segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Noite de Carnaval

Postamos este texto alusivo as comemorações de Momo em homenagem ao festejo mais popular da cultura brasileira.


NOITE DE CARNAVAL


São 50 minutos dos dezesseis de fevereiro de 1989 – 3ª feira de carnaval.

Não conseguindo conciliar o sono, procurei na televisão, nos vários canais algo que me interessasse. Num deles vi e ouvi a dança e o batuque de famosíssima escola de samba do Rio de Janeiro.

No primeiro instante tive o ímpeto de mudar o canal, pois realmente não me interessava por carnaval, mas ouvindo o batuque mais atentamente e observando o movimento, a empolgação dos componentes e simpatizantes da escola, algo estranho que não saberia explicar, fez rolar pela minha face direita uma quente, furtiva e dorida lágrima.

Sim, aquele som, aquela multidão, fez com que meu coração, precípite, se sintonizasse com a emoção vivida naqueles instantes por aquela platéia, que se acomodava nas arquibancadas e no asfalto da ilusão. Porque fugiam de maneira tão intensa da realidade? Seria a realidade tão cruel algoz?

Assim matutando, observei o quanto era importante, essencial, esse escape. Realmente era um importantíssimo “remédio social”, restaurando e aparando arestas da desigualdade, do preconceito e do litígio coletivo, herança de tempos menos felizes.

Pensando e sentindo, mais uma vez, me curvei à Sabedoria Divina e também agradeci a Ela pela bênção de ter nascido aqui, neste Brasil, Pátria Mãe-do-Mundo.

Deixemos às almas absorverem do alimento emocional, ele é mágico véu da realidade, que não desdenha da ilusão que a antecede, pois serena e sábia espera o despertar da longa noite de sonhos e fantasias.

Continuando na observação do desfile das escolas de samba senti- me feliz e calmo, divorciado de todo e qualquer preconceito, vi-me frente a frente com minhas tarefas, comigo mesmo.

A tarefa de decodificar a “verdade” há de ser feita sem alardes, ranços, traumas ou lágrimas, mas não olvidando a necessidade primordial de humanizar o ser humano. Esses são os desafios: realidade x ilusão; espírito x matéria. São destas teses e antíteses que nasce a síntese: Espiritualidade, a vivência imediata do Sagrado.

Vivenciando mais esta experiência agradeço aos Orixás – Supremos Curadores do Mundo por ter soprado e vibrado sobre mim a existência e mais esta vivência-ser que hoje se torna parte de mim. Sinto sono! Oh, Hipnos leve-me em tuas asas ao portal dos deuses, quero pedir-lhe as bênçãos para mais um recomeço, para mais um dia de aprendizados sem fim.

Ah! Quero ouvir os guias espirituais dizendo-me conceitos que só são entendidos na linguagem do espírito longe, muito longe da linguagem passageira dos homens.

Perdoem-me... Não agüento mais de sono, são três horas e alguma coisa... Que coisa! Boa noite para quem é da noite, bom dia para quem é do dia.

Felicidades para sempre é o que lhe desejo e, por favor, queira aceitar minha vibração profunda e serena de paz, luz e energias positivas, concretizadas numa vida longa de realizações neutralizadoras de tudo que for negativo.

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá


Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar"

Publicação 11

4 comentários:

  1. Sua Benção,Mestre!

    Texto belíssimo! ("só pra variar..." rs)

    Taratanan.

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  2. Agradeço aos Orixás por ter me concedido a bençao do Senhor ser o mestre que me guia!
    Obrigada mestre!
    Belissimo texto!
    Luciene

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  3. As pessoas com a falta de conhecimento, com as mazelas da vida, necessitam está nessa massa ilusória ,que seja o carnaval ou alguns feriados que cumprem nosso calendário terrestre, para que consigam seguir em frente,até o momento em que a sua vida esteja de tal forma desorganizada ,que somente nesse estágio de desequilibrio, olham para dentro de si, e ve, o mundo do faz de conta que viviam!

    A sua benção mestre!
    Luciene

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  4. Carnevalia, um lenitivo fugaz para compensar as agruras da roda do ano, de certo.

    intenso momento de vislumbre na madrugada, vivência bendita. Bela narrativa.

    Luz e Paz dos Deuses.

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