segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Introdução às Doenças Psíquicas




Resumo

Diante do contexto médico da atualidade, cabe aos médicos a missão de reunir a psiquiatria à clinica médica. E mais, demonstrar como pensamentos, idéias, emoções, paixões, sentimentos e atitudes podem interferir no campo neurológico, neuroendócrino, postulando definitivamente que a base da fisiopatologia das doenças tem sua gênese na alma. Estas elucubrações acadêmicas sustentadas como verdadeiras pela Medicina Complementar ou Integrativa será mais bem compreendida a partir da teoria freudiana denominada psicanálise que está alicerçada em duas premissas fundamentais: determinismo psíquico e teoria do inconsciente.

No conceito de ansiedade desenvolvido pela teoria freudiana encontra-se a pedra basilar para o desenvolvimento de nossa teoria que afirma ser a ansiedade – processo psíquico – fator predisponente e desencadeante de quase todas as doenças. Apesar de aceitarmos boa parte da teoria de Freud e de seus atualizadores é importante reconhecer os ascendentes espirituais, além do “inconsciente superficial” – “várias vidas”. Nele encontra-se sofrimentos da alma e do corpo, que tanta dor moral tem trazido à nossa civilização, à nossa sociedade, impedindo o acesso à Espiritualidade - “inconsciente profundo”.

Palavras-Chave: Ansiedade, Espiritualidade, Freud, Inconsciente, Medicina Complementar

Abstract

Considering the modern medical context, doctors are left to the task of bringing psychiatry to the medical clinic. Further, to demonstrate how thoughts, ideas, emotions, passions, feelings and attitudes may interfere with the neurologic, neuroendocrine, claiming definitively that the basis of disease pathophysiology has its genesis in the soul. These academic thoughts sustained as true by the Complementary or Integrative Medicine will be better understood from the Freudian theory called psychoanalysis that is built on two fundamental premises: psychological determinism and theory of the unconscious.

The concept of anxiety developed by Freudian theory is that the cornerstone for the development of our theory which states that anxiety - psychological process - the predisponent and triggering factor of almost all diseases. While accepting much of Freud's theory and its updaters is important to recognize the spiritual ancestors, the addition of the "superficial unconsciousness" - "many lives". On it are the sufferings of soul and body, that so much morality pain has brought to our civilization,our society, preventing access to spirituality - "deep unconsciousness".

Keywords: Anxiety, Spirituality, Freud, Unconscious, Complementary Medicine


INTRODUÇÃO ÀS DOENÇAS PSÍQUICAS

Estudando a Psiquiatria, ciência que lida com a mente, emoções e comportamento do homem, nossa memória, naturalmente, evoca o nome de Freud.

Se à Psiquiatria associamos Freud, a ele associamos “Complexo Edipiano”.

Por maior respeito que nos mereçam, e realmente merecem, nomes como Jung, Adler, Lacan, Melanie Klein, Rogers, Skinner, Perls, Maslow, Reich, Erik Erikson e outros, não podemos negar que foi a partir da teoria freudiana que todos eles confirmaram, desdobraram ou mesmo infirmaram e propuseram novos fundamentos. Portanto, não podemos estudar, mesmo que superficialmente, os fundamentos de psiquiatria sem citar o famoso neurologista “vienense”.

Sim, Freud era neurologista e infelizmente para a medicina ele não fez a ligação entre corpo e mente. Teve a oportunidade de demonstrar as relações, a interdependência, e preteriu-a, separou a clínica médica da clínica psiquiátrica.

Nesse instante, evocamos nossos prezados colegas e amigos à árdua e alvissareira missão que lhes cabe no contexto médico da atualidade, reunir a clínica psiquiátrica (mente) a clinica médica (corpo). E mais, demonstrar como pensamentos, idéias, emoções, afetos, sentimentos e atitudes podem interferir no campo neurológico, neuroendócrino, postulando definitivamente que a base da fisiopatologia das doenças tem sua gênese na alma. Esta interfere no sistema nervoso central e a seguir, por ordem: sistema nervoso periférico, sistema neuroimunoendocrinológico, sistema hematopoiético, sistema cardio-respiratório, sistema nefro-hepático, sistema hepato-gastroentérico, sistema tegumentar e músculo-esquelético.

Depois dessas elucubrações acadêmicas que são sustentadas como verdadeiras na medicina complementar ou integrativa, resumamos a tragédia de Sófocles e melhor entenderemos os anseios de Freud para entender a alma humana.

Freud usou a tragédia grega e transformou-a em Complexo de Édipo para descrever a profusão de idéias, emoções e impulsos gerados em grande parte ou inteiramente em nível inconsciente, e que gravitam em torno das relações que uma criança forma com seus pais.

Sem conhecermos a história de Édipo-Rei, não entenderemos a metáfora de Freud e seus seguidores. Antes, porém, carece esclarecer que a teoria freudiana denominada psicanálise está alicerçada em duas premissas fundamentais:

1. determinismo psíquico

2. teoria do inconsciente

É importante ressaltar que a psicanálise é uma psicoterapia que está calcada na teoria freudiana. É uma forma especial de psicoterapia baseada numa extensa teoria do desenvolvimento da personalidade (tanto normal, quanto patológica), que admite que as principais forças psicodinâmicas originam-se principalmente da parte inconsciente da mente.

Dizia-se na época, que as doenças mentais, especialmente as neuroses e as alterações de caráter são as conseqüências de conflitos inconscientes grandemente concentrados em torno de um Complexo de Édipo não resolvido. A melhora requer a transformação do inconsciente em consciente. Isto é realizado por associação livre, interpretação dos sonhos, comportamentos, atos falhos, transferências e contratransferências. Após estas explicações necessárias penetremos na saga de Édipo-rei.

A história de Édipo começa com a traumatização psicológica e física, incrivelmente brutal, de uma criança por aqueles que deveriam ser seus principais protetores: seus pais.

Resumamos a história sem, todavia preterir certas nuanças básicas, que melhor ilustrarão o Inconsciente, premissa basilar de Freud.

1. Laio, Filho de Lábdaco, em sua juventude nutre paixão mórbida por Crísopo, filho de Pélops.

2. Laio rapta Crísopo e é amaldiçoado por Pélops, que desejou a Laio o castigo de morrer sem deixar descendentes.

3. Laio casa-se com Jocasta, irmã de Creonte, tornando-se rei de Tebas.

4. O oráculo havia lhe pronunciado, que se nascesse um filho dele e de Jocasta, esse filho o mataria.

5. Laio tornou-se pai de um menino. Para tentar fugir à predição do oráculo, mandou Jocasta dar o recém-nascido a um pastor de seus rebanhos após perfurar-lhe os pés e amarrá-los. A ordem foi abandoná-lo no Monte Cíteron para morrer. O pastor movido pela piedade, entregou-o a um companheiro de profissão, que costumava levar os rebanhos de Pólibo (Rei de Corinto).

6. Pólibo e sua esposa Mérope não tinham filhos. Eles criaram Édipo (Oidipous – pés inchados) como se fosse filho deles.

7. Édipo na mocidade foi insultado por um habitante de Corinto, que o chamou de filho adotivo.

8. Diante desta revelação, dirigiu-se sozinho a Delfos para consultar o oráculo de Apolo a respeito de sua ascendência.

9. O deus lhe revelou que ele um dia mataria o pai e se casaria com a própria mãe. Édipo, supondo que Pólibo fosse seu pai e Mérope sua mãe, resolveu não voltar mais a Corinto.

10. Naquela época os habitantes de Tebas estavam alarmados com a esfinge que vinha devorando os tebanos, incapazes de decifrar os enigmas propostos pelo monstro, pondo em perigo a cidade.

11. Em sua fuga ele passava pelos corredores de Tebas quando, em uma encruzilhada de três caminhos, avistou um carro em que vinha um homem idoso seguido de dois criados. O homem gritou-lhe insolentemente que deixasse o caminho livre para seus cavalos passarem, e um dos criados espancou Édipo.

12. Édipo reagiu e matou o homem que vinha no carro, sem saber que se tratava de Laio, seu pai, e os criados que o acompanhavam, à exceção de um, que fugiu.

13. Quando Édipo chegou a Tebas e passando pela terrificante esfinge, decifrou o enigma que esta lhe propôs. A esfinge desapareceu de Tebas que, então, salva daquele flagelo, fez de Édipo seu Rei, e lhe deu em casamento Jocasta, viúva de Laio, portanto mãe de Édipo. Estavam assim realizadas as duas predições, embora Édipo e Jocasta permanecessem na ignorância de seu infortúnio.

14. Para melhor entender-se a história, a tragédia grega, descreveremos o enigma da esfinge, proposta a Édipo.

“Qual o animal que anda sobre quatro pés de manhã, sobre dois ao meio dia e três à noite?”

Édipo respondeu: “É o homem, pois engatinha no chão quando infante, caminha ereto na idade adulta e durante a velhice anda apoiando-se a um pau”.

15. Retornando ao funesto consórcio entre Édipo e Jocasta, muitos anos depois, abate-se a peste sobre a cidade como punição pelo assassinato não vingado de Laio. Édipo vê-se obrigado a procurar o assassino e quando a verdade é finalmente revelada, ele se cega e Jocasta se suicida.

A tragédia grega continua, mas para nosso objetivo presente é o suficiente. Quando discorrermos sobre os aspectos do desenvolvimento da personalidade, onde os primeiros anos da infância são decisivos para a formação básica do caráter, veremos a aplicação do conflito edipiano e sua resolução.

Não somos psiquiatra, mas encontramos nesta narração, muitas formas de pesquisarmos, interpretarmos o inconsciente coletivo e, partindo dele, chegarmos ao inconsciente do indivíduo. Freud, como toda personalidade no mundo da Ciência, é “adorado” por uns e “odiado” por outros, mas a psicologia e a psicopatologia muito lhe devem, embora, seus estudos não sejam absolutos. Depois dele pouco ou nada se fez. E se um fenômeno admite várias teorias, ou todas estão com a razão ou pouco se sabe do real.

Reiterando, as suposições básicas da psicanálise fazem menção ao determinismo ou causalidade psíquica que afirma que cada evento psíquico é determinado pelos eventos que o precederam do mesmo modo que todos os eventos físicos têm determinantes causais. Na verdade, Freud acreditava que a energia mental era oriunda da energia física, metabólica.

O segundo aspecto era a teoria do inconsciente. O processo mental inconsciente desempenha um papel vital na conduta e no pensamento humano. A mente foi associada ao iceberg, sendo que a porção emersa representava a região do consciente a parte submersa representava o inconsciente. Freud desenvolveu uma complexa teoria da estrutura da personalidade abandonando a teoria da topografia da mente. A teoria da personalidade diz que ela é formada por três sistemas principais, as vezes tão interligados que se torna difícil determinar qual deles esta desempenhando o papel predominantemente na conduta.

O primeiro é o ID. É o sistema original da personalidade. Compreende todos os componentes psicológicos presentes no nascimento, incluindo os instintos. Os outros dois sistemas EGO e SUPEREGO se desenvolvem do ID. Ele é o reservatório de toda energia psíquica, fornecendo o poder para a operação dos outros dois sistemas EGO e SUPEREGO. Ele opera de acordo com o princípio do prazer procurando a gratificação imediata das necessidades instintivas e redução da tensão física, indiferente à situação da realidade. Seu modo característico de funcionamento é por meio do processo primário do pensamento, isto é, procura resposta direta e imediata a um estímulo instintivo sem distinguir entre a realidade e a fantasia. Assim agindo, se a resposta da realidade não é possível, será necessário recorrer aos sonhos nos indivíduos sadios, e, às alucinações nos mentalmente enfermos. É considerado como o pensamento da criança pequena e seguramente constitui boa parte da atividade mental do indivíduo mentalmente enfermo.

O segundo, o EGO, foi considerado por Freud a porção executiva da realidade. Mediador entre o ID e o mundo exterior, deve lidar também com o SUPEREGO, com memórias passadas e com as necessidades físicas do corpo. Opera de acordo com a realidade utilizando o processo secundário do pensamento. Ele procura satisfazer os impulsos do ID (instintos), mas agirá assim, se necessário, por intermédio de meios indiretos e freqüentemente demorados, enquanto que ao mesmo tempo leva em conta a demanda ambiental. Este tipo de pensamento é verbal e caracteriza-se pela lógica e objetividade. Constitui o tipo principal do pensamento do indivíduo maduro.

O terceiro, o SUPEREGO, é o representante interiorizado por aquilo que o individuo considera ser basicamente certo ou errado. Ele possui duas partes: consciência e ego-ideal. A consciência baseia-se nos fatos ou coisas que sofreram desaprovação ou pelas quais ocorreu punição ao individuo quando criança, pela ação de seus pais ou outros que auxiliaram na educação inicial. A conduta ou pensamentos que se opõe a estas proscrições provocam os sentimentos de culpa. O ego-ideal por sua vez representa as coisas ou fatos que receberam forte aprovação ou pelas quais ele foi recompensado, pela ação de seus pais e outros. A satisfação do ego-ideal resulta em sentimentos internos profundos de bem estar e orgulho. O SUPEREGO forma-se na ocasião da resolução do conflito edipiano, quando a criança incorpora sua própria personalidade, aquilo que ela acredita constituírem os princípios básicos ideais de seus pais. Ele torna estas coisas como partes de si mesmo. Neste ponto, o autocontrole torna-se um substituto do controle dos pais. O SUPEREGO também inclui muitos dos valores e tradições básicos da cultura na qual o individuo está inserido.

Para melhor entendimento, de forma sumarizada discorreremos sobre a topografia da personalidade associando-a a teoria estrutural. A divisão topográfica da psique compreende o consciente, o pré-consciente e o inconsciente. O consciente inclui as porções da vida mental das quais o individuo tem conhecimento rápido a qualquer momento dado. Ele inclui a maioria, mas não a totalidade do EGO. O pré-consciente inclui as partes da vida mental que podem ser trazidas ao consciente por concentração e esforço. Compreende principalmente o EGO. O inconsciente é desconhecido, totalmente fora da percepção para o indivíduo. Seu conteúdo pode permanecer permanentemente desconhecido ou partes dele podem, às vezes, passar para pré-consciência e daí serem chamadas para o consciente. De acordo com a teoria psicanalítica, os conteúdos do inconsciente, primariamente o ID e o SUPEREGO são de grande significação na determinação da conduta e do pensamento. A parte do ego que produz o mecanismo mental de defesa e a formação de sintomas é inconsciente.

Entendendo os conceitos da estrutura e topografia da personalidade penetremos na dinâmica da personalidade. A energia psíquica é a experiência subjetiva de força e entusiasmo. Ela é universalmente reconhecida, porém praticamente intraduzível em termos fisiológicos. Na teoria de Freud ela é totalmente inconsciente, sendo a responsável por todas as ações psicológicas (psicodinâmica). O ID e seus instintos fazem a ponte entre a energia do corpo e a personalidade.

O conceito de energia psíquica postula que ela é distribuída entre os três sistemas – ID, EGO e SUPEREGO – de diferentes modos, nos diferentes indivíduos. Originalmente toda energia pertencia ao ID. O EGO necessita de energia psíquica no sentido de lidar com o ID e SUPEREGO e para a manutenção de seus mecanismos de defesa. Quanto mais energia psíquica for deste modo utilizada, menos energia disponível para o EGO lidar com os problemas do mundo exterior. Um exemplo clássico, constante em muitos tratados de psiquiatria diz que uma estudante cujo ego está envolvido em conflitos neuróticos, ex. conflito quanto ao seu envolvimento em atividade sexual, está despendendo energia psíquica na tentativa de resolver os conflitos entre as forças opostas do ID e do SUPEREGO pelo uso excessivo de mecanismos de defesa. Ela está assim reduzindo seus depósitos de energia psíquica disponível para seus estudos podendo apresentar sérias dificuldades acadêmicas. Segundo Freud um dos principais objetivos da análise é capacitar o EGO para a resolução dos conflitos em uma base realista e objetiva. Isto reduz a necessidade dos mecanismos de defesa, de tal modo que menos energia psíquica será utilizada na manutenção destas defesas. A energia psíquica fica assim disponível para o EGO, para ser utilizada de uma maneira mais construtiva e criadora. Essa teoria proposta por Freud, atualizada por Erik Erikson na exposição da psicologia do EGO e fusão da psicanálise com a psicologia.

Em nossas considerações finais queremos comentar sobre a ansiedade desenvolvida pela teoria freudiana, pedra basilar no desenvolvimento de nossa teoria que afirma ser a ansiedade (processo psíquico) o fator predisponente e desencadeante de quase todas as doenças, estudos e práticas que esperamos desenvolver e depois discutir com cientistas, espiritualistas, médicos, psicólogos enfim, com a Sociedade.

A ansiedade em condições normais previne contra um perigo iminente. Quando a ansiedade é despertada motiva a pessoa no sentido de “luta ou fuga”. Há três tipos clássicos de ansiedade. A ansiedade realista é o medo de perigos reais no mundo exterior. Ansiedade neurótica é o medo de que os instintos escapem ao controle, obrigando a pessoa a fazer algo pelo qual ela será punida. A ansiedade moralista é o medo da consciência, própria do individuo que tem o SUPEREGO bem desenvolvido. A ansiedade que esmaga o EGO e não pode ser controlada por meio de uma ação eficaz, é conhecida como ansiedade traumática. É um estado de desconforto “intolerável” (medo, tensão, sofrimento, desamparo) que deve ser aliviado. Quando o EGO não pode enfrentar a ansiedade por meio de medidas racionais, apela para outros métodos, os assim chamados mecanismos de defesa normais ou anormais.

A ansiedade-sinal: é o termo utilizado para percepção pré-consciente precoce da ansiedade pelo EGO, que faz com que este inicie medidas protetoras para prevenir o desenvolvimento de um estado ansioso francamente estabelecido.

Os mecanismos de defesa do EGO, como vimos, não são somente as demandas e pressões do ID e do SUPEREGO, mas também as memórias do passado e o mundo exterior. A ansiedade–sinal, inconscientemente, ativa uma serie de mecanismos de defesa para proteger o EGO contra uma dor psíquica iminente. Estes mecanismos operam com graus variáveis de sucesso em alguns casos são constructos e moderadamente eficientes. Alguns são melhores que outros, no sentido que não desperdiçam muita energia psíquica e não interferem exageradamente com as outras funções do EGO; mas todos são menos satisfatórios do que um EGO liberto funcionando na plena percepção da realidade objetiva, sendo que todos requerem algum gasto de energia psíquica.

Todas as doenças emocionais caracterizam-se pela utilização de um ou mais dos mecanismos de defesa, com exceção da sublimação. Os assim chamados indivíduos normais utilizam os mecanismos de defesa em menores proporções. Os mecanismos mais comuns nos indivíduos psicóticos são: projeção, negação, distorções da realidade e regressão. À guisa de exemplo, a sublimação constitui-se no mais eficaz e criativo dos mecanismos de defesa. Ela canaliza os impulsos libidinosos para uma via mais socialmente aceitável. O exemplo clássico diz do impulso anal infantil de brincar com fezes pode ser sublimado na escultura com barro (“fezes” desodorizadas), blocos (também desidratados) ou dinheiro (condensado, “lucro imundo”); o impulso sexual pode ser sublimado em atividade atlética, trabalho, poesia, música, etc. Deixaremos para o futuro a citação e explicação dos vários mecanismos de defesa.

Apesar de aceitarmos boa parte da teoria de Freud e de seus atualizadores não cremos que neuroses, psicoses ou outras alterações psíquicas possam ser equacionadas de forma plena se desconhecermos os ascendentes espirituais, o além do “inconsciente superficial” (“várias vidas”). O inconsciente superficial é a origem-fonte dos conflitos, dos traumas, do comportamento anormal, enfim, dos sofrimentos da alma e do corpo, que tanta dor moral tem trazido à nossa civilização, à Sociedade, impedindo o acesso ao “inconsciente profundo”, à ESPIRITUALIDADE. (vide vídeo – publicação 04).

Encerrando, não tivemos a pretensão de esgotar o tema em seus aspectos acadêmicos e espirituais. Temos muito que discutir nossas teorias e práticas com os interessados seja no blog, no Instituto de Estudos Avançados e Pesquisas em Medicina Complementar e no Templo, onde são realizados rituais de fundamento. É importante frisar que estamos utilizando a teoria freudiana de forma analógica com a nossa teoria, pois a mesma utiliza o conceito da teoria do inconsciente.

Na teoria e na prática afirmamos que no “inconsciente profundo” temos o acesso à ESPIRITUALIDADE. Também afirmamos que esse é o caminho mais rápido, porém o mais difícil, e que independe de ser ou não religioso, pois todo ser humano possui o inconsciente em sua mente, logo todos têm ESPIRITUALIDADE, é só ter o método e acessá-LA. É o que nos propomos, por intermédio de um método, acessar o “inconsciente profundo” despertando a ESPIRITUALIDADE. Com isto esperamos estar contemplando os não religiosos ou livres pensadores e os religiosos de todas as religiões. No próximo texto, última parte da trilogia das doenças, discorreremos sobre as doenças psicossomáticas ou biopsicossociais.

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Saravá


Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 07

Bibliografia

Aspectos Psicológicos e Psiquiátricos

  • ANDRADE, Arthur Guerra de. ALVARENGA, Pedro Gomes. Fundamentos de Psiquiatria. 1. ed. Barueri: Manole, 2008, 644p.
  • AUSIELLO, Dennis. GOLDMAN, Lee. Cecil - Tratado de Medicina Interna - 2 Vols. 23. ed. Rio de Janeiro: Ed. Elsevier, 2009, 2688p.
  • BICKLEY, Lynn S. Propedêutica Médica – Bates. 8. ed. Rio de Janeiro: Ed. Guanabara Koogan, 2005, 928p.
  • MURPHY, Michael J. COWAN, Ronald L. Psiquiatria – Murphy – Série Blueprints. 4. ed. Rio de Janeiro: Ed. Revinter, 2009, 152p.
  • PADRO, Cintra do. VALLE, Ribeiro do. RAMOS, Jairo. Atualização Terapêutica. 23. ed. Porto Alegre: Ed. Artes Médicas, 2007, 2400p.
  • PAIN, Isaias. Tratado de Clínica Psiquiátrica. 3. ed. São Paulo: E.P.U. Ed, 1991, 370p.
  • PORTO, Celmo Celeno. PORTO, Arnoldo Leme. Semiologia Médica. 6. ed. Rio de Janeiro: Ed. Guanabara Koogan, 2005, 1356p.
  • SÓFOCLES. Édipo Rei. 1. ed. Porto Alegre: L&PM, 2001, 104p.

Aspectos Religiosos

  • RIVAS NETO, Francisco. Do Sincretismo à Convergência. In: II CONGRESSO BRASILEIRO DE UMBANDA DO SÉCULO XXI, São Paulo: Faculdade de Teologia Umbandista, 2010.
  • RIVAS NETO, Francisco. Sacerdote, Mago e Médico : cura e autocura umbandista: terapia da alma. 1. ed. São Paulo: Ícone, 2003, 493p.
  • RIVAS NETO, Francisco. Vídeo-Aula 19: A ciência do Orixá - Parte 2 - Psicanálise e Arquétipos dos Orixás. Disponível em: mms://wm01.mediaservices.ws/ftu12-ondemand/FTU_VIDEOAULA_19.wmv. Acesso em: 28 jan 2010.

2 comentários:

  1. Sua benção meu Pai!

    Pesquisei um pouco sobre Sófocles e encontrei uma informação interessante: ele teria dedicado um altar ao deus Asclépio ou Esculápio (em Latim) e era iniciado nos mistérios de Eleusis. Embora existam dúvidas se fora considerado um deus, Asclépio teria sido educado pelo centauro Quíron, que o educou na caça e nas artes da cura, principalmente por meio do poder curativo das ervas e da cirurgia e, inclusive, teria poder para trazer os mortos de volta à vida.

    Sobre o Inconsciente encontrei algumas idéias instigantes, postulações muito diversas. Uma delas afirma que além de se estruturar como linguagem que se manifesta por metáforas (substituição de um símbolo por outro) e metonímias (substituição de um objeto por outro) - pode ser, apesar de tudo, decodificado. Porém, o interessante, é que Lacan entendia que a cadeia significante nascia da falta de algo inatingível, que havia uma “Ausência” constitutiva desta cadeia significante que assume modos de oposição e diferença. Assim, se por um lado a estrutura era uma “Presença” que se estendia ao longo do tempo ou história sem mudar (Freud e estruturalismo ontológico), por outro, o encadeamento de toda a estrutura remonta a outra e assim sucessivamente até desaguar na “Ausência não estruturada”. Para Lacan “o inconsciente é o Real” - acho que teríamos uma aqui uma intersecção, um ponto comum entre os postulados.

    Como disse o senhor, se a espiritualidade está no inconsciente profundo, abaixo das vivências (analogia com a “Presença”), e se a espiritualidade é o que mais se aproxima ou se confunde com o espírito, que é o Real, logo o inconsciente é o Real, concordaríamos com Lacan (ao menos nesta proposição).

    Por fim, o senhor disse que se reconhece a importância da espiritualidade em várias ciências, mas a minha impressão é de que este ainda é um assunto tangenciado, quando muito, se não mesmo evitado ou até mesmo desprezado, por uns poucos.

    Há alguns anos havia uma certa proliferação das chamadas TVPs – Terapias de Vidas Passadas, e lembro-me que em uma determinada Gira, uma entidade disse, que uma das maiores fontes de traumas se encontrava no período entre vidas, entre os reencarnes. O senhor poderia falar um pouco sobre isso e como isso se repercute depois na vida encarnada, no inconsciente superficial? Imagino que cada caso é um caso, mas de forma geral o que ocorre conosco?

    Aratish

    ResponderExcluir
  2. Aranauam, Bênção meu Pai,

    Amei este texto. Complementa e firma o que assimilei durante as aulas de Psicologia e em todas as outras matérias e vivências no Templo.
    Tenho muito a aprender, mas já com esses aprendizados, consigo "ver", observar e compreender muita coisa à minha volta.

    Saravá, meu Pai!
    Fatima Desombergh

    ResponderExcluir