segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Introdução às Doenças Psicossomáticas

RESUMO

O médico deve ser um cientista, conhecer em profundidade a medicina acadêmica, mas não pode ignorar a influência dos aspectos psicológico e social no desencadeamento das doenças no indivíduo. Não podemos olvidar que as doenças são manifestações do indivíduo doente e não o contrário. É no indivíduo doente que a medicina psicossomática focaliza seus estudos, pois é ele quem determina a forma de apresentação e variações das diversas patologias.

Por intermédio do diagrama da interdependência entre mente, corpo e aspecto social e da discussão da trilogia: medicina somática, medicina psiquiátrica e medicina psicossomática, concluímos que a visão psicossomática está mais próxima da Espiritualidade, pois privilegia o indivíduo como um todo, em seus aspectos: bio (corpo); psi (alma, mente); social (relações sociais).

Palavras-Chave: Corpo, Espiritualidade, Medicina Psicossomática, Mente, Social.

ABSTRACT

The doctor should be a scientist and should have a deep knowledge into academic medicine, but can not ignore the influence of psychological and social aspects in the trigger of a disease in a person. We can not forget that diseases are manifestations of the individual patient and not vice versa. It is the sick person that psychosomatic medicine focuses its studies. It is he who determines the form of presentation and variations of various diseases.

Through the diagram of the interdependence between mind, body and social aspect and the discussion and the trilogy: somatic medicine, psychiatric medicine and psychosomatic medicine, we can conclude that the psychosomatic view is closer to spirituality, because it focuses on the person as a whole in its aspects : bio (body); psi (soul, mind), social (social relations).

Keywords: Body, Spirituality, Psychosomatic Medicine, Mind, Social.


INTRODUÇÃO ÀS DOENÇAS PSICOSSOMÁTICAS

“Sabemos muito bem que ficamos doentes quando as condições de vida são hostis, e nos mantemos saudáveis quando são favoráveis”

Hipócrates


Antes do breve comentário que faremos da última parte da trilogia médica – medicina psicossomática -, referimos que as medicinas somática e psiquiátrica atuam visando prevenir, atenuar e, se possível, curar as doenças, tendo uma abordagem apenas somática do indivíduo. Por sua vez, a medicina psicossomática procura o entendimento integral, não separa a unidade mente-corpo.

Achamos que o médico deve ser um cientista, conhecer em profundidade a medicina acadêmica, mas não pode ignorar a influência dos aspectos psicológico e social no desencadeamento das doenças no indivíduo.

Na atualidade, o médico tem à sua disposição equipamentos de ponta, o que é importante, todavia em tal nível de sofisticação, parece faltar uma correspondente otimização na compreensão da pessoa humana. As técnicas apresentadas nas áreas emocional e social não têm sido desenvolvidas na mesma intensidade. Desse modo as três partes do existir humano – corpo, mente e social – os esforços diagnósticos e terapêuticos têm sido concentrados praticamente na área corpórea.

Não podemos olvidar que as doenças são manifestações do indivíduo doente e não o contrário. É no indivíduo doente que a medicina psicossomática focaliza seus estudos, pois é ele quem determina a forma de apresentação e variações das diversas patologias.

Na atualidade a maioria dos médicos não tem tempo para ouvir seus pacientes, não usa o diálogo como terapia; deveria além de comprovado saber científico, possuir a capacidade do verdadeiro “doutor”, dar como primeiro remédio atenção e compreensão, para a seguir entrar com o arsenal medicamentoso, próprio de seus conhecimentos acadêmicos. Alguns colegas alegando cientificismo hi-tech são céticos ao poder do diálogo como terapia, de dar atenção e ser solícito com o paciente e seus familiares.

Remontando a OMS (Organização Mundial de Saúde) a qual defende a tese que saúde não é apenas ausência de doença, mas completo bem estar físico, psíquico e social. O indivíduo deve ser analisado de forma global, irredutível, de maneira não fragmentada, o que não vem acontecendo.

Quando por intermédio de perfeita diagnose chegamos à conclusão que este ou aquele órgão encontra-se alterado devemos, antes de qualquer atitude, entender que o achado clínico reflete a enfermidade do indivíduo. Não é o órgão que adoeceu, mas sim o paciente como um todo, e o órgão afetado é o alarme orgânico, o órgão de choque (órgão alvo) sinalizando que o indivíduo doente manifesta a doença.

Negando a hipervalorização dada, as doenças somáticas e psíquicas isoladas, pois temos certeza que a mente, o corpo, o social e o cultural formam uma unidade, são inseparáveis.

Tendo como intenção objetivar o que afirmamos sucintamente, relataremos o histórico (adaptado ao texto) sobre a enfermidade de um indivíduo que tivemos oportunidade de tratar.

Paciente do sexo masculino, 45 anos, aparentando bom estado geral com queixa de desconforto abdominal, há seis meses.

Após minuciosa anamnese e interrogatório de praxe, nada pudemos acrescentar à sua queixa. O paciente era introvertido, não colaborava e respondia com monossílabos aos nossos questionamentos. Esfregava as mãos continuamente, com a face tensa demonstrando ansiedade e contrariedade. Serenamente, sem irritação, explicamos a necessidade de ele responder as nossas perguntas as quais proporcionariam o diagnóstico e a terapia adequada. O paciente sentiu-se mais confiante, e arriscou uma pergunta: por que você me faz questionamentos que não tem relação com a doença? Explicamos a ele que a doença além dos fatores corpóreos possui os da mente e do cotidiano.

Do breve comentário, podemos deduzir que os pacientes não falam com seus médicos além de seus sintomas físicos. Não acham necessário falar sobre seus pensamentos, sentimentos, crises financeiras, crises afetivas, etc. O médico atuante na medicina psicossomática saberá como motivar o paciente a dialogar, começando aí, na terapia do diálogo, o processo de retorno ao equilíbrio, ao natural.

Continuando a anamnese, concluímos não haver história prévia e nem atual de etilismo (era abstêmio), tabagismo ou outros hábitos. Na história familiar, apenas o avô paterno estava com 93 anos e apresentava hipertensão arterial (?)...

No exame físico, digno de nota, fígado palpável a 2 cm do rebordo costal direito, indolor e mole.

Nos exames complementares solicitados, constatamos pequenas alterações bioquímicas na função hepática. Como o quadro de desconforto abdominal se agravara, estando a crase sangüínea normal, optamos por uma biópsia, sendo o diagnóstico anatomopatológico de cirrose hepática (desarranjo da citoarquitetura das células hepáticas).

Não havia nada que justificasse o quadro clínico, pois como afirmamos, até então, o paciente jamais havia procurado o concurso médico. Afastáramos quadro infeccioso prévio (hepatite), quadro imunológico (doença auto-imune). Então pensamos em fígado reacional, mas por quê?

Conversando com o paciente, esposa, filhos e genitores que eram vivos e gozando de “plena saúde” muito sutilmente, dissemos que seus hábitos, comportamento colérico, irritável e essencialmente atrabiliário poderia ser o fator predisponente, etiológico da cirrose hepática.

Realmente, em sua personalidade atrabiliária estava a causa da doença, pois esta era simples manifestação de seu comportamento em relação à própria vida. O comportamento irritável, além de fazê-lo doente, havia iniciado um processo de alterações morfológicas em órgãos-alvo como fígado, coração e rins (interligados na fisiologia dos fluidos invisíveis).

Nas entrevistas que tivemos posteriormente com o paciente, após resultado do exame anatomopatológico do fígado, lhe explicamos que seu comportamento era a causa fundamental de sua doença. Também lhe dissemos que mudando seu comportamento, e nisto o ajudaríamos, poderia encontrar a cura não só do fígado, mas de seu corpo e de sua alma.

O princípio mais importante desta abordagem é o de propor ao paciente que uma análise das partes nunca pode proporcionar uma compreensão do todo, uma vez que o todo é definido pelas interações e interdependências das partes. As partes da unidade não mantém sua identidade quando estão separadas de sua função e lugar no todo.

Antes de apresentarmos o diagrama da interdependência entre os aspectos mental, corporal e social que proporciona uma diagnose e terapêutica seguras, salientamos que o diagnóstico se apóia na tríade: anamnese (entrevista); exame físico (geral e especial) e exames subsidiários ou complementares (bioquímicos, imagens, etc).

Diagrama da interdependência entre aspectos mental, corporal e social

1º aspecto: dissociação

2º aspecto: conexão parcial

3º aspecto: interação

4º aspecto: unidade tripartite

5º aspecto: unidade biopsicossocial


No primeiro aspecto, expresso no diagrama, há completa dissociação entre corpo, mente e social. O paciente se apresenta com a linguagem do corpo (sintomas), olvidando os aspectos mental e social. Representa a maioria dos pacientes. Ex.: “Doutor tenho pedra nos rins”.

No segundo há uma conexão parcial entre mente, corpo e o social, mas de superfície. O paciente já demonstra sensibilidade, percebe que sua doença depende de outros fatores além do corpo. Ex.: “A angústia dá-me dor no peito”.

Na interação, o terceiro aspecto, demonstra um entrelaçamento entre corpo, mente e o social. A prevalência é do corpo seguido da mente e por último o social. Ex.: “Terminei o namoro e a tristeza piorou minha TPM”.

Na unidade tripartite admite-se que a doença é uma tríplice manifestação em proporções iguais dos três fatores, já aludidos. Esta unidade tripartite é percebida pelos médicos ou curandeiros que entendem a doença como um desequilíbrio ou desarmonia de um ou mais fatores.

O quinto aspecto, unidade biopsicossocial, é praticada pelos médicos capacitados na medicina biopsicossocial, que acreditam na convergência entre corpo, mente e meio externo ou social.

Depois do diagrama da interdependência entre mente, corpo e aspecto social e da discussão da trilogia: medicina somática, medicina psiquiátrica e medicina psicossomática, concluímos que a visão psicossomática está mais próxima da Espiritualidade, pois privilegia o indivíduo como um todo, em seus aspectos: bio (corpo); psi (alma, mente); social (relações sociais). Esperamos com isso ter proporcionado conhecimentos introdutórios sobre fundamentos que iremos discutir da medicina complementar ou integrativa em convergência com a medicina popular, pois quando necessário recorreremos à trilogia médica.

Esperamos não tangenciar, vamos para o centro, promovendo a terapia do diálogo ou diálogo como terapia não somente entre médicos e pacientes, mas entre as “várias medicinas”, que não descaracterizam a nobre arte de Hipócrates, fazendo-a convergir com a medicina popular propugnada pelos curandeiros, juremeiros, erveiros, mateiros, rezadeiros, benzedeiros e feiticeiros há milhares de anos.

Citando feiticeiros, curandeiros, rezadeiros e outros, somos remetidos à Espiritualidade que, mais uma vez insistimos, ser inerente a todo ser humano independente de ser ou não religioso.

A Espiritualidade transcende as religiões embora esteja em todas elas, sem exceção. Temo-La como a ciência de SER ESPÍRITO. No léxico encontraremos Espiritualidade com vários significados com o qual concordamos, mas ousamos acrescentar o tão discutido em nosso blog.

Também afirmamos como pressuposto que a Espiritualidade é o inconsciente profundo, exaustivamente discutida nos vários textos postados. Associamos o inconsciente profundo como sendo um espelho imerso no barro. Obvio que não cumprirá sua função, qual seja a de refletir a luz, a imagem. O barro ou a lama associamos ao inconsciente superficial. Portanto, remover ou fragilizar as camadas de barro (inconsciente superficial) devolvem ao espelho sua natureza primeva, refletir a luz, permitir, observar a “imagem”.

Concluímos que para acessar a Espiritualidade, precisamos vencer a “barreira” do inconsciente superficial. Em tese, o pressuposto, é claro e simples, todavia não é tão fácil. Por quê?

Imaginemos estar à procura de um tesouro (cofre). Quais as etapas que devemos cumprir? Primeiro, saber o local exato onde se encontra; segundo, ao encontrá-lo, saber a senha para abri-lo (decodificação); terceiro, iniciar a operação de abertura (tradução); quarto, o que esperamos encontrar, qual riqueza? Surpresa!!! O tesouro está vazio..., é... está vazio, vazio, vazio... Que tal?!?!

Suponhamos que sabemos do tesouro, sua localização, mas não sabemos a senha, muito menos a decodificação e menos ainda a tradução. O que fazer? Violá-lo? Como? Explodindo-o?!?! Se sim, imagine a frustração de encontrar “apenas” o vazio. A Espiritualidade é vazia de concretude; Ela não é nada daquilo que conhecemos como tudo.

As duas suposições apresentadas demonstram de forma alegórica as dificuldades de se acessar o inconsciente profundo. Primeiro precisamos superar o inconsciente superficial, que convenhamos é deveras difícil, esbarrando em tempo ilimitado.

Outro exemplo é o conhecido por todos, Estádio Jornalista Mário Filho – Maracanã. Imaginemo-lo lotado em todas as suas dependências, inclusive o próprio campo de futebol. São milhares de pessoas, as mais diversas personalidades e comportamentos. Pode-se imaginar que a aglomeração de pessoas possa trazer certos tumultos. Quais tumultos?

Primeiro, o locutor do estádio avisa que os portões de acesso a saída estão fechados. Isto ocasiona alguns comportamentos ou atitudes, desde a completa inação à máxima perturbação, conflitos, dilemas, e outros.

Segundo, um novo aviso diz que os portões que permitem a saída foram abertos. Que todos tenham paciência mantenham-se serenos e cooperem entre si, pois isto facilitará a saída.

Terceiro, os que estiverem mais próximos da saída serão os primeiros a deixar o estádio. Os demais demorarão mais tempo em decorrência da distância que se encontram dos portões de saída.

Quarto, há os que não desejam sair e não se importam se estão atrapalhando ou não a saída dos outros.

Acredito ser muita alegoria... Mas o Maracanã, na analogia que fizemos, está relacionado com o inconsciente superficial. O lado de fora do estádio com o inconsciente profundo – a Espiritualidade.

Não temos nenhuma pretensão de ensinar como acessar a Espiritualidade, apenas informamos. Nós como outros, também estamos nos havendo com o nosso inconsciente superficial, portanto não se veja nisso, na informação, que já somos liberados. Nada disso, muito longe.

Por estas e outras escrevemos vários textos. Somos como os ponteiros do relógio, informamos que a hora é esta. É hora de tangenciar uma vez somente e, depois definitivamente, se dirigir ao centro – à Espiritualidade.

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá



Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar"

Publicação 13

Bibliografia

Aspectos Psicológicos e Psiquiátricos

  • ANDRADE, Arthur Guerra de. ALVARENGA, Pedro Gomes.Fundamentos de Psiquiatria. 1. ed. Barueri: Manole, 2008, 644p.
  • AUSIELLO, Dennis. GOLDMAN, Lee. Cecil - Tratado de Medicina Interna - 2 Vols. 23. ed. Rio de Janeiro: Ed. Elsevier, 2009, 2688p.
  • BICKLEY, Lynn S. Propedêutica Médica – Bates. 8. ed. Rio de Janeiro: Ed. Guanabara Koogan, 2005, 928p.
  • MURPHY, Michael J. COWAN, Ronald L. Psiquiatria – Murphy – Série Blueprints. 4. ed. Rio de Janeiro: Ed. Revinter, 2009, 152p.
  • PADRO, Cintra do. VALLE, Ribeiro do. RAMOS, Jairo.Atualização Terapêutica. 23. ed. Porto Alegre: Ed. Artes Médicas, 2007, 2400p.
  • PAIN, Isaias. Tratado de Clínica Psiquiátrica. 3. ed. São Paulo: E.P.U. Ed, 1991, 370p.
  • PINHEIRO, Raimundo. Medicina Psicossomática – Uma abordagem clínica. 1. ed. São Paulo: Fundo Editorial DYK, 1992, 125p.
  • PORTO, Celmo Celeno. PORTO, Arnoldo Leme. Semiologia Médica. 6. ed. Rio de Janeiro: Ed. Guanabara Koogan, 2005, 1356p.
  • SÓFOCLES. Édipo Rei. 1. ed. Porto Alegre: L&PM, 2001, 104p.

Aspectos Religiosos

  • RIVAS NETO, Francisco. Do Sincretismo à Convergência. In: II CONGRESSO BRASILEIRO DE UMBANDA DO SÉCULO XXI, São Paulo: Faculdade de Teologia Umbandista, 2010.
  • RIVAS NETO, Francisco. Sacerdote, Mago e Médico : cura e autocura umbandista: terapia da alma. 1. ed. São Paulo: Ícone, 2003, 493p.
  • RIVAS NETO, Francisco. Vídeo-Aula 19: A ciência do Orixá - Parte 2 - Psicanálise e Arquétipos dos Orixás. Disponível em:mms://wm01.mediaservices.ws/ftu12-ondemand/FTU_VIDEOAULA_19.wmv. Acesso em: 20 fev 2010.

5 comentários:

  1. Ashe Baba mi.
    O senhor traz conceitos superiores sobre saúde e doença, e resgata o papel do médico como curandeiro. Este papel, tão olvidado ultimamente, nos devolve a dignidade da Arte de Curar. Parabéns, Mestre!
    Sinto-me feliz e honrada por ser sua filha. E que eu possa encontrar a lucidez de raciocínio que vejo nestas linhas.

    Obaositala

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  2. Mestre, certa vez eu sonhei que o senhor, ao me conduzir até um recinto, recomendava-me que eu prestasse atenção a todos os detalhes dele.

    Que eu registrasse tudo na memória, dada a importância de cada um dos muitos detalhes que adornavam ricamente o referido recinto.

    Eis que depois de algum tempo de espera, a porta se abriu e eu entrei... numa sala vazia, toda branca, sem objetos, sem adornos, sem nada. Nada! Apenas uma sala muito branca, muito limpa, e muito vazia...

    Como a sala era vazia, tive que olhar para mim...

    A analogia do cofre cujo tesouro é o vazio fez-me lembrar o sonho.

    Obrigado pelo texto, pela companhia e por tudo o mais!

    Sua Bênção, Mestre!

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  3. Sua benção Mestre!
    Aranauan, Saravá, Motumbá, Kolofé, Mucuiú, Axé a todos os irmãos planetários!

    Ler o último texto da trilogia “Introdução às Doenças” nos enche de alegria. Como descrito no resumo, o inédito diagrama de interdependência de mente, corpo e social auxiliado por todas as discussões anteriores favorecem a tese que a visão psicossomática está mais próxima da Espiritualidade.

    Também percebi que este texto oferece respostas interessantes para as perguntas anteriormente formuladas pelos leitores no espaço de comentários. Desta maneira, o blog oferece um conteúdo simples e profundo, que é desdobrado pelo diálogo. Aliás, mais uma vez evocando o texto, “promovendo a terapia do diálogo ou diálogo como terapia”.

    Pela abrangência do assunto, possuo várias perguntas e sinto-me estimulado à discussão de várias idéias dentro e fora desta ferramenta. No entanto, Pai Rivas diz que “Quando se pergunta muito, não sobra espaço para as respostas”. Sendo, assim gostaria apenas de abordar uma pequena relação que o texto permite: Tratamento médico-paciente e Sociedade.

    Tenho convicção que este binômio é afetado pelo ambiente (leia-se social). Várias seriam as exemplificações, mas focarei o tempo e a remuneração dos profissionais de saúde.

    O sistema público de saúde, de uma maneira geral, oferece poucas vagas à comunidade. Em um posto de saúde o cidadão normalmente sofre para conseguir atendimento, algumas listas de espera apresentam filas de meses. Isto faz com que o médico acelere a consulta para conseguir atender minimamente a maior parte da população que o busca. Junte-se isto ao fato que o mesmo recebe uma péssima remuneração.

    No sistema privado os problemas são um pouco diferentes, mas a consequência é basicamente a mesma. Com os preços impeditivos, a maior parte da população parte para os planos de Saúde. Por sua vez, visando o lucro pelo lucro as Operadoras de Saúde estabelecem preços mínimos de remuneração aos médicos. As clínicas particulares e hospitais para se sustentarem (e algumas também com intuito do lucro abusivo) impõem metas de atendimento em seus leitos. Conclusão, o médico é forçado novamente a acelerar a consulta e enxergar seus pacientes como insumos de uma cadeia produtiva. Na verdade vou além, analogicamente a Operadora de Saúde funciona como um Banco, o Hospital como Financeira e o paciente vira cliente deste sistema de crédito com juros abusivos que luta unicamente para atender a necessidade básica de sobrevivência.

    Este exemplo ilustra como um fator social dificulta o diálogo médico-paciente. Não é um fator isolado, afinal o próprio texto fomenta a percepção da unidade biopsicossocial, mas o blog permitiu este ângulo de interpretação. Mais uma vez agradeço ao Pai Rivas por construir um ambiente na internet onde o leitor tem a liberdade de dialogar com responsabilidade visando a Espiritualidade.

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  4. Sua Benção,Mestre!

    Sinto-me muito feliz em ler o texto,pela sabedoria e profundidade dos conceitos apresentados,bem como pela clareza com que são expostos.

    Realmente, o texto "abre a cabeça" e sua leitura traz bem-estar.

    O uso de exemplos, analogias, alegorias são poderosos, facilitam muito entendimento.

    Creio que estes textos todos do blog são de importância e significados históricos, pela força de sua Verdade e pelo ineditismo conceitual e midiático (Internet).

    No futuro, certamente servirão de referência global para o desenvolvimento de uma "nova Medicina", para a abençoada conexão entre Medicina e Espiritualidade.

    Taratanan.

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  5. Benção Mestre,
    Seus textos pra variar são fantásticos porque refletem sua SAbedoria de Mestre, essencial para nós, seus discípulos.
    Gostaria de fazer um comentário sobre este carater de integraliade proposto pela psicossomática e que a-aproxima mais de nossa visão espiritualista.
    A psiquiatria tem sofrido algumas mudanças nas últimas décadas: tem-se percebido que os aspectos relacionais, ou seja, emocionais e sociais estão presentes no desencadeamento das doenças mentais. A partir disso, mudou a forma de tratamento: privilegiam-se os grupos terapêuticos e os atendimentos familiares bem como os hospitais psiquiátricos estão sendo substituidos por serviços na comunidade. As intervenções visam a reinserção social. Ou seja, um outro conceito de sáude, não como reparo de danos mas como promoção de vida.
    Neste sentido, tem-se utilizado o termo Saúde Mental, que abrange as várias abordagens possíveis, dentre elas a psiquiatria.
    Assim, o saber biológico,do médico, passa a dividir espaço com outros saberes, de outros profissionais. O objetivo é transpor dicotomias (bilógicox psicológico, individualx coletivo).
    Estudos realizados em diversos países comprovam que esta nova forma de tratar é mais eficaz, além de mais humanizada.
    Tenho achado isso bom, na prática é muito visível.
    A psiquiatria parece estar caminhando no mesmo sentido da psicossomática.

    Obrigada,
    Benção,
    Fernanda

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