indivíduo for iniciado ou está na iniciação)

8. AMACI (se o indivíduo tem “carrego de santo” e outros)

9. Chás

10. Decocções

c. BORI – Dar de comer ou fortalecer a cabeça, e louvá-la. É fundamental na ligação do indivíduo e o Orixá, afastando todos eguns e arajés – renova e fortalece a unidade - indivíduo / Ori / Orixá (louvar o Ipori).

BARÁ e OKÊ IPORI – Preceituar o destino, fortalecendo o Bará ayê (Exu no corpo do indivíduo) e Bará Orun (no pote de barro – continente) com os conteúdos fundamentais (búzios, obi, orobô, ervas, okutás etc).

d. Rito de Bênçãos e bons auspícios curativos (corpo e espírito). Não podem faltar as oferendas do Orixá, principalmente o acassá e água (omi tutu)

e. Rito devocional (deitar na dicissa – louvar o olori ou juntó)

f. Oráculo terapia –

O oráculo retifica o destino, afastando Osogbá, eguns e outros.

Depois de consultar Orunmilá-Ifá é necessário dar ebó (o jogo diz o que e para quem) otimizando o “destino”. O destino é aberto, pois o individuo é quem decide, é livre para se libertar do que o escraviza – o sofrimento.

g. Diálogo como terapia

Nas religiões afro-brasileiras, temos as “engiras” com “consultas”. Os ancestrais ilustres são invocados para ajudarem a resolver os mais variados problemas, que em geral são de 4 espécies: problemas espirituais, de saúde, afetivo-emocionais e das coisas materiais, como problemas financeiros, dificuldades no trabalho, problemas de justiça, de polícia entre outros.

É uma terapia que veicula o som, o sopro divino, o ar divino, principalmente o “Princípio Massa-genitora” – Ofurufú – a vida renovadora – o verbo divino.

h. Terapia do Transe, transe de possessão –transe mediúnico - transe como elemento que fortalece a unidade mental, sendo o elixir da mente.

i. “Fumaçadas” (defumação com a “Marca”)

“Fumaçadas” curativas, para todos os momentos, para todas as necessidades. Usadas na pajelança, na Jurema e outros cultos das religiões afro-brasileiras.

As “fumaçadas” se compõem de fumo misturado com outras ervas curativas ou mágicas, segundo a necessidade, que o próprio Mestre saberá escolher. O Mestre Juremeiro, em geral é rezadeiro, erveiro, mateiro, benzedeiro, curandeiro e “feiticeiro”. Para melhor entender disponibilizaremos dois vídeos que tratam das “fumaçadas” como terapia.

Que o sopro divino nos envie seu Ofurufú - medicinal e ritual.

Mo Ju Iba Gbogbo Ooxá! Ooxaguian tori bo mi ! Axé!

Saravá! Salve, Salve a Jurema, Salve os Mestres do além e todos os demais encantados.



Caso não consiga assistir o vídeo, clique aqui


Caso não consiga assistir o vídeo, clique aqui

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 32

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