segunda-feira, 29 de março de 2010

Transtorno do Humor: Transtorno Bipolar

RESUMO

O transtorno bipolar tipo I é definido como tendo um curso clínico com um ou mais episódios maníacos, e, por vezes episódios depressivos maiores. Uma variante de transtorno bipolar é conhecida como transtorno bipolar II. Salientemos que além dos tipos maníaco e depressivo, há o circular que caracteriza-se por uma alternância das fases maníaca e depressiva, com ocasional progressão para a mania delirante ou estupor depressivo.

Nossa proposta não é discutir os transtornos de humor, mas apenas demonstrar suas relações com as influências espirituais. Assim, discorreremos os sintomas relatados por uma paciente do sexo feminino, 30 anos, divorciada, que há anos vinha apresentando episódios de depressão alternados com exaltação ou mania.

Palavras-chave: Depressão, Espiritualidade, Mania, Medicina Complementar, Transtorno Bipolar.

ABSTRACT

Bipolar disorder type I is defined as having a clinical course with one or more manic episodes, and sometimes major depressive episodes. A variant of bipolar disorder is called bipolar II disorder. We must point that beyond of the manic and depressive types, there is the circular one that is characterized by an alternation of manic and depressive phases, with occasional progression to delirious mania or depressive stupor.

Our proposal is not to discuss mood disorders, but only show their relations with the spiritual influences. Thus, we will discuss the symptoms reported by a female patient, 30 years old, divorced, who for years had been experiencing episodes of depression alternating with elevation or mania.

Keywords: Depression, Spirituality, Mania, Complementary Medicine, Bipolar Disorder.


TRANSTORNO DO HUMOR

TRANSTONO BIPOLAR

O transtorno bipolar tipo I é definido como tendo um curso clínico com um ou mais episódios maníacos, e, por vezes episódios depressivos maiores (vide texto anterior).

Um episódio misto é um período de no mínimo, uma semana, em que tanto um episódio maníaco como um episódio depressivo maior ocorrem quase todos os dias.

Uma variante de transtorno bipolar caracterizada por episódios de depressão maior e de hipomania em vez de mania é conhecida como transtorno bipolar II.

Após estas ligeiras informações faremos uma pequena digressão sobre o tipo maníaco e o tipo depressivo. Os distúrbios observados na mania consistem: humor instável, fluência verbal e aumento da atividade motora. O humor é de excessiva alegria, euforia, genialidade e desinibição. Breves momentos transitórios de depressão podem ocorrer. Podem existir brincadeiras impetuosas e bom humor irrefreável até que o paciente sinta-se frustrado, quando então seu humor torna-se cáustico, insultante e sarcástico. Ele comporta-se de modo grandioso, sendo invulnerável à razão e a lógica.

O paciente maníaco está geralmente envolvido em inúmeros planos e projetos, podendo facilmente comprometer outras pessoas em empresas extravagantes. Pode às vezes ser exibicionista e sedutor, e a fala excessiva provoca rouquidão que é tão característica dos pacientes maníacos. O apetite geralmente esta diminuído. Há pequeno aumento no impulso e potência sexual. A insônia, que está presente, é mais severa do que a observada na depressão.

A hipomania, por nós citada, é semelhante aos da mania, porém mais suaves, e alguns podem estar ausentes.

A mania delirante, a forma mais grave de mania, é rara. O paciente apresenta-se fora de contato e sua fala é incoerente, é uma “salada de palavras”.

O tipo depressivo há uma tríade clássica constituída por: humor deprimido, pensamento retardado e retardo psicomotor. As emoções predominantes são: desânimo, tristeza, agitação, perplexidade, desespero e DESAMPARO. O paciente sente-se extremamente inadequado, sem confiança, podendo sentir-se como uma pessoa inútil. Todos os objetivos da vida parecem sem sentido e sem valor. Pode existir uma amargura sombria e cólera.

Os processos de pensamento retardado tornam difícil a concentração para o paciente. A tensão e a ansiedade físicas produzem uma variedade de sensações corpóreas e, às vezes, tornam-se o principal foco de atenção do paciente. Uma sensação de pânico ou medo de morrer pode estar presente. A atividade física está retardada. Há uma paralisia da vontade. Mesmo atividades simples como sair da cama ou vestir-se estão nitidamente retardadas.

Um dos principais problemas clínicos da fase depressiva do transtorno bipolar é a possibilidade de suicídio. A melhor pista para avaliação da possibilidade de uma tentativa de suicídio é o próprio testemunho do paciente. Cerca da metade daqueles que se suicidam disseram em alguma época que iriam matar-se. O perigo de suicídio parece ser mais agudo quando ocorre o alívio da depressão profunda, de tal modo que uma solução ativa e autodestrutiva torna-se possível. A sensação de desespero e pessimismo esta fortemente relacionada aos desejos de tentativa de suicídio. Uma prévia tentativa de suicídio aumenta a probabilidade de uma subseqüente tentativa bem sucedida.

Salientemos que além dos tipos maníaco e depressivo, há o circular que caracteriza-se por uma alternância das fases maníaca e depressiva, com ocasional progressão para a mania delirante ou estupor depressivo.

Relatamos apenas os sintomas, pois não é nossa proposta discutir os transtornos de humor, mas apenas demonstrar suas relações com as influências espirituais. Assim, discorreremos os sintomas relatados por uma paciente do sexo feminino, 30 anos, divorciada, que há anos vinha apresentando episódios de depressão alternados com exaltação ou mania.

Os períodos de mania e depressão eram bem distintos na maior parte das vezes, configurando o chamado transtorno bipolar ou, como era do ensino clássico, Psicose Maníaco-Depressiva (PMD).

Os familiares afirmavam que a paciente nunca havia tido qualquer problema psiquiátrico até o casamento. Quando se casou teve início o quadro que, segundo a própria paciente, ocasionou a separação, o término do casamento.

Segredou-nos, após discreta e minuciosa anamnese, que era usuária de Cannabis sativa (diamba) desde os dezesseis anos e que também, esporadicamente, usava cocaína, mas que isto não tinha relação com sua doença (?!).

Sua queixa fundamental era que ora estava feliz, ora estava triste, deprimida; nem vontade de comer tinha. Igualmente, não tinha vontade para o trabalho, para o sexo, não conseguia prestar atenção em absolutamente nada. Sua fadiga era constante; tinha raiva da mãe; queria se auto punir (tentou suicidar-se ingerindo comprimidos de tranqüilizantes). A reclamação maior era a de apatia generalizada, só queria dormir.

Quando da fase maníaca, portava-se de forma oposta à citada na fase depressiva sendo, porém mais duradouras as fases de depressão.

Além dos sintomas e mesmo sinais opostos, afirmava a paciente que “nesta fase sentia-se irresistivelmente atraente e poderosa, poderia conquistar o mundo; todos poderiam curvar-se aos seus pés”. Afirmava que este poder vinha de seres extra-terrestres, os quais lhe davam informações , por exemplo, sobre os “segredo da bolsa de valores”, como também tinha visões deslumbrantes do fundo do mar. Era também quase compulsiva a vontade de gastar em exagero na compra de roupas.

Em suma, este era o quadro da paciente à qual administramos antidepressivos e medicamentos à base de lítio, além de psicoterapia segundo a medicina complementar (medicina das religiões afro-brasileiras).

Poderíamos discutir do porque, no início do tratamento, utilizar da terapêutica alopática, algo que fugiria de nossa proposta, mas podemos afirmar que não pudemos deixar de dar os medicamentos tradicionais, pois percebemos não haver nenhuma sensibilidade da paciente aos medicamentos mais sutis.

O paciente deverá estar preparado para os medicamentos preconizados pela medicina complementar, caso contrário, não surtirão os efeitos esperados, não serão tão eficientes como são nos pacientes predispostos. Todavia, o médico curador experiente, que além do conhecimento tem sensibilidade, poderá reeducar o paciente e, quando o mesmo estiver preparado, lhe prescreverá segundo a terapia complementar.

Quando fazíamos a anamnese, nossa percepção acusou três entidades antagônicas em seu campo mental que desestruturavam todo o seu psiquismo. Eram duas mulheres e um homem que se compraziam com o vício citado, como também eram portadores dos mesmos desarranjos de humor que acometia a paciente, destrambelhando seu complexo energético representado pelos centros de iluminação. Neste caso, os centros de iluminação estavam bloqueados impedindo a livre circulação de energia vital (axé).

Estas energias desarmonizadas em sua fisiologia são manifestações da psicodinâmica, no sistema ID, EGO e SUPEREGO. O que acontece é que há um trânsito anômalo do inconsciente para o consciente sem decodificação e tradução.

O retorno do paciente a normalidade é algo que demanda período imprevisível. Haverá retorno quando se extinguir o trânsito anômalo de conteúdo inconsciente ao consciente. Para isto acontecer faz-se necessário neutralizar a simbiose de vibrações entre o paciente e seus antagonistas de ordem espiritual.

Depois de sumarizarmos mais um transtorno de humor, em textos futuros finalizaremos com a discussão sobre distimia e ciclotimia. Como podemos observar, todos os transtornos de humor demonstram uma profunda desestabilidade e desarmonia em todo o cosmo biopsicossocial, mas que são apenas pano de fundo de um mal maior – o desequilíbrio espiritual.

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 23

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Um comentário:

  1. Prezado Mestre Arapiaga,
    Parabéns pelo excelente texto.
    Tenho lido desde 1994 algumas de suas obras e me identifico muito. Desse modo, gostaria de saber se existe aqui em Salvador alguma Escola Iniciática que seja filiada à Ordem Inciática do Cruzeiro Divino? Apenas através dos sonhos é que consigo tocar com os pés as areias do seu Congá.
    Desejo-lhe muita paz em sua jornada.
    Saravá!
    Carlos

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